[REC]2

by Pablo 28. fevereiro 2010 22:44
Comentário sobre o terror espanhol dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza.

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novos filmes | podcasts

Meus filhos não são índios

by Pablo 28. fevereiro 2010 22:31
Presentear uma criança é muito fácil; basta lembrar-se do que você gostava de ganhar na infância: brinquedos. Sim, você pode até optar por roupas (ao menos os pais do aniversariante vão gostar), mas desde que se certifique de que esta traz algum super-herói ou personagem do Cinema ou da televisão estampados no tecido. Em outras palavras: não estamos falando de física quântica; crianças são fáceis de agradar.
 
Mas querem saber o que não é um bom presente de aniversário? Uma bíblia.
 
Em primeiro lugar, é algo que qualquer criança, por mais religiosa que seja, achará chato. E segundo - e mais importante -, meus filhos não são índios para serem catequizados por um convidado metido a missionário. Para completar: educação religiosa cabe aos pais. Eu determino o que quero ou não ensinar aos meus filhos a este respeito - e se você ainda por cima conhece a posição anti-Religião do pai do aniversariante... bom, aí o presente já deixa de ser simplesmente uma gafe e vira uma ofensa.
 
"Ofensa?", podem pensar alguns. "Que exagero. Dar uma bíblia de presente não pode ser considerado uma ofensa!".
 
Ah, não? Pois veremos como o casal (evangélico) que nos presenteou com uma bíblia irá se sentir quando, no próximo aniversário de um de seus filhos, eu presenteá-los com o que chamo de box "Escolha uma Religião": um pacote que inclui o Corão, o Talmude (e o Torá) e, claro, o Evangelho Segundo o Espiritismo.
 
Já a bíblia ficará de fora, pois presumo que a criança em questão já possua uma.

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discussões | Luca & Nina

Críticas - 26/02/2010

by Pablo 27. fevereiro 2010 00:37

Simplesmente Complicado.

Update: O Segredo de Seus Olhos. (Caso prefira, o áudio que gravei sobre o filme argentino pode ser ouvido aqui.)

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críticas | novos filmes

Meus leitores

by Pablo 26. fevereiro 2010 02:57

Tenho publicado aqui, vez por outra, mensagens carinhosas enviadas pelos leitores. Acho que é hora de retribuir.

Eu adoro meus leitores.

Desde os primeiros dias do Cinema em Cena, quando o site ainda tateava em busca de um caminho ou uma linha editorial, uma coisa ficou clara para mim: eu queria criar o maior número possível de espaços para que os leitores pudessem se manifestar. Para que tenham uma idéia, nos primeiros dois anos, quando o site era todo concebido em HTML e não tinha um banco de dados ou mesmo uma equipe técnica (eu fazia tudo sozinho, do péssimo layout ao péssimo código), cada crítica incluía um link para envio de emails - e assim que recebia estes emails, eu os inseria manualmente na página, um por um. Positivos ou negativos. Pouco depois, em 2000, criei uma lista de discussão que se mantém ativa até hoje (com o velho leitor Danzer0 como moderador) e eventualmente foi a vez de nosso fórum, que, de uma maneira ou outra, existe desde 2002 (também com seus valorosos moderadores).

Com o crescimento do site, porém, fui perdendo a chance de interagir com os leitores - algo que acabou sendo solucionado com a criação do blog em agosto de 2004 (o primeiro post se encontra aqui). Além disso, como sabem, temos comunidades no Orkut, no Facebook e no Twitter (onde também tenho uma conta pessoal).

Em outras palavras: sou viciado nos leitores do Cinema em Cena.

Sim, há alguns poucos que parecem apenas interessados na provocação. Mas há outros que discordam com educação e se mostram interessados no debate. E há muitos outros que se declaram fãs confessos, o que, claro, me enche de alegria. E há, claro, a maioria silenciosa que lê sem jamais comentar - e cuja existência conheço apenas pelas estatísticas de acesso do site, mas que, ainda assim, se mostram sempre importantes para mim.

E sou sempre surpreendido por vocês: cada vez que alguém se aproxima de mim e se apresenta, dizendo acompanhar o Cinema em Cena, sou inundado por uma sensação de imensa satisfação e orgulho. Ganho o dia. Cada email carinhoso guardo numa pasta especial. E isto é só a ponta do iceberg: já recebi presentes (pessoalmente e pelo correio e variando de livros a filmes, camisas, bonecos e pinturas) e até mesmo convites atípicos, mas ainda assim gentis. Um leitor de outra cidade, sabendo que eu visitaria seu Estado para dar o curso, me informou que havia construído um home theater em seu apartamento e que se sentiria "honrado" em me receber para uma sessão. Já uma leitora recém-casada, ao me descobrir no Twitter e sabendo que seu marido era fã do meu trabalho, perguntou se eu poderia encontrar com ele como uma "surpresa", uma espécie de "presente". E estes dois exemplos ocorreram apenas nos últimos meses - e se declinei em ambos os casos, não posso deixar de dizer que também me senti feliz e honrado com os convites. E que gostaria de poder atender a todos os convites do tipo que chegassem por email.

Porque vocês são tremendamente importantes para mim. Leio cada comentário aqui publicado ou enviado pelo twitter, orkut, facebook, etc. Não posso responder a todos, já que passaria todo o meu tempo fazendo isso, mas, acreditem, dou importância igual a todas as palavras enviadas por vocês. Muitos que vivem da escrita têm uma relação de amor-e-ódio com seus leitores.

Pois o meu caso é de uma paixão avassaladora, constante e eterna.

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editorial

RaUL, filósofo brasileiro

by Pablo 24. fevereiro 2010 19:59

O RaUL, para quem não sabe, tem twitter. E é imperdível. Um dia vira livro.

E simplesmente não posso deixar de transcrever aqui uma série de tuitadas que ele publicou há alguns minutos e que demonstram que até mesmo a mais estúpida das criaturas é capaz de ver certos absurdos:

"EMAJINE COMO CERIA SE O FAUSTÃO COMESSACE A PUCHAR O SACO, SEM, PARAR, DE UM BANDO DE MONGO, DA, RUA, A, O, EM, VÉS, DOS ASTRO DA GLOBO.

E EMAJINE CE ELE DESCOBRICE VÁREOS SINÔMBALO PARA A ESPRESSÃO "UM MONSTRO SAGRADO DA _____ BRASILEIRA' E FOCE UM PECEUDO ENTELEQUITOAU.

E EMAJINE CE ELE FICACE TUDO CÉRIO, COMO, SE, QUISECE CONVENCER TUDO MUNDO QUE AS MERDA QUE ELE HÁ PRESENTA SÃO EMPORTANTE DE VERDADE.

BEM, PÁRA DE EMAJINAR E CIGA @PBiaL"

Im-pe-cá-vel. Porque chamar de "heróis" um bando de gente fútil em busca de fama fácil é uma ofensa não só à inteligência alheia, mas a todo um povo que se mata diariamente para colocar comida na mesa.

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discussões | twitter

Lost S06E05

by Pablo 24. fevereiro 2010 02:11

(Spoilers ahead.)

Então os números finalmente foram explicados. 

O quê? Não percebeu? Ou não ficou satisfeito? É, creio que era inevitável que muitos ficassem decepcionados com a explicação sobre os números, independentemente de qual fosse esta. De minha parte, creio que ela é suficientemente satisfatória para aplacar minha curiosidade: 108 números, 108 candidatos. Cada número, um grau no farol permitindo que Jacob monitorasse seu dono à distância. Os seis números mais importantes (4-8-15-16-23-42) são, obviamente, aqueles relacionados aos personagens-candidatos da série e cujos nomes já haviam sido listados lá no início, durante a segunda temporada - além de, claro, montarem uma seqüência que, somada, leva a 108, o que é elegante.

Assim, é natural que este episódio tenha sido escrito por Carlton Cuse e Damon Lindelof e dirigido por Jack Bender, já que, do ponto de vista da mitologia de "Lost", é um dos mais importantes justamente por responder a uma das questões mais fundamentais da série.

Dito isso, a idéia das dimensões paralelas, embora excelente em conceito, vem se revelando uma decepção. Porque o fato é que simplesmente não dou a mínima para a relação entre Jack e seu filho. E sabem por quê? Porque eu acabo de conhecer o personagem depois de cinco anos de série!

Esta é a falha básica das dimensões paralelas adotadas nesta sexta temporada: o que ocorre no universo no qual o Oceanic 815 não caiu é desinteressante e frágil, do ponto de vista dramático. Depois de investirmos todo esse tempo na série, queremos saber o que acontece com os personagens que conhecemos, não com aquelas versões recém-apresentadas. Oh, então Jack cruzou pelo japonês Dogen no recital do filho?! Hum. Três palavras: quem se importa?

Já a idéia de Claire como uma nova Rousseau é simplesmente estúpida. Claire jamais foi uma personagem particularmente interessante e, sinceramente, foi bom vê-la fora da série. O problema é que, ao trazê-la de volta, os roteiristas sentem a necessidade de justificar seu retorno, o que nos condena a passar mais tempo com a moça. Frustrante. Mas este nem foi o maior tropeço do episódio, já que a cena em que Jack e Kate se encontram ao acaso na floresta não só se revelou completamente descartável (e não há tempo a perder nesta sexta e última temporada!), como ainda soou simplesmente absurda.

Mas ao menos os números foram explicados. E isso, convenhamos, já é muita coisa.

P.S.: Vira e mexe, alguém comenta que Lost tem pendores racistas. Michael, Walt, Mr. Eko, Rose, Abbadon, Naomi... todos foram relegados ao esquecimento, a quase figurantes, ou simplesmente assassinados pelos roteiristas. Bom... com o que ocorre no episódio de hoje, os realizadores da série não ajudaram muito a própria defesa.

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séries de tevê

Nostalgia ou perda real?

by Pablo 23. fevereiro 2010 03:11

Quando adolescente, troquei muitas cartas. Correspondia-me com meu tio, que morava (e mora) em Salvador, com uma amiga do Rio de Janeiro e, quando viajava nas férias, enviava cartas saudosas para a namorada. Todo o exercício era pensado: não era uma simples questão de botar palavras no papel, envelopar, selar e postar. Não. O simples fato de botar a tinta no papel, escrever de próprio punho, sabendo que aquelas palavras seriam lidas por alguém querido do outro lado... isso mudava a dinâmica. Cada palavra era pesada, escolhida a dedo e medida contra suas colegas de cada lado da frase. Era fundamental ser preciso, dizer o queríamos dizer, mas também da melhor maneira - fosse esta a mais elegante, a mais econômica, a mais sentimental ou a mais contundente.

Isso acabou. Agora, basta entrar no MSN, no Orkut, no Twitter ou no Facebook e disparar uma mensagem rápida para seu alvo. Este a lerá, responderá de maneira igualmente rápida e abrirá outra janela para ver um vídeo no YouTube. Demore 10 minutos para responder e acabará recebendo outra mensagem impaciente criticando sua lentidão. As palavras perderam a importância enquanto meio; já são um fim em si mesmas. Não importa a construção da frase, basta que esta cumpra sua função rapidamente.

Não é que eu sinta falta da demora. Como qualquer um, não consigo me imaginar esperando dias ou semanas por uma resposta. Não. Eu simplesmente sinto falta do romantismo de escrever com cuidado não para o público de um blog, mas para aquela pessoa em específico. De polir cada sentença imaginando a reação que ela terá ao ler o que construí no papel. De embolar o papel, frustrado, ao constatar que aquele parágrafo não saiu como deveria. De abrir a carta-resposta antecipando os tesouros que esta traria.

E era certo que esta não me surpreenderia com um "LOL. Rachei aqui com sua carta. xoxoxoxo".

A carta era uma forma de arte. Não é à toa que temos livros que reúnem trocas de correspondências entre escritores, políticos, cientistas, poetas e seus pares. Esta arte deixou de existir. E também a possibilidade de registro deste vai-e-vem de palavras. Vocês conseguem imaginar algo como "Tuitadas entre Rimbaud e Verlaine"? Ou "Conversas de Lispector no MSN"? 

Amo e abraço a tecnologia. Acredito firmemente que novas mídias são capazes de trazer frutos inesperados. Este post, por exemplo, começou com uma série de twittadas.

Mas é no mínimo revelador que eventualmente eu tenha sentido a necessidade de transformá-lo num post de blog. E é triste saber que jamais poderei envelopá-lo e despachá-lo pelo correio. Meus correspondentes agora são vocês e isso traz muitas alegrias. Mas antecipar o recebimento pelo correio de uma resposta cuidadosamente concebida não é uma delas.

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cotidiano | discussões

Curso em Florianópolis

by Pablo 22. fevereiro 2010 21:41

Matrículas abertas!

Em Campinas, restam apenas 11 vagas; em Fortaleza, 14.

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curso

Dear Sister

by Pablo 22. fevereiro 2010 17:14

(Excepcionalmente, para ler o restante deste post você terá que clicar em "Leia mais". Fiz isso porque o vídeo que adicionei inicia sozinho e seria um saco para todos ter que pausá-lo sempre entrassem no blog.)

Ontem publiquei um link para o seguinte vídeo no Twitter: Leia mais...

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vídeos

Expressões de Busca - Fevereiro de 2010 - Parte 2

by Pablo 22. fevereiro 2010 05:05

Expressões de busca atípicas que trouxeram visitantes ao Cinema em Cena nos últimos dias:

"sex" (509 MILHÕES de resultados. Espero que ele tenha achado o que procurava.)

"videos porno gravado em salvador" (Porque gosto de sexo com sotaque!)

"sexoporno" (Não tem jeito, sempre lembro do RaUL.)

"sharki boi e lava girl" ("Sharki boi" já fez meu dia valer a pena.)

"mulheres transando com um ponei" (Porque com "um cavalo" seria repulsivo, mas com um pônei é até bonitinho.)

"o que esta passando na globo agora" (Por que não liga a tevê e olha? E como o Google pode saber quando é "agora"?)

"pornos incestos amador" (Ah, claro, porque todos os praticantes de incesto imediatamente pensam em gravar o ato e colocá-lo na Internet.)

"jecica da cidade parambu ce" (E aí, Jécica, cadê tu?)

"ver mulheres pelada da play boy" (Enquanto o Google procura, vá ler regras de conjugação, play boy.)

"filme sexo brasileiro com mulheres idosas" (Um "Cinqüentinha" versão Brasileirinhas, digamos.)

"um negro, pobre, mendigo é recrutado por um cara de um serviço de ajuda aos necessitados pra um serviço no qual pode ganhar uma boa grana.. ele aceita, e é levado pra uma cabana no meiuo da floresta onde se reúnem vários caras ricos q vão fazer uma caçada... o rapaz negro foi contratado ,segundo lhe disseram, pra ajudar durante a caçada, mas na manhã seguinte descobre q ele é a caça... soltam ele com uma hora de vantagem e vão atrá¡s dele cacá-lo, só de farra.. ele tem q lutar pra não ser morto..." (E aí??!? Continua! Tá bacana, continua!)

"filmes grates" (Também conhecidos como "peratas".)

"incestos" (Ok, vamos parar com isso???)

"brasileira nua" (Qual?)

"gatinha pelada" (Vou te ajudar.)

"mulheres nuas velhas pentelhudas" (Então... não... digo... como se... Não, não dá. Simplesmente não dá.)

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Expressões de busca

Críticas - 19/02/2010

by Pablo 19. fevereiro 2010 20:08

Um Olhar do Paraíso.

(Comentário em áudio sobre O Mensageiro aqui e, para quem preferir ouvir a ler, o que gravei sobre o filme de Peter Jackson está aqui.)

Update: Um Homem Sério. E para quem não se lembra, também fiz áudio comentário sobre Preciosa.

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O Lobisomem e trilogia Red Riding.

by Pablo 18. fevereiro 2010 18:06

Comentário em áudio sobre a nova versão de O Lobisomem.

Update: Comentário sobre a trilogia britânica Red Riding.

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Amigos virtuais

by Pablo 18. fevereiro 2010 17:47

A edição do curso em Porto Alegre já teria sido inesquecível pelo carinho com que fui recebido e tratado pela turma, mas houve um elemento adicional que tornou a experiência ainda mais memorável: tive, pela primeira vez, um aluno estrangeiro. Em outras edições, tive alunos que viajaram para as aulas (em São Paulo, tive aluno de Santos; em BH, de Governador Valadares, Alfenas e... Vitória!; e assim por diante), mas ninguém havia feito um esforço tão grande quanto o leitor Sérgio Colmán, que se deslocou 20 horas, do Paraguai a Porto Alegre, para acompanhar o curso. Foi algo que me deixou comovido e aumentou ainda mais minha já considerável sensação de responsabilidade diante dos alunos.

No entanto, como se seu esforço não fosse o bastante, Sérgio me enviou o seguinte email ontem - e pedi sua autorização para reproduzi-lo por achar que ele aborda uma questão que vários leitores já discutiram comigo ao me conhecerem pessoalmente e que acho muito curiosa: 

"Pablo, quero lhe agradecer pela sua paciencia e por fazer possivel eu assistir ao curso. Achei o curso maravilhoso e superou a minhas expectativas - realmente valeu o custo e a viagem de 20 horas até Porto Alegre. Espero poder fazer o segundo Modulo.

Isto eu queria lhe dizer pessoalmente, mas nao deu tempo; eu estava em Porto Alegre com a minha namorada e ficou dificil sair com a turma:  o que aconteceu quando eu estava assistindo ao seu curso foi uma dessas coisas que me surpreenderam, ao mesmo tempo que achei engraçado. Eu tenho lido suas criticas e seu blog desde 2000 ou 2001, nao posso lembrar bem. Quando eu vi voce parado na aula, eu senti como se conhecesse voce de toda a vida. Era um sentimento incômodo, porque para voce eu era um perfeito estranho. Ali parado na minha frente tava o Pablo, aquele cara que eu leio e sigo diariamente no seu blog e no site. Eu conheco esse cara; sei que seu filho se chama Luca e sua filhinha Nina; sei que ele perdeu seu pai muito cedo, quando ainda era uma crianca. Sei que ele estudou medicina e deixou para estudar cinema. Sei que ele perdeu faz tempo suas companheiras de colégio e ficou profundamente afetado por isso. Sei que toma antidepressivos e me lembro perfeitamente daquela vez que quase morreu e teve que ser operado de urgencia; as dores e a magia da dipirona; a atencao dos doutores, etc. Sei que este cara é defensor dos homossexuais e odeia a intolerancia, e também sei seu pensamento a repeito da religiao, coisas que eu compartilho absolutamente. Sei que ele deu a mao para o Scorsese e nao lavou mais ;). Sei que seu filme favorito é o Poderosso Chefao e que a primeira cena no inicio do seu curtametragem "A Etica" é uma homenagem à apresentaçao do Don Vito.

Assim, eu venho acompanhando e me emocionando com as historias sobre Luca e como ele "percebeu que a cena da luta do trem no Homem-aranha 2 deveria ter sido a cena final" ou quando Luca viu "O imperio Contra-ataca e lembrou de Toy Story 2" e as inumeras historias com o Luca e a Nina, que eu compartilho como se fosse acontencendo com o meu melhor amigo - só que ele nao me conhece, nem sabe da minha existencia. Eu nao acho isso triste porque é a realidade do mundo de hoje. Por uma parte, trata-se de uma realidade que faz a gente ter mais amigos virtuais do que reais, o que sim, é triste. Mas por outra eu fico orgulhoso de ter um amigo virtual que me ajuda a "construir" (assim como a montagem ;) ) uma visao da vida através de suas vivencias e historias pessoais, e uma visao unica sobre a arte que eu mais amo que é o cinema atraves das suas criticas. E fazendo o curso nao so aprendi muitissimo sobre cinema, mas tambem foi a oportunidade para conhecer pessoalmente, em poucos dias, aquele meu amigo virtual, que na realidade é uma pessoa de carne e osso. Digo isso com toda sinceridade: eu nao sou uma pessoa que costuma ser fã de alguem ou que gosta de idolatrias, mas realmente eu me sinto obrigado a reconhecer que acompanhando o seu blog e suas criticas eu mudei a minha vida. ¿como? Assim: eu sempre amei o cinema, mas - ¿eu falei que eu era arquiteto? - voce conhece perfeitamente como reagiu minha familia quando tomei a decisao de fazer cinema. Deixar a arquitetura pelo cinema foi uma das decisoes mais importantes da minha vida - e foi gracas a Pablo Villaca, porque com ele eu aprendi nao so a amar mais profundamente o cinema, mas tambem que eu posso viver do cinema, ainda que isso tenha seu custo e sacrificio!

Obrigado meu amigo Virtual!"

Obrigado a você, Sérgio. E a todos vocês que, aqui no blog e no Cinema em Cena, fazem essa profissão valer a pena.

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curso

Nina Wallace e Papai Longshanks

by Pablo 17. fevereiro 2010 22:28

Minha diversão favorita nos últimos dias é aprisionar Nina apenas para vê-la implorar por sua liberdade. Crueldade? Talvez. Mas sua impaciência crescente é tão bonitinha de testemunhar que não consigo resistir. 

Normalmente, começa assim:

- Táu, táu, papai!

- Tchau, filhinha! - digo, para despistá-la. Quando ela se vira, porém, eu a agarro e começo a beijá-la no pescocinho e a fazer cócegas. Depois de rir por alguns segundos, ela se lembra de que queria ir a algum lugar e diz:

- Cença, papai. Cença.

- Não dou licença, não! - e continuo a mordê-la. 

- Cença! Cença!

- Papai é mau! Não dou licença, não!!! - e insisto nas cócegas.

Até que eventualmente ela perde a paciência e berra:

- Sóta! Sóta mim! Sóta mim!

E eu a solto.

- Táu, táu, papai.

- Tchau, filhinha.

E a agarro novamente.

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Luca & Nina

Lost S06E04

by Pablo 17. fevereiro 2010 03:25
(Possíveis spoilers.)
 
Na semana passada, comentei que todos os episódios centrados em Kate haviam me desapontado em maior ou menor grau. Pois o oposto ocorre com os episódios pertencentes a John Locke - e a tradição se manteve: neste quarto capítulo da última temporada, Lost ofereceu uma das respostas mais importantes de toda a série ao revelar por que os nomes de Jack, Locke, Hurley e Sawyer estavam na infame lista sobre a qual ouvimos falar desde o início do programa. Além disso, as motivações do Homem de Preto foram esclarecidas de vez, bem como os motivos que o levaram a matar Jacob e a assumir a forma de Locke. Como se não bastasse, os realizadores retomaram as referências ao "Preto x Branco" que dominavam a série desde o início e começaram a sugerir uma possível explicação para os números.
 
Precisava mais?
 
Pois bem: na realidade alternativa, acompanhamos um Locke frustrado com sua paraplegia, mas mais doce do que aquele que conhecíamos - e seus encontros com Hurley, Rose e - claro! - Ben Linus soaram orgânicos e interessantes. Apesar disso, confesso que ainda não consigo perceber para onde estas narrativas paralelas estão caminhando e espero, portanto, que desempenhem alguma função. Um erro cometido no episódio passado foi evitado: relativamente pouco tempo foi dedicado à realidade "paralela", o que é ótimo, já que, sejamos sinceros, depois de investirmos cinco anos nos personagens "clássicos", não estamos muito dispostos a gastar tempo em versões que não conhecemos direito e cujos papéis estamos longe de compreender.
 
Um excelente episódio que, além das várias respostas, funcionou muito bem do ponto de vista dramático.
 
Que venha o episódio de Benjamin Linus. E o de Sawyer. E o de Desmond. 

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