Semana de Jornalismo em SC e O Fluminense, no RJ

by Pablo Villaça 9. setembro 2010 23:08

Duas notas rápidas:

1) Matéria para a qual dei entrevista, acerca de "vlogs" (estou na página 9); e

2) No próximo dia 15, quarta-feira, estarei em Florianópolis para participar do debate "A opinião consentida: olhares sobre a crítica cultural", que acontecerá como parte da 9a. Semana do Jornalismo da UFSC.

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Gen Pés Descalços

by Pablo Villaça 9. setembro 2010 13:25

Nos comentários do post anterior, o leitor Jorge Lima mencionou o mangá "Gen Pés Descalços", que lida com o ataque a Hiroshima - e imediatamente disparou em mim uma forte lembrança de quando assisti ao anime inspirado no trabalho autobiográfico de Kenji Nakazawa: eu devia ter cerca de 11 ou 12 anos (isto em 1985 ou 1986, portanto) e aluguei a animação no Video Clube do Brasil em BH. Este foi meu primeiro contato não só com a realidade de pesadelo da Segunda Guerra, mas também com um tipo de animação diferente, que lidava com assuntos adultos e chocantes. Fiquei ao mesmo tempo fascinado e aterrorizado - e até hoje me lembro do choque experimentado ao assistir à seqüência da devastação da cidade pela bomba atômica.

Inspirado por Jorge, revi o filme, que tenho em VHS (mas que não havia voltado a assistir desde aquele ano), e voltei a experimentar as mesmas sensações de antes.

Abaixo, a seqüência mais chocante do longa, que usa a expressividade da animação para retratar de maneira absurdamente realista as conseqüências da bomba.

(ATENÇÃO: É MUITO, MUITO, MUITO FORTE. PENSE BEM ANTES DE ASSISTIR. MESMO.)

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Hiroshima e Nagasaki, um crime premeditado

by Pablo Villaça 8. setembro 2010 18:58

Estou lendo "O Último Trem de Hiroshima", de Charles Pellegrino, mas antes de publicar um post específico sobre o livro (ainda estou na metade da leitura), senti uma necessidade absurda de comentar dois elementos específicos do ataque norte-americano a Hiroshima - elementos estes que, confesso, desconhecia:

1) Como já haviam conquistado Iwo Jima, os militares norte-americanos estavam usando aquela base aérea para o lançamento de investidas com bombas incendiárias sobre várias cidades japonesas. No entanto, eles misteriosamente pouparam Hiroshima e Nagasaki de todos os bombardeios. Bondade? Não: estavam guardando as duas para a bomba atômica, já que queriam lançá-la sobre uma cidade ainda intacta a fim de melhor avaliarem os resultados da destruição.

2) Todos os dias, três ou quatro aviões dos EUA sobrevoavam Hiroshima com dois objetivos: a) tirar fotos da cidade para compararem posteriormente com a cidade já destroçada; e b) levarem a população e a defesa anti-aérea a se acostumarem com a presença das aeronaves para que, assim, todos fossem pegos completamente de surpresa quando o ataque finalmente acontecesse.

Estes dois detalhes, somados às descrições detalhadas do ataque em si e dos resultados da bomba e da radiação me fizeram sentir um terrível embrulho no estômago.

Sim, os nazistas eram vermes miseráveis, verdadeiros vilões - ninguém contesta isso. Mas a esta altura a guerra já estava praticamente vencida e o lançamento das bombas cumpriu um papel mais político do que militar. Além disso, somados à tragédia em Dresden, os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki acabaram vitimando principalmente civis (incluindo mulheres e crianças), não alvos militares - e isto é imperdoável em quaisquer circunstâncias.

Um crime premeditadíssimo e repugnante.

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Eu, Eu Mesmo e Minhas Cópias

by Pablo Villaça 19. agosto 2010 17:41

(Update: Seguindo sugestões, mais "sósias" adicionados.)

Praticamente todos os dias, alguém no Twitter ou no YouTube me manda alguma mensagem durante a qual manifesta espanto em relação à minha "semelhança física" com alguma outra pessoa. Isso me indica duas coisas: 1) devo ter um rosto bem mais comum do que imaginava; e 2) o fato de praticamente todos os meus "sósias" serem feinhos não é bom sinal (o único bonito do grupo é justamente aquele com o qual não enxergo semelhança alguma).

Mas vamos aos candidatos a clone (esqueci alguém?):

William Bonner Fausto Silva Zeca Pimenteira The Real Thing Chazz Palminteri Bruno Mazzeo Biafra Fábio Arruda Mike Myers Zezé DiCamargo Rod Blagojevich Charlie Sheen Ney Franco

Mas particularmente acho que sou uma mistura equilibradíssima entre

Reinaldo Gianecchini + Paul Giamatti

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variados

Jorge Furtado

by Pablo Villaça 4. maio 2010 18:08
Normalmente, eu reservo posts que apenas trazem um link para o Twitter, mas desta vez abrirei uma exceção: o blog do cineasta Jorge Furtado foi uma descoberta recente que fiz e, após ler dois ou três posts, assinei o feed RSS por julgá-lo essencial. Um dos diretores e roteiristas mais talentosos de nosso Cinema (e, infelizmente, um dos mais subestimados), Furtado vem construindo textos incrivelmente bem articulados sobre os mais diversos temas em seu espaço pessoal - e o mais recente, contra a lei da "ficha limpa", é um deles.
 
Recomendadíssimo.

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Blog, twitter, etc, repensados

by Pablo Villaça 29. abril 2010 18:25

Eu não dou conta.

Eu simplesmente não dou conta.

Escrever é algo que faço desde sempre. Aos sete anos, escrevi meu primeiro "livro" - na realidade, uma historinha besta que ocupou 30 páginas de um caderninho, mas que para um garoto daquela idade tinha a dimensão de Os Lusíadas; aos 12, passei a editar o jornalzinho do Colégio Santo Agostinho 3; aos 15, escrevi um livro que, embora jamais tenha visto a gráfica, era suficientemente satisfatório para que eu percebesse que gostaria de colocar palavras no papel durante toda a vida.

Há alguns meses, escrevi no twitter algo como "Às vezes, lembro de como sonhava um dia poder ganhar a vida escrevendo e sinto uma vontade tremenda de voltar no tempo para compartilhar com meu eu jovem a boa notícia de que o sonho se realizará". Pois lembrei disso hoje e percebi mais uma vez como posso me considerar um felizardo: depois de largar a Medicina para investir num site de Cinema numa época em que a Internet engatinhava, eu tinha tudo para esborrachar a cara na parede da realidade. No entanto, quase 13 anos se passaram e aqui estamos nós. 

Sim, "nós". Porque, como digo sempre no curso, quem escreve quer ser lido. E consegui isso não só no Cinema em Cena, um dos mais acessados do gênero na web brasileira, mas também aqui no blog e no twitter. Mas não só isso: os leitores que me seguem há tanto tempo são, em sua maioria, extremamente carinhosos e gentis. Ler os cerca de 200 comentários deixados no penúltimo post é o suficiente para constatar isso, mas, como se não bastasse, recebi também uma imensa parcela de emails escritos com uma delicadeza ímpar. Emails longos, apaixonados e tocantes.

Da mesma forma, no Twitter, a manifestação geral foi de puro carinho, embora, aqui e ali, um ou outro tenha soltado um "tomara que se largue a crítica também" - e se certificado de incluir o "@pablovillaca" para que eu pudesse receber a ofensa em minha janela de mensagens pessoais (que gentileza, não?).

Porém, tão importante quanto este carinho é o fato de que eu simplesmente adoro escrever. Não sou um sujeito introspectivo que costuma ficar calado no dia-a-dia (e quem me conhece sabe que falo como um louco), mas manifestar-me pela escrita traz um prazer diferente, a sensação gostosa de estar selecionando cuidadosamente cada palavra para que a ideia possa ser manifestada com a máxima eficiência. Aliás, dizer que gosto de escrever é pouco - eu preciso escrever.

Nos últimos dois ou três dias, enquanto me neguei de forma masoquista estes espaços, senti que minha alma entupia. Via ou pensava algo que julgava interessante e logo começava a visualizar um post ou uma twittada. E então me lembrava de que estes veículos estavam fechados e sentia que ia explodir.

E é exatamente por isso que também concluí que parar de escrever sobre assuntos que me interessam ou incomodam, como política, religião e preconceito, seria uma estupidez. Não construí este espaço ao longo dos anos apenas para vê-lo ser pautado pelos interesses de alguns poucos insatisfeitos. Assim, se você não gosta desse tipo de tópico, minha sugestão é a de que concentre suas visitas no Cinema em Cena e no @cinemaemcena. Este blog e o perfil @pablovillaca são meus, pessoais, e neles falarei sobre o que bem entender. Justo, não? Afinal, como posso deixar de comentar a descoberta de que o PSDB está por trás de sites como "gentequemente" e "petralhas" - isto numa campanha na qual insistem em dizer que não são oposição ao Lula, que fez um bom governo, e na qual anunciam publicamente que não apelarão para baixarias? Como posso ignorar que Lula foi eleito pela TIME um dos homens mais influentes do mundo, mas que, embora encabece a lista, que não está em ordem alfabética, de idade nem nada assim, a Foxlha logo se encarregou em dizer que, embora esteja no topo, ele "não é o número 1" - num esforço claro de tentar diminuir a distinção alcançada pelo Presidente? Fosse um tucano na, sei lá, décima posição e o grupo Abril emplacaria manchetes do tipo "Serra entre os primeiros do mundo!". Como é Lula, porém, se matam na tentativa de tentar diminuir a honraria.

Não dá para ignorar estes temas. Minha família de "terroristas" (como diriam VEJA e Foxlha) lutou demais para que eu finalmente tivesse o direito de me manifestar publicamente e não vou jogar seus esforços e o de tantos outros "subversivos" no lixo apenas porque cansei de ler ofensas.

Assim sendo, peço desculpas pelo "drama" dos últimos dias. Um dos problemas de se ter um blog ou uma conta no twitter é esse: quando você é uma pessoa já de natureza impulsiva, corre o risco de desabafar publicamente quando alguns dias de reclusão seriam o bastante para esfriar a cabeça.

Cabeça já fria, mãos de volta ao teclado.

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editorial | twitter | variados

Hora de repensar blog, twitter, etc

by Pablo Villaça 26. abril 2010 22:55

Serei breve.

Acho que está na hora de repensar este blog e o twitter. Como sabem, desde o começo de minha carreira, em 1994, venho buscando formas de criar uma maior interatividade com os leitores. Foi daí que surgiram os fóruns do Cinema em Cena e, posteriormente, este espaço e também minha conta no twitter. O objetivo era criar não apenas um canal a mais através do qual pudesse falar sobre Cinema com os leitores, mas também discutir outros assuntos que me interessavam e que fugiam da esfera da Sétima Arte. Como falo no curso, a (boa) crítica cinematográfica nasce não só da análise mais objetiva dos componentes de um filme, bem como de seus significados, mas também das inferências subjetivas feitas pelo crítico a partir de sua própria ideologia, de sua visão de mundo, etc. É por esta razão que jamais hesito em abordar questões temáticas relacionadas à obra em meus textos, desde tópicos políticos e sociais a observações sobre medos particulares, passagens de minha própria história e assim por diante. Falei da morte de meu pai na crítica de Campo dos Sonhos, de minha luta contra a depressão ao escrever sobre As Horas e de minha repulsa por Bush no texto de Zona Verde. Expressei minha visão sobre o sexo ao analisar Kinsey, flertei com algumas questões existenciais ao discorrer sobre Minha Vida Sem Mim e busquei salientar a importância das memórias em nossas vidas ao falar de A Estrada.

E justamente por achar que expor minha forma de ver o mundo beneficiaria o leitor ao tornar mais completa sua compreensão sobre minhas críticas, passei a abrir este blog às minhas preocupações políticas, sociais e paternas - algo que meus amigos e parentes sempre viram com imensa preocupação e resistência.

Começo a pensar que estavam certos. Ultimamente, este blog e o twitter têm me feito mais mal do que bem. Os comentários deixados por muitos leitores aqui e no twitter têm me deixado preocupado e chateado em função de ataques rasos, míopes e agressivos a questões que encaro com zelo imenso. Alguns chegam a sugerir, em comentários, uma "maldade" por trás de meus textos, como se eu fizesse parte de uma gigantesca conspiração de dominação política do Brasil - quando, na realidade, meus ideais são movidos, acreditem ou não, por um profundo amor por este país e seu povo. 

Mas o mais frustrante é perceber que basicamente estou falando com as paredes. Ninguém mudará de opinião em função de um post de blog ou twitter. E o pior: alguns reacionários, já descobrindo este espaço, passaram a freqüentá-lo com o único propósito de deixar comentários contrários e agressivos para qualquer post que aqui seja publicado - e por mais que eu queira aprender a controlar meu temperamento e ser capaz de ignorar provocações, ainda não evoluí a este ponto. Sou uma vítima fácil de provocações, como muitos aqui já apontaram.

Pensei, então, em fechar os comentários como tantos outros blogs fazem. Mas isto, para mim, faria com que todo o exercício perdesse o sentido. Não gosto de monólogos; aprecio imensamente ler o que aqui publicam os leitores - especialmente quando os comentários são apresentados com educação e respeito por mim e pelos demais freqüentadores deste espaço. Assim, qual a opção restante? Limitar-me a falar sobre Cinema, como vários leitores têm praticamente exigido aqui e no twitter ao escreverem que não "entendo" de política (uma afirmação adolescente que tenta desqualificar-me apenas por que estas pessoas discordam de mim)? Não, isto também faria a brincadeira perder a graça.

No entanto, por que devo manter uma atividade que não me traz benefício algum? Não sou pago para blogar ou twittar; ganho a vida escrevendo sobre Cinema. Aliás, o blog e o twitter têm sido apenas fonte de estresse, desapontamento e frustração - e não sou masoquista para desempenhar uma atividade que, ainda que traga um ou outro prazer, na maior parte do tempo tem servido para me trazer raiva. Além disso, tenho descoberto que as pessoas não sabem separar muito bem o pessoal do profissional - e vira e mexe recebo um email, tweet ou comentário que me informa que, em função de minhas posições políticas, aquele leitor deixará de acompanhar o que escrevo como crítico. Em outras palavras: talvez fosse melhor, como profissional, manter uma fachada de distanciamento do público; afinal, a falta de interatividade com os leitores jamais prejudicou alguns de meus colegas mais proeminentes. Arrisco dizer que o contrário é verdade: o distanciamento talvez tenha contribuído para torná-los mais respeitados.

O fato é que tudo isso tem me levado a flertar cada vez mais com a idéia de encerrar este blog e minha conta pessoal no twitter. Especialmente por estarmos em um ano de eleições e por saber que minha paixão pelo assunto praticamente me impedirá de ficar passivo com relação aos desvarios que tenho testemunhado por aí - e vocês certamente notaram um número crescente de posts e tweets dedicados à política nas últimas semanas.

Não estou completamente decidido a este respeito, mas, sim, a inclinação neste momento é a de me afastar, de limitar meus textos a críticas e a um ou outro post ou tweet sobre Cinema, mas numa freqüência bastante inferior àquela com que costumo blogar/twittar.

E é claro que, como acabei me acostumando nos últimos seis anos, desde que iniciei este blog, não pude deixar de compartilhar isto com vocês. Certos vícios são difíceis de abandonar - mas acho que seria mais feliz se conseguisse me livrar deste. Especialmente porque decidi largar o anti-depressivo depois de vários anos e acho que o processo se tornaria mais fácil caso eu não tivesse que me preocupar também com polêmicas, desaforos e intrigas na Internet.

E não, acabei não sendo breve. Mas quem me conhece já sabe que isto não é surpresa alguma: sempre falo mais do que deveria.

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Abordagem equivocada

by Pablo Villaça 22. abril 2010 18:55

Todos os dias, recebemos propostas de parcerias e questionamentos sobre valores para anunciar no Cinema em Cena. Na maior parte do tempo, descartamos as parcerias por motivos óbvios, já que a maioria beneficiaria bem mais o "parceiro" do que o site, já que, com mais de 13 anos de estrada, temos uma audiência considerável. Mas normalmente respondemos com gentileza às ofertas, mesmo recusando-as.

Com exceção do email recebido hoje.

Apresentando-se como integrante da equipe de uma agência de publicidade, o autor do email explicou trabalhar na divulgação online de um filme brasileiro prestes a ser lançado e imediatamente fez a "proposta" de oferecer alguns kits para que sorteássemos para nossos leitores em troca de publicidade no site. E só. Nenhuma menção a alguma remuneração pelo espaço que ofereceríamos ou mesmo uma indagação sobre quanto cobramos por esse tipo de ação, como normalmente acontece. Em vez disso, escreveu:

"Aguardo o seu retorno o mais rápido possível, pois temos uma cota de blogs para fechar. Assim que alcançarmos essa cota de distribuição dos kits que possuimos não poderemos abrir concessões. Segue em anexo o nosso projeto de parceria."

Isso me irritou. Muito. E enviei a seguinte resposta que deixo aqui registrada caso alguma outra "agência" resolva confundir o Cinema em Cena com o blog do Zé:

"(xxx),

muito me espanta seu email dizendo que "não poderão abrir concessões", como se estivessem fazendo um favor ao Cinema em Cena em nos oferecer - oh! - kits de brindes. O Cinema em Cena atinge 1,5 milhão de usuários ÚNICOS por mês. Não nos coloque no mesmo pacote que blogs pessoais.

Não estamos interessados em sua "proposta" (que considerei ofensiva pelo conteúdo e pelo tom) e sugiro que pesquise um pouco mais antes de disparar estes seus emails da próxima vez. (xxx) é um grande diretor e merece uma assessoria mais atenta - o que me leva a questionar se ele está a par desta abordagem desastrosa de vocês, que conseguiu apenas ofender um veículo importante como o Cinema em Cena.

Um grande abraço e bons filmes!
Pablo Villaça"
 
UPDATE: A responsável pelo departamento de mídia social da agência em questão entrou em contato comigo se desculpando pelo email do sujeito. Curiosamente, eu havia fechado há algum tempo uma promoção menor e restrita ao Twitter com outro funcionário da mesma agência. E, em resposta ao email da supervisora, escrevi:
 
"(xxx),
 
pra ser bem sincero, estou um pouco farto de ver o Cinema em Cena e outros sites de nosso porte sendo tratados como veículos sem importância nos quais as promoções são uma forma de conseguir divulgação gratuita. Fechei a parceria do (xxx) por um único motivo: eu a foquei no twitter e fiz uma chamada no site. E pronto. O Cinema em Cena não irá mais oferecer esse tipo de opção de promoção -  A MENOS que esteja acoplada a remuneração pelo espaço.
 
Esta é uma insatisfação generalizada que, por exemplo, Marcos Petrucelli do E-pipoca compartilha comigo. As agências e distribuidoras não gastam um centavo em publicidade em sites IMPORTANTES como o Cinema em Cena, mas investem no Adsense e por aí afora.
 
A abordagem é tão equivocada que mesmo o (xxx), que foi bem mais diplomático que o (xxx), chegou a dizer duas ou três vezes que um dos kits a serem sorteados seria para mim - e o corrigi sutilmente dizendo que não ficaria com nenhum, que sortearia todos. Percebe o erro que ele cometeu? Ao sugerir que eu fique com um, implica, nas entrelinhas, que a agência está presenteando o EDITOR de um portal de notícias relevante como o Cinema em Cena com um kit em troca de publicidade. Anti-ético, feio, nada diplomático.
 
Algo deve mudar nessa história toda. E o fim das promoções gratuitas no CeC é um primeiro passo nessa mudança.

Um grande abraço e bons filmes!
Pablo Villaça"

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Minha reinterpretação da capa da VEJA

by Pablo Villaça 21. abril 2010 18:04

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A Garota no Chuveiro de Alfred Hitchcock

by Pablo Villaça 30. março 2010 20:31
Janet Leigh e Hitchcock afirmaram repetidas vezes, ao longo dos anos, que o corpo visto durante a clássica cena do chuveiro em Psicose pertencia mesmo à atriz e que nenhuma dublê de corpo fora usada. Com o passar do tempo e a repetição constante, a mentira acabou ganhando tom de verdade, mas o fato é que, sim, uma outra garota emprestou o corpo à cena em todos os planos nos quais o rosto de Leigh não podia ser visto: a ex-coelhinha da Playboy Marli Renfro.
 
Que morreu assassinada anos depois ao ser vitimada por um maluco obcecado por Psicose.
 
Tragédia no mínimo curiosa, certo? Ora, provavelmente um filme poderia ser feito somente a partir deste incidente, mas representaria mais uma mentira relacionada aos bastidores de Psicose. Não, a verdade é ainda mais fascinante: recentemente, um jornalista determinado a escrever um livro sobre o crime descobriu que Renfro se encontrava viva e completamente ignorante com relação à sua suposta morte - e que, na realidade, a vítima havia sido uma certa Myra Davis.
 
Que trabalhara como stand-in de Renfro no set de Psicose.
 
Em outras palavras: decidido a matar a dublê de corpo de Janet Leigh no clássico de Hitchcock, o assassino acabou vitimando por engano a stand-in da ex-coelhinha.
 
Agora a cereja do bolo: o jornalista que desvendou o caso foi Robert Graysmith - o mesmo que escreveu um livro sobre suas investigações relacionadas ao Zodíaco e que foi interpretado por Jake Gyllenhaal no filme de David Fincher. Com isso, dois grandes filmes sobre serial killers acabaram se tornando relacionados num caso sobre um assassino verdadeiro e vítimas com identidades trocadas. 
 
Contagem regressiva para o anúncio de um projeto baseado no livro de Graysmith (que dá título a este post): 10... 9... 8...
 
(Leia o artigo original aqui.)

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A mão que afaga

by Pablo Villaça 28. março 2010 18:56

Gosto de acreditar que sou um sujeito razoável. Quando falo de ética aqui, não se trata de retórica ou de um discurso vazio; acredito fortemente em agir sempre com o objetivo de crescer como indivíduo.

E ouvir/ler críticas, desde que construtivas e ponderadas, fazem parte disso.

Já publiquei neste espaço algumas "cartas" e mensagens enviadas por pessoas que manifestaram carinho por mim e por meu trabalho. Pois hoje recebi um email bastante crítico - e achei que seria no mínimo justo publicá-lo com igual destaque. Especialmente considerando que o autor (desnecessariamente anônimo) o escreveu com visível cuidado e tentando evitar o veneno e a ofensa gratuita. Crescemos não só com o afago, mas também com a bordoada.

E por falar em bordoada...

"Pablo, há alguns anos acompanho seu trabalho como crítico, de longe é meu favorito quando o assunto é cinema. Você fundamenta sua opinião e ainda revela, costumeiramente, muito de sua vida enquanto escreve. Como você mesmo já disse, é profundamente satisfatório quando um artista revela a si mesmo em suas obras. 

Foi com muito prazer que num dia qualquer, já há alguns anos, deparei-me com seu blog. Saber um pouco do seu cotidiano, poder ler seu texto e ainda desfrutar de sua sabedoria revelou-se uma atividade deliciosa, e era uma atividade, porque todo santo dia lá estava eu buscando atualizações no Diário de Bordo.

Sempre achei pouco produtivo, no entanto, seu trabalho como crítico de cinema. Não sei se procuro filmes atípicos demais, ou é realmente parco a quantidade de críticas. Mas as que existem...

Enfim, havia um encanto fazer parte do seu grupo de leitura, porque mesmo não sendo um leitor a postar comentários com freqüência, sempre lia o da maioria. Sempre fiquei na dúvida ainda se compartilhamos opiniões semelhantes ou é sua retórica eficiente, diante de minha fácil adesão a discussões, quase sempre com a cabeça aberta a novas opiniões.

Como escreveu um leitor outro dia, o paraguaio, você é um amigo atípico, um amigo virtual. Sei se tratar de algo verdadeiro simplesmente por conhecer muito de sua vida e muito de seu pensamento. Outro dia mesmo, vi no twitter algo referente “as horas” que sempre chegam. Compreendi a mensagem por ter lido a crítica do filme e a entendi por passar momentos assim também.

O problema é que o encanto vem se quebrado nos últimos dias. Dificilmente tenho lido seu blog e frequentemente me pego pensando “que babaca”. Acredito ter começado tudo quando inventei de abrir conta no twitter também, há poucos meses. Até mesmo quando você posta o link de algo do Diário de Bordo, bato o olho e deixo pra ler depois, algo que raramente ocorre.

Penso ser pelo fato de eu saber o conteúdo nas poucas palavras usadas no twitter. Penso ser por estar vendo-o com olhos diferentes. Não, não acho que seja pelo fato de você ser um “encrenquinha”, haja vista no blog haver as mesmas provocações e a mesma forma direta de opinar. Não o imagino discutindo algo e, no fim, acabar concordando com uma opinião diferente da sua, somente o “concordamos em discordar”.

Nem por isso seja esse o motivo de algo haver mudado na maneira como pareço o ver, agora. Sempre me diverti com tudo. Ocorre que, no twitter, acredito, passei a notá-lo menos como um amigo sábio e mais como um moleque. O twitter ocupou o espaço do blog, isso é fato. Só que me aborrece profundamente essa troca amarga. Menos texto, menos encanto, menos sabedoria, por mais realismo.

Hoje sei quais sites você entra, o tipo de bobagem preferida na net, esse tipo de coisa permitida pelo “blog de 140 caracteres”. Preferia não saber e ter meu amigo de antes, mesmo sabendo não ser ele tão tridimensional quanto o de agora.

Não escrevo requisitando uma mudança, mas então por que escrevo? Pra azedar alguns de seus minutos? Não. Faço-o apenas como alguma forma de desabafo. O desabafo de um leitor a um amigo. Pois é isso que sou. Se por um lado é evidente a importância de sua figura em minha vida, por outro não represento muita diferença na sua. Não falo isso com tristeza, apenas com a finalidade de mostrar não estar escrevendo algo chato num momento de raiva.

Não há raiva, só esse gosto ocre mesmo. Sei como funciona esse nosso mundo, com novas mídias, e percebo como nossos ídolos têm sido despidos daquela aura transcendental. Vejo todo dia artistas discutindo com seus fãs via internet, algo inimaginável tempos atrás. Isso deveria ser bom, né?  Sei lá, muito se perdeu e a realidade é sempre dura. Virar adulto tem sido duro.

Opto pelo anonimato porque, ainda que raramente escrevo algo no blog, prefiro evitar um olhar diferente caso nos encontre pessoalmente, pois imagino que farei seu curso de cinema...

Um grande abraço de quem não gosta apenas de bons filmes."

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Quase voltei à televisão

by Pablo Villaça 26. março 2010 16:58

(Comentei isso no twitter, mas achei que valeria a pena incluir isso no blog, já que há muitos leitores que não acessam aquele serviço.)

Entre 2001 e 2003, roteirizei e apresentei um programa na TV Horizonte, baseada em BH, que era retransmitido para 11 Estados e conseguiu uma audiência bem bacana. Também chamado Cinema em Cena (não sou muito original e a marca é forte, então dêem um desconto), o programa teve 100 episódios e foi cancelado pela emissora quando esta, pertencente à Arquidiocese de BH, decidiu seguir um viés mais religioso - e, como resultado, passou a ser ignorada por boa parte dos espectadores depois de ter feito um trabalho magnífico de conquista do público graças aos esforços do diretor artístico Kiko Ferreira, um mestre em sua área.

Quando isso aconteceu, aliás, a imprensa mineira demonstrou um apoio incrível ao programa, com várias notas lamentando seu fim, o que, claro, me deixou felicíssimo e tornou o fim do programa mais digerível. Cheguei a pensar que logo ele retornaria em outro canal.

Esqueci que estava em Belo Horizonte e que as oportunidades não eram muitas por aqui no que diz respeito a esta mídia.

Com o tempo, aquietei a idéia e passei a fazer colaborações eventuais para outros programas - dos quais o mais freqüente, como sabem, é o Agenda da TV Cultura/Rede Minas, que freqüentemente me convida a participar do ótimo quadro Cinematógrafo encabeçado pelo amigo Fernando Tibúrcio.

Pois há algumas semanas, quase voltei definitivamente à televisão, já que recebi dois convites em pouquíssimo espaço de tempo - ambos fracassando por razões similares. Nos dois casos, recebi emails (um pelo Cinema em Cena; o outro, pelo blog) com telefones de contato para que eu ligasse para a produção dos tais programas: um da tevê aberta, outro da tevê a cabo. Curiosamente, a abordagem dos dois foi incrivelmente parecida: conheciam o site há muito tempo, gostavam dos textos, tinham ouvido os podcasts mais recentes e também visto alguns videocasts. Um sabia que eu já havia apresentado um programa na TV (embora não soubesse a emissora); o outro, não. 

E ambos me convidaram para apresentar um quadro sobre Cinema em seus respectivos programas. Mas não só isso: ambos presumiram que eu morasse em São Paulo.

Infelizmente, isso barrou tudo. Em um dos casos, creio que nem haveria remuneração imediata: a colaboração tinha potencial para se transformar em algo fixo e pago, mas com o tempo. Já o segundo fez uma oferta razoável, mas que não cobriria meus gastos com passagens para São Paulo e muito menos justificaria uma mudança definitiva para a capital paulista.

Fiquei frustrado, claro. Gosto muito da mídia e acho que faço razoavelmente bem. Enfim.

Que sera, sera.

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Mais um dia em Fortaleza

by Pablo Villaça 17. março 2010 01:15
Quem dera eu pudesse dar o curso apenas no litoral. Nada contra cidades como Porto Alegre, Campinas e São Paulo, que me apresentaram a turmas às quais me apeguei talvez mais do que devesse (mas não consigo evitar; como já disse antes, sinto que cada turma me apresenta a dezenas de novos amigos), mas a vantagem de ministrar uma edição do Teoria, Linguagem e Crítica em cidades praianas é óbvia: durante o dia, me sinto quase (quase) em férias.
 
O segundo dia de aula foi, como de hábito, um pouco mais cansativo. Carregado em conceitos importantes (muitos dos quais chegam a ser quase abstratos, de certo modo), este é o momento ao qual preciso conferir o máximo de energia e ritmo para evitar que a turma se disperse - e o resultado é que sempre saio da aula exausto. Por outro lado, é sempre um prazer ver a turma aprendendo estes fascinantes detalhes sobre a construção narrativa e descobrindo explicações lógicas por trás de impressões que provavelmente a intrigavam há tempos. Além disso, essa edição trouxe uma novidade para mim: como acontece em uma espécie de aquário localizado no andar superior da Saraiva, ocasionalmente um cliente da loja para do outro lado da parede de vidro e fica observando o que ocorre lá dentro - algo que sempre me diverte imensamente, já que sei que eles não estão conseguindo ouvir direito o que digo (e nesses instantes sempre exagero na gesticulação apenas como piada interna).
 
Após a aula, meu amigo Daniel Herculano me levou para conhecer outro restaurante da cidade, o "Degusti", que tinha uma ótima cantora se apresentando ao vivo e uma pizza deliciosa (e fugindo do meu hábito de evitar álcool, tomei duas caipiroskas muito, muito boas, o que talvez explique meu alto teor etílico neste momento. Aliás, logo em seguida publicarei uma foto minha nu e segurando um cartaz de O Poderoso Chefão).
 
Esta viagem tem sido muito boa. Acho que vou estender a duração do curso para três semanas.

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Agenda em Fortaleza

by Pablo Villaça 16. março 2010 13:51

Nesta quarta-feira, dia 17, participarei ao vivo do programa Na Rede, da TV União, às 11h50 (ou meio-dia, não sei ao certo).

Já na quinta-feira, estarei no programa Grande Debate, da TV O Povo, também ao vivo. Horário: 13 horas.

Eita.

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Agradecimento

by Pablo Villaça 28. janeiro 2010 21:43
Post para agradecer o convite para votar no prêmio Blog de Ouro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos (obrigado, Luciano Lima!) e, claro, o gentilíssimo texto que publicaram a meu respeito. Fiquei feliz. :)

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