A falta de ética do Estadão

by Pablo Villaça 27. junho 2010 04:46

Em matéria sobre o colete utilizado pelo goleiro Júlio César na partida contra Portugal - e que foi exposto enquanto o jogador era atendido pela equipe médica em campo -, o jornalista Silvio Barsetti, certamente se sentindo muito esperto, incluiu a seguinte passagem em seu texto (grifos meus):

"'Tem um negócio de ferro ali, mas não vai escrever isso, por causa da Fifa, senão você vai me ferrar", disse ele a um repórter, já no final da área de entrevista. Na hora da confidência, Julio não percebeu que era observado pela reportagem do Estado.'"

De acordo com o próprio Barsetti, é óbvio que Júlio César estava falando em "off", ou seja: que sua declaração naquele momento não deveria ser utilizada no texto impresso. A prática do "off" é algo antiquíssimo e sagrado no jornalismo; é uma forma dos jornalistas descobrirem elementos importantes sem que, com isso, comprometam suas fontes. A idéia é a de que, de posse de uma informação em "off", o profissional possa buscar elementos relacionados que a corroborem ou, no mínimo, que a use para extrair informações "on the record" (que possam ser publicadas) junto a outras fontes.

Exemplo: sabendo que o colete tinha "um negócio de ferro", o jornalista poderia buscar mais informações sobre o material, sobre seu tempo de uso, questionar a equipe médica acerca de sua existência (citando, por exemplo, que "uma fonte" havia confirmado seu uso pelo goleiro) e assim por diante. A vantagem de tal procedimento é que o jornalista saberia que o colete foi usado (algo que Júlio César poderia simplesmente negar) ao passo que o goleiro teria seu anonimato preservado - o que, claro, o estimularia eventualmente a oferecer outras informações importantes em "off".

Em outras palavras, todos ganhariam com isso: jornalista, fonte e leitores.

O que definitivamente não se faz é publicar uma informação fornecida em "off". Pior ainda é identificar a fonte. E ainda pior - e mais sujo - é identificar a fonte e dizer que ela pediu para não ser identificada.

Silvio Barsetti podia até não ser o jornalista entrevistando o goleiro no momento da confissão, mas ele - como seu texto deixa claro - percebeu claramente que a declaração havia sido feita em off e para um colega. Assim, ele não só faltou à ética ao roubar a informação conseguida por um companheiro (e reparem que ele nem cita o outro jornalista) como ainda fez tudo o que não se deve fazer com uma declaração dada em "off".

Caso houvesse publicado a nota sobre o colete sem citar o goleiro, Barsetti poderia até ser perdoado por sua inacreditável falta de seriedade profissional (embora continuasse a ser um péssimo colega que rouba notícias de companheiros), mas ao expor Júlio César, sabendo que o jogador ainda poderia ser punido (e, repito, se vangloriando de sua "esperteza" na nota), ele merece apenas o desprezo de qualquer um que valorize o bom jornalismo.

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Foxlha: Desrespeito à vida

by Pablo Villaça 28. maio 2010 18:58

E quando penso que a Foxlha não pode afundar mais (clique na imagem para ir à matéria)... 

 

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Série Jornalistas

Aprendam com os mestres

by Pablo Villaça 29. abril 2010 21:50

Como transformar em algo negativo o fato da TIME, uma das revistas mais importantes do planeta, ter apontado Lula como um dos principais líderes do mundo?

Simples e só leva alguns passos:

1) Diga que, embora esteja em primeiro lugar na lista, esta não foi colocada em ordem de importância. Curioso, já que tampouco está em ordem cronológica ou de idade dos indivíduos listados. Na falta de explicação, diga que é porque o texto que o homenageia foi escrito por um cineasta importante norte-americano, Michael Moore, mas esqueça de perguntar por que justamente Lula foi escolhido para ter um texto escrito por alguém famoso.

2) Concentre-se no fato de que Lula, embora seja listado entre os 25 mais importantes do mundo, não é o mais importante.

3) Bata nesta tecla.

E pronto.

Caso FHC ou Serra tivessem sido citados numa lista que trouxesse, digamos, os cem homens mais importantes do mundo, o UOL manteria uma chamada imensa em destaque por três dias. Como foi Lula, deixou por algumas poucas horas e enterrou a manchete. Não satisfeito, resolveu voltar com a seguinte chamada: 


Em outras palavras: a notícia positiva se transformou em uma manchete negativa. Em vez de "Em destaque na revista TIME, Lula é eleito um dos homens mais influentes do mundo" (uma manchete que, aposto meus dois rins, seria a escolhida caso o homenageado fosse tucano), o UOL aposta em "Time nega ter escolhido Lula o líder mais influente do mundo". Com essa manchete na capa, o portal mais acessado pelos internautas brasileiros cria uma impressão negativa no leitor casual, que não procura se informar mais, e ainda faz uma sutil sugestão de que alguém - possivelmente o PT ou o próprio Lula - mentiu dizendo que o Presidente foi honrado pela revista com o tal título.

Detalhe: o UOL pertence ao mesmo grupo da Foxlha.

Agora digam se estou louco ou se não se trata mesmo de uma imensa desonestidade por parte do portal?

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política | Série Jornalistas

VEJA: Dois Candidatos, Duas Medidas

by Pablo Villaça 18. abril 2010 01:08

Capa de 24 de fevereiro anunciando a candidatura de Dilma Rousseff: 

Em preto-e-branco, triste, enquanto Dilma olha para o lado com expressão séria, quase calculista. Referência aos "radicais do PT", alusões à sua ideologia (e contraste ao pragmatismo necessário para governar um país) e, claro, referência a um mundo "em crise".

Agora vejamos a capa de 21 de abril anunciando a candidatura de Serra: 


O candidato olha diretamente nos olhos do (e)leitor em uma capa viva, colorida, enquanto procura sorrir abertamente. O texto faz alusão à sua vitória ("Brasil pós-Lula") e traz uma única chamada com a garantia (feita pelo próprio Serra) de que se preparou a vida inteira para ser presidente.


I rest my case.

Update: Como o Datafolha manipulou sua última pesquisa para colocar Serra 10 pontos acima de Dilma. (Update do update: algumas das colocações feitas pelo autor do blog geraram controvérsia. Sugiro que leiam também os comentários daquele blog e as respostas do autor.)

Update 2: Graças a uma dica do leitor Tadeu Porto, fui conferir a capa que a revista TIME deu a Barack Obama quando este venceu as eleições. E... 

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política | Série Jornalistas

VEJA: Duas Chuvas, Duas Medidas

by Pablo Villaça 11. abril 2010 02:06
Encontrei essa comparação de capas no twitter da leitora Renata Arruda e... bom, as imagens falam por si mesmas: a falta de ética (não, dane-se o eufemismo: a corrupção moral e jornalística de uma revista canalha) é ilustrada pela abordagem das matérias sobre as chuvas em SP (território tucano) e no Rio. 
 

Capa da edição de 10/02/2010
 

Capa da edição de 14/04/2010

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política | Série Jornalistas

"A não mais solitária luta de Pablo Villaça pelos direitos autorais"

by Pablo Villaça 4. fevereiro 2010 17:49

Matéria publicada no site da APIJOR (Associação Brasileira de Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais). Recomendo a leitura por conter informações relevantes sobre a questão dos direitos autorais. De todo modo, reproduzo abaixo a entrevista que concedi à jornalista Vanessa Silva para a matéria:

1) Não foi a primeira ocorrência de jornais que utilizam seus conteúdos sem autorização. Como vê essa relação dos veículos com o trabalho jornalístico na internet?

Não, não foi. Há 20 dias, o Tribuna Independente de Alagoas não só reproduziu um texto meu na íntegra como ainda o alterou para que parecesse que o escrevi especialmente para o jornal. (Acrescentaram um "que estréia amanhã, em Maceió" no meio da frase de abertura.) Além disso, no ano passado, o Notícias do Dia de Joinville (SC) republicou minha crítica sobre "O Leitor" - algo que descobrimos vários meses depois. Ao ser procurado pelo departamento jurídico do Cinema em Cena, o editor do jornal foi grosseiro e negou fazer qualquer tipo de reparação. Estamos estudando como agir.

Estes são apenas três exemplos mais extremos: praticamente todos os dias (mesmo), recebo notificações do serviço Copyscape (www.copyscape.com), que assino, me notificando sobre uso de TRECHOS de meus textos em artigos, notas e críticas publicadas em jornais de todo o país - e que nem se preocupam em fornecer créditos ou links para o Cinema em Cena. Não que fornecer os créditos seja o bastante: vivo do que escrevo e crédito não põe comida na mesa. Se alguém usa algo que escrevi, quero (e tenho o direito de) ser pago por isso.

Infelizmente, isso vem acontecendo com freqüência cada vez maior. Por alguma lógica deturpada e irracional, muitos acreditam que algo publicado na Internet é de domínio público e não pensam duas vezes antes de copiar textos inteiros ou trechos específicos, numa falta de ética absoluta que reflete a notória queda na qualidade do jornalismo brasileiro. Triste.

2) Você vai entrar com alguma ação contra o Jornal da Imprensa?

O editor do veículo entrou em contato comigo e pediu desculpas formais. Agora o departamento jurídico do Cinema em Cena discutirá com ele um valor a ser pago pela reprodução da matéria. Como falei, desculpas e créditos não são aceitos no supermercado e nem na tesouraria da escola dos meus filhos.

3) Qual a sua reação ao encontrar um texto de sua autoria sendo utilizado sem sua autorização?

Revolta, frustração, raiva. É terrível ver o fruto do seu trabalho sendo roubado - especialmente com tamanha freqüência e sem pudor algum.

4) Isso ocorre por que motivo? As empresas não têm conhecimento sobre a Lei dos Direitos Autorais, os jornalistas não tem conhecimento sobre seus direitos e por isso “deixam passar” atitudes como essa...

Uma combinação de fatores: em primeiro lugar, como escrevi anteriormente, há essa visão estúpida de que algo publicado na Internet é de domínio público. Além disso, há o amadorismo: indivíduos que ficam tão felizes em ver seus trabalhos publicados/reproduzidos em algum lugar que praticamente se vangloriam por isso - e são muitos, lamentavelmente. Como se não bastasse, há aqueles que trabalham de graça (ou praticamente), aceitando o simples crédito como retribuição pela "colaboração". O que, claro, contribui para criar nas empresas esse sentimento arrogante de que tudo lhes pertence; se querem um texto, basta pegá-lo e pronto.

E, sim, a falta de iniciativa daqueles que são roubados é algo que só colabora para que esta prática se torne comum. Posturas como "ah, vai dar trabalho conseguir ser pago", "o que posso fazer? Gastar com advogados?", etc, é algo não só preocupante, mas que indica uma passividade lamentável. Particularmente, devo dizer que no ano passado recebi cerca de 2 mil reais líquidos apenas de cobrança de textos reproduzidos ilegalmente. Não é muito, mas é um "extra" - um dinheiro que entrou sem que eu esperasse, o que é sempre bom.

5) A Apijor é a associação de cuida dos direitos autorais dos jornalistas. Temos um boletim diário sobre direitos autorais e outras temáticas relativas à comunicação. Qual sua apreciação a respeito desta iniciativa? Já conhecia a entidade?

Não, não conhecia. Como disse, sempre batalhei sozinho (ou melhor: ajudado pelo jurídico do Cinema em Cena) por meus direitos e muitas vezes senti uma frustração imensa ao julgar que esta era uma batalha solitária. É bom saber que a Apijor existe e atua para combater esta prática.

6) As empresas, principalmente na Europa, criaram um movimento (Declaração de Hamburgo) contra os agregadores de notícias que indexam conteúdos de notícias mas não revertem nenhum dinheiro para os produitores desses conteúdos. Alguns críticos consideram que essa atitude não será revertida em benefícios para os profissionais, que continuarão não recebendo a mais ou a menos. Qual a sua opinião a respeito?

Há dois tipos de agregadores de notícias: aqueles que linkam para os textos originais e outros que reproduzem as matérias na íntegra ou a maior parte destas. Quanto aos primeiros, nada tenho contra, já que direcionam público para os veículos responsáveis pelas matérias, gerando tráfego e receita em potencial. Quanto aos últimos, devem ser combatidos como o que são: ladrões de conteúdo, publicações que infringem direitos autorais e devem pagar por isso.

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Aproveito para agradecer à APIJOR pelo interesse demonstrado pelo assunto e por lutar pelos direitos dos produtores de conteúdo.

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discussões | Série Jornalistas

Outra da Foxlha?

by Pablo Villaça 29. janeiro 2010 14:01

Em matéria veiculada na Foxlha Online, encontrei o seguinte trecho:

"Assim que apareceu com a câmara de vídeo, e graças a um trabalho muito festejado no mundo fashion, Madeira foi procurado por estilistas. Glória Coelho batalhou para que ele, e não o produtor de vídeos Richard Luiz, recomendado pelo SPFW, filmasse o desfile de sua grife. Bateu o pé e conseguiu. Eduardo Dugois, assessor de Glória, confirma, mas diz que ela não quer falar sobre o assunto: "Não põe o nome dela, não, tá?", pede."

Agora uma pergunta: ao pedir para não incluir certa informação, o tal assessor não teria deixado claro que estaria falando em off? Assim sendo, ao incluir não só o que ele disse, mas também seu nome (e o próprio pedido de off), não teria a matéria cometido um dos pecados capitais da ética jornalística - desrespeitar a fonte e o sigilo desta?

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Série Jornalistas

A Foxlha e o Dramaturgo

by Pablo Villaça 19. janeiro 2010 01:52
A Foxlha de São Paulo continua a aprontar: aparentemente irritadinha por não conseguir uma entrevista exclusiva com o dramaturgo Mário Bortolotto depois que este saiu do hospital (lembrem-se: ele levou três tiros ao reagir a um assalto, há alguns meses), o jornal decidiu, segundo o próprio escritor, fazer campanha contra ele, levantando insinuações mil.
 
Incrível.
 
Update: Conhecendo a filosofia foxlhenesca do jornal, é claro que posiciono-me instantaneamente ao lado de Bortolotto. Dito isso, em seu novo post, o dramaturgo escreveu: "Vou te dizer uma coisa, Mauricinho, tu tem sorte que eu tô com o braço quebrado, porque senão minha retratação ia ser uma porrada no meio dessa tua fuça de cuzão". Depois de ler isso, abandono a questão (não as críticas à Foxlha, que voltarão sempre que necessárias), já que, na adolescência, aprendi a seguir a expressão "apelou, perdeu". Ao abandonar a compostura e agir como um troglodita, um ignorante, Bortolotto demonstra apenas não ter bom senso e civilidade mínimos para manter uma discussão de alto nível. E se o maior interessado na questão age assim, por que eu deveria sair do meu caminho para apoiá-lo?
 
O mais triste é perceber que sua experiência de quase morte não o fez mudar nada em sua postura de valentão. Particularmente, ao passar por minha experiência de quase morte, senti que amadurecia anos em poucos dias. Depois que você percebe como é frágil, constata também como é tolice esbravejar e agir como um ignorantão. Pelo menos, foi assim comigo.
 
Bortolotto está por conta própria.

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Série Jornalistas

Folha de São Paulo: a Fox News Brasileira

by Pablo Villaça 28. novembro 2009 13:03

Não é preciso ser lulista como eu para concluir que a Folha de São Paulo desta vez passou de qualquer limite aceitável no que diz respeito à ética jornalística. Vou além: se o conto (porque é um conto) de César Benjamin girasse sobre Fernando Henrique ou José Serra, minha revolta com relação a este tablóide (porque virou um tablóide) seria absolutamente a mesma.

Senão vejamos: um sujeito escreve um artigo afirmando que, há 15 anos, o atual Presidente da República confessou, durante um almoço, ter tentado estuprar um jovem militante do MEP enquanto dividiam a mesma cela. O autor do texto não possui qualquer evidência que comprove sua gravíssima denúncia, afirma não se lembrar direito de quem estava à mesa, identificando apenas dois nomes diretamente ligados ao Presidente, e confessa não saber quem era a tal vítima de estupro.

O que a Folha faz? Ora, óbvio: publica o artigo sem pensar duas vezes.

Este é o exemplo perfeito da extrema irresponsabilidade que tomou conta de órgãos como Folha, Veja e afins. É por isso que a nova Lei de Imprensa se tornou pauta. Se os grandes veículos passaram a se comportar como crianças, dizendo o que lhes vem à mente sem avaliar as conseqüências e sem embasar o que afirmam, a coisa está muito errada. 

Aliás, retiro o que disse: eles avaliam, sim, as conseqüências. E é isso que motiva artigos como este. Se a reputação do Presidente e sua aprovação pela população parecem inabaláveis depois de tantos artigos de ataque, resta apenas a apelação total: acusá-lo de crime sexual. E de natureza homossexual. Chego a me questionar se a Folha não cogitou a possibilidade de dizer que Lula ainda chutou uma Santa depois de tentar violentar o "menino do MEP", já que isto seria o complemento perfeito para um artigo que visa despertar a revolta do brasileiro médio. 

A tática politiqueira da Folha (abraçada com entusiasmo pelo canalha Reinaldo Azevedo, que saltou sobre a notícia como um cão faminto salta sobre um osso) em nada difere do que vermes como Glenn Beck, Bill O'Reilly e Sean Hannity vêm fazendo na Fox News ao sugerirem que Obama é "comunista" e quer "matar velhinhos" com seu projeto de atendimento médico patrocinado pelo Estado. Ou ao insinuarem que ele não nasceu em solo norte-americano. 

Publicar um artigo desses é a morte definitiva da Folha. Que começou a se matar ao emprestar seus furgões para transportar presos torturados na Ditadura, ao calar-se no meio da investigação sobre o Sr. X que pagou 200 mil dólares para os deputados federais pela emenda da reeleição e ao rebatizar o período mais trágico de nossa história política recente como "ditabranda". 

E que ela cumpra seu dever agora e apure o factóide que criou, buscando o "menino do MEP" e tentando confirmar o depoimento de Benjamin - lembrando-se de que, ao falhar, cimentará de vez qualquer vestígio de integridade que ainda possuía.

Update: Na edição de hoje, sábado (28/11), a Folha apurou a informação de que a denúncia de tentativa de estupro era infundada (oh!). Deveria ter feito isso ontem, antes de publicar essa coisa nojenta. Além disso, a VEJA (um amálgama de Pat Robertson, Rush Limbaugh, Ann Coulter e o Diabo) entrevistou o suposto "menino do MEP", que negou tudo. A manchete usada pela VEJA para a matéria? Se você pensou em algo como "Menino do MEP nega que Presidente tenha tentado estuprá-lo" ou algo mais claro, não conhece as táticas repulsivas da revista. O título é, simplesmente, "Triste e abatido".

Enquanto isso, o cineasta Silvio Tendler afirmou estar presente durante a tal conversa e negou categoricamente que Lula tenha confessado ter tentado estuprar um colega de cela e...

... não dá. Simplesmente não dá. Só de escrever esta última frase senti vontade de rir do absurdo. Então um candidato à Presidência, em meio a uma campanha disputadíssima, confessaria durante um almoço com meros conhecidos, de maneira absolutamente casual, ter cometido um crime de natureza sexual? Uma história cabeluda que nunca veio a público em 30 anos? E tem gente que acredita nisso? E FOLHA e VEJA publicam como fato? E Marcelo Madureira (do Casseta) escreve para a Folha para elogiar a "denúncia", provando que, além de sem graça, é também um imbecil? E Reinaldo Azevedo passa a chamar Lula, o Presidente da República, de "estuprador" sem ter qualquer evidência para isso?

E tem gente que ainda acha isso tudo "normal"? Não, não, a vontade rir passou. A reação mais apropriada é a ânsia de vômito.

Update 2: "O que está em discussão aqui é justamente a maneira de lidar com dois fatos que guardam certa semelhança. FHC tinha um filho na Europa, era algo sabido e comprovado, e ninguém falou nada para não arranhar sua reputação. Agora, vem um cara dizer que Lula tentou estuprar um colega de cela, sem prova alguma, sem evidência nenhuma, e ganha uma página inteira no maior jornal do país. Tenho muita saudade dos tempos em que trabalhei na “Folha”, e do jornal que fazíamos então. Jamais publicaríamos um artigo desses, com acusação tão grave, sem a menor comprovação. O jornalismo, tal qual aprendi a fazer na Barão de Limeira, não existe mais." - excelente post de Flávio Gomes sobre o assunto.

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política | Série Jornalistas

Obundagate (ou Série Jornalistas #26)

by Pablo Villaça 10. julho 2009 17:56

Barack Obama, Nicolas Sarkozy e a bunda de uma brasileira de 17 anos - é isto que interessa à imprensa mundial no momento. Não as resoluções do G8, mas a foto que traz Obama aparentemente olhando para a parte do corpo mais famosa no que diz respeito à anatomia das brasileiras. Isto permitiu, por exemplo, que o UOL publicasse uma foto que exibe uma das legendas mais elegantes de sua bela história: 

E antes que alguém diga que acabei de usar a palavra "bunda" no título deste post e na primeira frase do texto: isto é um blog pessoal, não um veículo jornalístico.

Para piorar, é bastante provável que este "escândalo" (ah, tempos pudicos miseráveis!) seja completamente fabricado, já que o vídeo divulgado pela ABC revela que Obama estava apenas descendo um degrau e ajudando a moça que se encontrava logo atrás a fazer o mesmo (por outro lado, Sarkozy até se inclina para continuar a ver a brasileira, o que é divertido e prova que nem mesmo o casamento com Carla Bruni pode garantir que um homem deixe de observar outras mulheres).

Isto, claro, não impediu o mundo "jornalístico" de parar tudo para gastar horas analisando o comportamento do presidente norte-americano.

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mundo | Série Jornalistas

Série Jornalistas #25

by Pablo Villaça 8. junho 2009 22:19

A fim de se proteger das deturpações freqüentemente levadas a cabo pela Velha Mídia (Veja, Folha, O Globo, etc) em seus esforços constantes de pintar o pior retrato possível de tudo que diz respeito ao governo federal, a Petrobras passou a utilizar um blog, Fatos e Dados, para divulgar as perguntas que são enviadas à estatal por jornalistas destes veículos - incluindo, nos posts, as respostas às indagações.

Há algo de mal nisso? De errado? De maligno? Se há, não consigo identificar o que seja. É uma maneira inteligente e válida de esclarecer publicamente o que lhe é questionado - e ao publicar as perguntas e respostas na íntegra, a Petrobras não apenas expõe formatações capciosas de certas perguntas como ainda se protege caso o veículo que receba a resposta decida editá-la ao seu próprio modo.

Assim, é claro que alguns destes veículos denunciaram a iniciativa como algo errado e maligno, como uma tentativa de manipular a opinião pública. Sim, você leu corretamente: responder perguntas publicamente é um artifício maniqueísta.

Como se não bastasse, até mesmo a Associação Nacional de Jornais (ANJ) entrou na confusão para defender seu pobres filiados - e num comunicado absolutamente inacreditável (que pode ser lido na íntegra aqui), ela chega a defender o seguinte (e ridículo) argumento:

"Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes."
 
Hã... queridos?... esta confidencialidade estabelece obrigações do jornalista para com sua fonte (como preservar sua identidade, caso solicitado, e manter em off aquilo que a fonte não quer ver publicado), não o contrário. Em 34 anos de vida, nunca ouvi alguém dizer que a fonte deve manter em segredo o que lhe foi perguntado - a não ser em raros casos em que um acordo neste sentido é assinado pelo entrevistado.
 
Mas a estupidez continua:
 
"Como se não bastasse essa prática contrária aos princípios universais de liberdade de imprensa, os e-mails de resposta da assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não receberem um “tratamento adequado”."
 
Mais uma vez: como, exatamente, a Petrobras está ferindo a liberdade de imprensa ao publicar as perguntas e respostas em seu próprio blog? E a tal "ameaça" é um direito legal: o de ser assegurado que suas palavras não serão tiradas do contexto e modificadas para sugerir algo que não é verdade. Os jornais só devem temer tal "ameaça" se de fato tinham essa intenção; se pretendessem utilizar as respostas com honestidade, não há nada que a Petrobras pudesse fazer contra os veículos.
 
"Tal advertência intimidatória, mais que um desrespeito aos profissionais de imprensa, configura uma violação do direito da sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de comunicação que visa a tutelar a opinião pública, negando-se ao democrático escrutínio de seus atos."
 
Outro argumento ofensivo em sua lógica distorcida e estúpida: que "direito da sociedade" a Petrobras está violando ao responder as perguntas enviadas pelos jornalistas e ao exigir que estas respostas não sejam deturpadas quando publicadas? E como ela pode estar se negando "ao democrático escrutínio de seus atos" se está justamente respondendo as perguntas enviadas - e, ainda por cima, num espaço público?
 
Ou seja: o desespero da Velha Mídia em ver suas manipulações expostas é tão grande que os veículos (devidamente protegidos pelo testa-de-ferro corporativo) partiram para o nonsense a fim de justificar seus interesses obscuros e seu direito à deturpação.
 
Ridículo. E revelador.
 
Update: Ao ler o blog da Petrobras, a natureza maliciosa da nota da ANJ se torna ainda mais clara. Sabem as tais "ameaças de processo no caso de suas informações não receberem um “tratamento adequado"? Pois é: nada mais são do que aqueles avisos padrões que as empresas costumam incluir automaticamente no rodapé de cada email enviado através de seus servidores - uma mensagem incluída, por exemplo, em meus emails enviados pelo Cinema em Cena e que, no caso da Petrobras, diz: "O emitente desta mensagem é responsável por seu conteúdo e endereçamento. Cabe ao destinatário cuidar quanto o tratamento adequado. Sem a devida autorização, a divulgação, a reprodução, a distribuição ou qualquer outra ação em desconformidade com as normas internas do Sistema Petrobras são proibidas e passíveis de sanção disciplinar, cível e criminal".
 
A não ser que todos os integrantes da ANJ sejam débeis mentais, é mais do que óbvio que este rodapé não representa uma ameaça de processo com o intuito de garantir que a Petrobras não seja atacada pelos jornais - e o fato de tentar vender esta mentira prova apenas o mau-caratismo dos autores do ridículo comunicado distribuído pela Associação e de seus "clientes".
 
Update 2: É claro que o verme-mor da VEJA, Reinaldo Azevedo, está defendendo a atitude da Petrobras como "manobra espúria" e de "guerra à imprensa". Se eu precisasse de mais algum motivo para esfregar esta imbecilidade na cara da Velha Mídia, bom... a simples presença de Azevedo entre os "ofendidos" pela Petrobras seria o bastante.
 
Update 3 (09/06): O presidente da Associação Brasileira de Imprensa enviou a seguinte carta à Petrobras:
 
"A ABI considera legítima a decisão da Petrobras de criar um blog para divulgação das informações que presta à imprensa e especialmente aos veículos impressos, uma vez que as questões relativas ao seu funcionamento e aos seus atos de gestão interessam ao conjunto da sociedade, que não pode ficar exposta ao risco de filtragem das informações típica e inseparável do processo de edição jornalística. A empresa tem o direito de se acautelar, através das informações que difunde no blog, contra as distorções em que os meios de comunicação têm incorrido, como a própria ABI registrou em matéria publicada da edição de 31 de maio de um dos jornais que agora se insurgem contra o blog da empresa.

A criação do blog constituiu-se em instrumento de autodefesa da empresa, que se encontra sob uma barragem de fogo crítico disparado por vários veículos impressos. Não se poderá alegar que é assegurado à empresa o direito de resposta, uma vez que quando este for exercido a informação nociva já terá produzido afeitos adversos. Ademais, é conhecido principalmente dos jornalistas o tratamento que a imprensa concede tradicionalmente ao direito de resposta, se e quando o reconhece e o acata: a informação imprecisa ou inidônea é divulgada com um destaque e uma dimensão que não se confere à resposta postulada e concedida.

O presente confronto entre a empresa e alguns veículos de comunicação tem inegável cunho político, com favorecimento de segmentos partidários que se opõem ao Governo Lula. A Petrobras encontra-se, infelizmente, na linha de tiro do canhoneio contra ela assestado. Atacá-la com a virulência que se anota agora não faz bem ao País.

Rio de Janeiro, 9 de junho de 2009
Maurício Azêdo, Presidente”

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Reinaldo Azevedo: Façam o que eu falo...

by Pablo Villaça 6. maio 2009 21:19

... não façam o que eu faço. (Dica do leitor Ânderson Luiz Galdino.)

Caso não tenha entendido, a ironia diz respeito a isto.

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Série Jornalistas

Veja continua a mergulhar rumo ao fundo do poço

by Pablo Villaça 1. maio 2009 01:49

Do Comunique-se: "Veja copia partes de matéria do Wall Street Journal sem citar fonte".

O artigo do Comunique-se inclui a seguinte e inacreditável justificativa da jornalista Gabriela Carelli (grifo meu):

"Fonte nega ter sido procurada
Questionada pelo Comunique-se, a pesquisadora negou ter sido procurada pela Veja. Ela afirma que as informações publicadas pela revista foram baseadas em entrevista dada a um repórter do WSJ. (...) A repórter da Veja reconhece não ter procurado a pesquisadora e, como justificativa, diz que tal procedimento é usual na revista."

Em outras palavras: "Veja" não só é corrompida do ponto de vista moral e político, mas também jornalístico.

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Série Jornalistas

Ditabranda? Ditabranda?!

by Pablo Villaça 19. fevereiro 2009 23:48

Em editorial publicado na última terça-feira, dia 17, sobre os esforços de Hugo Chávez para se manter no poder na Venezuela, a Folha de São Paulo trouxe o seguinte absurdo:

"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente."

Não gosto de Chávez e lamento que tenha conseguido esta possibilidade de perpetuar-se no poder. Mas este post nada tem a ver com a Venezuela e sim com a classificação do período militar no Brasil como sendo uma "ditabranda".

"Ditabranda". "Ditabranda".

Filhos da puta. Suponho que, ao contrário de tantas outras famílias, os canalhas por trás deste editorial não perderam parentes para a "ditabranda". Nem tiveram parentes torturados pelos agentes desta "ditabranda".

Eu tive. Há, em minha família, pessoas que trazem nos corpos e nas mentes as seqüelas das torturas dos assassinos do DOPS e do governo militar. E estas pessoas que amo, por sua vez, perderam muitos amigos naquele período. 

Como a Folha se atreve, por qualquer motivo que seja, a usar o adjetivo "branda" em relação à sangrenta ditadura brasileira? Tivesse o autor deste texto imbecil ficado pendurado num pau-de-arara por horas, tivesse ele levado choques nos genitais por dias, tivesse ele experimentado a agonia de um arame quente enfiado em sua uretra, tivesse ele sentido as unhas se despregando da carne, tivesse ele visto amigos morrendo sob pauladas, tivesse ele corrido o risco de ter o corpo descartado como lixo no mar ou enterrado em cova rosa como um cachorro sem dono, tivesse ele sentido dezenas de cigarros sendo apagados em sua pele, tivesse ele experimentado o pavor do afogamento em um tonel repleto de água, tivesse ele ouvido as companheiras sendo violentadas por torturadores ou sodomizadas com cassetetes, tivesse ele um mínimo de respeito para com quem passou por tudo isso, não escreveria uma barbaridade dessas. Ou, tendo escrito, se retrataria imediata e publicamente pelo absurdo cometido.

No mesmo texto, o imbecil escreve:

"Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo."

Pois em nossa "ditabranda", caro editor da Folha, a oposição não podia se dar ao luxo de se sentir "revigorada" ou provocar o "desconforto" do governo, já que estava sob constante e sangrento ataque, sendo punida não com uma derrota política, mas com a perda da própria vida.

O que há de brando nisso? 

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Um Dia no Rio

by Pablo Villaça 4. fevereiro 2009 01:06

Viajei hoje cedo, às 6h15, para o Rio de Janeiro. O objetivo: assistir a Operação Valquíria e participar da entrevista coletiva com o ator Tom Cruise. Visto o filme (que é bom, mas não ótimo), entramos nos ônibus contratados pela assessoria de imprensa da Fox e nos dirigimos ao Copacabana Palace, onde ocorreria a conversa.

Belissimamente organizado pela equipe de Renata Cajado, da In Press, o evento foi precedido por um lanche/almoço elegante (a mesa de doces era formidável) até que, finalmente, entramos no salão preparado para receber o convidado. 

A princípio, senti-me incomodado - mesmo ofendido - pela presença do cordão de isolamento que separava a imprensa do ator: será que alguém esperava que saltássemos em cima de Tom Cruise para mordê-lo num frenesi de sexo e dor? Decidi relevar. Minutos depois, Cruise entrou na sala e a coletiva teve início. 

Detesto coletivas. Sempre detestei. Em primeiro lugar, fico embaraçado e raramente faço perguntas. Para piorar, o nível das indagações é geralmente baixíssimo, o que sempre me deixa envergonhado pelo coletivo. Perguntas do tipo "Você está gostando do Brasil?", "Qual a sua cor favorita?" e afins são mais comuns do que se imagina, o que sempre me deixa espantado com a falta de preparação dos colegas que as fazem.

Felizmente, de modo geral, as perguntas hoje foram até relevantes, embora Tom Cruise tenha se limitado, na maior parte do tempo, a oferecer respostas no piloto automático e pouco interessantes - ainda que, preciso salientar, tenha se mostrado extremamente simpático com todos. No final, resolvi fazer uma pergunta, mas a exigência dos organizadores de que perguntássemos em português acabou me prejudicando, já que em vez de formular minha pergunta diretamente para o ator, em inglês, deixando-a clara, tive que contar com a tradução do profissional que acompanhava o entrevistado - e creio que este não a traduziu corretamente, já que a resposta oferecida foi terrivelmente insatisfatória. 

Mas é claro que ainda ocorreram momentos de constrangimento - e nem me refiro ao jornalista que comentou, como se fosse algo incrível, o fato de Cruise ter declarado sempre ter detestado os nazistas (oh!). Não, não: o pior momento foi quando um profissional credenciado se levantou e disse:

- Meu nome é (não me lembro) e represento o veículo (não me lembro). Eu tenho um sobrinho de 12 anos que adora a série Missão: Impossível e que diz que o Ethan Hunt é o maior herói do cinema. Ele me mataria se soubesse que estive com você e não tirei uma foto. Posso tirar uma foto com você?

Nesse instante, o representante da Fox tentou conter a ação patética do jornalista (que depois confessou não ter sobrinho algum), mas Tom Cruise, certamente querendo ser o mais simpático possível, se levantou e pediu que o sujeito se aproximasse. Foi a deixa para que uma mulher que estava ao meu lado também saltasse de sua cadeira e cruzasse o cordão de isolamento para pedir uma foto - o que levou o segurança a correr em sua direção a fim de contê-la. Mais uma vez, porém, Cruise disse que tudo bem e posou para o retrato.

Mas o constrangimento foi geral entre os profissionais da imprensa, já que ficamos todos embaraçados com a atitude dos dois. (O que não impediu um jornalista da Band de entrevistar o sujeito que pediu a foto, depois da coletiva. Triste.) 

Ao que parece, a assessoria de imprensa estava certa em montar o cordão de isolamento.

Com o fim da coletiva, deixamos o (maravilhoso, magnífico) Copacabana Palace e, surpreso, vi que uma multidão se aglomerava na porta do hotel à espera da oportunidade de vislumbrar Cruise - nem que por um milissegundo. Atrasado para uma reunião que marcara na Cinelândia, peguei o metrô ao lado de Marco Aurélio Ribeiro (diretor de fotografia de A_Ética e que viajou comigo para filmar a coletiva) e, com a ajuda de Lucas Salgado (do Cinemacafri) e Breno (esqueci o veículo), logo cheguei ao local do encontro - que, coincidentemente, ficava próximo do Odeon BR, que já se preparava para receber Cruise à noite, na première do filme, e que se encontrava cercado de uma multidão de seguranças e observadores.

Depois da reunião, voltei para Copacabana com Marco Aurélio e ficamos num barzinho batendo papo, comendo um tira-gosto e bebendo (refrigerante e suco, já que raramente bebo álcool). De onde estávamos, podíamos ver que a multidão crescia cada vez mais diante do Copacabana Palace. Inacreditável.

Finalmente, partimos para o aeroporto por volta de 20h e pegamos o vôo de volta às 22h. Cheguei exausto, mas satisfeito com o dia produtivo. 

Fotos: Marco Aurélio Ribeiro
 
Update: Esqueci de contar que, na porta do hotel, camelôs vendiam placas de automóvel com os dizeres "Tom Cruise Brasil", "Suri Brasil" e "Katie Holmes Brasil". O preço das placas? 50 reais cada.

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