Prêmio Comunique-se

by Pablo Villaça 28. julho 2010 20:59

O Comunique-se, principal site que acompanha os profissionais de Comunicação, tem uma premiação anual bastante respeitada. Normalmente, os indicados são figuras de grande alcance, que escrevem para jornais de imensa circulação ou que trabalham em emissoras de tevê. De todo modo, não custa fazer uma divulgação básica aqui. Então vamos lá: eu me encaixaria, creio, na categoria Colunistas de Opinião (não há "Crítico de Arte" o que acho uma triste omissão). Para indicar um profissional, é preciso já ter cadastro no site (para a segunda fase, as pessoas cadastradas até 30 de julho poderão votar) - se este for seu caso e tiver interesse em me fazer um mimo (por mais difícil que a indicação seja), agradeço.

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editorial

Blog, twitter, etc, repensados

by Pablo Villaça 29. abril 2010 18:25

Eu não dou conta.

Eu simplesmente não dou conta.

Escrever é algo que faço desde sempre. Aos sete anos, escrevi meu primeiro "livro" - na realidade, uma historinha besta que ocupou 30 páginas de um caderninho, mas que para um garoto daquela idade tinha a dimensão de Os Lusíadas; aos 12, passei a editar o jornalzinho do Colégio Santo Agostinho 3; aos 15, escrevi um livro que, embora jamais tenha visto a gráfica, era suficientemente satisfatório para que eu percebesse que gostaria de colocar palavras no papel durante toda a vida.

Há alguns meses, escrevi no twitter algo como "Às vezes, lembro de como sonhava um dia poder ganhar a vida escrevendo e sinto uma vontade tremenda de voltar no tempo para compartilhar com meu eu jovem a boa notícia de que o sonho se realizará". Pois lembrei disso hoje e percebi mais uma vez como posso me considerar um felizardo: depois de largar a Medicina para investir num site de Cinema numa época em que a Internet engatinhava, eu tinha tudo para esborrachar a cara na parede da realidade. No entanto, quase 13 anos se passaram e aqui estamos nós. 

Sim, "nós". Porque, como digo sempre no curso, quem escreve quer ser lido. E consegui isso não só no Cinema em Cena, um dos mais acessados do gênero na web brasileira, mas também aqui no blog e no twitter. Mas não só isso: os leitores que me seguem há tanto tempo são, em sua maioria, extremamente carinhosos e gentis. Ler os cerca de 200 comentários deixados no penúltimo post é o suficiente para constatar isso, mas, como se não bastasse, recebi também uma imensa parcela de emails escritos com uma delicadeza ímpar. Emails longos, apaixonados e tocantes.

Da mesma forma, no Twitter, a manifestação geral foi de puro carinho, embora, aqui e ali, um ou outro tenha soltado um "tomara que se largue a crítica também" - e se certificado de incluir o "@pablovillaca" para que eu pudesse receber a ofensa em minha janela de mensagens pessoais (que gentileza, não?).

Porém, tão importante quanto este carinho é o fato de que eu simplesmente adoro escrever. Não sou um sujeito introspectivo que costuma ficar calado no dia-a-dia (e quem me conhece sabe que falo como um louco), mas manifestar-me pela escrita traz um prazer diferente, a sensação gostosa de estar selecionando cuidadosamente cada palavra para que a ideia possa ser manifestada com a máxima eficiência. Aliás, dizer que gosto de escrever é pouco - eu preciso escrever.

Nos últimos dois ou três dias, enquanto me neguei de forma masoquista estes espaços, senti que minha alma entupia. Via ou pensava algo que julgava interessante e logo começava a visualizar um post ou uma twittada. E então me lembrava de que estes veículos estavam fechados e sentia que ia explodir.

E é exatamente por isso que também concluí que parar de escrever sobre assuntos que me interessam ou incomodam, como política, religião e preconceito, seria uma estupidez. Não construí este espaço ao longo dos anos apenas para vê-lo ser pautado pelos interesses de alguns poucos insatisfeitos. Assim, se você não gosta desse tipo de tópico, minha sugestão é a de que concentre suas visitas no Cinema em Cena e no @cinemaemcena. Este blog e o perfil @pablovillaca são meus, pessoais, e neles falarei sobre o que bem entender. Justo, não? Afinal, como posso deixar de comentar a descoberta de que o PSDB está por trás de sites como "gentequemente" e "petralhas" - isto numa campanha na qual insistem em dizer que não são oposição ao Lula, que fez um bom governo, e na qual anunciam publicamente que não apelarão para baixarias? Como posso ignorar que Lula foi eleito pela TIME um dos homens mais influentes do mundo, mas que, embora encabece a lista, que não está em ordem alfabética, de idade nem nada assim, a Foxlha logo se encarregou em dizer que, embora esteja no topo, ele "não é o número 1" - num esforço claro de tentar diminuir a distinção alcançada pelo Presidente? Fosse um tucano na, sei lá, décima posição e o grupo Abril emplacaria manchetes do tipo "Serra entre os primeiros do mundo!". Como é Lula, porém, se matam na tentativa de tentar diminuir a honraria.

Não dá para ignorar estes temas. Minha família de "terroristas" (como diriam VEJA e Foxlha) lutou demais para que eu finalmente tivesse o direito de me manifestar publicamente e não vou jogar seus esforços e o de tantos outros "subversivos" no lixo apenas porque cansei de ler ofensas.

Assim sendo, peço desculpas pelo "drama" dos últimos dias. Um dos problemas de se ter um blog ou uma conta no twitter é esse: quando você é uma pessoa já de natureza impulsiva, corre o risco de desabafar publicamente quando alguns dias de reclusão seriam o bastante para esfriar a cabeça.

Cabeça já fria, mãos de volta ao teclado.

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Hora de repensar blog, twitter, etc

by Pablo Villaça 26. abril 2010 22:55

Serei breve.

Acho que está na hora de repensar este blog e o twitter. Como sabem, desde o começo de minha carreira, em 1994, venho buscando formas de criar uma maior interatividade com os leitores. Foi daí que surgiram os fóruns do Cinema em Cena e, posteriormente, este espaço e também minha conta no twitter. O objetivo era criar não apenas um canal a mais através do qual pudesse falar sobre Cinema com os leitores, mas também discutir outros assuntos que me interessavam e que fugiam da esfera da Sétima Arte. Como falo no curso, a (boa) crítica cinematográfica nasce não só da análise mais objetiva dos componentes de um filme, bem como de seus significados, mas também das inferências subjetivas feitas pelo crítico a partir de sua própria ideologia, de sua visão de mundo, etc. É por esta razão que jamais hesito em abordar questões temáticas relacionadas à obra em meus textos, desde tópicos políticos e sociais a observações sobre medos particulares, passagens de minha própria história e assim por diante. Falei da morte de meu pai na crítica de Campo dos Sonhos, de minha luta contra a depressão ao escrever sobre As Horas e de minha repulsa por Bush no texto de Zona Verde. Expressei minha visão sobre o sexo ao analisar Kinsey, flertei com algumas questões existenciais ao discorrer sobre Minha Vida Sem Mim e busquei salientar a importância das memórias em nossas vidas ao falar de A Estrada.

E justamente por achar que expor minha forma de ver o mundo beneficiaria o leitor ao tornar mais completa sua compreensão sobre minhas críticas, passei a abrir este blog às minhas preocupações políticas, sociais e paternas - algo que meus amigos e parentes sempre viram com imensa preocupação e resistência.

Começo a pensar que estavam certos. Ultimamente, este blog e o twitter têm me feito mais mal do que bem. Os comentários deixados por muitos leitores aqui e no twitter têm me deixado preocupado e chateado em função de ataques rasos, míopes e agressivos a questões que encaro com zelo imenso. Alguns chegam a sugerir, em comentários, uma "maldade" por trás de meus textos, como se eu fizesse parte de uma gigantesca conspiração de dominação política do Brasil - quando, na realidade, meus ideais são movidos, acreditem ou não, por um profundo amor por este país e seu povo. 

Mas o mais frustrante é perceber que basicamente estou falando com as paredes. Ninguém mudará de opinião em função de um post de blog ou twitter. E o pior: alguns reacionários, já descobrindo este espaço, passaram a freqüentá-lo com o único propósito de deixar comentários contrários e agressivos para qualquer post que aqui seja publicado - e por mais que eu queira aprender a controlar meu temperamento e ser capaz de ignorar provocações, ainda não evoluí a este ponto. Sou uma vítima fácil de provocações, como muitos aqui já apontaram.

Pensei, então, em fechar os comentários como tantos outros blogs fazem. Mas isto, para mim, faria com que todo o exercício perdesse o sentido. Não gosto de monólogos; aprecio imensamente ler o que aqui publicam os leitores - especialmente quando os comentários são apresentados com educação e respeito por mim e pelos demais freqüentadores deste espaço. Assim, qual a opção restante? Limitar-me a falar sobre Cinema, como vários leitores têm praticamente exigido aqui e no twitter ao escreverem que não "entendo" de política (uma afirmação adolescente que tenta desqualificar-me apenas por que estas pessoas discordam de mim)? Não, isto também faria a brincadeira perder a graça.

No entanto, por que devo manter uma atividade que não me traz benefício algum? Não sou pago para blogar ou twittar; ganho a vida escrevendo sobre Cinema. Aliás, o blog e o twitter têm sido apenas fonte de estresse, desapontamento e frustração - e não sou masoquista para desempenhar uma atividade que, ainda que traga um ou outro prazer, na maior parte do tempo tem servido para me trazer raiva. Além disso, tenho descoberto que as pessoas não sabem separar muito bem o pessoal do profissional - e vira e mexe recebo um email, tweet ou comentário que me informa que, em função de minhas posições políticas, aquele leitor deixará de acompanhar o que escrevo como crítico. Em outras palavras: talvez fosse melhor, como profissional, manter uma fachada de distanciamento do público; afinal, a falta de interatividade com os leitores jamais prejudicou alguns de meus colegas mais proeminentes. Arrisco dizer que o contrário é verdade: o distanciamento talvez tenha contribuído para torná-los mais respeitados.

O fato é que tudo isso tem me levado a flertar cada vez mais com a idéia de encerrar este blog e minha conta pessoal no twitter. Especialmente por estarmos em um ano de eleições e por saber que minha paixão pelo assunto praticamente me impedirá de ficar passivo com relação aos desvarios que tenho testemunhado por aí - e vocês certamente notaram um número crescente de posts e tweets dedicados à política nas últimas semanas.

Não estou completamente decidido a este respeito, mas, sim, a inclinação neste momento é a de me afastar, de limitar meus textos a críticas e a um ou outro post ou tweet sobre Cinema, mas numa freqüência bastante inferior àquela com que costumo blogar/twittar.

E é claro que, como acabei me acostumando nos últimos seis anos, desde que iniciei este blog, não pude deixar de compartilhar isto com vocês. Certos vícios são difíceis de abandonar - mas acho que seria mais feliz se conseguisse me livrar deste. Especialmente porque decidi largar o anti-depressivo depois de vários anos e acho que o processo se tornaria mais fácil caso eu não tivesse que me preocupar também com polêmicas, desaforos e intrigas na Internet.

E não, acabei não sendo breve. Mas quem me conhece já sabe que isto não é surpresa alguma: sempre falo mais do que deveria.

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Minha reinterpretação da capa da VEJA

by Pablo Villaça 21. abril 2010 18:04

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ORA (DE RELÓGIO, NAO DE REZA) DA REVELASSÃO (DE SURPRESA, NAO DE FOTO)

by Pablo Villaça 1. abril 2010 01:50
MUITOS, LEITORES (NO CASO, DE LER NA INTERNET, NAO, DE, VOTAR NOS POLÍTICO), DESTE, BLOGUE, FALARAM AQUI (NOS COMENTARIOS, NAO NO POST, QUE EU TÔ, ESCREVENDO AGORA, PORQUE, NAO TERIA COMO, JÁ QUE, EU, SÓ QUE TENHO, A SENHA DO BLOGUE (123456), E VOCÊS NÃO PODEM ACESSAR PRA ESCREVER), QUE, VOCÊS ACHAM QUE, NO CASO, O RaUL É UM HALTERE ÉGO, DO SENHOR PABLO VILLASSA.
 
PELA, MÃE, DO GUARDA!!!! VOCÊS, ATÉ PARECE, QUE VIRAM, AQUELE FIUME DO MEL (NO CASO, DO DIRETOR, NÃO DA RASSÃO DE ABELHA) GUIBISON, EM QUE ELE PEGA, A, JÚLIA ROBERTS, O TEORIA DA CONSPIRASSÃO!!!!!1 DAQUI, HÁ, POUCO, VÃO DIZER QUE O LEE OSVALD NÃO MATOU O JK!!!!!1(E TODO MUNDO, SABE, QUE, NO CASO, FOI ELE (O LEE OSAVALD) QUE MATOU O JUSSELINO!!) 
 
MAS, MINHA, MÃE, FALOU PRA MIM, QUE, ISSO JÁ FOI LONJE DEMAIS!!1 E QUE, EU, VOU SER PROCEÇADO (NO CASO, DE FÓRUM, NAO DE IR NA PROCEÇÃO DO PADRE) POR FALSA, IDADE, IDÉIA LÓJICA (QUE NOME, MAIS, BURRO, SE É IDÉIA, É PORQUE É LÓJICA! QUAQUAQUAQUAQUA!!1) E FALOU PRA MIM (NO CASO, EU) CONTAR A VERDADE, PRA VOCÊS. E, QUE SE EU, NAO CONTAVA, ELA ME DAVA, COM O CABO DA VAÇOURA, NA TESTA!!!!1
 
ENTAO EU, VOU, CONTAR (NO CASO, DE FALAR, NAO DE 123456 IGUAL A SENHA DO, MEU, BLOGUE).
 
O PABLO VILLASSA, NÃO, EXISTE.
 
EU, CRIEI, ELE PRA MIM DIVERTIR COM OS TRONXA-SONGO-MONGO QUE, GOSTA, DE, LER CRÍTICA DE FIUME.
 
E, VOCES, TUDO, ACHANDO (DE PENSAR, NAO, DE, ENCONTRAR AS COISA NO ARMÁRIO DO AVÔ) QUE, O PABLO, É QUE TINHA CRIADO EU!!!!11 QUAQUAQUAQUA!!!!!!!11 EU QUE, NO CASO, CRIEI, ELE!!!!!11 E ATÉ, EXAGEREI NO JEITO, DE, ESCREVER, TUDO, IGUAL, OS CARAS, NERD VELHO, QUE, NAO, CONHESSEM AS REGRAS HORTO GRÁFICOS DA INTERNET!!!!!!11
 
VÊ, LÁ, SE UM, CARA, IA, ACHAR, DE VERDADE, QUE O PODEROZO CHEFAO, ERA, O MELHOR DOS FIUME DE RÓLEÚDI! (E, ATÉ, BOTAR (DE COLOCAR, NAO DE SAIR OVO DO CU) OS NOMES DOS FILHOS TIRANDO DO FIUME DO FODE CÓPULA! (E QUE, TINHA QUE SER, DIRETOR DE FIUME PORNÔ, COM, UM, NOME DESSE!!!!1). TODO, MUNDO, SABE QUE O MELHOR, DA HISTÓRIA (DE TUDO QUE, JÁ, FOI FEITO, NAO DE REVOLUSSÃO FRACESA..ZZZZZZZZZZZ!!!!1) É O, NO CASO, "GIGOLÔ POR ASSIDENTE"!, QUE É MUITO PORNÔ E ENGRASSADO!!!!!
 
ENTÃO, AGORA, TODO MUNDO, JÁ SABE A VERDADE!!!!!!
 
UM, GRANDE, ABRASSO, E BONS FIUME PORNO!!!!!
 
QUAQUAQUAQUAQUA!!!!!1
 
OBRIGADA,
RaUL 
 

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Férias?

by Pablo Villaça 26. março 2010 16:30

O problema de ser seu próprio patrão é que você está sempre supervisionando seu empregado de perto: sabe quando ele está procrastinando, quando acorda e dorme, quando está distraído, quando está rendendo menos e até mesmo quando está de mau humor e detestando o emprego. Se você é workaholic, então, a coisa fica ainda pior. Em minhas últimas férias, em janeiro de 2009, aproveitei para dar o curso de Teoria, Linguagem e Crítica em Salvador. Antes disso, não tirava férias de verdade há quatro anos.

Assim, é claro que aproveitei minha passagem por Fortaleza para descansar um pouco - e isso só foi possível porque levei as crianças comigo, já que férias não são férias de verdade se não estou acompanhado de meus filhotes. Sim, mais uma vez a diversão foi acompanhada de trabalho, já que eu tinha que interromper os passeios às 17 horas para ir para o curso, mas ainda assim foi agradável o bastante para que eu considerasse a semana passada como um momento de diversão e descanso. 

Dito isso, não publiquei novos textos na semana passada e também não o farei esta semana. Considerem isso como uma espécie de "férias parciais", já que estou trabalhando na papelada do curta-metragem que dirigirei a seguir (e que foi aprovado na Lei Municipal de BH) e também selecionarei e treinarei nova equipe a partir da próxima segunda-feira. De todo modo, as críticas voltam na próxima sexta-feira. E o blog, claro, não parou.

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Meus leitores

by Pablo Villaça 26. fevereiro 2010 02:57

Tenho publicado aqui, vez por outra, mensagens carinhosas enviadas pelos leitores. Acho que é hora de retribuir.

Eu adoro meus leitores.

Desde os primeiros dias do Cinema em Cena, quando o site ainda tateava em busca de um caminho ou uma linha editorial, uma coisa ficou clara para mim: eu queria criar o maior número possível de espaços para que os leitores pudessem se manifestar. Para que tenham uma idéia, nos primeiros dois anos, quando o site era todo concebido em HTML e não tinha um banco de dados ou mesmo uma equipe técnica (eu fazia tudo sozinho, do péssimo layout ao péssimo código), cada crítica incluía um link para envio de emails - e assim que recebia estes emails, eu os inseria manualmente na página, um por um. Positivos ou negativos. Pouco depois, em 2000, criei uma lista de discussão que se mantém ativa até hoje (com o velho leitor Danzer0 como moderador) e eventualmente foi a vez de nosso fórum, que, de uma maneira ou outra, existe desde 2002 (também com seus valorosos moderadores).

Com o crescimento do site, porém, fui perdendo a chance de interagir com os leitores - algo que acabou sendo solucionado com a criação do blog em agosto de 2004 (o primeiro post se encontra aqui). Além disso, como sabem, temos comunidades no Orkut, no Facebook e no Twitter (onde também tenho uma conta pessoal).

Em outras palavras: sou viciado nos leitores do Cinema em Cena.

Sim, há alguns poucos que parecem apenas interessados na provocação. Mas há outros que discordam com educação e se mostram interessados no debate. E há muitos outros que se declaram fãs confessos, o que, claro, me enche de alegria. E há, claro, a maioria silenciosa que lê sem jamais comentar - e cuja existência conheço apenas pelas estatísticas de acesso do site, mas que, ainda assim, se mostram sempre importantes para mim.

E sou sempre surpreendido por vocês: cada vez que alguém se aproxima de mim e se apresenta, dizendo acompanhar o Cinema em Cena, sou inundado por uma sensação de imensa satisfação e orgulho. Ganho o dia. Cada email carinhoso guardo numa pasta especial. E isto é só a ponta do iceberg: já recebi presentes (pessoalmente e pelo correio e variando de livros a filmes, camisas, bonecos e pinturas) e até mesmo convites atípicos, mas ainda assim gentis. Um leitor de outra cidade, sabendo que eu visitaria seu Estado para dar o curso, me informou que havia construído um home theater em seu apartamento e que se sentiria "honrado" em me receber para uma sessão. Já uma leitora recém-casada, ao me descobrir no Twitter e sabendo que seu marido era fã do meu trabalho, perguntou se eu poderia encontrar com ele como uma "surpresa", uma espécie de "presente". E estes dois exemplos ocorreram apenas nos últimos meses - e se declinei em ambos os casos, não posso deixar de dizer que também me senti feliz e honrado com os convites. E que gostaria de poder atender a todos os convites do tipo que chegassem por email.

Porque vocês são tremendamente importantes para mim. Leio cada comentário aqui publicado ou enviado pelo twitter, orkut, facebook, etc. Não posso responder a todos, já que passaria todo o meu tempo fazendo isso, mas, acreditem, dou importância igual a todas as palavras enviadas por vocês. Muitos que vivem da escrita têm uma relação de amor-e-ódio com seus leitores.

Pois o meu caso é de uma paixão avassaladora, constante e eterna.

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Estatísticas do blog em 2009

by Pablo Villaça 7. janeiro 2010 13:55

Apenas duas categorias:

a) Os 10 posts mais comentados em 2009:

1) Mimo para os Leitores (e série Você em Cena #33): 472 comentários (26/04)
2) Série Você em Cena #28: 419 (18/03)
3) Religião: Para que existe, mesmo?: 380 (08/03)
4) Videocast ao vivo: Comentários sobre o Oscar: 217 (22/02)
5) Gramado teve o que merecia: 211 (14/08)
6) Milk: 207 (23/02)
7) Estupefato (e, conseqüentemente, novas regras): 201 (08/04)
8) Série Você em Cena #24: 161 (06/02)
9) A Globo e o Oscar: 159 (10/02)
10) Mais sobre a Globo e o Oscar: 155 (11/02)

b) Os 10 posts mais acessados em 2009 (segundo Google Analytics):

1) A Globo e o Oscar (10/02)
2) Gramado teve o que merecia (14/08)
3) Playarte, Paris Filmes e Lua Nova: Confusão, Mentiras e Falta de Ética (19/11)
4) Mais sobre a Globo e o Oscar (11/02)
5) Melhores Momentos de 2009 (Série Você em Cena #37) (23/12)
6) Milk (23/02)
7) Suicídio (22/08)
8) Religião: Para que existe, mesmo? (08/03)
9) Intervalo para um breve comentário sobre as mulheres (30/10)
10) Ditabranda? Ditabranda? (19/02)

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2009 em Números e Estrelas

by Pablo Villaça 31. dezembro 2009 12:22

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Feliz Natal

by Pablo Villaça 24. dezembro 2009 08:57

Queridos amigos, um ótimo Natal para vocês e suas famílias. Espero que seja uma noite de alegria, muitas risadas e que construam várias memórias felizes para o futuro.

Update: Críticas de filmes ótimos (ou apropriados) para o Natal: O Expresso Polar, Os Fantasmas de Scrooge, Feliz Natal, Um Homem de Família, Meu Papai é Noel, Meu Papai é Noel 2, A Paixão de Cristo (para os católicos mais conservadores), Papai Noel às Avessas, Simplesmente Amor.

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Vaga para jornalista

by Pablo Villaça 20. outubro 2009 17:47

Você é jornalista recém-formado(a)? Mora em Belo Horizonte? Gosta de Cinema?

Então mande seu currículo com urgência urgentíssima para o Cinema em Cena!

(A vaga para estagiário também continua aberta.)

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Projeção Digital no Brasil: Caso de Polícia

by Pablo Villaça 15. outubro 2009 20:11

O leitor André enviou o link para uma petição online que protesta contra a péssima qualidade da maior parte das projeções digitais no país. Infelizmente, este é realmente um problema sério para qualquer cinéfilo brasileiro. Em Los Angeles, tive a chance de conferir algumas projeções do tipo em salas públicas e particulares (como a da Digital Domain e da Rhythm & Hues) e a diferença é escandalosa.

Não sou um purista. Quando a projeção é boa, o transfer foi feito com capricho e a captação foi realizada com uma fotografia cuidadosa, o digital já consegue rivalizar com a película (especialmente com a chegada da RED e sua resolução de 4K). Mas o que vemos no Brasil é algo digno de um pequeno cineclube da roça, não algo que deva ser exibido para o público em festivais ou mesmo no circuito comercial convencional. 

A petição encontra-se aqui, tem 223 assinaturas (já contando com a minha) e certamente se beneficiará caso ganhe a sua.

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Curso e Vaga no Cinema em Cena

by Pablo Villaça 15. outubro 2009 19:32

Primeiro, a vaga:

1) Estudante de Comunicação entre o 2o. e o 6o. períodos.

2) Que more em BH.

3) Bom inglês.

4) Goste de Cinema.

Infelizmente, todas estes pré-requisitos são... bom... pré-requisitos e não podemos abrir exceções em hipótese alguma. "Ah, mas para trabalhar na Internet eu posso morar em qualquer lugar!". Sim, poderia caso não tivéssemos uma redação em Belo Horizonte. Wink

Interessados que preencham todas as condições devem enviar currículo por email.


Estou cogitando a possibilidade dar uma última edição do curso em 2009 em Belo Horizonte, São Paulo ou Rio. O curso aconteceria provavelmente na última semana de novembro, de segunda a sexta-feira, entre 19h e 22h.

Para decidir, quero avaliar o número de interessados em cada capital. Assim, se você mora em uma destas três cidades e gostaria de fazer o curso nesta data, envie um email com seus dados para contato.

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Cinema em Cena 12 Anos

by Pablo Villaça 14. outubro 2009 16:09
Uau. (Preciso dizer mais?)

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Ponderações, Decisões, Explicações

by Pablo Villaça 7. outubro 2009 23:46

Por onde começar?

Não, sério, por onde começar?

Não me lembro, em toda minha trajetória profissional, de ter vivido um período tão desgastante física e emocionalmente quanto os últimos meses. Se por um lado era extremamente empolgante estar mergulhado no trabalho em uma empresa nova e cheia de potencial como o InFilm, por outro eu me via afastado de minha família (mesmo antes de viajar para Los Angeles) e em débito com o Cinema em Cena (site e blog).

Por algum tempo, acreditei que daria conta de conciliar tudo e que eventualmente as coisas se tornariam mais tranqüilas. O InFilm é uma empresa jovem e, no cargo de diretor geral, minha responsabilidade é completa em sua estruturação: do estabelecimento de contatos com clientes à operacionalização dos programas, passando por negociações junto a possíveis parceiros e contratação de pessoal, meu dever é estar a par de absolutamente tudo e - mais - de estar diretamente envolvido em todas estas facetas. Ao menos até que, já madura, a empresa já tenha uma dinâmica que dispense tamanho envolvimento de minha parte em tudo.

Mas quanto tempo isto levaria? Três meses? Seis? Um ano?

E o Cinema em Cena? E este blog? Como ficariam neste período? Se no início julguei que conseguiria fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora, percebi que isto era uma ilusão. Embora tenha feito - aqui mesmo, neste espaço - promessas de que nada mudaria, de que voltaria a escrever com a freqüência habitual, o dia-a-dia do InFilm simplesmente não permitia que isto acontecesse: trabalhando do momento em que acordava até voltar para a cama (normalmente por volta de 3h da manhã), sem praticamente parar para nada, confesso que praticamente não consegui encaixar nenhuma de minhas obrigações com o site ou com este blog nas quase 18 horas de trabalho diário.

Ou mesmo meus filhos.

Se a rotina estava se revelando massacrante, porém, as coisas se tornaram ainda mais claras com minha ida para Los Angeles.

A questão é que, embora não tenha dito isso no blog, os planos iniciais previam que eu já ficasse no mínimo três meses por lá, retornando apenas em 19 de dezembro. Depois das festas de fim de ano, nova viagem para Los Angeles sem previsão de retorno.

Em três semanas, já enlouqueci de saudades dos meus pequenos.

No post intitulado "Toy Stories, Píer Santa Monica e Saudades", expressei minha angústia por estar longe das crianças e um leitor, sugerindo que talvez eu estivesse sendo "melodramático", ponderou que um de seus amigos, embora também muito apegado aos filhos, teve que se manter afastado destes em função de exigências profissionais e oportunidades de carreira. Enquanto isso, outro leitor argumentou, em post relacionado, que o InFilm representava uma oportunidade única em minha carreira e que, de qualquer forma, eventualmente meus filhos cresceriam e deixariam o lar - e que, portanto, seria prudente fatorar tudo isso na equação.

Ambos estavam certos. E tenho a convicção de que publicaram seus pontos de vista com a mais nobre intenção de me ajudar a avaliar este momento profissional e pessoal.

Sim, o InFilm é uma oportunidade ímpar. Sim, meus filhos eventualmente vão crescer e tocar suas vidas, saindo de casa, estabelecendo suas próprias famílias e por aí afora.

Mas querem saber o que também é uma oportunidade única? A de vê-los crescendo -  especialmente porque eventualmente eles vão se tornar adultos e abandonar o ninho. Quando viajei para Los Angeles, por exemplo, Nina já andava para baixo e para cima, mas ainda demonstrava certa insegurança revelada pelo seu jeitinho meio trôpego, quase bêbado, de caminhar - algo que eu achava lindo. Isso acabou. Ela agora caminha com segurança absoluta. Já Luca, que estava lendo muito bem, mas ainda tropeçava aqui e ali, evoluiu tremendamente nesse período, praticamente deixando de lado as gaguejadas e aqueles errinhos que tanto me comoviam.

E eu perdi todo esse processo. Crianças muito jovens mudam muito rapidamente; sempre quis ser um pai presente e estar ao lado delas em todas as suas descobertas e evoluções. Talvez porque meu próprio pai não teve essa chance por ter morrido aos 40 anos e quando eu tinha apenas 5 anos e minha irmã, pouco mais de um. Ou talvez porque eu não tenha tido a oportunidade de ter crescido com meu pai ao meu lado, não sei. Mas o fato é que saber que perdi momentos importantes nas vidas de Luca e Nina é algo que me angustia tremendamente.

Ah, mas e se eu levasse toda a família para Los Angeles?

Acreditem, pensei muito nisso. Exaustivamente. E cheguei à conclusão de que não seria uma atitude responsável de minha parte. Aliás, seria tremendamente egoísta. Além de ter que abandonar escola e amigos, Luca teria que mergulhar numa cultura radicalmente diferente enquanto ainda enfrentaria dificuldades com a nova língua. E sei como as crianças podem ser cruéis com aqueles que julgam "estranhos", vindos de fora. Por outro lado, é fato que crianças se adaptam muito mais facilmente a novas circunstâncias do que os adultos.

Mas mantê-los longe da família? Das avós, tão carinhosas e sempre presentes em suas vidas? Dos tios? Dos primos? Luca e Nina já perderam os dois avôs (Luca ainda conviveu um pouquinho com o avô materno; Nina nem chegou a conhecê-lo.); seria justo impedir que convivessem com as avós?

De todo modo, apesar de todos os problemas, ainda seria possível resolver o impasse - eles poderiam passar algum tempo comigo em Los Angeles; eu poderia voltar uma vez por mês; eventualmente poderíamos arrumar uma maneira deles se mudarem para lá com um esquema de viagens pré-planejado para que vissem as avós com a maior freqüência possível; e por aí afora.

Seria sofrido para mim, claro, mas possível.

Mas e o Cinema em Cena? Prestes a completar 12 anos de existência, o site é o mais antigo do gênero na internet brasileira. E também é um "filho" querido para mim. Eu poderia abandoná-lo? Esta seria a única alternativa viável, já que tentar me manter a bordo seria apenas adiar o inevitável, prejudicando-o (e aos leitores) no processo. Além disso, e minha responsabilidade para com meus sócios? Há oito anos, a AeC, uma das empresas mais bem sucedidas em seu setor no Brasil, tornou-se acionista do site e, desde então, vem investindo em sua manutenção e infra-estrutura. Ao aceitar o convite para dirigir o InFilm, conversei com meus sócios, Cássio e Guilherme, e os assegurei de que continuaria a ter o Cinema em Cena como prioridade - e eles, sempre compreensivos e confiantes em minha honestidade, abandonaram as reservas e me parabenizaram pela oportunidade conquistada. O que me deixou profundamente grato.

Como eu poderia decepcioná-los depois de todos esses anos de apoio constante? E os leitores, que vinham reclamando (com propriedade) de minha ausência? Como reagiriam à minha saída do site? 

Acho que já sabem onde vou chegar.

Depois de ponderar por dias sobre todas estas questões, procurei Marcos Wettreich, criador e principal acionista do InFilm - e também a pessoa que me convidara a dirigir a empresa. Expliquei toda a situação e confessei que não sabia como resolvê-la, como encontrar uma maneira de conciliar todos os elementos em jogo. Manifestei minha paixão pela proposta do InFilm e minha crença absoluta de que ela se tornará uma empresa extremamente bem-sucedida. E também confessei como adoraria fazer parte desta trajetória, embora não visse como isto seria possível.

E aqui preciso fazer parênteses para falar sobre Marcos: empresário absurdamente bem-sucedido e com uma reputação admirável no mercado, ele se tornou não apenas um amigo querido nos últimos meses, mas também uma espécie de tutor. Embora eu tenha orgulho de ter mantido o Cinema em Cena vivo e em trajetória crescente por mais de uma década, assumir a direção de uma empreitada como o InFilm representou um desafio amedrontador e inédito em minha vida - e que me trouxe a oportunidade de discutir e aprender com Marcos diariamente, já que, neste período, conversamos várias vezes ao dia, todos os dias (sim, inclusive aos sábados e domingos; o homem é um cavalo no que diz respeito ao trabalho). Com isso, praticamente fiz um curso intensivo e imensamente útil de gestão nestes últimos meses - e com um professor que, caso cobrasse por isso, me custaria uma fortuna.

Pois bem: como pai de crianças jovens e também como empresário, Marcos demonstrou uma compreensão absurda diante do que coloquei. Como pai, percebeu como eu estava sofrendo em função da distância de meus filhos; como empresário, aplaudiu minha preocupação para com meus sócios de tantos anos. E, embora lamentássemos ambos diante do impasse, concordamos que, neste momento, permanecer no InFilm era algo que eu não poderia me dar ao luxo de fazer.

Foi uma conversa não só amigável, mas reveladora e repleta de otimismo. De seu lado, Marcos deixou claro que as portas do InFilm continuam abertas para que, no futuro, eu possa voltar a fazer parte da empresa (nem que seja como cabeça de algum programa específico); do meu, aproveitei meus contatos com a OFCS para deixar pessoas competentes e apaixonadas à disposição do InFilm em Los Angeles - além de ter assegurado estar à disposição para resolver qualquer questão mais urgente que dependa de mim neste período de transição. Além disso, me dispus a auxiliar na intermediação de outros contatos em L.A., já que acabei conhecendo várias pessoas e reforçando relacionamentos estabelecidos ao longo dos anos por email.

E, acreditem, para mim é extremamente importante saber que deixo portas abertas e que tenho, em Marcos, um novo amigo; teria sido terrível caso esta minha passagem pelo InFilm tivesse originado ressentimentos ou algum mal-estar profissional. E sou e serei sempre grato a ele pelo generoso convite e por todas as "aulas" que tive neste período.

Aulas que, aliás, serão colocadas em prática com todo o vigor no Cinema em Cena a partir de agora. Percebi, entre outras coisas, que andava no piloto automático como editor e administrador do site e que preciso sacudir um pouco as coisas. Em termos de audiência, o site nunca esteve tão bem; mas isso não pode ser o bastante. E não será.

Página virada, capítulo novo. Volto aos meus filhos biológicos e ao meu filho jurídico. E espero vê-los, todos, crescendo muito e sempre.

I'm back, baby.

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editorial | infilm | Luca & Nina

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