Filmes do Oscar

by Pablo 30. dezembro 2008 14:05

Frost/Nixon é um bom filme, mas nada mais. Frank Langella e Michael Sheen estão impecáveis, mas o falso formato documental, com entrevistas feitas com os personagens-atores, me incomodou bastante. É um bom embate psicológico e Langella, mesmo não parecendo em nada com Nixon, acaba incorporando o personagem de tal maneira que merece aplausos - e, sim, uma indicação ao Oscar - especialmente pela vulnerabilidade que traz ao papel. Sheen também encontra um ótimo equilíbrio entre a irreverênciae a seriedade, mas, assim como aconteceu em A Rainha, ele provavelmente será esquecido por servir de escada para uma performance mais chamativa. Não acho que esteja entre um dos melhores filmes do ano, mas é uma boa producão.

The Wrestler é belíssimo. Com uma abordagem intimista, Darren Aronofsky mantém a câmera sempre na mão enquanto segue o protagonista de perto. E se Marisa Tomei está linda como sempre (e que corpo! Que corpo!), Evan Rachel Wood surge intensa e comovente em suas poucas cenas, comunicando todo um mundo de ressentimentos em apenas alguns minutos.

Mas Mickey Rourke... uau. Sempre fui fã confesso desse ator brilhante (sua performance em Coração Satânico merecia todos os Oscars do mundo), mas o que ele faz em The Wrestler é de partir o coração, já que, de maneira muito óbvia, ele está interpretando uma versão de si mesmo: um astro acabado, esquecido, odiado, que tenta voltar ao topo em uma última chance. O problema é que seu lutador é um homem de natureza auto-destrutiva - tornando-se, assim, seu próprio antagonista neste drama doloroso e sensível. Espero sinceramente que o erro de Coração Satânico seja corrigido agora. Sim, sou fã incondicional de Sean Penn, que considero o melhor ator de sua geração (poderia ser Rourke, caso este tivesse mantido sua carreira nos eixos e feito filmes que explorassem seu potencial) e acho que seu trabalho em Milk é maravilhoso, mas... Rourke merece a estatueta esse ano.

Para finalizar, vi também Wendy & Lucy, que pode render uma indicação a Michelle Williams. É um filme simples, muito simples, com uma história ainda mais: são basicamente 80 minutos que mostram Wendy (Williams) procurando sua cadela Lucy numa pequena cidade do interior dos EUA. Porém, embora nada ambiciosa, a narrativa prende, instiga, envolve. E Williams cria uma personagem enigmática sobre a qual nada sabemos mesmo depois que a história chega ao fim. No entanto, mais importante do que isso é percebermos que trata-se de uma jovem machucada e triste que provavelmente passou por um grande sofrimento até chegar à condição atual. Fiquei curioso com relação a Wendy, mas o filme é apenas bonzinho, apesar de sua ótima atriz.

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Ritmo praiano

by Pablo 28. dezembro 2008 19:58

Em Belo Horizonte, nunca há tempo para nada: mal sento diante do computador e já anoiteceu, o que me obriga a trabalhar até de madrugada. Já aqui, acordamos, brincamos, conversamos, fomos para a praia, almoçamos, nadamos, brincamos e... duas e meia da tarde.

Aliás, Nina ficou linda de maiô - e os bebês de sexo masculino não paravam de encará-la, o que me fez rosnar para todos os mini-assanhados ao nosso redor. Humpf.

Luca, que nem se lembrava da praia, também curtiu bastante o dia, repetindo várias vezes que está "amando as férias". Claro que ouvir isso me deixou felicíssimo.

(Ainda assim, Luca e seu primo Cauã andam batendo um pouco de frente. Brincam muito, mas também se desentendem com freqüência. Natural, mas cansativo.)

E mudando de assunto: a primeira fase da premiação anual da OFCS já está em andamento. Eu trouxe alguns screeners* para Salvador e pretendo conferi-los aos poucos (também assisti a vários ainda em BH). Até agora, fiquei encantadíssimo com o documentário Man on Wire, embora também tenha apreciado o discurso racional de Bill Maher em Religulous. Já Milk é bastante eficiente e instigante, além de trazer performances magníficas de Sean Penn, James Franco e Josh Brolin, mas, mesmo gostando muito do filme, achei que ficaria emocionado com seu desfecho, o que não ocorreu. Gran Torino é pouco mais do que razoável Ainda tenho que ver Slumdog Millionaire, The Wrestler e Revolutionary Road, entre outros. 

* Para os leitores mais recentes do blog: em função de meu envolvimento com a OFCS (associação internacional de críticos sediada em Nova York), recebo screeners (cópias dos filmes em DVD) diretamente das distribuidoras norte-americanas para que possa avaliar as produções antes de enviar meus votos.

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Sinopse de Crepúsculo

by Pablo 23. dezembro 2008 22:39

Escrita pelo leitor Cristian na comunidade do Cinema em Cena no Orkut:

"Uma garota se apaixona por um dos membros de uma família de vampiros emo, vegetarianos, que viram diamante quando são banhados pela luz do sol."

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Medo

by Pablo 22. dezembro 2008 21:13
Acabei de me dar conta de algo: se eu esbarrar na rua com um discípulo de Jorge Linhares que ame Crepúsculo, provavelmente irei parar no hospital.

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As jovens fãs de Crepúsculo me odeiam

by Pablo 22. dezembro 2008 17:30

Surpreso? Nem um pouco. Desapontado? Sim. Correndo o risco de soar como um velho, devo dizer que esperava um pouco mais de nossas adolescentes/jovens adultas.

De todo modo, copio, abaixo, algumas das reações mais divertidas/raivosas/histéricas/sintomáticas à minha crítica de Crepúsculo (e obrigado ao leitor Xavier, que me enviou o link das comunidades do Orkut em que meu artigo (e seu autor) era atacado/pisoteado/esfaqueado/mordido. Considerem este post como uma variação da série Expressões de Busca - as reações estão no mesmo nível. 

"Pablo Villaça,só uma palavra para você ridículo!!!!!!Crepúsculo é perfeito!!!Não é nada fácil fazer uma adaptação tão fiel ao livro.Mas por um outro lado existem pessoas à toa e sem bom gosto como você para fazer críticas sem o menor cabimento!" (Margarethe Knebel, que também pediu para me acrescentar no Orkut. Aceitei e já estou esperando o scrap raivoso.)

"Falta de bom gosto deveria exigir tratamento e vocês todos deveriam procurá-ló." - (Knebel, respondendo aos outros leitores que também não gostaram do filme.)

"Gente tem um palhaço chamado Pablo Villaça acabando com o filme Crepúsculo.Ele fez uma crítica sem o menor cabimento sobre o filme.No meu ponto de vista,esse cara falou barbaridades que me deixaram com muita raiva.Dêem uma olhada... (...) Eu fiz login no site só para comentar a crítica idiota que ele fez...vocês que são tão fãs quanto eu,espero que façam o mesmo e vamos todos acabar com a alegria desse tal Pablo... agradeço de todo o coração pelo apoio!!!!Obrigada!!!" (Knebel, no Orkut, chamando as companheiras para a luta armada.)

"é grande de mais , me desanimo nem quis ler ." (Para minha sorte, várias companheiras de Knebel ficaram com preguiça de ler a crítica. O que é revelador, não?)

"Isso não é uma crítica, é um livro o.o /medo" (Tenha medo, não, Iully. Ler não mata. E se você já leu Crepúsculo...)

"SE TIVEREM APCIÊNCIA LEIAM! (ESSA CRÍTICA É ENORMEE!)" (Acho que vou lançá-la no formato "audio book", Carol.)

"É O CARA ESCREVE MUIIIITO PRA CRITICAR... suasuahsuas ninguém vai ler isso mais eu lii!" (Obrigado, Carol! suasuahusausah!)

"MEU DEUS! Queima ele! Que comentário besta. que Edward sente é um desejo intenso de MORDER, é o sangue dela, o cheiro dela, ele tem vontade de morder ela, e isso é tão intenso que se tranforma em uma grande paixão. Mas desejo sexual adolescente e necessidade imperativa de se praticar a abstinência? Tipo, nada a ver mano. Queima ele!" (Louise, que nunca ouviu falar da palavra "metáfora".)

"Me pergunto se ele ja leu o livro ¬¬ escroto e pouco :S" (Derly, que não precisava "se perguntar", já que digo na crítica que não li.)

"esse caara nãoo teem noção do kee ta faalndo ele não entende naada de fiilme neem soube interpletar.. o povinhoo viu" (Não sabia que o Cebolinha gostava de Crepúsculo)

"Muito infeliz a crítica dele, é óbvio que nem do livro ele tem conhecimento, além dos comentários de autoria LIMITADA, que diz a cada paragráfo que o filme/história faz apologia sexual adolescente, enfim, esse falou pra ser mais um a querer APARECER diante de algo que tá fazendo tanto sucesso. Com certeza veremos outras críticas assim, a galera não detestava Harry Potter no inicio? É assim mesmo. Mesmo sendo lamentável, ver que tem gente que fala sem saber de NADA, NADA mesmo." (Louise, que também não conhece a palavra "apologia", embora tenha tentado utilizá-la, o que é até bonitinho. E elogiei todos os filmes da série Harry Potter, só para constar.)

"Esse é o profile do tal Crítico Pablo Villaça: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=mp&uid=129277017790814728 IDIOTA!!!!!!" (Knebel, que deve estar preparando as tochas e os forcados)

"Véi estou quase concicta q esse cara não leu o livro pq ele é um leigo em twilight!!!!" (Knebel, me deixando quase "concicto" de que ela não leu minha crítica)

"Antes de escrever 'A CRITICA BOMBÁSTICA' Pablo primeiramente deveria ter se dado o trabalho de ler o livro, era o mínimo que ele podia ter feito. Opiniões mudam, com certeza, mas ele se a proveitou de algo que fez tanto sucesso pra aparecer, venhamos e convenhamos. O filme não foi o melhor do ano, mas também não chega nem preto do fiásco que ele retratou. E como não leu o livro, não pode sentir nem de perto a profundidade e intensidade do amor dos dois, sentir isso é coisa de pessoas sensíveis e superiores não é pra qualuer um ! Sem contar que ele deve ser um mal-amado, rejeitado revoltado com a vida, temos que compreende-lo ;D)" (Domenique, também advogando a teoria de que escrever negativamente sobre Crepúsculo é um trampolim para a fama maior do que participar do BBB. Quanto ao fato de ser "mal-amado, rejeitado e revoltado com a vida"... ok, acertou na mosca. Mas não precisava jogar na cara.)

"escrevendoonomedelenomeudeathnote." (Nathy, que ao menos foi mais original ao desejar minha morte.)

"Ô meu queridooooo, se vc quer ver um filmaço com tudo que tem direito, vai procurar um filme se ação ou coisa parecida da Warner, etc! (...) E tem mais! No livro, há quem diga q é uma metáfora da castidade e não desse apelo sexual q vc falou aí!" (Helen, que aparentemente detesta a Warner. E que disse que errei ao falar sobre abstinência na crítica, já que o que o livro prega é "castidade".)

"Mesmo q a adaptação tenha deixado a desejar no quesito "explicações" estamos aqui pra isso!! Nós, fãs, que lemos o livro podemos explicar tudo, contar tudo para aqueles q se interessarem!" (Helen, que inventou um novo tipo de extra de DVD: filmes que vêm acompanhados de fãs para explicá-lo.)

"posso então shegar a conclusõa de qe esse carã , é mais um dos babacas qe morrem de inveja de Edward." (Carol, você está realmente sugerindo que... hum... tenho inveja do PERSONAGEM VAMPIRO? Não, não. Certamente estava se referindo ao ator e...)

"e além de Edward , ele tem inveja de Robert" (... deixa pra lá. Esta foi Carol, completando o raciocínio. Ou melhor: "raciocínio".)

"juro pra voces, eu nunca vi alguem atuar tão bem quando o rob nesse filme." (Lucas, que certamente nunca assistiu a Malhação.)

"se não leu (o livro), não faça uma crítica falando merda." (Camila, que certamente não compreende a diferença entre "cinema" e "literatura".)

Dito isso, muitas pessoas responderam com sensatez durante aquela discussão, mesmo discordando da crítica. Hum... corrijo: muitas, não. Algumas.

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Adivinhe o filme

by Pablo 19. dezembro 2008 22:47

Entre os filmes abaixo (todos com estréia marcada para 25 de Dezembro), qual me fez chorar feito um bocó ao fim da projeção?

 
Update: Só para constar: o fato de ter dito que chorei "feito um bocó" não quer dizer não gostei do filme. Ao contrário: um filme ruim só poderia me fazer chorar de raiva. O longa em questão me encantou muito e vai ganhar uma crítica elogiosa.

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Críticas da semana

by Pablo 18. dezembro 2008 22:59

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Triste

by Pablo 17. dezembro 2008 13:47

Em setembro, publiquei o seguinte comentário sobre o documentário Bigger Stronger Faster*:

Bigger Stronger Faster* (Idem, EUA, 2008. Dir: Chris Bell.) – Pessoal como Michael Moore (incluindo um momento Roger and Me com Schwarzenegger) e auto-referencial como Morgan Spurlock (mas mais honesto), Bell cria um filme que levanta questões realmente relevantes sobre a caça às bruxas relativa ao uso de esteróides, o que é uma interessante surpresa. (4 estrelas em 5)  

Pois hoje foi publicada a notícia de que Mike Bell, irmão de Chris Bell, diretor daquele filme, foi encontrado morto em função de causas ainda não determinadas. Mike, velho usuário de esteróides (bem como de outras drogas), é um dos protagonistas do documentário, surgindo, aliás, como uma de suas figuras mais comoventes em função de suas frustrações pessoais e sonhos de grandeza. Muito, muito triste. Fiquei com vontade de rever o longa.

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Críticas da semana

by Pablo 12. dezembro 2008 16:00

Rebobine, por Favor e Madagascar 2 já estão no ar. (Esqueci de avisar.)

Update: Escrevi também sobre O Menino do Pijama Listrado.

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Críticas das estréias da semana

by Pablo 5. dezembro 2008 17:26
A Lista, A Fronteira da Alvorada, O Silêncio de Lorna e, ainda hoje, Appaloosa (na verdade, trata-se do texto que eu tinha escrito em outubro, durante a Mostra).

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Roman Polanski: Wanted and Desired

by Pablo 4. dezembro 2008 01:23

Recebi há alguns dias o screener do documentário Roman Polanski: Wanted and Desired. Hoje, com a notícia de que os advogados do cineasta entraram com um pedido para que as acusações contra ele sejam retiradas, resolvi assistir ao filme.

Tudo o que posso dizer é: uau. A Academia pisou na bola mais uma vez ao não incluir este filme entre os semifinalistas da categoria. Dirigido por Marina Zenovich, o documentário não só representa um profundo olhar sobre a vida trágica de Polanski como ainda é brilhante do ponto de vista investigativo - tanto que os advogados do diretor estão usando o longa como ponto central de sua argumentação.

Depois de perder os pais nos campos de concentração nazistas durante o Holocausto, Polanski conseguiu reconstruir sua vida como diretor de sucesso em Hollywood e, principalmente, ao casar-se com a belíssima atriz Sharon Tate. Já em estado adiantado de gravidez, porém, a moça foi morta pelos seguidores do lunático Charles Manson, deixando Polanski mais uma vez sozinho em função de uma tragédia. Vindo de uma cultura que não via com rigidez o envolvido com menores de idade (seu caso com Nastassja Kinski, quando esta tinha 15 anos de idade, foi acompanhado pela imprensa européia, sendo responsável por lançar a carreira da atriz), Polanski foi preso em 1977 sob a acusação de transar com uma modelo de 13 anos de idade na casa de Jack Nicholson (que encontrava-se ausente). 

E é isto que dá início a uma série de incidentes judiciais absurdamente patéticos que eventualmente o levaram a fugir dos Estados Unidos.

Em primeiro lugar, havia o fato da mãe da garota ter praticamente empurrado a moça para o meio freqüentado por Polanski. Ciente de que fora através de uma sessão de fotos que o diretor se envolvera com Kinski (lançando-a para o estrelato), a aspirante a atriz permitiu que o cineasta levasse a filha, sem acompanhantes, para uma sessão particular de fotografias. A esta altura, a menina já havia experimentado barbitúricos e não era mais virgem - e seu próprio relato do que ocorreu com Polanski deixa claro que ela se mostrou mais do que disposta a se entregar a este.

Ainda assim, mesmo que consideremos que a década de 70 representava um outro universo, o fato é que Polanski transou com uma menor de idade e que, como adulto, deveria ter tido o discernimento de não aceitar os avanços da menina mesmo que ela insistisse. Ele não só não rechaçou a garota como ainda lhe ofereceu bebidas e quaalude. Portanto, mesmo que não considere o cineasta um "pedófilo" (como já disse, era outra época e ele veio de outra cultura), confesso que reprovo suas ações e que ele, de fato, merecia ter ido a julgamento. Mas um julgamento - como deveria ser óbvio - justo.

Ah, mas é aí que entra o juiz Rittenband. Sedento por publicidade, o sujeito freqüentemente insistia em presidir casos envolvendo celebridades - e com Polanski não foi diferente. No auge da fama graças a O Bebê de Rosemary e Chinatown, Polanski representava uma oportunidade única para Rittenband, que solicitou ser colocado no caso. Infelizmente para ele, porém, a família da moça não queria que Polanski fosse a julgamento, optando por um acordo extra-judicial que se revelasse benéfico para ambas as partes: a família seria recompensada e permaneceria no anonimato e o cineasta não seria preso. 

Contudo, sem querer deixar o caso morrer, Rittenband solicitou uma avaliação psicológica de Polanski para descartar a possibilidade deste ter algum "desvio psicológico" que o tornasse uma ameaça para outras jovens. O psicólogo responsável pela tarefa, indicado pelo próprio juiz, constatou que o diretor era são e, portanto, deveria receber a liberdade condicional prevista no acordo com a família da garota.

Rittenband não ficou satisfeito. Assim, decidiu enviar Polanski para uma prisão por 90 dias para que ele fosse avaliado intensamente por uma junta médica. Sabendo que sua atitude era irregular, já que a esta altura o advogado da vítima estava praticamente implorando para que o caso fosse encerrado, o juiz chamou promotor e advogado de defesa em sua sala e propôs um teatrinho: a defesa solicitaria a liberdade do réu, a promotoria insistiria na prisão e o juiz, então, apresentaria o meio-termo do encarceramento por 90 dias para avaliação psicológica, comprometendo-se a libertar o diretor depois disso. Polanski aceitou o acordo, todos desempenharam seus papéis de acordo com o combinado e o cineasta foi para a prisão.

No entanto, além da junta médica concluir o que já havia sido estabelecido (que Polanski não representava ameaça à Sociedade), o fato é que o diretor corria risco de ser morto na prisão, já que fora acusado de estuprar uma menor de idade. Assim, a comissão decidiu soltá-lo depois de 42 dias. Isto deixou Rittenband embaraçado diante da imprensa. Sentindo-se pressionado pela mídia, ele voltou a chamar promotoria e defesa em sua sala e propôs um novo teatrinho: todos repetiriam seus desempenhos e ele mais uma vez apresentaria uma solução, enviando Polanski para a prisão por mais algum tempo e comprometendo-se a libertá-lo posteriormente desde que ele aceitasse abrir mão de seus direitos de imigrante, abrindo caminho para sua deportação.

A esta altura, porém, ninguém mais confiava na palavra do juiz. E, para piorar, o que ele propunha era ilegal, já que não tinha jurisdição alguma sobre questões de imigração. O advogado de defesa e o promotor concordaram que não mais participariam da encenação e Polanski, ao ouvir a proposta do juiz, perguntou ao seu advogado se podia confiar no que fora combinado. A resposta foi clara: "Não". E assim, Polanski deixou o país, tornando-se passível de ser preso mesmo hoje, caso retorne aos Estados Unidos.

Agora vejam só a situação: ninguém queria vê-lo preso - nem mesmo a vítima ou o promotor. Tudo estava acertado para uma resolução pacífica. E um juiz sedento de fama, agindo ilegalmente, acabou provocando a fuga de Polanski e seu exílio por mais de 30 anos, além de expor a identidade da moça no processo. (Uma proposta de perdão foi aprovada em 97, depois que a própria vítima veio a público para perdoar o diretor, mas um outro juiz, embora topasse oficializar o acordo, exigiu - vejam só! - que tudo fosse televisionado, o que levou Polanski a recusar o trato.) E pensar que o nosso sistema judicial é que é o falho.

E o mais incrível: o filme conseguiu entrevistar todos os envolvidos (ou quase: Polanski se recusou a participar do projeto, alegando que isto daria a impressão de estar agindo apenas em seu próprio interesse), do promotor à vítima, passando por advogado de defesa, amigos de diretor e até mesmo um sobrinho do juiz (Rittenband morreu em 1995), criando uma narrativa envolvente, coesa, impecável. Na realidade, suficiente até mesmo para levar os advogados de Polanski a solicitar o arquivamento do caso.

E a Academia decidiu ignorá-lo.

Arre.

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Críticas...

by Pablo 3. dezembro 2008 02:19
...de Rede de Mentiras e Queime Depois de Ler no ar.

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Mesa redonda com Matheus Nachtergaele

by Pablo 29. novembro 2008 23:10
Esqueci de comentar: no dia 15 de janeiro, mediarei uma discussão com o ator e diretor Matheus Nachtergaele sobre seu filme A Festa da Menina Morta, em Salvador. Quando tiver mais detalhes, posto aqui.
 
Update: À primeira vista, pode parecer estranho que eu esteja marcando tantas atividades profissionais para o período das primeiras férias que tiro em quatro anos, mas, como típico workaholic,  sei que curtirei mais minha passagem por Salvador se souber que também aproveitei para trabalhar um pouco.  

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Chat com o cineasta Rafael Conde

by Pablo 24. novembro 2008 14:19

Rafael Conde é um dos cineastas mais queridos de Belo Horizonte. Não há quem tenha uma única palavra negativa a dizer sobre o cara. Professor da UFMG e patologicamente tímido, ele é uma figura não só simpática no convívio social, mas, como profissional, é famoso por sua eterna disponibilidade em auxiliar os colegas. (É quase impossível ver um filme produzido em Minas que não tenha, nos agradecimentos, o nome dele.)

Há alguns anos, Rafael dirigiu seu primeiro longa, Samba Canção, que considero uma comédia divertida e extremamente inventiva por brincar com o próprio formato de captação da produção (ao longo da projeção, à medida que o cineasta-protagonista é obrigado a diminuir o orçamento de seu projeto, o próprio filme vai do 35mm colorido ao vídeo, refletindo sua jornada). É lamentável que ainda não tenha sido lançado em DVD, mesmo que isto implique em perder parte do charme por não poder reproduzir com total fidelidade o jogo metalingüístico.

Enfim. Tudo isso é para dizer que Rafael está lançando seu segundo longa, Fronteira, e que participará de um chat ao vivo hoje, às 16 horas. Vale a pena participar, porque o cara, além de bom de serviço, é gente fina à beça.

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Críticas

by Pablo 14. novembro 2008 16:46

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