Oscar 2010: Videocast ao Vivo!

by Pablo 7. março 2010 13:54

Ao todo, o videocast deste Oscar 2010 foi visto por quase 12 mil pessoas - um número que eu jamais poderia imaginar. Obrigado a todos que participaram enviando perguntas ou que simplesmente fizeram a gentileza de acompanhar a cerimônia aqui no blog. Para assistir aos vídeos (são 9 partes) com os comentários, clique em Leia mais...

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premiações e eventos | videocast

Oscar 2010: Previsões finais

by Pablo 5. março 2010 01:17

Tentar adivinhar quem vencerá o Oscar é sempre um exercício bobo. Mas divertidíssimo. E se costumo ter uma boa média de acertos, isso se deve menos à minha genialidade (embora todos aqui saibam que, como egocêntrico que sou, eu atribuirei a ela) e mais ao fato da temporada do Oscar estar se tornando cada vez mais previsível, enfadonha e cansativa.

Mas vamos às previsões:

Filme

Vai vencer: Guerra ao Terror.

Explicando a escolha: Neste momento, eu diria que Guerra ao Terror e Avatar estão com chances virtualmente idênticas: 49% cada. Os 2% de diferença ficam por conta de Bastardos Inglórios. Historicamente falando, Avatar tem a grande vantagem de ser um sucesso de bilheteria, já que nunca, em toda a história do Oscar, um filme com arrecadação tão baixa quanto a de Guerra ao Terror venceu o prêmio principal. Assim, estou indo contra 81 anos de tradição ao apostar no longa de Kathryn Bigelow. Além disso, nas últimas semanas uma verdadeira campanha contra o projeto tomou conta da temporada, com entrevistas com veteranos que disseram que o filme não reflete a realidade da guerra, o vazamento do email de um dos produtores pedindo votos e falando mal de Avatar, o processo instaurado contra o estúdio por um sargento que diz ter sido a inspiração para o protagonista e por aí afora. Aliás, quanto mais escrevo, mais penso que deveria mudar minha previsão para Avatar. No entanto, há um... não sei... um “gut feeling” me dizendo para apostar em Guerra ao Terror apesar de todos os obstáculos.

Qual seria meu voto: Anticristo. Hein? Não está concorrendo? Ok, então Guerra ao Terror.

Se vencer, eu mato um: Nhé. Não odeio nenhum dos candidatos a esse ponto. Sou da paz.

 

Diretor 

Vai vencer: Kathryn Bigelow, tornando-se a primeira mulher a vencer este prêmio.

Qual seria meu voto: Kathryn Bigelow.

Se vencer, eu mato um: Nhé. Não odeio nenhum dos indicados. Sou da paz.

 

Ator 

Vai vencer: Jeff Bridges.

Explicando a escolha: Um filme menor, falho, mas que é engrandecido pela grande atuação de um ator não só competente e carismático, mas adorado por todos. E que já foi indicado quatro vezes sem nunca ter levado a estatueta.

Qual seria meu voto: Bridges.

Surpresa que não me desagradaria: Jeremy Renner.

Se vencer, eu mato um: Morgan Freeman. Invictus é medíocre e mesmo que se mostre seguro no papel, Freeman não faz nada de essencialmente diferente do tipo que vem desenvolvendo há anos. Dane-se a paz!

 

Atriz

Vai vencer: Sandra Bullock.

 

Explicando a escolha: Entre as categorias principais, esta é provavelmente a mais disputada. Meryl Streep já foi indicada 16 vezes (3 delas como coadjuvante) e não vence há décadas. Com isso, há um sentimento claro de que já passou da hora de uma das melhores atrizes norte-americanas receber um Oscar que coroaria sua carreira – e até há dois meses, eu apostaria em Streep. No entanto, Bullock venceu várias premiações importantes – entre elas, o SAG – e levou na esportiva até mesmo o fato de também estar concorrendo ao Framboesa de Ouro. E todo mundo gosta de uma pessoa bem humorada.

Qual seria meu voto: Gabourey Sidibe.

Se vencer, eu mato um: Helen Mirren. Mas só porque não vi The Last Station e ficaria frustrado por não poder dizer se ela mereceu ou não.

 

Ator Coadjuvante 

Vai vencer: Christoph Waltz.

Explicando a escolha: Venceu tudo até agora. Por que isso mudaria no Oscar? Por outro lado, Christopher Plummer conquistou sua primeira indicação depois de 52 anos de carreira – e a Academia adora esse tipo de trajetória. Além disso, as categorias de coadjuvantes são constantemente palco de surpresas. Se somarmos a isso o fato de Waltz ser um completo desconhecido até um ano atrás, as chances do veterano sobem um pouquinho. Mas só um pouquinho.

Qual seria meu voto: Waltz.

Se vencer, eu mato um: Stanley Tucci, um ator competente que interpreta uma caricatura no pavoroso Um Olhar do Paraíso. E ele que não tente me fazer ser preso depois que estiver lá no alto.

Surpresa que não me desagradaria: Woody Harrelson.

 

Atriz Coadjuvante 

Vai vencer: Mo’Nique.

Explicando a escolha: Assistam ao filme. Não há como negar um prêmio a ela.

Qual seria meu voto: Mo’Nique.

Se vencer, eu mato um: Qualquer uma que não seja Mo’Nique.

 

Roteiro Original 

Vai vencer: Bastardos Inglórios.

Explicando a escolha: Tarantino atingiu o status de “mestre do Cinema” na última década. É visto como um outsider, embora seja impossível alguém atingir uma posição maior de insider do que a dele (a não ser que você seja Spielberg ou James Cameron), e isto também confere uma aura independente e cult ao sujeito. Além disso, há um sentimento crescente (e correto) de que Forrest Gump tomar o prêmio de melhor filme de Pulp Fiction foi um absurdo pavoroso e esta seria uma boa maneira de afagar a cabeça de seu diretor. Por outro lado, Guerra ao Terror, por ser o projeto com maior número de indicações, pode vencer por uma questão de coerência – dependendo do número de votos enviados antes de que a história do processo contra os produtores estourasse na mídia.

Qual seria meu voto e surpresa que me agradaria muito: Um Homem Sério.

Se vencer, eu mato um: Bastardos Inglórios, um roteiro mediano que foi alçado à condição de magnífico apenas por ter sido dirigido por Tarantino. Pelo jeito, alguém morrerá no domingo.

 

Roteiro Adaptado 

Vai vencer: Amor Sem Escalas.

Explicando a escolha: Jason Reitman é outro cineasta que vem conquistando o respeito da Academia nos últimos anos. Porém, como seu Amor Sem Escalas vai sair de mãos abanando nas principais categorias, esta seria uma boa forma de homenageá-lo e evitar uma derrota absoluta. De certa forma, esta lógica também se aplica a Preciosa, mas a vitória de Mo’Nique pode minimizar a necessidade deste prêmio (que, ainda assim, é uma possibilidade).

Qual seria meu voto: In the Loop, sem a menor sombra de dúvida.

Se vencer, eu mato um: Educação, cujos cinco minutos finais negam tudo que o filme vinha pregando até então.

 

Filme Estrangeiro 

Vai vencer: A Fita Branca.

Explicando a escolha: Se Tarantino ganhou a aura de “mestre do Cinema”, Michael Haneke é um. E seu A Fita Branca vem sendo premiado em importantes festivais ao redor do mundo, o que, somado ao fato de Haneke jamais ter sido indicado ao Oscar (nem mesmo por seu fascinante Caché), praticamente garante sua vitória. Por outro lado, Um Profeta vem ganhando momentum nas últimas semanas e poderia facilmente surpreender.

Qual seria meu voto: Vi apenas três dos indicados (faltaram o israelense Ajami e o peruano A Teta Assustada) e não poderia votar, já que esta é uma das poucas categorias que exigem que os votantes tenham assistido a todos os candidatos antes de enviarem suas escolhas.

Quem eu gostaria que ganhasse: O Segredo dos Seus Olhos, do magnífico argentino Juan José Campanella.

 

Animação 

Vai vencer: Up.

Explicando a escolha: A Pixar é sócia da Academia.

Qual seria meu voto: Coraline.

Se vencer, eu mato um: A Princesa e o Sapo.

 

Fotografia 

Vai vencer: Avatar.

Explicando a escolha: Não dá para ignorar o fato de que Avatar não é só um bom filme, mas também um salto tecnológico importantíssimo para o próprio Cinema – e sua fotografia é um dos principais componentes deste salto.

Qual seria meu voto: Apesar desta importância tecnológica, poucas coisas me impressionaram mais esse ano do que a fotografia de A Fita Branca, que, assim, receberia meu voto.

Se vencer, eu mato um: Gosto de todos os indicados.

 

Direção de Arte 

Vai vencer: Avatar.

Explicando a escolha: A equipe de Cameron concebeu um universo detalhista e impressionante a partir do nada, num trabalho que envolveu uma escala inimaginável.

Qual seria meu voto: Avatar.

Se vencer, eu mato um: Qualquer um que não seja Avatar.

 

Figurino 

Vai vencer: Coco Antes de Chanel.

Explicando a escolha: Um filme sobre uma estilista que marcou história? Como ignorar a tentação de premiar os figurinos, mesmo que o longa em si seja medíocre?

Qual seria meu voto: Brilho de uma Paixão.

Se vencer, eu mato um: Não tenho grande paixão por ou grande antipatia de nenhum dos indicados.

 

Montagem 

Vai vencer: Guerra ao Terror.

Explicando a escolha: Indicado a Melhor Filme, levará o de Melhor Direção e tem uma montagem precisa e brilhante. Acho dificílimo que não vença, mas, caso perca, será para seu principal rival, Avatar.

Qual seria meu voto: Guerra ao Terror.

Se vencer, eu mato um: Preciosa, já que as seqüências fantasiosas jamais conseguem interferir na narrativa de maneira orgânica.

 

Maquiagem 

Vai vencer: Star Trek.

Explicando a escolha: Um sucesso de bilheteria que poderia perfeitamente ter entrado entre os dez indicados a Melhor Filme no lugar de Distrito 9 – e que, além disso, traz um trabalho inventivo e eficaz de maquiagem.

Qual seria meu voto: Il Divo, já que a transformação de Toni Servillo em Giulio Andreotti é absolutamente fantástica.

 

Trilha Sonora 

Vai vencer: Up.

Explicando a escolha: Michael Giacchino é um dos melhores compositores da atualidade – e o fato da Academia ter ignorado a trilha de Os Incríveis ainda é algo que não consigo aceitar. E não há como ignorar os dez minutos iniciais de Up, nos quais a trilha desempenha um papel fundamental.

Qual seria meu voto: Up.

Se vencer, eu mato um: Avatar, já que James Horner parece estar sempre se repetindo – e há momentos da trilha de Avatar que parecem ter sido transpostos integralmente de Titanic.

 

Canção Original 

Vai vencer: The Weary Kind, de Coração Louco.

Qual seria meu voto: The Weary Kind.

Se vencer, eu mato um: Qualquer uma das duas canções do pavoroso A Princesa e o Sapo.

 

Som 

Vai vencer: Avatar.

Qual seria meu voto: Avatar.

 

Edição de Som 

Vai vencer: Avatar, mas eu não descartaria Guerra ao Terror.

Qual seria meu voto: Avatar.

 

Efeitos Visuais 

Vai vencer: Distrito 9. Duh, bem capaz. Avatar, é lógico. A categoria mais óbvia da noite.

Qual seria meu voto: Avatar.

 

Documentário 

Vai vencer: The Cove.

Explicando a escolha: Dos cinco, só não vi Which Way Home, mas acho difícil que a Academia ignore não só a importância de The Cove, mas também o fato de ser um quase representante do cinema-guerrilha, já que sua equipe se arriscou bastante ao realizá-lo. Além disso, quem não ama golfinhos?

Qual seria meu voto: The Cove.

Se vencer, eu mato um: Food, Inc, que apesar de trazer algumas revelações importantes, é aborrecidíssimo e burocrático.

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cinema | premiações e eventos

Oscar 2010: Videocast ao vivo - ANO III

by Pablo 4. março 2010 05:38
Gostaria de convidar todos vocês - e seus amigos, parentes, vizinhos, animais de estimação, etc - a assistirem ao Oscar 2010 comigo. Porém, como sei que viajar para Belo Horizonte é algo que sairia caro e que, mesmo que topassem o investimento, eu jamais conseguiria enfiar tantas pessoas na sala do meu apartamento, quero propor uma solução: assim como fiz nos dois últimos anos, farei um videocast ao vivo durante toda a transmissão da cerimônia. Por motivos óbvios (a Globo e a TNT me processariam), não poderei mostrar o que está acontecendo no Kodak Theater, mas nada me impede de comentar o que ocorrer por lá.
 
Se aceitarem o convite, basta que apareçam neste blog na noite de domingo, meia hora antes do início da cerimônia. Teremos uma sala de chat abaixo da janela com o vídeo (no qual surgirei ao vivo) e vocês poderão bater papo com outros leitores ou me enviar perguntas caso queiram.
 
E aí? Temos um encontro? 

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Curtas de animação que concorrem ao Oscar 2010

by Pablo 3. março 2010 23:08

(Update: Os dois concorrentes restantes também foram postados.)

Postei isso no twitter mais cedo, mas achei que valeria a pena publicar aqui: cliquem no "Leia mais" e assistam a três dos curtas de animação que concorrem ao Oscar 2010! Leia mais...

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Videocast Cinema em Cena

by Pablo 2. fevereiro 2010 17:42

Comentários sobre as indicações ao Oscar 2010:

Update: Vídeo já está no ar. Peço desculpas por ter gravado em apenas um canal de áudio (um descuido idiota que só percebi tarde demais).

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Oscar 2010: Previsão de indicados

by Pablo 1. fevereiro 2010 21:17

Vários leitores têm pedido minhas previsões para os indicados ao Oscar. Acho um exercício meio irrelevante, já que: a) faltam poucas horas para que conheçamos a lista final; e b) esta temporada tem sido particularmente previsível. Com isso, as previsões tendem a seguir a mesma lista sempre, com poucas alterações. Mas ok, vamos lá (lista em ordem de probabilidade; aqueles com maiores chances são listados primeiro):

Update: Para deixar claro: esta não é minha lista de "favoritos", mas sim dos filmes que acredito que serão indicados.

Update 2: Os indicados que errei estão riscados.

Filme

Avatar
Guerra ao Terror
Amor Sem Escalas
Bastardos Inglórios
Preciosa
Educação
Invictus
Up - Altas Aventuras
Um Homem Sério
Distrito 9

Diretor

Kathryn Bigelow, Guerra ao Terror
James Cameron, Avatar
Jason Reitman, Amor Sem Escalas
Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios
Lee Daniels, Preciosa (empate técnico com Clint Eastwood, por Invictus, mas chuto em Daniels)

Ator

Jeff Bridges, Crazy Heart
George Clooney, Amor Sem Escalas
Jeremy Renner, Guerra ao Terror
Morgan Freeman, Invictus
Colin Firth, Direito de Amar (A Single Man)

Atriz

Sandra Bullock, O Lado Cego
Meryl Streep, Julie & Julia
Gabourey Sidibe, Precious
Carey Mulligan, Educação
Helen Mirren, The Last Station

Ator Coadjuvante

Christoph Waltz, Bastardos Inglórios
Christopher Plummer, The Last Station
Woody Harrelson, The Messenger
Alfred Molina, Educação
Christian McKay, Me and Orson Welles

Atriz Coadjuvante

Mo'Nique, Precious
Vera Farmiga, Amor Sem Escalas
Anna Kendrick, Amor Sem Escalas
Marion Cottilard, Nine
Mélanie Laurent, Bastardos Inglórios

Roteiro Adaptado

Amor Sem Escalas
Precious
Educação
In the Loop
A Estrada (mas eu não me surpreenderia caso Invictus chegasse aqui)

Roteiro Original

Bastardos Inglórios
Guerra ao Terror
500 Dias Com Ela (ai, ai)
Up - Altas Aventuras
Um Homem Sério (ou Se Beber, Não Case, caso a Academia queira surpreender)

Filme Estrangeiro

A Fita Branca
O Segredo dos Seus Olhos
Um Profeta
The World is Big and Salvation is Around the Corner
Winter in Wartime

Animação

Up
Coraline
O Fantástico Sr. Raposo
A Princesa e o Sapo
Tá Chovendo Hamburguer! (ou Ponyo)

Fotografia

Avatar
Guerra ao Terror
Bright Star
Nine

Bastardos Inglórios

Direção de Arte

Avatar
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Sherlock Holmes
Nine
Bastardos Inglórios

Figurino

Nine
Bastardos Inglórios
Sherlock Holmes
Bright Star
The Young Victoria

Montagem

Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Distrito 9
Star Trek

Trilha Sonora

Up - Altas Aventuras
Avatar
O Desinformante
Sherlock Holmes
A Princesa e o Sapo (desclassificada pela Academia)
Coco Antes de Chanel (apostar em Alexandre Desplat é uma boa)

Canção

Crazy Heart
A Princesa e o Sapo (sei lá qual)
Nine
Coraline
Up - Altas Aventuras

Som

Avatar
Guerra ao Terror
Star Trek
Up
Transformers 2

Edição de Efeitos Sonoros

Avatar
Transformers 2
Up
Star Trek
Guerra ao Terror

Maquiagem

Star Trek
Distrito 9
Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Efeitos Visuais

Avatar
Star Trek
Distrito 9

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Globo de Ouro - Comentários ao vivo

by Pablo 18. janeiro 2010 02:36

Copio aqui parte dos comentários que fiz ao vivo no twitter durante o Globo de Ouro:

 

Comecemos. Boa noite a todos. Se não querem comentários, mas só vencedores, acompanhem @cinemaemcena e voltem aqui depois do Globo de Ouro!

Ricky Gervais é sempre divertidíssimo. Humor ácido, inteligente e auto-depreciativo. Adoro.

Particularmente, torço por Mo'Nique. Atuação brilhante, visceral. O discurso dela é importante para ajudá-la no Oscar.

Falei e mantenho: Globo de Ouro não importa para influenciar o Oscar. Mas os DISCURSOS, sim, influenciam. Um discurso matador no Globo é...

... algo que leva os votantes da Academia a pensar: "Ah, esse(a) vai render um ótimo momento no palco do Kodak".

E se vocês acham que isso é triste e não deveria importar, estão certos. Mas acontece e importa.

A filha de Alfre Woodard é Miss Golden Globe. Hum. Tradição besta.

William Hurt virou o Homem-Urso? Que barba é aquela?

Porra, Trinity vs. Benjamin Linus. Tô dividido.

John Lithgow esteve fantástico em Dexter. Impossível não apreciar. E adoro ouvir a trilha de Dexter.

Acho muito engraçado os perdedores com cara fechada e aí percebem que estão na câmera e começam a sorrir. "Ha! Ha! Perdi! Que bom!".

Sou cínico em pensar que Michael C. Hall anunciou que estava com câncer porque as pessoas iriam questionar sua careca depois da cerimônia?

Adoro Up, mas acho que a Pixar às vezes ganha por default. O trabalho em Coraline é infinitamente superior.

Ok, talvez não "infinitamente".

Eu GOSTO de Up. Muito. Chorei horrores já nos 10 minutos iniciais do filme. Mas acho Coraline mais complexo, denso.

E a direção de arte e a fotografia de Coraline deixam a de Up no chinelo.

Mas sou fã de Pixar. E quando lembro que eles levaram um DVD do filme pra uma menininha que estava morrendo (contei no blog)... boa gente.

Kate Hudson parece demais com a mãe dela quando jovem. Muito bonitinha, mas perto de Penelope Cruz parece uma adolescente sem sal.

Eca! Dexter beijou a irmã na boca!

Bonitinho, John Lithgow chorando de alegria. Fiquei mais fã ainda. Sou bobo assim.

A única dessas séries que acompanho é Damages. Então queria que Glenn Close vencesse. Mas Julianna Margulies é branquinha do cabelo preto.

Harrison Ford é tão sério nessas cerimônias. Estranho como ele consegue ser um ator cômico tão bom.

Ford parecia estar pensando "Que porra. O que vim fazer aqui? Saco. Ah, sim, tenho que falar sobre essa merda de filme que não vi."

Cher virou a Morticia Adams!

Alguém duvida que o Globo de Ouro vai pro McCartney? Se duvida, não conhece a HFPA.

Wow. Paguei a língua de maneira gigantesca e embaraçosa.

O que eu quis dizer com aquele post foi... "alguém duvida que o Globo de Ouro NÃO vai pro McCartney"? É, foi isso. Hum.. errr, foi. Juro.

Existe palavra para definir "Medo de Cher"? Cherofobia, talvez? Porque descobri que tenho.

Ai, ai. Ainda bem que não falei nada de embaraçoso no bloco passado. Tipo, cometer um erro grande e imediatamente exposto. Ufa.

AMY ADAMS ESTÁ GRÁVIDA???? QUEM FOI O CANALHA????

É, Ricky Gervais costuma ser melhor.

Existe palavra para definir "medo da boca da Julia Roberts"? Bocudofobia?

Que maldade. Tô parecendo o o Nelson Rubens.

Preparem-se para um discurso feito por uma PROFISSIONAL. Vai ser elegante, engraçado e curto.

A mulher já ganhou 383 prêmios e soa emocionada e surpresa todas as vezes. Elegância em pessoa.

Não falei? E digo mais: o Oscar desse ano é de Streep. Aposta feita.

Não, não foi curto, o discurso de Streep. Mas engraçado, elegante, tocante e ainda mencionou indiretamente o Haiti. A mulher é profissional.

Helen Mirren fazendo pausa dramática antes de começar a apresentar Precious. Eu achei até que ela ia falar do Haiti.

Bem canastra para uma atriz tão boa. E tão boa.

Só pra constar: todas essas pessoas que o Kevin Bacon está listando estão a um grau do Kevin Bacon.

Caramba. Poucas vezes vi um discurso tão desconjuntado quanto o de Drew Barrymore.

Caramba, o pessoal da mesa de corte do Globo de Ouro tá perdidinho.

Gerard Butler: bom ator que só escolhe filme ruim. Jennifer Aniston, atr... ela está com a coxa de fora!

Gosto muito de Amor sem Escalas. Roteiro bacana. Mas Tarantino é melhor (e digo isso mesmo não sendo apaixonado por "Bastardos Inglórios").

Como pai, posso dizer que se fosse o Ivan Reitman estaria me debulhando em lágrimas e dando o maior vexame agora.

Esse quadro dos 3 segurando a maleta ficou parecendo coisa de game show. "Será que James Cameron escolherá a maleta certa? Ganhará um carro?"

Acho que agora faltam só 42 categorias.

E por falar em medo... Eu tenho medo do Samuel L. Jackson. Chama-se "badassfobia".

Olha... se a BOSTA do "Abraços Perdidos" vencer, eu quebro o primeiro objeto que vir do meu lado.

Quando Michael Haneke passou do lado de George Lucas, este comentou algo. Deve ter sido: "Nunca entendi um filme desse cara.".

O quê????? A BANDA TÁ TOCANDO MICHAEL FUCKING HANEKE PARA FORA DO PALCO? DEPOIS DE 30 SEGUNDOS? VAI PRA PQP, GLOBO DE OURO!

Detesto Mad M....zzzzzzzz. Não consigo nem falar o nome da série sem cochilar.

Sériezinha superestimada. Kiefer Sutherland comentou algo que eu vi. Acho que foi: "A única coisa capaz de matar Jack Bauer é ver Mad Men".

AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH!!!!! O LOBISOMEM DE LUA NOVA!!!!!!!! AAAAAAAAAAAAAAHHHHHH.

Hein? Ele não vai tirar a camisa? Vai tentar bancar o ator?

Um dos astros de Lua Nova apresentando 500 Dias com Ela. PERFEITO!!!!!

Nao tem jeito: olho pra Chloe Sevigny e só lembro dela chupando o Vincent Gallo no The Brown Bunny. Grande atriz.

ELES ESCREVERAM "CHLÖI" PARA APRESENTÁ-LA NA TELA! Globo de Ouro tá #fail total, hoje.

Eu disse ontem que não levo a sério quem fala coisas do tipo "o maior/mais/bláblá do mundo", mas Tarantino é a coisa mais esquisita do mundo.

Discurso chato do Waltz. E cafona pra caramba. Superficial e errado dizer isso, mas ele se prejudicou para o Oscar.

James Cameron foi cumprimentar Scorsese. Será que ofereceu Avatar 2 pra ele dirigir?

Imaginem De Niro azul e com cauda dizendo "Eu vejo você! Eu vejo você! Não tem mais ninguém aqui. Eu vejo você!".

Vamos à homenagem a Scorsese. Seus dois musos no palco: De Niro e DiCaprio.

Até hoje não lavei a mão que apertou a mão do Scorsese em seu escritório em Nova York. Fede? Sim. Mas vale a pena.

Porra, só esse clipe dos filmes do Scorsese valeu o Globo de Ouro todo. (E que propaganda para o Shutter Island, hein?)

O que mais me encanta no Scorsese não é só o fato de ser um puta cineasta. É seu amor pelo Cinema e seu profundo conhecimento sobre a Arte.

Outra que acho linda é Jodie Foster. E com o bônus de ser lésbica. Yummy.

"I like to drink as much as the next man. And the next man is Mel Gibson" - Ricky Gervais, perfeito.

Se Bigelow fosse um homem, teria vencido. Mesmo.

Olha, adoro Avatar. Mesmo. Muito. Mas o trabalho de Kathryn Bigelow merecia esse prêmio.

HA! James Cameron falou pandorês! Que nerd!

Mas eu ainda acho que Bigelow se tornará a primeira mulher a vencer o Oscar de Direção.

"Eu não sabia que eles distribuíam anéis no Holocausto". Melhor frase de The Hangover.

Ok, entre os cinco indicados eu também votaria em The Hangover. Só de "500 Dias" não ter vencido, já fico feliz.

Mike Tyson no palco de uma premiação artística é tão estranho quanto Einstein num rodeio.

CLARO que Schwarzenegger teria que apresentar Avatar.

O que é "Êivaidar"? É schwarzeneggês para "Avatar".

Ok, o discurso de Sandra Bullock fechou o negócio: indicada ao Oscar. Inevitável.

Essa Sally Hawkins é uma coisa muito esquisitinha. Se ela casar com o Tarantino, vou querer um filhote.

Robert Downey Jr.: melhor discurso da noite. E pensar que há 10 anos ele era considerado favorito para o prêmio "Morre esse ano de overdose"

Dito isso, Downey Jr. só será indicado ao Oscar esse ano se Clooney, Bridges, Freeman et. al forem pegos estuprando a Dakota Fanning.

Porra, sou fã incondicional do Dude.

E taí um cara que foi subestimado a maior parte da carreira. Todos adoram, mas nunca ganha nada. 2010 é seu ano, provavelmente.

Julia Roberts vai engolir o microfone para acabar a noite.

É, James Cameron nasceu com a bunda virada pra Pandora, não tem jeito.

Agora... James Cameron tem que cortar o cabelo. Tá parecendo uma lésbica de 70 anos.

"Aplaudam vocês mesmos" é muito segundo grau, James Cameron. Por favor.

Bom... é isso. O que muda depois do Globo de Ouro no que diz respeito ao Oscar? O de sempre: absolutamente nada.

Quero agradecer a companhia de vocês durante a cerimônia. Espero que tenham curtido como eu curti. Querem saber? Aplaudam vocês mesmos!

Beijo, boa noite, grande abraço e bons filmes! E se você só está vendo essas twittadas agora, não dê unfollow! Não costumo ser tão prolixo!

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Vídeos do OFCS Awards

by Pablo 6. janeiro 2010 23:12
As duas partes seguem abaixo. Apresentei dois prêmios que aparecem na segunda parte: Filme Estrangeiro (aos 2:01) e Atriz (aos 4:11). Particularmente, achei a iniciativa da nova diretoria muito boa, mas a execução deixou a desejar - mesmo porque a idéia de apresentar os prêmios em vídeo surgiu há pouco mais de uma semana. Certamente as próximas edições contarão com uma apresentação melhor.
 
 

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Vencedores do OFCS Awards (e meus votos)

by Pablo 6. janeiro 2010 11:09

Best Picture: "The Hurt Locker"

Votei "The Hurt Locker"

Best Director: Kathryn Bigelow, "The Hurt Locker"

Votei Kathryn Bigelow, "The Hurt Locker"

Best Actor: Jeremy Renner, "The Hurt Locker"

Votei Sharlto Cooper, por Distrito 9, mas fiquei feliz com a vitória de Renner.

Best Actress: Melanie Laurent, "Inglourious Basterds"

Votei em Gabourey Sidibe, por Preciosa. Teria ficado feliz com Streep.

Best Supporting Actor: Christoph Waltz, "Inglourious Basterds"

Votei em Peter Capaldi, por "In the Loop", mas fiquei feliz com a vitória de Waltz (a melhor coisa do filme).

Best Supporting Actress: Mo'Nique, "Precious"

Votei em Mo'Nique.

Best Original Screenplay: Quentin Tarantino, "Inglourious Basterds"

Votei em Um Homem Sério, dos Coen.

Best Adapted Screenplay: Wes Anderson and Noah Baumbach, "Fantastic Mr. Fox," based on a book by Roald Dahl

Votei em "In the Loop", mas qualquer um dos indicados me deixaria feliz.

Best Documentary: "Anvil!: The Story of Anvil"

Votei em "Anvil!" depois de um longo conflito entre ele e "The Cove".

Best Picture Not in the English Language: "The White Ribbon"

Votei em "The White Ribbon".

Best Animated Feature: "Up"

Votei em "Coraline".

Best Cinematography: Robert Richardson, "Inglourious Basterds"

Votei em "Bastardos Inglórios", mas teria ficado feliz com "Um Homem Sério".

Best Score: Michael Giacchino, "Up"

Adoro as composições de Giacchino, mas votei em Marvin Hamlisch por "O Desinformante".

Best Editing: Chris Innis and Bob Murawski, "The Hurt Locker"

Votei em "The Hurt Locker".

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Indicados ao prêmio da OFCS e Feliz 2010

by Pablo 31. dezembro 2009 22:03

Quero desejar a todos vocês e às suas famílias um maravilhoso 2010. E aproveito para agradecer a gentil e estimulante companhia que me ofereceram ao longo de 2009!

E agora... os indicados ao prêmio da OFCS (apresentarei o prêmio de Melhor Atriz em vídeo, quando for anunciado):

BEST PICTURE
The Hurt Locker
Inglourious Basterds
A Serious Man
Up
Up in the Air

BEST DIRECTOR
Kathryn Bigelow (-) The Hurt Locker
Neill Blomkamp (-) District 9
James Cameron (-) Avatar
Joel & Ethan Coen (-) A Serious Man
Quentin Tarantino (-) Inglourious Basterds

BEST ACTOR
Jeff Bridges (-) Crazy Heart
Sharlto Copley (-) District 9
George Clooney (-) Up in the Air
Joaquin Phoenix (-) Two Lovers
Jeremy Renner (-) The Hurt Locker

BEST ACTRESS
Mélanie Laurent (-) Inglourious Basterds
Carey Mulligan (-) An Education
Gabourey Sidibe (-) Precious: Based on the Novel Push by Sapphire
Meryl Streep (-) Julie & Julia
Tilda Swinton (-) Julia

BEST SUPPORTING ACTOR
Peter Capaldi (-) In the Loop
Jackie Earle Haley (-) Watchmen
Woody Harrelson (-) The Messenger
Anthony Mackie (-) The Hurt Locker
Christoph Waltz (-) Inglourious Basterds

BEST SUPPORTING ACTRESS
Vera Farmiga (-) Up in the Air
Anna Kendrick (-) Up in the Air
Diane Kruger (-) Inglourious Basterds
Mo'Nique (-) Precious
Julianne Moore (-) A Single Man

BEST ORIGINAL SCREENPLAY
(500) Days of Summer (-) Scott Neustadter & Michael H. Weber
The Hurt Locker (-) Mark Boal
Inglourious Basterds (-) Quentin Tarantino
A Serious Man (-) Joel & Ethan Coen
Up (-) Bob Peterson

BEST ADAPTED SCREENPLAY
District 9 (-) Neill Blomkamp & Terri Tatchell
Fantastic Mr. Fox (-) Wes Anderson & Noah Baumbach
In the Loop (-) Jesse Armstrong, Simon Blackwell, Armando Iannucci & Tony Roche
Up in the Air (-) Jason Reitman & Sheldon Turner
Where the Wild Things Are (-) Spike Jonze & Dave Eggers

BEST DOCUMENTARY
Anvil!: The True Story of Anvil
The Beaches of Agnes
Capitalism: A Love Story
The Cove
Food, Inc.

BEST FILM NOT IN THE ENGLISH LANGUAGE
Broken Embraces
Police, Adjective
Silent Light
Summer Hours
The White Ribbon

BEST ANIMATED FEATURE
Coraline
Fantastic Mr. Fox
Ponyo
The Princess and the Frog
Up

BEST CINEMATOGRAPHY
Avatar (-) Mauro Fiore
District 9 (-) Trent Opaloch
The Hurt Locker (-) Barry Ackroyd
Inglourious Basterds (-) Robert Richardson
A Serious Man (-) Roger Deakins

BEST ORIGINAL SCORE
Fantastic Mr. Fox (-) Alexandre Desplat
The Informant! (-) Marvin Hamlisch
Star Trek (-) Michael Giacchino
Up (-) Michael Giacchino
Where the Wild Things Are (-) Carter Burwell & Karen Orzolek

BEST EDITING
(500) Days of Summer (-) Alan Edward Bell
Avatar (-) Steve R. Moore, John Refoua & Stephen Rivkin
District 9 (-) Julian Clarke
The Hurt Locker (-) Chris Innis & Bob Murawski
Inglourious Basterds (-) Sally Menke

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Collapse

by Pablo 15. dezembro 2009 12:26

Comentário em áudio sobre o aterrorizante documentário Collapse.

Update: Comentário também sobre os indicados ao Globo de Ouro.

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Cinema para Mães e Bebês

by Pablo 11. novembro 2009 10:43

No próximo dia 17 de novembro, terça-feira, vai acontecer no Pátio Savassi, em Belo Horizonte, a primeira sessão do CineMaterna na cidade. Para quem não conhece, o CineMaterna é uma ONG que tem, como objetivo, promover o retorno de jovens mães ao circuito cultural - algo que é sempre uma dificuldade para quem tem filhos pequenos. A idéia é simples: as sessões acontecem no início da tarde (14 horas) e as salas de exibição trazem o som um pouco mais baixo, ar-condicionado não tão forte, luzes ligeiramente acesas e com trocadores disponíveis no próprio ambiente. 

As sessões, quinzenais, já aconteceram em várias cidades brasileiras e chegam agora a BH - e as mães participam da escolha do filme a ser exibido.

Mamães interessadas devem se cadastrar no site para que possam participar da seleção do filme e também para que recebam o convite - gratuito - para a sessão.

Interessadas? Então... www.cinematerna.org.br.

(Observação em nome da ética: Ioná está organizando as sessões em BH.)

Ficha:
CineMaterna na Cinemark do Shopping Pátio Savassi

Filme: a ser definido por enquete
Dia e horário: 17/11/2009, às 14 horas
Preço: lançamento grátis para as mães (com bebês de até 18 meses) que se cadastrarem no site
Local: Pátio Savassi (Av. do Contorno, 6061), BH

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Mostra de São Paulo 2009 - Dia 09

by Pablo 5. novembro 2009 11:14

(Abraços aos leitores Daniel Consani (e para sua simpática mãe) e Cauby, que me abordaram ontem na sessão de A Ressurreição de Adam.)

Como devem ter notado, esse ano estou procurando escrever com mais detalhes sobre cada filme visto durante a Mostra. Normalmente, eu escreveria dois parágrafos curtos sobre os filmes e, no caso daqueles que estrearão em circuito comercial, incluiria uma observação sobre escrever "com mais detalhes no futuro". Porém, como ainda me considero em dívida para com vocês em função do tempo que me ausentei, decidi evitar o "mais detalhes posteriormente" e já escrever críticas definitivas sobre cada obra. Isso, porém, me fez ficar terrivelmente atrasado: embora tenha visto 59 filmes (não conto Elevador Armadilha), escrevi sobre 29. Claro que fiz anotações sobre todos e publicarei os textos assim que possível, mas a rotina da Mostra é massacrante.

Assim, para compensar um pouco o atraso, republico aqui os curtíssimos comentários que publiquei no Twitter ao longo da Mostra assim que saía de cada sessão:

Oye Lucky! Lucky Oye! – Esbanjando energia, não deixa de ser um fracasso interessante. 2/5

A Cozinha de Stella - Divertido e beneficiado por belas atuações, peca apenas pelo excesso de exposição e pelo desfecho mediano. 3/5

Eu Te Amo, Nova York - Surpreendentemente coeso para uma antologia, é melancólico e tocante na medida certa. 4/5

Ricky - Ozon cria um pequeno drama familiar que intriga por um achado narrativo surpreendente. Vá sem ler nada antes. 3/5

Policial, Adjetivo - Sem conseguir equilíbrio em seu estilo contemplativo, exige imensa paciência do espectador, compensando-a em parte.2/5

A Fita Branca - Haneke pinta um retrato angustiante de uma juventude corrompida pela apodrecida geração anterior. 4/5

Parnassus - Apesar de ter se tornado um tributo a Ledger e contar com uma magnifica direção de arte, o filme é uma bagunça. 2/5

35 Doses de Rum - Um estudo de personagem sensível que traz uma trilha incrivelmente evocativa. 4/5

O Fantastico Sr. Raposo - Os Excentricos Tenenbaums com bichinhos em stop motion. 4/5

Sussurros ao Vento - Politicamente importante, mas sabotado pelo ritmo excessvamente lento. Deveria chamar Suzzzzurros ao Vento. 1/5

Mother - Roteiro impecável, montagem cuidadosa e uma atuação brilhante da protagonista elevam uma trama que poderia ser bem batida. 5/5

Sedução - Com exceção dos terríveis 3 minutos finais, um filme maduro sobre... amadurecimento. 4/5

Vicio Frenetico - Diferente do original de Ferrara em tom e estrutura, esta obra de Herzog traz Cage numa atuação hipnotizante.4/5

Inferno de Clouzot - Embora falte disciplina ao filme, mais longo do que o ideal, é um bom retrato de um cineasta obsessivo. 3/5

Caro Francis- Um bom filme, mas que traz certas besteiras (muitas ditas pelo execrável Diogo Mainardi) que discutirei em texto maior. 4/5

Elevador Armadilha - Com 5 minutos, notei que o diretor não sabia o que fazia. Com 7, os roteiristas. Com 10, os atores. Aos 25, saí

Mamonas o Doc - A historia trágica da banda é envolvente por si mesma, mas o documentário parece determinado a sabotá-la. 3/5

Quando Crescermos - Empalidecendo diante da já clássica série 7 Up, de Michael Apted, o doc. carece terrivelmente de foco. 2/5

À Procura de Elly - A construção da narrativa é feita de maneira elegante e precisa, resultando num filme angustiante, triste e belo. 5/5

Aconteceu em Woodstock - Divertidinho e com uma ótima atuação de Staunton, mas só. Alias, quanto mais penso sobre Aconteceu em Woodstock, mais sinto que é a grande decepção da Mostra. Isso porque vi o do Almodóvar em LA. 2/5

Tyson - Convencional em sua abordagem e sem trazer nada de novo, torna-se interessante apenas pelo tom confessional do lutador.3/5

Tokyo! - Carregando na fantasia, os episodios trazem belos simbolismos, embora (com exceção do de Gondry) se prolonguem demais.3/5

Independência - Como exercício estético, é até interessante. Isso, porém, não é o bastante pra sustentar a desinteressante narrativa. 2/5

Patrik 1,5 - Alem da boa fotografia, desenvolve bem seus personagens principais (embora não os secundários) e sua trama básica. 4/5

Eu Matei Minha Mãe - Um drama familiar que, complexo também como estudo de personagens, é tragicômico de maneira surpreendente.4/5

A Todo Volume - Empresta voz à paixão pela guitarra, surgindo didático e contagiante. 4/5

This is It-Mesmo longo e visualmente desinteressante,pinta uma imagem tão favorável de MJ que indagamos por que não fez algo assim antes.3/5

Esburacando - Obra sensível sobre a solidão, peca apenas por martelar o espectador com sua mensagem, tornando-se repetitivo. 3/5

Mau Dia para Pescar - Este cruzamento de "O Lutador" e "Nove Rainhas" traz um ótimo roteiro, atuações impecáveis e uma ironia brilhante. 5/5

Coffin Rock - Ainda que seja pouco mais que um thriller convencional, o cuidado com a fotografia rende pontos ao filme. 3/5

Backyard - Um policial que se transforma num poderoso manifesto contra a violência sexual. O melhor da Mostra até o momento. 5/5

Apedrejamento de Soraya M - Uma história importante reduzida a pó pelo maniqueismo e pelo melodrama. Ah, sim: a presença de Jim Caviezel em O Apedrejamento de Soraya M é uma das escalações de elenco mais mal-intencionadas que já vi. 2/5

Zero - Mais um filme de múltiplas narrativas sobre como somos todos sozinhos, tocamos as vidas de quem nem conhecemos, blablabla. 2/5

Morrer como um Homem - Oferecendo momentos de imensa sensibilidade, beneficia-se de grandes atuações, mas peca pela repetição. 3/5

Hotel Atlântico - Suzana Amaral monta uma belíssima narrativa sobre a busca da identidade num filme divertido e tocante. 4/5

Garota Eslovena – A jovem protagonista se destaca numa produção que não sabe muito bem o que fazer com sua interessante personagem. 3/5

Traga-me Alecrim - A dinâmica do núcleo principal é desenvolvida com cuidado e sensibilidade, resultando num filme correto. 3/5

Insolação - Bastante rígido do ponto de vista estético, traz alguns bons momentos em meio a muitos outros apenas frustrantes. 2/5

Perseguição - Se o protagonista brilhasse sob o sol, este seria o Crepusculo francês. 1/5

O Sol do Meio-Dia - Atuaçoes impecáveis num bom filme que peca por não chegar a lugar algum. 3/5

Playground - Documentario sobre exploracao sexual infantil abrangente e, consequentemente, devastador. 4/5

Enfermaria No 6 - Candidato russo ao Oscar, é uma curiosa adaptação de Tchekov que, mesmo problemática, traz instigantes discussões. 3/5

A Guerra dos Filhos da Luz - Gitai não fez um filme, mas um especial da TV Tupi. 1/5

A Familia Wolberg - O perfeito tom agridoce confere à narrativa uma força surpreendente. 4/5

I Love You Phillip Morris -Uma versão gay de Prenda-me Se For Capaz, traz Carrey e (especialmente) McGregor em ótimas atuações.4/5

Fish Tank - A jovem Katie Jarvis é a grande revelação de um filme apenas interessante. 3/5

Ponto de Virada - Com alguns bons relatos em meio a muita repetição, peca pela estrutura desinteressante e por achar que só SP existe. 3/5

Viajo Porque Preciso - Com 5 minutos de filme, anotei no meu caderno: "Estou vendo algo especial". Estava certo. O melhor da Mostra. 5/5

London River - Duas belíssimas atuações minimalistas em um filme que se torna forte graças à sutileza com que aborda seu tema. 4/5

Samson & Delilah -Demonstra uma confiança invejável na comunicação não verbal dos protagonistas, criando uma tocante narrativa.5/5

Macabro - O gore excessivo é divertido, mas a história é péssima, os vilões, ridículos, e a direção, capenga. 2/5

Los Viajes del Viento-Candidato colombiano ao Oscar, é um filme sensível que,com fotografia belíssima,acaba ganhando contorno fabulesco.4/5

O Amor Segundo B. Schianberg - Talentoso e inquieto, Beto Brant é um diretor que brilha sempre que discute a Arte e o Artista. 4/5

Soul Kitchen - Divertidinho, traz uma interessante galeria de personagens num filme leve e agradável. 3/5

Cabeça a Prêmio - A estreia de Ricca na direção exibe potencial apesar da fraca estrutura,das atuações apenas regulares e do bobo final. 2/5

Irene - Um filme (muito) difícil, mas que vale pela abertura completa com que o diretor compartilha suas lembranças e sua dor. 3/5

1a. Vez em 16mm - O contraste entre a estética do longa e do filme-dentro-do-filme é um bônus interessante desta obra divertida. 4/5

Cúmplices - Uma montagem eficaz que, somada à inteligente fotografia, compensa o roteiro apenas correto. 3/5

Vencer - Em tons operísticos, Bellocchio investe numa narrativa ambiciosa e se sai admiravelmente bem. 4/5

A Ressurreiçao de Adam - Goldblum faz mágica com um personagem impossível, mas o filme em si não consegue repetir a proeza. 2/5

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Mostra de São Paulo 2009 - Dia 08

by Pablo 4. novembro 2009 13:25

(Hoje não mando abraço para ninguém, já que, aparentemente, meus leitores acabaram.)

27)      Playground (Idem, EUA, 2008). Dirigido por Libby Spears.

Produzido por George Clooney e Steven Soderbergh, este documentário sobre a exploração sexual infantil é tão devastador quanto poderíamos esperar de um longa que logo em seus momentos iniciais usa a expressão “estupro de bebês”.  Trazendo entrevistas com vítimas, autoridades e até mesmo criminosos, o filme busca traçar um amplo painel sobre o submundo da pedofilia, revelando, no processo, que 25% dos criminosos em todo o mundo são norte-americanos – e que são justamente homens dos Estados Unidos que respondem por boa parte do turismo sexual em países como o Camboja e vários outros do Terceiro Mundo.

Numa sociedade em que a sexualização cada vez mais precoce promovida pela mídia de massa é algo corriqueiro, a diretora Libby Spears não demora a encontrar uma jovem que, depois de vários estupros, confessa já nem se importar mais com a violência da qual se transformou vítima recorrente – num depoimento desesperançado e chocante que, por sua vez, chega quase a empalidecer diante de tantos outros relatos trágicos presentes no longa. Da mesma forma, Spears procura apontar alguns dos erros básicos cometidos pelos governos de vários países na luta contra a pedofilia e a exploração sexual infantil: a idéia de registrar os criminosos sexuais em um banco de dados disponível pela Internet, por exemplo, pode parecer um conceito interessante, mas quando descobrimos que basicamente qualquer incidente de natureza levemente sexual (ou que envolva os genitais) pode levar seu autor para a lista, a coisa se torna mais preocupante, já que coloca, no mesmo grupo, um estuprador e um bêbado que resolveu urinar na rua – e a conseqüência é que, além da injustiça cometida, as autoridades simplesmente passam a não ter condições de fiscalizar tantos “criminosos sexuais”, fazendo com que a base de dados se torne inútil na prática.

Usando um playground vazio como poderoso símbolo da tragédia representada por este tipo repugnante de crime, o documentário ainda se beneficia das animações de Yoshitomo Nara, que, em função de seus traços e natureza infantis, estabelecem um contraste ainda mais pungente com as revelações feitas pelo filme. Além disso, a idéia de usar como centro estrutural da narrativa uma garota que, depois de vitimada na infância, se tornou prostituta e dependente de drogas, é bastante eficaz – e a tal jovem, Michelle, acaba se tornando o retrato perfeito das graves conseqüências que estas pobres crianças enfrentarão pelo restante de suas vidas: depois de se tornar mãe, a moça afirma com convicção absoluta que jamais permitirá que seus filhos passem por experiências similares à sua, mas o letreiro que surge a seguir, revelando o que aconteceria em seguida, estabelece de forma inequívoca as seqüelas psicológicas deixadas na garota.

Condenando a hipocrisia absurda daqueles que tratam imagens de crianças sexualizadas como “pornografia” (quando, na realidade, nada mais são do que registros de um crime), Playground é um filme importante e revelador.

Observação: Para maiores informações sobre o projeto, entre em www.nestfoundation.org/ (4 estrelas em 5)

 

28)       Enfermaria No. 6 (Palata No. 6, Rússia, 2009). Dirigido por Karen Shakhnazarov. Com: Vladimir Ilyin, Aleksey Vertkov.

Candidato russo ao Oscar 2010, Enfermaria No. 6, baseado em uma história de Tchekov, é um filme curioso que, empregando a relação entre um psiquiatra e seu paciente num hospício, não tem o menor receio de empregar boa parte de seus 83 minutos de duração enfocando discussões filosófico-existenciais que não só revelam bastante sobre aqueles personagens como ainda oferecem ao espectador um farto material para reflexão após o fim da sessão.

Adaptado pelos diretores Aleksandr Gornovsky e Karen Shakhnazarov, o roteiro tem início com uma breve história do hospício que abrigará boa parte da narrativa, desde o século 17 até os dias de hoje – e este caráter documental se mantém nas entrevistas com pacientes que revelam para a câmera seus sonhos e aspirações enquanto mal podemos deixar de observar seus dentes invariavelmente apodrecidos. Esta estrutura pseudo-documental, aliás, acaba se revelando apropriada para que os cineastas transponham passagens expositivas feitas pelo narrador, no texto original, para as falas dos personagens, que confessam, sem aparente receio, os absurdos que cometeram no passado ou a inveja que sentem de determinado indivíduo.

É claro que, pontualmente, Enfermaria No. 6 abandona sua estrutura para adotar uma narrativa ficcional mais convencional, quando a câmera se torna invisível para os personagens e a montagem assume um caráter clássico, com cortes, contra-planos e afins – mas se isto soava estranho e artificial em Distrito 9, por exemplo, aqui acaba funcionando por ser empregado apenas em flashbacks, como se estivéssemos assistindo a recriações específicas de determinados incidentes. Da mesma forma, os diretores conseguem estabelecer um forte contraste entre a calma do hospício e do vilarejo no qual este se encontra e o caos sonoro de Moscou, que, quando surge, assusta o espectador com sua natureza de metrópole, fortalecendo nossa impressão de que o que víramos até então poderia perfeitamente ter ocorrido em outra época, não no presente, conferindo uma natureza atemporal à narrativa.

Investindo num conceito que, embora clichê, ainda pode se mostrar bastante eficaz (a sensatez dos “loucos” versus o desajuste dos “sãos”), o filme advoga a importância do pensamento original mesmo que este torne seus autores malquistos para um mundo que parece aplaudir o conformismo e a mentalidade de turba. E é uma pena, portanto, que a forma adotada pelo roteiro para discutir este tema acabe se desgastando mais rapidamente do que o esperado – algo que fica claro no plano final, que surge frustrante por soar como um pensamento mal-acabado. Como o próprio filme, no fim das contas. (3 estrelas em 5)

 

29)      A Guerra dos Filhos da Luz Contra os Filhos da Treva (La guerre des fils de la lumière contre les fils des ténèbres, França, 2009). Dirigido por Amos Gitai. Com: Jeanne Moreau, Gerard Benhamou.

Em A Invenção da Mentira, ótima comédia escrita, protagonizada e co-dirigida por Ricky Gervais, os personagens habitam um mundo no qual a mentira é um conceito inexistente mesmo nas artes – e, assim, o Cinema é obrigado a se limitar a leituras desinteressantes de passagens históricas feitas por atores olhando diretamente para a câmera. Parece algo absurdo, é verdade: quem seria capaz de acreditar que colocar pessoas lendo algo para o público por 101 minutos pudesse ser algo viável? Não seria o Cinema uma arte da imagem, da ação? (E que, por gentileza, não confundam o conceito de "ação" com o de "filme de ação".)

Pois o cineasta israelense Amos Gitais, numa demonstração de absurda presunção, parece discordar. Neste A Guerra dos Filhos da Luz..., o diretor faz exatamente o que Gervais tratou como absurdo cômico em seu filme: registrando a peça que comandou em uma pedreira em Boulbon, Gitais traz a atriz Jeanne Moreau ao lado de Gerard Benhamou lendo um relato sobre a tomada de Jerusalém pelos romanos, pontuando a leitura com pequenos números musicais e uma mise en scène burocrática envolvendo alguns atores secundários. Para tentar tornar a coisa menos maçante, o diretor realiza alguns travellings enquanto enfoca Moreau e busca movimentar as plataformas que criou como cenário, mas de nada adianta: se dificilmente poderia funcionar como espetáculo teatral (eu particularmente consideraria aquilo uma tortura), A Guerra dos Filhos da Luz funciona ainda menos como Cinema.

Aliás, o projeto fede a auto-indulgência; isto é que ocorre quando um diretor celebrado por críticos e festivais ao redor do mundo passa a acreditar na própria lenda, julgando-se infalível e decidindo que qualquer coisa que registre com sua câmera será uma obra-prima. E o mais incrível (e decepcionante) é que certamente encontrará quem o incentive a continuar neste caminho do auto-engano, afirmando que esta é mais uma grande criação de um artista irretocável.

Quando, na realidade, o que ele fez aqui jamais poderia ser considerado Cinema, sendo, no máximo, um especial esquecido da TV Tupi. (1 estrela em 5)

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Mostra de São Paulo 2009 - Dia 07

by Pablo 3. novembro 2009 12:10

(Abraços ao ex-aluno Fernando Colella e ao amigo Marcos Petrucelli, que encontrei nos últimos dias.)

E...

21)      Mamonas pra Sempre (O Doc) (Idem, Brasil, 2009). Dirigido por Cláudio Kahns.

A trajetória do grupo Mamonas Assassinas é cinematográfica por natureza: alçados à fama quase que da noite para o dia depois de passarem alguns anos no anonimato absoluto com sua banda anterior, seus cinco integrantes se tornaram uma verdadeira febre em todo país enquanto suas músicas eram cantadas por crianças, adolescentes e adultos – apenas para, no auge da carreira, morrerem num acidente de avião enquanto voltavam de um show.

Dirigido por Cláudio Kahns, este documentário sobre a banda faz um bom trabalho ao estabelecer as origens dos Mamonas: contando com preciosas imagens de arquivo, o cineasta resgata os shows do grupo quando este ainda se chamava Utopia e se levava a sério, entrevista os principais envolvidos na mudança de foco (e nome) da banda e estabelece, sem alardes ou melodrama, as origens humildes de seus integrantes – o que fica claro através dos depoimentos de parentes dos rapazes. Da mesma forma, Kahns é bem sucedido ao retratar os músicos como jovens alegres que, mesmo encarando o sucesso repentino com olhos deslumbrados, não passaram a ignorar as raízes (mesmo porque nem tiveram tempo para permitir que o sucesso lhes subisse à cabeça) – e particularmente tocante é testemunhar um dos irmãos Reoli ligando para a mãe de Los Angeles para contar que sentia falta de feijão na comida.

Triste desde o princípio por sabermos como aquela história irá terminar, Manonas Assassinas – O Doc tinha, portanto, tudo para se estabelecer como um longa interessante, divertido e comovente – e se não consegue atingir estes objetivos, a responsabilidade deve ser atribuída completamente às decisões pavorosamente equivocadas de seus realizadores, que, por algum motivo misterioso, decidiram que deveriam tentar  ser tão irreverentes quanto os próprios Mamonas, praticamente destruindo o filme em seus esforços neste sentido. Como explicar, por exemplo, a idéia de inserir animações de mamonas saltitantes sempre que o nome de um entrevistado surge na tela, completando a besteira com efeitos sonoros engraçadinhos que servem apenas para tirar o foco do que está sendo dito? E por que ninguém avisou o diretor de que o conceito de criar versões porcamente animadas (inspiradas em South Park, possivelmente) dos músicos e colocá-las atravessando a tela de tempos em tempos é algo não apenas patético e sem a menor graça como – novamente - serviria apenas para distrair o espectador? Mas creio que qualquer esperança de que o filme pudesse levar sua própria narrativa a sério foi realmente abandonada quando, durante uma entrevista com os pais de Dinho em uma fazenda, o cineasta e seu montador perceberam a presença de um peru ao fundo e, acreditem ou não, acharam que seria apropriado colocar um balão sobre a cabeça da ave com a frase “Yo soy del Peru!” – o que não tem graça alguma, tira o foco do depoimento e – o mais grave – é uma profunda falta de respeito para com o casal que está ali falando sobre o filho morto aos 24 anos de idade.

Porém, os problemas do longa vão além: ao repetir vários números musicais desnecessariamente, Mamonas Assassinas – O Doc perde o ritmo a partir da segunda metade da projeção, sendo prejudicado também pelo foco excessivo em Dinho, que, embora realmente fosse o mais carismático e divertido membro da banda, representava apenas 20% do grupo – e seus companheiros certamente mereciam um pouco mais de atenção do que a que recebem do filme, que se limita a citar rapidamente seus principais traços de personalidade durante uma entrevista. Para piorar, Kahns dedica menos de dez minutos à tragédia que vitimou a banda, ignorando completamente suas circunstâncias e também a deplorável exploração feita pela mídia na época. Além disso, o documentário não se preocupa com o que veio a seguir: qual o “legado” artístico e financeiro dos Mamonas? Eles continuam a gerar receita postumamente? E quem ganha com isso?

O mais lamentável é que o diretor tinha um entrevistado perfeito para cobrir todas estas questões: o músico e empresário Rick Bonadio, que, extremamente articulado e aberto, é, sem dúvida alguma, aquele que oferece as melhores informações ao longo da projeção – e, em parte, é graças a ele que o filme sobrevive (as imagens de arquivo e a própria história da banda respondem pela outra parte).

Infelizmente, a mesma produtora responsável por este documentário tem os direitos sobre a história dos Mamonas Assassinas e já está preparando um longa de ficção sobre os músicos. Mas o que podemos esperar deste novo projeto se seus realizadores não conseguiram demonstrar um mínimo de bom senso ou bom gosto nem mesmo ao lidarem diretamente com as pessoas envolvidas com a banda? (3 estrelas em 5)

 

22)      Patrik, Idade 1,5 (Patrik 1,5, Suécia, 2008). Dirigido por Ella Lemhagen. Com: Gustaf Skarsgård, Torkel Petersson, Tom Ljungman.

Göran e Sven Skoogh são um casal homossexual que, mudando para um confortável condomínio fechado em uma cidade sueca, se preparam para um passo importante em sua relação: a adoção de uma criança. Porém, por mais esclarecido que o país seja em relação à homossexualidade, o preconceito permanece vivo e, assim, eles se vêem no fim da lista de pais em busca de uma família. Assim, quando recebem uma carta indicando que foram escolhidos para receber Patrik, cuja idade é listada como “1,5”, ficam extasiados – especialmente Göran (Gustaf Skarsgård, filho de Stellan), o mais jovem dos dois. No entanto, lugar de um bebê adorável, eles recebem a vista de um adolescente de 15 anos que, rebelde e agressivo, é também terrivelmente homófobo.

Baseado numa peça escrita por Michael Druker, o roteiro da diretora Ella Lemhagen emprega o primeiro ato com inteligência ao estabelecer a importância que aquela adoção tem para os Skoogh. Aliás, a própria dinâmica do casal é desenvolvida com sensibilidade pela cineasta, incluindo as grandes diferenças entre suas personalidades: Göran é mais doce, sofisticado e detesta confrontações, ao passo que Torkel é explosivo, alcoólatra e fã de música country. Sem jamais tentar fazer rir – e sendo divertido justamente por isso -, o filme de Lemhagen deixa claro que, para os personagens, aquela situação é extremamente séria, o que não quer dizer que não possamos achar graça em todos aqueles contratempos.

Enriquecido por uma bela fotografia e pela eficiente direção de arte que usa as cores com sabedoria ao estabelecer os temperamentos daquelas pessoas (reparem como cada casa da vizinhança tem uma cor-chave que se contrapõe ao vermelho dominante no lar dos protagonistas), Patrik 1,5 desenvolve a narrativa de maneira orgânica, retratando a aproximação do trio principal de maneira fluida e sempre verossímil, apresentando-se como um longa divertido que, de quebra, traz uma bela mensagem sobre aceitação. (4 estrelas em 5)

 

23)      Eu Matei Minha Mãe (J’ai tué ma mère, Canadá, 2009). Dirigido por Xavier Dolan. Com: Xavier Dolan, Anne Dorval, François Arnaud, Suzanne Clément.

É permitido ter inveja de Xavier Dolan: aos 24 anos, o canadense roteirizou, dirigiu e protagonizou um filme que não apenas foi exibido em Cannes como recebeu três prêmios no festival – e mesmo que esteja longe de ser um Cidadão Kane, seu Eu Matei Minha Mãe é um trabalho sensível e visceral. Ah, sim: como se não bastasse, Dolan é um sujeito bonito que não enfrentaria muitos problemas para se estabelecer como galã. Canalha.

Girando em torno do relacionamento do jovem Hubert (Dolan) e sua explosiva mãe Chantale (Dorval), o filme adota uma abordagem intimista ao focar esta pequena família através de uma câmera que se mantém sempre próxima dos atores enquanto estes expõem o desprezo que seus personagens sentem um pelo outro. Constantemente gritando (o que se torna desgastante para o público, num efeito que Dolan provavelmente estava mesmo buscando), aquelas pessoas parecem se detestar – e é por isso que os ocasionais instantes de carinho que compartilham se tornam surpreendentemente significativos.

Contrapondo a escuridão constante da casa de Hubert e sua mãe com a claridade do apartamento no qual o namorado do rapaz mora (o que é mais do que adequado, já que o relacionamento deste com a própria mãe é extremamente harmonioso), Dolan também faz uma curiosa utilização da câmera lenta em planos que retratam explosões de violência do protagonista.

Exaustivo mas eficaz estudo de personagens, Eu Matei Minha Mãe ainda conta com um desfecho que, respeitando a lógica da história, soa satisfatório sem necessariamente poder ser considerado como um “final feliz”. (4 estrelas em 5)

 

24) Perseguição (Persécution, França, 2009). Dirigido por Patrice Chéreau. Com: Romain Duris, Charlotte Gainsbourg, Jean-Huges Anglade, Gillen Cohen, Michel Duchaussoy, Alex Descas.

Visualmente desinteressante e com um roteiro patético em sua simplicidade temática, Perseguição veste o disfarce do drama e do estudo de personagem para contar uma história trivial sobre um casal que jamais parece ser acertar graças à indisponibilidade emocional do rapaz (Duris) e a ausência física da moça (Gainsbourg), que vive viajando a trabalho. Assediado por um stalker (Anglade), Daniel acaba se mostrando muito mais aberto a aceitar a presença do amalucado sujeito do que em se entregar para a namorada. Resultado: o casal se encontra, chora, manifesta amor mútuo e finalmente conclui que não poderá permanecer junto. Até que, na cena seguinte, volta a se encontrar para repetir todo o processo.

Caso Daniel brilhasse ao sol, Perseguição poderia, portanto, ser uma versão “cabeça” de Crepúsculo. Algo profundamente decepcionante vindo do diretor de algo tão soberbo quanto A Rainha Margot. (1 estrela em 5)

 

  25)      Mau Dia para Pescar (Mal Dia para Pescar, Uruguai/Espanha, 2009). Dirigido por Alvaro Brechner. Com: Gary Piquer, Jouko Ahola, Antonella Costa, César Troncoso.

Mistura de O Lutador e Nove Rainhas, este candidato oficial do Uruguai ao Oscar 2010 gira em torno de um atleta de luta livre decadente (Ahola) que, acompanhado por um empresário trapaceiro que se intitula “Príncipe” (Piquer), viaja por cidadezinhas da América do Sul promovendo desafios nos quais oferece mil dólares para quem conseguir permanecer de pé no ringue por três minutos ao lado do “campeão”. Porém, ao chegar num vilarejo aparentemente igual a todos os outros, o “Príncipe” testemunha seu esquema habitual naufragar ao descobrir que o desafiante que havia subornado fora preso. Para piorar, uma bela mulher local (Costa) mostra-se determinada a ver seu próprio noivo subindo no ringue – e a forma física invejável do sujeito, aliada à sua fama de durão, deixa o empresário preocupado, já que, além do campeão não desconfiar de que suas lutas são “arranjadas”, eles não têm sequer o dinheiro para pagar o desafio.

Com roteiro escrito pelo diretor Álvaro Brechner e pelo ator Gary Piquer (a partir de um conto de Juan Carlos Onetti), Mau Dia para Pescar traz uma trama bem amarrada que se torna mais envolvente graças aos interessantes personagens que a movem. O “Príncipe”, por exemplo, é vivido por Piquer como um sujeito que, falando rápida e ininterruptamente, se julga claramente mais esperto do que os “caipiras” que costuma enganar – e que, talvez por isso, não percebe quando está sendo claramente manipulado. Com o cabelo preso num rabo-de-cavalo e o cavanhaque que buscam lhe conferir algum grau de sofisticação, deixando-o apenas com um ar de trapaceiro ainda maior, o sujeito curiosamente trata o campeão como uma criança, fazendo-o dormir toda a noite com uma melodia infantil e cuidando para que seus problemas de saúde não se tornem óbvios (e Jouko Ahola faz um belíssimo trabalho ao retratar a força do lutador ao mesmo tempo em que explora sua vulnerabilidade psicológica e emocional). Fechando o elenco, Antonella Costa encarna Adriana como uma pequena Lady Macbeth, tratando seu noivo Turco como um peão para que consiga o que deseja.

Com bons diálogos e uma estrutura narrativa bastante eficaz, Mau Dia para Pescar atinge seu auge numa cena absolutamente fantástica que, ambientada no quarto de hotel dividido pelo Príncipe e pelo campeão, traz uma conversa tocante, tensa e divertida entre os dois personagens, funcionando como um preparativo ideal para o clímax do filme.

E o fato de chegarmos ao desfecho nos importando com todos aqueles personagens (mesmo com a durona Adriana) é uma surpresa agradável que torna o longa ainda mais satisfatório. (5 estrelas em 5)

 

26)      Coffin Rock (Idem, Austrália, 2009). Dirigido por Rupert Glasson. Com: Lisa Chappell, Sam Parsonson, Rob Taylor, Joseph Del Re, Jodie Dry.

Caso tivesse sido produzido em Hollywood, Coffin Rock traria Ashley Judd no piloto automático em seu elenco, faturaria 50-60 milhões de dólares nas bilheterias norte-americanas (um sucesso moderado, mas suficiente), contaria com um trabalho de câmera medíocre e seria prontamente esquecido assim que chegasse ao DVD.  Pois dirigido pelo australiano Rupert Glasson e protagonizado por Lisa Chappell, o filme realmente não é uma obra-prima memorável e certamente não será lembrado daqui a 20 anos como um trabalho seminal – e, ainda assim, ele se apresenta bem melhor do que esperado graças a uma atuação magnética de Chappell e, especialmente, ao cuidado que Glasson dedica aos aspectos visuais do longa.

Escrito pelo próprio diretor, o roteiro acompanha o casal Jessie (Chappell) e Rob (Taylor, um sósia envelhecido de Michael Bay), que não consegue ter filhos. Ao acompanhar o marido num teste de fertilidade numa clínica, Jessie é vista pelo recepcionista Evan (Parsonson), que se encanta por ela e decide conquistá-la, abandonando tudo para viver na pequena cidade litorânea que abriga o casal. Depois de uma noite de bebedeira, Jessie transa com o rapaz e, pouco depois, descobre estar grávida – e Evan passa a assediá-la violentamente para que ela o assuma como pai da criança.

Usando seu rosto jovem e aparentemente inofensivo de maneira eficaz ao contrastá-lo com os maneirismos do personagem, o estreante Sam Parsonson cria um vilão adequado ao gênero: instável e sempre falando sozinho, Evan é um rapaz que poderia apenas ser visto como sendo tímido e inseguro caso não conhecêssemos suas motivações – e, assim, quando ele presenteia a amada com  um ninho vazio, sabemos que, por trás de seu gesto aparentemente gentil, há uma alfinetada emocional poderosa que busca lembrar Jessie de que seu marido talvez jamais consiga engravidá-la. Enquanto isso, a neo-zelandesa Lisa Chappell, lindíssima em seus 41 anos e sem esconder suas charmosas linhas de expressão, se estabelece como uma protagonista forte e capaz de carregar o filme sozinha – embora, claro, eventualmente o roteiro sinta a necessidade de levá-la a ser salva por um homem.

Mas o que mais se destaca em Coffin Rock é mesmo o impecável trabalho de fotografia: quando Evan conversa ao telefone, por exemplo, uma cena que poderia ser corriqueira ganha destaque graças à composição elegante e ao magnífico contraluz promovido pelo pôr-do-sol ao fundo. Da mesma maneira, as cenas em que vemos o trailer iluminado do rapaz sob a chuva é algo não só belo esteticamente como ainda ressalta a estranheza do personagem em função de sua insistência em enfeitar seu velho trailer com luzes de Natal fora de época e sob aquele temporal. Além disso, com sua cuidadosa mise en scène, Glasson cria suspense ao enfocar Jessie conversando ao telefone sem perceber, no batente da porta – e no primeiro plano -, manchas de sangue deixadas por um ataque prévio de seu algoz.

Infelizmente, Coffin Rock acaba se entregando a todos os clichês que costumam enfraquecer os trabalhos do gênero: um vilão que consegue desaparecer num piscar de olhos enquanto a vítima se vira por meio segundo; a presença do macho-alfa como herói; e, claro, a indestrutibilidade do antagonista, que, embora humano, parece sobreviver a todo tipo de ataque enquanto permanece atrás da mocinha.

Ainda assim, é difícil ser excessivamente rigoroso com o roteiro quando o que está na tela demonstra tanto cuidado em sua concepção visual. (3 estrelas em 5)

5.0 ponto(s). Avaliado por 2 pessoas

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