Filmes que vi ou revi recentemente:
A Fortaleza Infernal (The Keep, Inglaterra, 1983. Dir: Michael Mann. Com: Jürgen Prochnow, Alberta Watson, Ian McKellen, Gabriel Byrne, Robert Prosky, Scott Glenn, William Morgan Sheppard, Bruce Payne.) – Depois do brilhante Profissão: Ladrão, Mann cria um desastre que impressiona por ser pavoroso em todos os seus aspectos: direção, roteiro, atuações, trilha sonora, efeitos visuais e fotografia. (1 estrela em 5)
Telefonema de um Estranho (Phone Call from a Stranger, EUA, 1952. Dir: Jean Negulesco. Com: Gary Merrill, Shelley Winters, Michael Rennie, Keenan Wynn, Evelyn Varden, Beatrice Straight, Ted Donaldson e Bette Davis.) – O elenco mostra-se homogeneamente seguro (com exceção de Wynn, que exagera na caricatura) e a estrutura da narrativa é interessante, embora não muito eficaz. Apesar disso, a artificialidade da história – especialmente de seu desfecho – torna-se irritante com o passar do tempo. (2 estrelas em 5)
Profissão: Ladrão (Thief, EUA, 1981. Dir: Michael Mann. Com: James Caan, Tuesday Weld, James Belushi, Robert Prosky, Willie Nelson, Tom Signorelli, Dennis Farina, John Santucci, William Petersen.) – Ao lado de O Poderoso Chefão, a melhor atuação de Caan encontra-se neste jovem clássico que, dirigido com firmeza por Mann, funciona quase como um prólogo de Fogo Contra Fogo. (5 estrelas em 5)
O Túmulo Vazio (The Body Snatcher, EUA, 1945. Dir: Robert Wise. Com: Boris Karloff, Henry Daniell, Russell Wade, Bela Lugosi, Edith Atwater, Rita Corday, Sharyn Moffett, Donna Lee.) – Produzida por Val Lewton, este último longa a reunir Karloff e Lugosi traz o primeiro numa ótima performance que, contrapondo-se ao torturado (e inescrupuloso) personagem de Daniell, gera um confronto tenso muito bem explorado por Wise. (4 estrelas em 5)
Dia em que o Mundo Acabou (Day the World Ended, EUA, 1955. Dir: Roger Corman. Com: Richard Denning, Lori Nelson, Adele Jergens, Mike Connors, Paul Birch, Raymond Hatton, Paul Dubov.) – A primeira ficção B a ser dirigida por Corman tem seus atrativos; alguns positivos (a performance de Jergens e a revelação silenciosa da identidade do mutante), outros negativos (o “monstro” e... todo o resto). Mas vale como curiosidade histórica da carreira de seu prolífico realizador. (2 estrelas em 5)
O Americano Tranqüilo (The Quiet American, EUA/Austrália/Alemanha, 2002. Dir: Phillip Noyce. Com: Michael Caine, Brendan Fraser, Do Thi Hai Yen, Rade Serbedzija, Tzi Ma, Robert Stanton, Quang Hai, Ferdinand Hoang, Pham Thi Mai Hoa.) – Além de trazer Caine em uma de suas melhores atuações, esta belíssima adaptação do livro de Greene combina com perfeição a tensão dramática de um triângulo amoroso e a complexidade política do maior teatro de guerra das décadas de 50 a 70. (5 estrelas em 5)
An Evening with Patton Oswalt (Idem, EUA, 2007. Dir: Henry Owings. Com: Patton Oswalt.) – A menos que o objetivo seja criar um documentário sobre o processo criativo do comediante (como no ótimo Comedian), lançar um DVD com uma performance em desenvolvimento não é boa idéia – e Oswalt, com seu ritmo ainda incerto e texto trôpego, prova isso neste show. (2 estrelas em 5)
Batman: Gotham Knight (Idem, EUA/Japão, 2008. Dir: Shoujirou Nishimi, Futoshi Higashide, Jong-Sik Nam, Hiroshi Morioka, Toshiyuki Kubooka, Yasuhiro Aoki. Com as vozes de Kevin Conroy, Jim Meskimen, Gary Dourdan, Corey Burton, Ana Ortiz, Kevin Michael Richardson, Parminder Nagra.) – As diferentes abordagens estéticas enriquecem o projeto, que realmente merece aplausos com relação ao seu design de produção. Infelizmente, os roteiros dos episódios são medianos em sua maioria, comprometendo o resultado final. (3 estrelas em 5)
Inverno de Sangue em Veneza (Don’t Look Now, Inglaterra/Itália, 1973. Dir: Nicolas Roeg. Com: Donald Sutherland, Julie Christie, Hilary Mason, Clelia Mantania, Massimo Serato, Renato Scarpa, Adelina Poerio.) – A natureza onírica e labiríntica do filme é perfeitamente representada por Veneza, criando um clima de constante inquietação. Ainda assim, a direção de Roeg soa datada e o roteiro não consegue fugir das convenções do gênero, desperdiçando a ótima dinâmica entre o casal principal. (3 estrelas em 5)
Os Brutos Também Amam (Shane, EUA, 1953. Dir: George Stevens. Com: Alan Ladd, Van Heflin, Jean Arthur, Brandon De Wilde, Jack Palance, Emile Meyer, Elisha Cook Jr, Ben Johnson, Douglas Spencer, John Dierkes, Paul McVey, Edgar Buchanan.) – A maravilhosa fotografia que explora as amplas locações e a força de um elenco homogêneo já seriam o bastante para criar um ótimo trabalho. Mas é a riqueza psicológica do misterioso protagonista e de sua relação com os Starrett que torna Shane inesquecível. (5 estrelas em 5)
Batman – O Retorno (Batman Returns, EUA, 1992. Dir: Tim Burton. Com: Michael Keaton, Michelle Pfeiffer, Danny DeVito, Christopher Walken, Michael Murphy, Pat Hingle, Michael Gough, Vincent Schiavelli, Paul Reubens, Diane Salinger.) – O design de produção é inspirado e Keaton busca conferir peso dramático ao herói, mas o roteiro é pedestre e Pingüim jamais se torna um vilão interessante. Por outro lado, a sensualidade de Pfeiffer quase redime o filme. Quase. (2 estrelas em 5)
Cinturão Vermelho (Redbelt, EUA, 2008. Dir: David Mamet. Com: Chiwetel Ejiofor, Alice Braga, Emily Mortimer, Tim Allen, Joe Mantegna, Rodrigo Santoro, Ricky Jay, Rebecca Pidgeon, Max Martini, Jose Pablo Cantillo, John Machado, David Paymer.) – O filme conta com sua parcela de momentos inspirados, mas Mamet aposta demais em suas reviravoltas habituais sem se preocupar com a lógica da trama ou com os personagens, investindo ainda num final terrivelmente maniqueísta e artificial. (3 estrelas em 5)
Johnny Vai à Guerra (Johnny Got His Gun, EUA, 1971. Dir: Dalton Trumbo. Com: Timothy Bottoms, Kathy Fields, Eduard Franz, Marsha Hunt, Jason Robards, Donald Sutherland, Diane Varsi.) – Ainda que contenha algumas seqüências memoráveis e angustie pela situação de seu protagonista, este único trabalho deTrumbo na direção é óbvio tanto em sua mensagem anti-belicista quanto em sua abordagem fantasiosa. (2 estrelas em 5)
Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (Bring Me the Head of Alfredo Garcia, EUA/México, 1974. Dir: Sam Peckinpah. Com: Warren Oates, Isela Vega, Gig Young, Robert Webber, Emilio Fernández, Kris Kristofferson.) – Em seu filme mais pessoal, Peckinpah cria um anti-herói trágico que, através de cotidiano repleto de crueza e miséria, alcança uma improvável redenção através de suas ações e intenções tortuosas. (5 estrelas em 5)
Bob, o Jogador (Bob le flambeur, França, 1955. Dir: Jean-Pierre Melville. Com: Roger Duchesne, Daniel Cauchy, Guy Decomble, Howard Vernon, Simone Paris, Isabelle Corey, André Garet, Claude Cerval) – Um verdadeiro clássico do gênero noir, o filme conta com um protagonista fascinante e um roteiro repleto de momentos brilhantes. (5 estrelas em 5)