Mais uma vez, vocês foram rapidíssimos: meia hora bastou para que o leitor
Jaime Grebmops se tornasse o primeiro a identificar
Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia como a
cena misteriosa #04 (aliás, eu não falei que o título era genial?). Este filme, aliás, é o meu favorito na obra de
Sam Peckinpah - e reparem que estou falando do diretor de filmes como
Meu Ódio Será Sua Herança e
Sob o Domínio do Medo. O que me atrai em
Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (adoro esse título!) é, em primeiro lugar, a caracterização crua de
Warren Oates, que, colaborador recorrente de Peckinpah, ganhou, aqui, uma rara chance de protagonizar uma produção: alcoólatra e ganancioso, o músico/bartender Benny jamais compreende totalmente a dimensão da crueldade de seus oponentes na perseguição pelo objeto do título - e a crueza e o universo miserável concebidos pelo cineasta compõem com perfeição a realidade do personagem, desde os carros despedaçados dirigidos por todos (bom, quase todos) até os imundos quartos de hotel alugados pelo protagonista e por sua companheira, a prostituta cantora Elita (
Isela Vega, dona de uma beleza comum e que aqui exala sensualidade barata). Aliás, escolhi esta cena para representar o filme porque creio que resume bem a mentalidade de Benny: ao descobrir que a companheira lhe passou "chato", ele reage sem qualquer espanto, apenas com um pequeno gesto que mistura impaciência e divertida resignação, já que certamente aquilo já acontecera algumas vezes. Anti-herói trágico, Benny percorre uma trajetória atípica rumo a uma rendenção que não vem de ações nobres, mas sim de intenções tortuosas que, ironicamente, estabelecem uma dinâmica complexa entre o sujeito e a cabeça que carrega num saco em seu carro semi-destruído.
Único filme no qual Peckinpah teve direito irrestrito ao corte final, Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (que título!) foi um fracasso absoluto de crítica e público na época de seu lançamento, em 1974, embora eventualmente seu valor tenha sido resgatado e reconhecido.
Parabéns a todos que acertaram a cena e... vamos à de hoje, que é infinitamente mais fácil: