Série Jornalistas #20

by Pablo 17. julho 2008 18:59

Para retomar a série Jornalistas neste novo blog (para conferir as 19 edições anteriores, clique aqui e digite "série jornalistas" - sem as aspas! - no campo de busca), conto com a ajuda do sempre divertido - e inteligente - The Daily Show with Jon Stewart, que, em sua edição de ontem, exibiu o seguinte absurdo em seu "momento zen": no canal CNN, uma jornalista da emissora surge orgulhosa no canto da tela. Ao seu lado, clipes do âncora Wolf Blitzer discutindo o assassinato da ex-Primeira-Ministra do Paquistão, Benazir Bhutto. Uma retrospectiva de como sua morte afetou o Paquistão nos últimos meses? Uma homenagem, talvez?

Não. Inacreditavelmente, a jornalista, com um sorriso de orelha a orelha, anuncia:

- Parabéns a toda a equipe do "Situation Room". Nós fomos indicados ao prêmio Emmy por nossa extensa cobertura do assassinato da ex-Primeira-Ministra do Paquistão, Benazir Bhutto! Esta é nossa primeira indicação ao Emmy e é claro que esperamos que seja a primeira de muitas. E, claro, esperamos ganhar!

Uau. Se alguém ainda tinha dúvidas de que o jornalismo agora é apenas mais um braço do entretenimento, espero que o fato da moça ignorar a crueldade e a frieza de sua comemoração seja a prova inquestionável de que, cada vez mais, os jornalistas vêm se considerando grandes estrelas, e não perseguidores da verdade.

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variados | Série Jornalistas

Comentários

17/7/2008 19:22:25

Renato Carvalho

Nossa... e põe _frieza_ nisso. Chega a ser assustador.

Renato Carvalho br

17/7/2008 19:26:43

Matheus

Vixe... fiquei até sem palavras depois dessa. Imaginei a cena, parece tirada de um Freak Show. Inacreditável....

Matheus br

17/7/2008 19:31:51

Fábio

Generalizou.

Fábio br

17/7/2008 19:33:44

Felipe

No Brasil, vimos a intensa luta entre os canais (Globo e Record, principalmente) pelo principais furos, matérias e entrevistas sobre o caso Isabella, que deixou de ter um acompanhamento natural para se tornar um espetáculo. Nem é necessário dizer que o povo brasileiro deixou de acompanhar aquilo como uma tragédia, e passou a se interessar com o suspense artificial criado pelas emissoras.

Tem um documentário bacana, Manufacturing Consent: Noam Chomsky and the media (acho que você já deve ter lido algo dele) que resume bem no que o jornalismo se transformou. Esses dias tenho acompanhado as principais notícias sobre a prisão de Daniel Dantas, e é incrível como aquilo é tão popular e, ainda assim, tão carente de informações.

Felipe br

17/7/2008 19:34:55

Átila

É possível acessar este novo blog de uma forma mais prática? Sempre preciso acessar o blog anterior pra entrar neste.

Átila br

17/7/2008 19:37:56

Coimbra

Há muitos jornalistas ruins, que se enquadram no que você diz no texto. Mas Pablo tem mania de generalizar as coisas sempre quando fala nessa série. Não esqueça que seu site também faz parte do jornalismo. Da forma como você falou , parece todo tipo de jornalista é ruim - coisa que seu site não é e coisa que vários outros profissionais também não são. Ainda há esperança. Mas generalizar dessa forma não ajuda em nada também.

Coimbra br

17/7/2008 22:14:24

Luiz Carlos

Pablo, voc podia corrigir os links do cinema em cena que direciona pro blog, até agora tá indo pro blog antigo.

Falou!

Luiz Carlos br

17/7/2008 23:24:01

Fábio Rodrigues

Desculpe fugir do assunto do post, mas achei curioso o bastante para despertar o seu interesse. O roteiro de O Poderoso Chefão de uma forma que aposto que você nunca viu: http://www.lapopart.com/productdetail.asp?Ident=96

Fábio Rodrigues br

18/7/2008 0:19:38

Priscila

E parece que o problema do seu blog foi resolvido, Pablo. Nice!

Priscila

18/7/2008 0:48:47

Jaime F.

Hmmm.... inclusive, ainda no caso do entetenimento que fizeram com o caso Isabella, pq não fazem um barulhão desses com o "prende e solta" do Dantas e dos "peixes-grandes" dessas histórias todas??

Pô, já que é pra dar ibope, o povo podia se interessar por esses aí, né??

Mas, bah... sinceramente, acho que até já mencionei em outro post seu, Pablo... a cada dia, perco ainda mais a esperança nos seres humanos.... fato...

Jaime F. br

18/7/2008 1:02:34

André Flandres

Já consigo acessar os links e comentários através do Explorer!
Sobre o post, assim como o programa elogiado pelo Pablo constatou, o fato não deixa de ser curioso e até mesmo ter sua graça. Mas daí para fazer uma análise moralista barata acerca do acontecimento e sua contextualização dentro de uma visão igualmente barata e ainda ingênua do jornalismo são outros quinhentos.
É necessário ter discernimento para separar as coisas. Não há problema algum a equipe ficar bastante feliz e entusiasmada por ter ganhado a indicação, não interessa o conteúdo da matéria. Estranho seria lamentar e entristecer-se com a chance de concorrer ao prestigiado prêmio.
É curioso o fato de, coincidentemente, a mulher estar esfuziante ao mesmo tempo em que passam imagens sobre a morte trágica de alguém? Claro que é, mas se não se consegue separar as coisas e entender que essa coincidência não passa de mera curiosidade tendo inclusive sua graça, não se pode, igualmente, achar "divertido e inteligente", com ênfase no "divertido", que essa situação curiosa e cômica seja apresentada e explorada sob outro ângulo noutro programa, vez que a tragédia da morte continua lá, precisamente a mesma, intacta. Estar-se-ia, tal como este último e elogiado programa, igualmente pecando por ignorar a "crueldade" e a "frieza" da nova, "inteligente e divertida" abordagem do fato.

André Flandres br

18/7/2008 1:04:57

Luiz Carlos

Ainda bem que vc não é jornalista, né, Pablo?

Luiz Carlos cn

18/7/2008 8:34:18

Danilo

Pablo, não sei se vc já leu, mas, se quiser a dica de um livro legal, leia "O Jornalismo Canalha" de José Arbex Jr.

Danilo br

18/7/2008 10:41:44

Felipe

"(...) Mas daí para fazer uma análise moralista barata acerca do acontecimento e sua contextualização dentro de uma visão igualmente barata e ainda ingênua do jornalismo são outros quinhentos."

Olha só, talvez você devesse ter lido o comentário do Pablo de novo. Ele disse que:
- O jornalismo não passa de um braço do entretenimento (o que é verdade. No jornalismo, as notícias não podem ser desinteressantes, ou não haveria audiência).
- A frieza e crueldade da comemoração da jornalista demonstram que os jornalistas vêm se considerando grandes estrelas, e não perseguidores da verdade.

Em nenhum momento se usou de moralismo barato. Os jornalistas se consideram as estrelas pois, ao invés de se ater aos fatos, o jornalista transmite, aos telespectadores, sua euforia com a indicação ao Emmy. Por si só isso tira o foco do jornalismo, como noticiador de fatos; como a euforia diz respeito a um caso trágico, não pega bem ficar alegrinho: muitas pessoas não estão alegrinhas.
Visão ingênua do jornalismo é acreditar que o jornalismo busca a verdade e não é apenas mais um braço do entretenimento, principalmente o jornalismo em grande escala. Claro, você pode acreditar que não, abrir hoje o globo.com e acreditar que as notícias mais importantes dessa manhã são:
- Preso suspeito de matar três jovens na Providência;
- Piercing chega aos peixes;
- Bebê falso engana polícia;
- Pára-quedista cai sobre a banda e fere três nos EUA;
- A "coleguinha" Clarice Zeitel no Paparazzo.

Acabei de ler as cinco principais notícias dessa manhã, até 10:46h. Só existe uma notícia de fato aí, uma propaganda da Paparazzo e algumas bobagens. Essa é a regra do jornalismo: atacar a curiosidade de seus leitores, a pena e o sentimento de injustiça. É um grande mercadão, e não existe nada de moralismo barato em se perceber que o jornalismo não busca a notícia. A notícia não importa. O que importa é vender e, se eventualmente o jornal é indicado a alguma coisa, deve-se celebrar.

Felipe br

18/7/2008 11:07:10

pamponet

P A L H A Ç A D A

pamponet br

18/7/2008 11:13:44

Lisandra

Acho que a equipe de jornalismo tem o direito de celebrar a indicação. Afinal, é uma mostra do reconhecimento de seu trabalho, independente do tema da reportagem.

Eu acho que o problema foi o MODO como isso foi comemorado. Talvez a repórter devesse ter sido um pouco mais discreta, pelo menos em frente às câmeras. Teria sido mais elegante e teria soado mais respeitoso.

De qualquer modo, gostei do seu novo blog, Pablo.

Um abração e muito sucesso e saúde pra você.

Lisandra br

18/7/2008 18:49:59

André Flandres

Felipe, você está redondamente enganado. Não tenho visão ingênua nenhuma do jornalismo praticado atualmente, mas igualmente não tenho uma visão ingênua acerca da função que o Pablo vislumbra para o jornalismo.
No blog antigo já esclareci de maneira extenuante e exauriente a minha visão acerca do que é e do que deve ou deveria ser o jornalismo. Por isso não vou repeti-la.
Além disso, dever-se-ia parar de achar que tudo que é publicado e/ou divulagado é trabalho com pretensão jornalística. Primeiramente um portal como Globo.com, UOL, Terra, etc. não são meramente jornalísticos, eles têm sim pretensão de serem multifuncionais para seus usuários/visitantes.
Por último, você não rebateu o principal ponto da minha mensagem que é como o Pablo poderia contornar a incoerência de criticar, por suposta insensibilidade, a atitude da jornalista que - independentemente da matéria que ganhou a indicação ser trágica - comemora esse fato ao mesmo tempo em que elogia o "inteligente e divertido" programa que explora esse mesmo fato como algo curioso - e de fato é - e engraçado - o que também é???
Aliás, o que tem a ver com a prática jornalística a comemoração de uma indicação a um prêmio? E porque alguém só por comemorar o reconhecimento de seu trabalho é alçado à condição de considerar-se presunçosamente uma estrela??? E por que alguém por ser jornalista não pode ser considerado de fato uma estrela e um cineasta pode??? Afinal, Spielberg ficou muito entusiasmado quando venceu o Oscar de 1993. Enquanto comemorava, imagens do holocausto apareciam nas transmissões da cerimônia.
O fato é que o Pablo empreende uma espécie de cruzada contra quase tudo o que ele considera o jornalismo atual, tentando vinculá-lo de forma pejorativa a qualquer bobagem a que ele atribui uma imoralidade também qualquer. Não é nada ingênua, igualmente, a visão "transformadora" que o Pablo tem para o jornalismo que ele espera ser praticado no futuro. E é uma visão eivada de vícios políticos e ideológicos.

André Flandres br

18/7/2008 19:08:49

Pablo

Não é nada ingênua, igualmente, a visão "transformadora" que o Pablo tem para o jornalismo que ele espera ser praticado no futuro. E é uma visão eivada de vícios políticos e ideológicos.

Por favor, ilumine-me, André, acerca da minha visão para o jornalismo que quero ver praticado no futuro.

Pablo br

19/7/2008 1:04:07

André Flandres

Já que me pedes - e teu pedido é uma ordem -, ilumino-te:
Perguntei várias vezes lá no blog antigo se eras a favor do CNJ. Não lembro de ver resposta alguma. E o senhor mesmo, Pablo, faz questão de dizer que leu cada um dos comentários.
Dependendo da tua resposta para essa legítima e importante indagação, já dá para ter uma boa idéia sim da tua visão para a prática do jornalismo. E posso até estar equivocado quanto a ela, mas além disso teus inúmeros posts sobre o assunto são um fértil manancial para qualquer um que pretende saber as tuas idéias acerca do jornalismo.

André Flandres br

6/12/2009 2:16:11

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