Hoje Nina tornou-se oficialmente cidadã brasileira. Passei duas horas no cartório para registrá-la e, no processo, descobri que a Prefeitura de BH está fazendo uma campanha muito bacana: uma árvore para cada criança que nasce. Preenchi uma ficha no ato do registro e a Prefeitura irá plantar uma árvore em nome de Nina e enviar, para nossa casa, um documento informando qual árvore foi plantada e onde, para que possamos acompanhar sua evolução. Achei um barato.
Aliás, embora deteste enfrentar filas e ficar preso em locais muvucados, as duas horas no cartório acabaram passando mais rapidamente graças a um passatempo que adoro: observar as pessoas - e vendo toda aquela movimentação, cheguei à conclusão de que um cartório de registro civil é, de certa maneira, um resumo perfeito da experiência humana na Terra. Bem à minha frente na fila inicial para pegar a senha e uma guia, por exemplo, encontrava-se uma senhora idosa que, ao chegar ao atendente, informou que viera buscar a certidão de óbito de seu marido.
A ironia da situação, já que estava ali justamente para registrar o nascimento de minha filha, fez meu coração disparar.
Da mesma maneira, minha atenção foi despertada por um casal que, acompanhado por seus três filhos (o menor, recém-nascido), aguardava a vez para oficializar sua união - e fiquei tentando imaginar por que o nascimento do caçula acabara funcionando como catalisador para que eles finalmente se casassem depois de tantos anos. Achei interessante, também, a expressão de incontida felicidade da "noiva", que simplesmente não parava de sorrir com o bebê no colo. Suponho que provavelmente ela esperou aquele momento por um longo tempo.
Minutos depois, quando outro casal encontrava-se diante do juiz, todos que se encontravam dentro do cartório começaram a rir quando, ao ouvir a clássica pergunta sobre sua intenção de se casar com a noiva, um rapaz berrou um entusiasmado "Sim!" com toda a força dos pulmões. O mais divertido, porém, foi constatar que, misturada à empolgação, sua voz parecia trair um hilário desespero.
E, claro, mais uma vez fui surpreendido pelo contraste quando, segundos depois de rir daquele "Sim" em conflito, ouvi um homem ao meu lado perguntar ao atendente se era ali que ele deveria retirar sua certidão de divórcio, comprovando que duas míseras horas são o bastante para testemunhar os extremos das relações humanas num mesmo espaço.