Já estou em São Paulo. Hoje foi um dia agitado, pois dei uma entrevista pela manhã para o programa Cinemagazine, da TV Cultura/Rede Minas, e corri à tarde para pegar os óculos novos (mudei a armação depois de 5 anos) e o estoque de anti-depressivo, que estava no fim. A entrevista para o Cinemagazine, aliás, foi uma delícia, embora tenha me deixado com um pavor horroroso de pegar o avião à noite: além de fazer um balanço de minha carreira como crítico, a gentilíssima Luíza Aguiar ainda encerrou com a seguinte pergunta: "Que legado você gostaria de deixar para trás?". De imediato, respondi: "Meus filhos".
E aí tive um ataque de pânico, já que meus filhos já existem e, assim, meu trabalho aqui estaria encerrado! Gaguejando, comecei a falar também de outros projetos como crítico, como diretor, e Luíza, provavelmente percebendo minha confusão, disse: "Você é muito novo para responder uma pergunta destas, né?". Foi aí que confessei que agora estava apavorado com a idéia de entrar no avião e, ao me dar conta de que dissera isso diante da câmera, lembrei-me da tal fita dos Mamonas Assassinas também confessando medo de avião - e entrei num parafuso ainda maior.
É assim que funciona uma mente desajustada, meus amigos.
Mas o vôo foi tranqüilo.
Já o blog, como devem ter notado, ficou fora do ar durante a maior parte do dia em função de uma incompatibilidade com o Em Cena, o serviço que lançamos hoje no Cinema em Cena como parte das comemorações dos 11 anos de existência do site. Quem diria que, depois de testarmos tudo durante meses, o blog, que não tem nada a ver com o Em Cena, é que daria pau? Ainda há um pequeno erro no layout, mas aos poucos consertamos tudo.
Ah, sim: não tive muito tempo para curtir o Indie 2008, infelizmente, mas escrevi rapidamente sobre três filmes: Como Ser, Nas Cordas e Má Fé.
E agora vou desfazer a mala.
(Alguma alma caridosa que saiba quais serão as cabines de amanhã da Mostra poderia me enviar um email? Só recebi os informes das cabines que iam até hoje, 14.)