Troquei a última sessão da noite (Mataram Irmã Dorothy) pela primeira apresentação do novo espetáculo dirigido por Rubens Ewald Filho, que me convidou para a estréia. Inicialmente, como temia não gostar da peça justamente em função do meu cansaço (vi e escrevi sobre 36 filmes nos últimos sete dias, como bem sabem), não planejei publicar comentário algum aqui no blog, já que, além de tudo, estréias sempre apresentam problemas que são corrigidos posteriormente.
Para completar, não sou crítico teatral.
Porém, fiquei tão encantado com o que vi que resolvi escrever algumas palavrinhas aqui sobre este O Amante de Lady Chatterley, que Rubens comandou a partir do romance de D.H. Lawrence. Curiosamente, ele também optou por incluir, no espetáculo, o próprio escritor, que surge defendendo seu texto da censura (comentei um pouco sobre a questão ao escrever sobre o filme de Pascale Ferran, como vocês podem conferir aqui).
Bom, a montagem, como já disse, me encantou tremendamente. Além de fiel a Lawrence, o texto inclui a defesa feita pelo escritor de maneira orgânica à narrativa, que ainda consegue se equilibrar entre a poesia e o racional, entre a emoção dos personagens e a força das idéias que residem na lógica do autor ao erguer-se para falar de seu livro. Além disso, a mise en scène é incrivelmente eficaz, desde a "dança" que retrata a(s) primeira(s) transa(s) do casal Constance-Mellors (e sua gradual "melhora") até o sonho da protagonista - passando, claro, por uma belíssima cena envolvendo um lençol.
Os figurinos também me impressionaram bastante - especialmente aqueles usados por Constance. E lamento muito por ter me esquecido de pegar um programa do espetáculo, pois assim não posso citar os nomes dos três ótimos atores que, bastante sólidos e coesos, dão vida à encenação.
Além disso, a peça traz um tango final que inclui um instante maravilhoso em que Constance e Mellors se beijam num único movimento fluido e que, confesso, me fez perder o fôlego.
O fato é que O Amante de Lady Chatterley (que estréia em SP no dia 5 de novembro, parece) me instigou intelectualmente sem, com isso, deixar de ser tremendamente sensual.
Fica a recomendação.