Jerry Lewis, que há 42 anos faz uma bela campanha para angariar fundos para a pesquisa da cura da terrível distrofia muscular, foi escolhido para receber o prêmio Humanitário Jean Hersholt no Oscar 2009. Merecidíssimo; aliás, Lewis já deveria ter recebido um Oscar honorário há muitos anos por sua incrível contribuição ao cinema: além de comediante talentoso, foi ele quem inventou o video assist, hoje usado por qualquer produção, por mais barata que esta seja.
Ah, mas foi aí que associações de defesa dos direitos dos homossexuais começaram a protestar contra a escolha. Por quê? Simples: em duas ou três ocasiões nos últimos anos, o ator-roteirista-produtor-diretor fez piadas envolvendo a expressão "fag" ("veado"). Exemplo: quando um jornalista australiano perguntou o que ele achava do cricket, jogo popular no país, Lewis respondeu: "Tá louco? É jogo de veado!". Posteriormente, ele pediu desculpas, mas, meses depois, acabou sendo ouvido fazendo outra piada do tipo.
Isso transforma Jerry Lewis em homófobo?
Façam-me o favor.
Uma coisa que me irrita tremendamente na GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation, a mais importante associação do tipo nos EUA) e similares é esta patrulha ideológica que fazem: nada pode ser dito contra homossexuais ou acerca da homossexualidade - se isto acontecer, o autor da declaração é imediatamente tachado de homofóbico e obrigado a se desculpar.
Mais uma vez: façam-me o favor.
Sim, há aqueles que acham que estão apenas dizendo o que pensam quando, na realidade, exibem terrível homofobia (o leitor Fabrício Bastos, em seus comentários neste post, é um triste exemplo); porém, é fundamental manter a perspectiva. Por suas piadas, Lewis pode ser acusado, no máximo, de mau gosto e falta de graça, mas... homofobia? E mais: ninguém é obrigado a abraçar a causa gay. Não, vou além: ninguém é obrigado a aprovar a homossexualidade.
Em julho, ao comentar sobre o caso de uma modelo que disse que não queria que o filho fosse gay, escrevi, entre outras coisas:
"Os
homossexuais têm todo o direito (aliás, têm o dever) de batalhar contra
o preconceito e buscar igualdade de condições na sociedade
contemporânea, mas isto implica em aceitar que ninguém é obrigado a
achar que a homossexualidade é a melhor coisa do mundo e compreender
que todos têm direito a opiniões diferentes, desde que estas não
tenham, como objetivo, diminuir, ofender ou desqualificar os demais.
Não eram os gays que pregavam o "Viva a diferença!"? Então."
Aliás, se puderem, releiam todo o post para que meu argumento fique claro.
Resumindo: se o pastor Jorge Linhares tivesse dito, em seu sermão, que não aprova o casamento gay, eu teria desaprovado seu ponto de vista, mas não poderia condená-lo por isso. A repulsa veio, claro, quando ele passou a discursar sobre como a homossexualidade é algo "errado", sobre como temos que ter preconceito, sim, contra gays e sobre a inadequação de casais do mesmo sexo em criar crianças. A diferença é muito clara, não?
É preciso saber escolher os alvos para não dispersar a força do combate ao preconceito e também para não soar como uma irritante patrulha ideológica. O pastor Jorge Linhares merece ser combatido; a modelo citada acima e Jerry Lewis, não.
Bom senso e vitamina fazem bem pra todo mundo.