"Você pode dizer muita coisa sobre uma pessoa a partir dos amigos que ela tem. E ele era o meu melhor amigo." - Dexter, sobre Miguel Prado.
São diálogos como este que, simples em sua construção mas rico de significados, me fazem permanecer como fã incondicional de Dexter.
"Uma situação tão familiar. Uma perspectiva nem tanto." - Dexter, sobre... vejam o episódio.
São diálogos como este que, apontando o óbvio de forma tão elegante, me fazem permanecer como fã incondicional de Dexter.
Alguns podem reclamar que o fato de não ter havido derramamento de sangue no episódio final da terceira temporada foi algo decepcionante. Eu, particularmente, achei formidável. A subtrama envolvendo Miguel Prado já havia sido encerrada no episódio 11 e não havia motivo para continuá-la artificialmente - e os confrontos de Dexter com Ramon e George King serviram para ilustrar a complexidade do protagonista e também sua intensidade animal quando isto é necessário.
Além disso, até as conversas com Harry, que me incomodavam no início, passaram a soar orgânicas e até mesmo necessárias - e a última troca de diálogos entre os dois foi comovente e ainda serviu para que percebêssemos uma mudança importante na forma com que Dexter encara o mundo agora que será pai.
E Michael C. Hall... que ator excepcional. Desde sua mudança de olhar quando Ramon o enfrenta ao lado da ambulância (de piedade, seus olhos passam a transmitir raiva e perigo, quando o outro se afasta) até a já citada conversa com Harry, Hall manteve-se sempre no controle absoluto de sua interpretação, entregando-se até mesmo à expressão monstruosa que um assassino como Dexter exibiria no momento de seus crimes.
Uma excepcional terceira temporada, enfim. Irregular em alguns episódios, é fato, mas recuperando-se brilhantemente nos dois últimos. Que venha a quarta.