Suicídio

by Pablo Villaça 22. agosto 2009 15:06

Como muitos de vocês já sabem, tomo anti-depressivo há vários anos. Hoje considero a doença (porque é uma doença) sob controle e venho pensando cada vez mais em abandonar os remédios, mas houve uma época em que a sensação de desespero e angústia praticamente me impediu de funcionar socialmente. Como podem imaginar, naquele período, a idéia de suicídio cruzava minha mente de quando em quando, mas jamais a considerei com muita seriedade. Aliás, creio que, em um momento ou outro, a maior parte das pessoas já pensou algo como "E se eu...", mesmo que isto fosse apenas uma espécie de exercício mental e/ou emocional.

Porém, o que sempre me impediu de pensar no suicídio como uma possibilidade real foi o fato de que isto não representa uma solução para nada, mas apenas uma fuga. Uma fuga da qual não é possível arrepender-se. E se consideramos o estrago colossal que uma atitude como esta provoca em quem fica para trás, o suicídio se torna não apenas um ato de covardia, mas também de profundo egoísmo. Um gigantesco "fodam-se" para todos aqueles que nos amam.

(Só para constar, eu considero o suicídio como uma alternativa "legítima" em apenas dois casos: doença incurável que provocará intenso e inevitável sofrimento e naquelas circunstâncias em que, para todos os efeitos, sua vida já acabou, como discuti em minha crítica de Mar Adentro - e mesmo neste último, não estou certo de "aprovar" a auto-destruição.)

Comecei a pensar nestas questões depois da notícia do possível suicídio (ainda não foi oficialmente confirmado) de uma blogueira/twitteira de 33 anos de idade. Além de provar de maneira inconteste que o Twitter é uma péssima mídia para se deixar um bilhete de despedida (não posso acreditar que o que você tem a dizer antes de deixar esse mundo pode ser resumido em apenas 140 caracteres), a moça aparentemente escolheu uma maneira absurda de se matar: enfiou uma faca no próprio peito - algo que, no que diz respeito a formas de auto-extermínio, só perde em falta de praticidade para a auto-imolação.

Sim, é possível que ela, num processo mental distorcido, tenha desejado sofrer antes de morrer. Ou talvez apenas não tenha pensado melhor no que iria fazer. Ainda assim, quando penso na dor e no tempo que ela provavelmente levou para morrer - a não ser que tenha conseguido a proeza de reunir pontaria e força suficientes para atingir o próprio coração -, não posso deixar de sentir um frio na espinha. E não entendo como alguém que já tomou a decisão mais definitiva de sua existência pode não ter uma paciência mínima para ao menos encontrar uma forma mais confortável (ou menos lenta e dolorosa) de executar seu plano.

É claro que lamento a morte de uma pessoa jovem e saudável - mesmo que considere sua atitude incrivelmente estúpida e egoísta (ao que parece, ela tinha um filho pequeno, o que torna tudo mais imperdoável). Mas as decisões de deixar uma despedida no Twitter e de se matar com uma facada no peito me levam a pensar, confesso com certo embaraço, que havia algo muito mais errado com a moça do que uma simples depressão.

Tags:

mundo | variados

Comentários

22/8/2009 18:04:01 #

André Navarro

Imagino que antes de morrer, ela queria sentir alguma coisa, algo intenso -- então ou ela já tinha atingido um grau de insanidade ou seu sofrimento era tamanho que ela precisou extravasar em si mesma (uma forma fatal de auto-flagelação) -- ou ambos. Especular sobre isso é inútil, só posso falar sobre algo similar que aconteceu comigo.

Durante seu curso no Rio, Pablo, eu estava sofrendo uma crise nervosa que eu conseguia manter sobre controle durante as aulas, já que elas me faziam esquecer meus tormentos pessoais por três horas. Na semana seguinte ao curso, a crise começou a piorar e o meu psiquiatra, com quem não me consulto mais, me prescreveu Rivotril (Clonazepam). O efeito foi desastroso e eu entrei em colapso. Eu cheguei muito perto de um suicídio. Algo parecido já aconteceu há dois anos, mas na época havia um motivo claro -- a irresponsibidade de pais que simplesmente não conseguiam parar de se divorciar, voltar e divorciar de novo e estavam me deixando maluco, mudando minha vida de dois em dois meses.

E neste colapso mais recente não houve um gatilho. Foi uma mistura disso (uma raiva intensa dos últimos seis anos da minha vida) e o uso de Clonazepam e Venlafaxina (Effexor) combinados. Tive que me livrar destes remédios contra a opinião do meu psiquiatra (e ele que vá à merda, já que ficou claro posteriormente que ele me enrolou e foi altamente descuidado), e agora, todo dia, eu penso em suicídio, algo que se tornou uma constante na época dos remédios. Uma parte de mim continua querendo morrer e outra, não, algo que estou tratando por mim mesmo já que ajuda médica quase contribuiu para uma catástrofe.

Imagino que, pra essa garota, tudo parou de importar. Ela deve ter chegado a um estágio de desespero e depressão onde nada mais lhe parecia real ou tangível. Eu já senti isso, e é absolutamente terrível -- a ponto de você se sentir um completo imbecil por CONTINUAR vivo, da mesma forma que você se sentiria um imbecil em enfiar a mão no fogo e deixá-la ali.

O que impediu que eu cometesse suicídio? O que não impediu ela: as pessoas que se importam comigo. Até hoje, não me importo se estou vivo ou morto, uma falta de auto-preservação que considero uma doença e que estou tentando me livrar, mas eu me importo extremamente com meus amigos e familiares, e tenho planos pro meu futuro que me mantém suficientemente motivado (outra coisa que não contribui para meu estado mental é a visão extremamente fria que tenho da vida).

E sempre, sempre tenho medo que chegue um dia quando isso também vai deixar de importar pra mim. Não acho mais que isso vá acontecer e acredito que o pior já passou, mas é algo que me assusta.

Pode ser que ela tenha passado por algo similar ou pior, e não tenha aguentado. Ou que tenha sido num momento de desespero do qual ela teria se arrependido caso tivesse sobrevivido. Impossível saber, então não vou julgar.

Agora, usar o Twitter para suas últimas palavras? Puta que o pariu.

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 18:07:38 #

Pablo

André,

um cara inteligente e articulado como você cometer suicídio seria um desperdício pavoroso. Ainda bem que o pior já passou, fico feliz em saber disso.

Pablo Brasil | Reply

22/8/2009 18:09:05 #

André Navarro

Ah, e mais uma coisa: EU não tenho um filho, especialmente um filho pequeno, e acho que isso é algo que manteria a maior parte das pessoas vivas. Nesse contexto, é realmente egoísta.

Em qual contexto não é, você pergunta? Sempre vai ser. É uma atitude solitária e auto-centrada. Mas não ajuda quando as pessoas que dizem te amar contribuem para piorar as coisas com o egoísmo delas.

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 18:20:18 #

Vlad

nossa, clube do suicidio djksldsdfdskl mais um aqui, entretanto meu caso não foi nada bem sucedido (óbvio) pois eu estava bebado, era adolescente, e burro. Mas sempre quando penso em suicídio é realmente por motivos de fuga. Acho que o caso dessa moça vai além da depressão, ela provavelmente se odiava profundamente para se matar de forma tão torpe e dolorosa o que é muito, muito mais triste.

Vlad Brasil | Reply

22/8/2009 18:20:23 #

André Navarro

Obrigado, Pablo. Só pra deixar claro: eu considero esses pensamentos suicidas, este lado de mim que quer morrer, uma doença a ser curada, e sem dúvida o pior já passou (leia-se: ter um colapso nervoso impulsionado por dois remédios mal-prescritos, difícil ficar pior do que isso). É apenas a sobra de duas semanas pavorosas (e antes disso, seis anos terríveis). Então não fique preocupado. Eu também vejo o suicídio como uma desistência covarde para alguém com uma vida como a minha, que não é nem de longe irreparável ou irrecuperável, e é bem mais privilegiada que a de muitas pessoas, ao menos financeiramente.

Eu apenas compartilhei (excessivamente) para refletir sobre o ponto ao qual essa moça chegou. Um ponto onde tudo deixa de ser importante e se torna surreal, e você se sente num pesadelo do qual você quer desesperadamente acordar. Sei lá se foi isso que ela sentiu, mas foi o que eu senti.

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 18:28:49 #

Léo Ribeiro

Pablo e André, também já convivi em algumas ocasiões com a depressão e certamente as meus episódios foram infinitamente mais brandos. Tomei remédios, fiz minhas terapias... aprendi a lidar com a doença e hoje já não preciso de remédios (Citalopran e Rivotril ocasionalmente). Sei que seria inútil falar qualquer coisa para o André no sentido de fazê-lo pensar diferente em relação à morte. Mas espero de coração que ele encontre seu caminho para se livrar de tudo que o atormenta. Abração pra vocês!  

Léo Ribeiro Brasil | Reply

22/8/2009 18:33:41 #

Felipe Fonseca

Eu sofri e acredito que ainda sofgra de depressão. Digo que sofri, porque isso foi constatado quando eu frequentei um psicólogo. "Acredito" que ainda sofra porque continuo com sintomas muito fortes, apesar de não estar mais com acompanhamento da psicóloga para confirmar.

Eu terminei meu tratamento porque não via mais evolução nenhuma do que ocorria ali. Me ajudou muito, mas ir toda semana, duas vezes, ao consultório estava começando a me deixar pra baixo, na verdade. Decidi então tentar parar um pouco.

Digo que realmente me ajudou bastante, mas percebo que tem algo em mim que não deixa de existir. Algo que cria a depressão e isso já tenho comigo desde pequeno, mesmo só racionalizando recentemente.

Não cheguei a fazer tratamento com remédios na verdade por medo. Tenho medo de ter que depender deles para o resto da vida. Tenho medo de que coisas que gosto na minha personalidade mudem. Tenho medo até mesmo (e talvez mais) de que o remédio não funcione. Mas não é algo que descarto totalmente, já que pelo visto a depressão continua.

Me identifiquei muito com algumas coisas que você, Pablo, e o André disseram. Especialmente sobre a "covardia" de se matar. Mas também que o que pesa mais para mim em não fazer isso seja justamente as pessoas que amo, a quem de maneira nenhuma quero trazer essa tragédia. Mas penso que se eu não tivesse ninguém nesse mundo, talvez a tentação fosse maior. Só sei que parecido com o que o André disse, eu não tenho mais senso de auto-preservação. Não que eu atravesse ruas sem olhar para o lado ou faça roleta-russa, mas estou tão desapegado à isso tudo que se algo ou alguém arriscasse a minha via, não sei se teria iniciativa suficiente para tentar escapar.

É terrível isso. Estou num ponto atualmente que já me considero um hikikomori. Só continuo ativo pela internet. Estou cortando praticamente todo o contato humano. Não tenho vontade de manter relações com as pessoas, o que é terrível. Na verdade, não tenho vontade e nem vejo sentido em mais nada.

Estou numa simples inércia. Terrível.

Felipe Fonseca Brasil | Reply

22/8/2009 18:37:12 #

Marcelo Milici

Já que estamos fazendo uma reunião de quase-suicidas, gostaria de me incluir nessa.

Há uns quatro anos sofri desse mesmo mal, quando tive problemas financeiros. Cheguei a cogitar o suicídio por diversas vezes, até ser medicado com um anti-depressivo (Paroxetina). Hoje, já estou mais fortalecido, mas temo que isso possa voltar a qualquer momento!

Quanto à blogueira, duvido que tenha sido suicídio. A arma escolhida, o meio de despedida - principalmente para uma jovem blogueira - não inspira tal atitude. O suicida é, antes de tudo, alguém que busca uma fuga e uma forma de agredir alguém.

Vamos aguardar as investigações! Vivos, claro! Smile

Marcelo Milici Brasil | Reply

22/8/2009 18:38:07 #

Léo Ribeiro

Poxa Felipe, que barra heim? Aliás, bastou o assunto ser tocado que o pessoal já vem mostrando o quanto viver é difícil para mais gente do que podemos imaginar.

Léo Ribeiro Brasil | Reply

22/8/2009 18:45:27 #

The Crow

É muito fácil chamar suicidas de "covarde" quando se está de fora da situação...

Suicídio, um dos últimos grandes tabus da humanidade.

The Crow Brasil | Reply

22/8/2009 18:49:38 #

The Crow

Além do mais, por que o suicídio seria algo ruim? Não somos nós os verdadeiros proprietários de nossa existência? Se o suicídio seria uma fuga para as pessoas em dificuldades, ainda mais quando com filhos, o que dizer de suicídios de pessoas extremamente solitárias, ou as bilionárias? Não haverá nenhum "perdão" para qualquer suicídio? Nós só podemos sair deste mundo mediante forças externas?

Isso me soa tão religioso...

The Crow Brasil | Reply

22/8/2009 18:56:17 #

André Navarro

Felipe, muita coisa do que você falou, eu me identifico --

(...e sim, estou sentindo que a seção de comentários deste post vá trazer tanta alegria quanto uma maratona de filmes do Paul W. S. Anderson...)

-- eu detesto anti-depressivos. Sempre detestei. E um dos motivos que me fez me irritar com meu psiquiatra é que ele nunca me deu um bom motivo para tomá-los. Fizemos exames e não foi revelado nenhum problema químico, única circunstância na qual eu concordaria em tomar remédios. Só o ato de engolir uma pílula já me enoja, detesto qualquer coisa que altere meu estado mental (motivo também pela qual não bebo). E eu também sentia que em mim, eles não estavam funcionando, e o psiquiatra insistia que estavam. E como ELE era o profissional, eu confiei nele (e me fodi).

A semana em que parei os 150mg diários (!!!) de Venlafaxina que o incompetente me receitou, eu literalmente sentia pequenos choques na minha cabeça sempre que eu me mexia, e passei uma semana com náusea intensa. Fazer meu organismo depender tanto de algo assim é algo que detesto.

A outra coisa que me identifico é o que você falou sobre não querer manter contato com humanos. Eu passei por isso e ainda passo. Sou uma pessoa bastante misantrópica. Durante o curso, o Pablo comentou que eu tinha jeito de ser uma pessoa otimista, e eu quase tive uma crise de risos (apesar de, por vezes, eu apresentar um otimismo muito atípico, admito).

Eu lido com isso da seguinte forma: eu me apego ao lado interessante, intrigante da natureza humana (como aspiro a ser escritor, isso é uma parte vital da profissão) e valorizo imensamente as pessoas que posso chamar de amigas, aquelas que se destacam seja pela bondade, senso de humor, o que seja.

Ficar sozinho, porém, não é algo que me incomoda. Me coloque numa mesa com quinze pessoas e eu mal consigo abrir a boca de tão incomodado que fico (eu tenho uma teoria de que quanto mais pessoas estão numa mesa, mais idiota o assunto fica: Big Brother e futebol, especialmente). Esse lado misantrópico de mim é um lado sobre o qual eu faço piadas constantemente, e me faz valorizar mais as minhas verdadeiras amizades. Não é algo necessariamente ruim, e quando eu leio sobre um desastre de avião ou algo do tipo, eu me sinto tão ou mais deprimido que alguém que não sente nenhum desprezo pela humanidade. Eu já tentei ser alguém social, saindo todo dia. O resultado foi outro colapso nervoso.

Então, Felipe, não há nada de errado em ser recluso ou não gostar de companhia humana constante -- ache algo que te ocupe, que você goste de fazer, e preocupe-se em ver as pessoas que você valoriza e que retribuem isso.

E tente rir da vida. Ver graça na vida é uma forma de terapia que me levou a desenvolver um senso de humor terrivelmente negro, mas ainda assim, um senso de humor.

(eu devo estar parecendo um psicopata a essa altura, não?)

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 19:12:35 #

Fabiana

Quando descrevem os sintomas da depressão, os psiquiatras dizem que é "uma tristeza profunda", "uma angústia constante" etc. Mas eu tenho plena convicção de que essa é a maneira como nós, deprimidos, tentamos tornar minimamente tangível a experiência da depressão. Porque depressão não é tristeza, não é angústia, é "viver em dor", é querer parar de existir e por mais que minha psiquiatra seja renomada e saiba listar os sintomas e tratamentos e índices de suicídio e de invalidez causados pela doença, ela (felizmente) não faz a mínima idéia do que é essa doença maldita.

Odeio clichês, mas: só o doente carrega o desespero de continuar existindo em dor, sem vislumbrar nenhuma possibilidade de melhora. É cômodo considerar covardia a solução encontrada por ele para lidar com a dor DELE. No instante em que o inferno não se abre diante dos seus pés, porque ele se implanta na sua cabeça e rege toda a sua vida, não há familiares ou amigos: há uma dor incomensurável e uma necessidade premente de se livrar dela.

Nâo trato especificamente do possível suicídio citado, inclusive porque eu não teria filhos. Mas não hesitaria em deixar de cometer suicídio porque meus pais ficariam arrasados. Ou eu deveria continuar existindo para que ninguém à minha volta ficasse chateado, ainda que não visse absolutamente nenhuma razão para isso?

Fabiana Brasil | Reply

22/8/2009 19:21:12 #

André Navarro

The Crow:

"É muito fácil chamar suicidas de 'covarde' quando se está de fora da situação..."

As pessoas que estão comentando neste post não estão fora da situação. E eu consideraria um suicídio covardia da MINHA parte, devo clarificar. Eu não disse que o ato em si é sempre covarde, ou sempre estúpido. Há infernos que eu sou, e espero que eu sempre seja, incapaz de imaginar.

"Além do mais, por que o suicídio seria algo ruim?"

Primeiro: não sabemos o que é a morte. Segundo: as pessoas que nos amam e que ainda dão valor à própria vida irão sofrer terrivelmente, e embora elas possam ser a razão de nosso sofrimento em primeiro lugar, algumas das pessoas que te amam podem fazer viver valer a pena. Eu tenho a sorte de conhecer algumas.

"Não somos nós os verdadeiros proprietários de nossa existência?"

Sim. Isso não significa que se matar seja uma boa idéia. Você está vivo, então porque não aproveitar enquanto dura? Afinal, no fim das contas você VAI morrer.

"Se o suicídio seria uma fuga para as pessoas em dificuldades, ainda mais quando com filhos, o que dizer de suicídios de pessoas extremamente solitárias, ou as bilionárias?"

Errr... hã?

"Não haverá nenhum 'perdão' para qualquer suicídio?"

Você quer dizer perdão divino? Não me importo com isso, sou ateu. Perdão dos familiares e amigos? Depende muito da pessoa que se suicidou e o motivo que ela o fez. Isso é muito, muito relativo.

"Nós só podemos sair deste mundo mediante forças externas?"

Não, podemos nos matar também. Mas como eu disse, não acho isso uma boa idéia, geralmente.

"Isso me soa tão religioso..."

Religião não é o único motivo pelo qual as pessoas querem evitar suicídio. Obviamente.

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 19:24:57 #

Victor

Eu, como a maioria aqui, também já passei por isso. E agradeço todo dia por poder dizer que foi passado.
Só queria dizer que concordo totalmente com o André sobre 'rir da vida'. Procurar e viver intensamente cada momento alegre que você tem no seu dia foi uma ótima alternativa pra mim. Rir de coisas idiotas, conversar assuntos amenos, ser menos auto-consciente e tentar enxergar a vida como uma coisa mais simples a cada dia.
Pode parecer uma forma de escapismo e covardia. Mas como isso faz cada vez mais sentido e me deixa cada vez melhor, não vejo razão para enxergar as coisas como antes.
Afinal, citando Cypher de Matrix, "A ignorância é uma bênção".

Victor Brasil | Reply

22/8/2009 19:31:29 #

André Navarro

Fabiana:

"Nâo trato especificamente do possível suicídio citado, inclusive porque eu não teria filhos. Mas não hesitaria em deixar de cometer suicídio porque meus pais ficariam arrasados. Ou eu deveria continuar existindo para que ninguém à minha volta ficasse chateado, ainda que não visse absolutamente nenhuma razão para isso?"

Pessoalmente, eu hesitaria, mas meus pais não são em quem eu pensaria nessa hora. Eles contribuiram muito para que eu me transformasse na bagunça emocional que sou hoje (inserir som de violinos aqui). Não foi intenção deles me machucar, mas a forma como eles ignoraram e viveram em negação foi deliberada, e eles sempre me atrapalharam ainda mais quando tentavam ajudar sem primeiro tentar compreender.

Mas pela minha irmãzinha caçula? Eu continuaria vivendo.

Algumas pessoas me fazem querer viver com as menores coisas. Quando eu estava tendo o colapso nervoso mais recente, o pior de todos, eu discuti o que eu sentia com uma amiga americana. E ela respondeu:

"Eu me sentiria muito mal se você fizesse isso, André."

Eu penso nessas palavras todo dia. E essa é uma amiga com quem nunca me encontrei pessoalmente, e ela disse isso via chat. E eu senti mais sinceridade e carinho nessas palavras do que em qualquer outra coisa que me disseram naquele período.



André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 19:41:04 #

Ricardo

A única pessoa famosa que se matou com facada no peito foi Elliott Smith... e ainda assim, não se sabe até hoje com certeza se foi mesmo suicídio. É realmente uma forma não-planejada e macabra de acabar com a vida!

Ricardo Brasil | Reply

22/8/2009 19:44:27 #

Ricardo

corrigindo... "a única pessoa famosa que eu conheço"

Ricardo Brasil | Reply

22/8/2009 19:47:38 #

Leandro Moraes

Lembro bem que aos 16 eu tive que ficar na porta do banheiro tentando fazer minha ... (uma pessoa muito querida da família) desistir de se matar (duas vezes). Em 2006 uma amiga com tendências suicidas estava mal, então vendi tudo o que tinha para comprar um cachorro (caro pra burro e ainda era pequeno!). Deu certo, mas por um tempo. No começo do ano ela cortou os pulsos, tomou remédio e os médicos disseram que sobreviveu, sem seqüelas, por um milagre. Uma hora ela vai acabar fazendo de novo e eu não sei o que fazer. Pois é preciso achar o problema (o dela era uma vida sem expectativas - emprego ruim, miséria - coisa que se resolve conseguindo um bom emprego, mas não é tão simples).

Sei que as pessoas dizem que o suicida tem que pensar nos outros, porém se você tem alguém que você AMA que está em depressão, é VOCÊ que tem que cuidar dela, porque, oras bolas, é ela que está doente e é mais fácil você salvar ela do que ela ter que salvar você. Por que somente há uns anos atrás eu estou podendo ser filho mesmo.

Já pensei no "e se...", mas atualmente brigo para fazer algo que eu gosto, projetos que tenho, mas que precisam serem lidos por pessoas (atrizes) que não estão nem aí para serem atrizes e não pop-star. Antes de morrer (naturalmente) eu ainda preciso achar gao an-ni.

De resto, para acalmar crises que já tive, usava gilette. Hoje pareço um protótipo de Frankenstein, mas beleza, eu estou vivo.

Leandro Moraes | Reply

22/8/2009 19:47:50 #

Fabiana

André, eu acho isso muito bonito e poético, mas quando tô inferno não tem carinho nem cumplicidade nem intimidade nem nada que alivie o tormento. Inclusive porque, nessas épocas, parece que fui beijada por um dementador: tudo que pode haver de bom em mim desaparece e ficam só as lembranças e sentimentos ruins.

Mas que bom que isso te mantém longe do suicídio. Nesses momentos, precisa se agarrar a qualquer coisa que funcione.

Fabiana Brasil | Reply

22/8/2009 19:51:25 #

Felipe Fonseca

@André

Até decidir, por conta própria, procurar ajuda de um psicólogo, todos ao meus redor, incluindo amigos mais próximos e família, sempre me consideraram uma pessoa muito feliz. É terrível não ser bem conhecido nem por aqueles que estão mais próximos de nós...

De fato, socialmente, eu sou bem-humorado, extrovertido, realmente entendo que ninguém veja em mim um depressivo. É claro que prestando um pouco mais de atenção (coisa que poucos fazem) isso se faz notar.

Mas desde que comecei o tratamento, depois de ter parado e até agora, isso mudou e afetou profundamente minha relação com os outros. Isso porque não é apenas o fato de eu querer cada vez menos ter convívio social, mas também porque muitos de meus colegasnão passaram a gostar desse meu "eu não alegre com tudo". Daí que a gente vê de fato que as pessoas que importam (e que se importam) são bem poucas. E é pra essas que eu ligo, já que não me interessa mais agradar a todos.

Mesmo assim, tenho ficado muito triste ao perceber que perco o contato mesmo com os meus melhores amigos. Acho que têm mais a ver com nossos caminhos de vida do que com o meu distanciamento, mas não consigo deixar de pensar que se eu fosse atrás, isso não ocorreria. Ao mesmo tempo, penso que ELES também poderiam vir atrás... Isso é algo que me incomoda e que me trouxe angústia durante toda a vida. Eu me dedico muito às pessoas, espero muito delas e geralmente acabo decepcionado. Também penso que devo, de alguma maneira, também frustrá-los e daí fico pior.

Eu queria acordar feliz, de bem com todos, com metas e objetivos, com vontade de construir uma vida, um "ser humano padrão". Como alguém já citou aqui, realmente "ignorância é uma bênção". Às vezes queria ser que nem essas pessoas que parecem ter muito pouca coisa em mente, o que torna a vida delas muito mais simples e objetiva.

Pensar, filosofar, problematizar, racionalizar, tudo isso provoca um desgaste mental e emocional que é difícil quem não sofre entender.

Felipe Fonseca Brasil | Reply

22/8/2009 19:52:04 #

Nádia

Quanto à blogueira, duvido que tenha sido suicídio. A arma escolhida, o meio de despedida - principalmente para uma jovem blogueira - não inspira tal atitude. O suicida é, antes de tudo, alguém que busca uma fuga e uma forma de agredir alguém.

Quanto ao método escolhido, não acho de todo estranho. Pelas fotos e pelo sobrenome dela, dá pra ver que ela tem ascendência japonesa, o que poderia explicar a escolha da faca. O harakiri faz parte da cultura nipônica e quando alguém o comete geralmente é porque se sentiu ferido em sua honra, um conceito que pra eles é muito mais intenso e importante que pra nós.

Eu lia o blog dela todos os dias e em alguns posts ela chegou a falar sobre problemas com o pai do filho que ela tinha.

Enfim, imagino o grau de desespero a que ela chegou, pois como já foi dito, deixar um filho tão pequeno não é absolutamente algo fácil de fazer.

Sim, já pensei em suicídio também e sei do que o André está falando... Quando todos da sua família parecem loucos irresponsáveis é complicado manter a sanidade...

Essa fase passou, graças a Deus. Ainda tenho minhas recaídas mas estou conseguindo manter sob controle.

Engraçado é que não a conhecia, mas isso mexeu muito comigo. Passei o dia triste, angustiada... Só espero que ela encontre paz do lado de lá.

Nádia Brasil | Reply

22/8/2009 19:53:12 #

Leandro Moraes

as pessoas que nos amam e que ainda dão valor à própria vida irão sofrer terrivelmente , e embora elas possam ser a razão de nosso sofrimento em primeiro lugar, algumas das pessoas que te amam podem fazer viver valer a pena. Eu tenho a sorte de conhecer algumas.

Esta parte que eu vejo ao contrário. Das pessoas que conheço que se suicidaram, muitos gostavam, amavam, mas não buscavam ajudar de fato. Era só aqueles velhos conselhos batidos, jogar no psiquiatra, psicólogo ou lamentar aos amigos. Só que eu nunca via estas pessoas parando e perguntando "O que te preocupa?" e após a resposta, analisar e buscar uma solução (sempre há, ao menos quando a causa é amor), e tentar ajudar indo diretamente naquilo que pode modificar a vida dela (um sonho que deseja, uma necessidade...) Porque quem quer, faz. Isso é mais velho que andar pra frente.

Leandro Moraes | Reply

22/8/2009 19:58:19 #

André Navarro

Fabiana, nem sempre funciona pra mim, e não há garantia que sempre vá (é isso que temo). Já me senti em momentos onde nada importava, total falta de sentimentos, onde tive que lutar para NÃO me matar, e tudo o que me ajudou foi uma noção muito distante de que eu não estava pensando claramente e eu não deveria tomar nenhuma decisão no momento.

Então acredite, sei do que você está falando, e espero que você fique melhor.

Leandro: "De resto, para acalmar crises que já tive, usava gilette. Hoje pareço um protótipo de Frankenstein, mas beleza, eu estou vivo."

Mais uma vez correndo o risco de compartilhar demais, confesso que meu braço esquerdo tem várias cicatrizes, não de tentativas de suicídio (nunca tentei, apenas cheguei muito perto -- eu não acho que se eu tivesse tentado, eu fosse falhar), mas de auto-flagelação, uma forma de extravasar raiva e dor. Não uma BOA forma, mas é uma forma (que nunca mais aconteceu, curiosamente, desde que interrompi os remédios. Ha ha ha.)

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 19:58:40 #

Fabiana

O Pablo dá uma saidinha e o blog é tomado por um monte de gente com distúrbio psiquiátrico. hahahaha

Tadinho, vai se assustar quando voltar. : )

Fabiana Brasil | Reply

22/8/2009 20:20:54 #

PuntoBlu

To curioso... Quais foram as ultimas palavras da moça??

PuntoBlu Brasil | Reply

22/8/2009 20:20:58 #

André Navarro

Felipe:

"Até decidir, por conta própria, procurar ajuda de um psicólogo, todos ao meus redor, incluindo amigos mais próximos e família, sempre me consideraram uma pessoa muito feliz. É terrível não ser bem conhecido nem por aqueles que estão mais próximos de nós..."

Como você mesmo diz nesse mesmo post, a maior parte delas só conhece o quanto de você interessa a elas. Isso me angustiava muito, mas agora eu simplesmente aceito como uma parte irritante da natureza humana. Na minha concepção, ser amigo de alguém requer um pouco mais de dedicação. Gosto de conhecer meus amigos: o lado ruim e o lado bom, e se eles estiverem dispostos a falar, extravasar, eu estarei disposto a escutar. Se não estiverem, não trarei isso à tona, porque isso não ajuda.

"Eu queria acordar feliz, de bem com todos, com metas e objetivos, com vontade de construir uma vida, um "ser humano padrão". Como alguém já citou aqui, realmente "ignorância é uma bênção". Às vezes queria ser que nem essas pessoas que parecem ter muito pouca coisa em mente, o que torna a vida delas muito mais simples e objetiva."

Como escritor, eu gosto de ter essa obsessão com racionalizar demais, mesmo que ela me traga tantos problemas. Mas já senti esse desejo. Muitas vezes. Porém, dada a escolha, eu não trocaria de lugar com ninguém.

A propósito, continuo me identificando com muito do que você diz. Especialmente:

"Ao mesmo tempo, penso que ELES também poderiam vir atrás... Isso é algo que me incomoda e que me trouxe angústia durante toda a vida. Eu me dedico muito às pessoas, espero muito delas e geralmente acabo decepcionado. Também penso que devo, de alguma maneira, também frustrá-los e daí fico pior."

Leandro:

"Esta parte que eu vejo ao contrário. Das pessoas que conheço que se suicidaram, muitos gostavam, amavam, mas não buscavam ajudar de fato."

Aí entra aquele velho problema da negação. "Ele não está tão mal assim, só está chamando atenção..." É muito fácil fingir que não há problema algum. E como eu disse antes, esse é o tipo de "ajuda" que tive, por exemplo, dos meus pais, e como eu já disse também, não é pensar neles que me ajuda a expulsar os pensamentos sobre suicídio da minha mente.

Que bom que você está entre os poucos que tem a coragem de mergulhar na escuridão de uma pessoa pra tentar tirá-la de lá. Eu admiro muito isso.

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 21:01:09 #

Nina


Se for confirmada a versão do suicidio (acho difícil) , seria interessante se informar sobre suicídios de jovens no japão. O Harakiri (não sei se escreve assim) é uma prática muito usada (e, pelo que eu entendi, a moça era de origem oriental.
No Japão os jovens cometem harakiri quando estão diante de uma situação vá envergonhar a família.
São apenas observações, sem querer faltar com o respeito à falecida, mas que podem nos mostrar que nem sempre a forma como cada um de nós vê a dor e a morte é a mesma - depende da cultura.

Nina Brasil | Reply

22/8/2009 21:11:42 #

herbert

André,

Se vc esperava q teu psiquiatra incompetente te convencesse da tua doença através de algum exame que mostrasse algum 'desbalanço quimico', tenho que informá-lo que nem ele nem qualquer outro psiquiatra seria capaz de faze-lo.

O diagnóstico de depressão é feito com base em critérios clínicos, após a exclusão de outras doenças q podem cursar com sintomas depressivos (disturbios da tireoide, por exemplo).

Estou no sexto ano de medicina e venho me impressionando com a prevalência da depressão na população em geral. Atualmente estou fazendo estágio num posto de saúde e cerca de 20% de nossos pacientes tem a doença.
E impressionante também é a eficácia das medicações anti-depressivas. Sei lá, posso chutar que ao menos 75% dos pacientes apresentam melhora clinica significativa.

Os medicamentos que teu psiquiatra receitou (Clonazepam e Venlafaxina), André, certamente não foram equivocados. A Venlafaxina pode demorar até 6 semanas para trazer os primeiros efeitos benéficos e talvez vc tenha abandonado o uso antes desse tempo. E a tua relação com teu psiquiatra devia ser muito ruim p/ vc simplesmente abandonar o tratamento sem ao menos consulta-lo antes... nenhuma terapia com anti-depressivos pode ser abruptamente interrompida! O desmame tem q ser gradual, ao longo de algumas semanas, afim de que os efeitos da retirada sejam mais brandos.

Apesar de termos hoje anti-depressivos muito eficazes e seguros, a depressão, principalmente em pacientes com um bom nivel socio-cultural, sempre tem melhor prognostico quando tratada também com terapia. Seja psicanálise, terapia cognitivo-comportamental, etc. Por falar nisso, Pablo, ainda continuas fazendo análise?

É isso aí, galera. Depressão é uma doença e tem tratamento!
Abraços a todos.

herbert | Reply

22/8/2009 21:25:01 #

André Navarro

"Se vc esperava q teu psiquiatra incompetente te convencesse da tua doença através de algum exame que mostrasse algum 'desbalanço quimico', tenho que informá-lo que nem ele nem qualquer outro psiquiatra seria capaz de faze-lo."

Eu não esperava isso, apenas um bom motivo para tomar anti-depressivos. Como já disse, odeio usar anti-depressivos e prefiro lidar com problemas psicológicos por mim mesmo e com terapia (da qual fiz quatro anos).

"Os medicamentos que teu psiquiatra receitou (Clonazepam e Venlafaxina), André, certamente não foram equivocados."

Isso depende do paciente e da circunstância. A circunstância na qual ele me receitou Clonazepam foi desastrosa.

"A Venlafaxina pode demorar até 6 semanas para trazer os primeiros efeitos benéficos e talvez vc tenha abandonado o uso antes desse tempo."

Eu tomei Venlafaxina por uns quatro meses.

"E a tua relação com teu psiquiatra devia ser muito ruim p/ vc simplesmente abandonar o tratamento sem ao menos consulta-lo antes"

Não era, e eu consultei. Ele chegou a admitir que o Clonazepam teve efeito adverso.

"nenhuma terapia com anti-depressivos pode ser abruptamente interrompida!"

Não foi. Eu passei para 75 mg por duas semanas, e a partir dali ele sugeriu parar de vez.

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 21:40:32 #

Fabiana

André, eu não sei qual é o seu diagnóstico, mas doença psiquiátrica não costuma ficar sob controle sem medicação. Frequentemente o componente bioquímico é ignorado, e o resultado é uma epidemia de gente fazendo tudo quanto é terapia e permanecendo doente.

Eu não compreendo muito essa resistência aos medicamentos: ok, os efeitos colaterais são uma chatice, principalmente no início do tratamento, e os malditos remédios são caros pra caramba, mas eu fico tããão satisfeita por não ter nascido há meio século e não ter precisado ser submetida a sessões de eletrochoque, que tento abstrair.

Fabiana Brasil | Reply

22/8/2009 21:42:35 #

Carina

Eu sou uma pessoa que trato de depressão e venho corroborar o q o Hebert acabou de falar: tomo Venlafaxina (e eventualmente Clonazepan). Me sinto super bem, estou mudando minha vida, levando projetos adiante e controlando plenamente a doenaça. Mas as primeiras semanas foram mais difíceis: tive uma crise de pânico que durou 2 dias, eu não conseguia dormir e minha pressão foi a 16x10. isso na primeira semana. Passado esse período de adaptação, sou outra pessoa: muito melhor. Não me sinto dopada, pelo contrário, melhorei minha concentração e até as notas na faculdade. Me sinto em plena capacidade mental, coisa que, sem os remédios, era impossível, pois meus pensamentos não me permitiam ser normal.

Acho errado que, pelo fato de vc ter passado mal com esses remédios, vc achar que ninguém deve se medicar. Eu mesma já tomei outros remédios que me fizerammuito mal. Mas nem por isso venho aqui dizer que eles são ruins. Simplesmente não eram os adequados para mim. Eu, por exemplo, preciso de um remédio de dupla ação (segundo minha psiquiatra), que haja na serotonina e dopamina (caso da Venlafaxina). Com isso quero dizer que, embora nossos problemas sejam parecidos, cada um é cada um. E só um profissional qualificado pode escolher o melhor. Não gostou desse psiquiatra, procure outro com o qual se identifique. mas não desista, pois posso falar por experiência própria que muito melhor que lutar e vencer esses pensamentos terríveis, É NÃO TÊ-LOS MAIS.

Abraços e melhoras a todos!!

Carina Brasil | Reply

22/8/2009 21:49:46 #

herbert

"Eu não esperava isso, apenas um bom motivo para tomar anti-depressivos. Como já disse, odeio usar anti-depressivos e prefiro lidar com problemas psicológicos por mim mesmo e com terapia (da qual fiz quatro anos)."

Vc esperava o que, consultando um psiquiatra e estando com sintomas francamente depressivos? Que ele te desse um abraço?

"Isso depende do paciente e da circunstância. A circunstância na qual ele me receitou Clonazepam foi desastrosa."

Claro, depende do paciente. Alguns respondem paradoxalmente a esse medicamento, ficando mais agitados, etc. Em outros, a depressão piora. Mas isso nao quer dizer q nao estivesse indicado no teu caso! A resposta do teu organismo nao foi a esperada e isso não é culpa do médico...

herbert | Reply

22/8/2009 22:02:31 #

André Navarro

Fabiana:

"André, eu não sei qual é o seu diagnóstico, mas doença psiquiátrica não costuma ficar sob controle sem medicação. Frequentemente o componente bioquímico é ignorado, e o resultado é uma epidemia de gente fazendo tudo quanto é terapia e permanecendo doente."

Estava mais descontrolada sob medicação. E ele jamais me deu um diagnóstico, dizendo que era complexo demais para resumir em um. O que eu compreendo, mas nesse caso receitar remédios até achar um que dê certo (Venlafaxina não foi o primeiro) não é um método que me agrada.

Carina:

"Acho errado que, pelo fato de vc ter passado mal com esses remédios, vc achar que ninguém deve se medicar."

Eu nunca disse isso. Eu disse que odeio anti-depressivos. Eu não disse que ninguém deve tomá-los, e fique feliz que eles te ajudem. Pessoalmente eu odeio usá-los.

Herbert:

"Vc esperava o que, consultando um psiquiatra e estando com sintomas francamente depressivos? Que ele te desse um abraço?"

Não. Como eu disse, um motivo. E mesmo assim sempre fiz como ele sugeriu quase cegamente, tomei os remédios que ele receitou, segui os conselhos dele até perceber que eu estava ficando pior e ele discordava que eu estava e ficou tentando me convencer que as razões eram outras -- tentou me convencer, por exemplo, que eu estava "desiludido amorosamente", algo que teria me feito rir se eu não estivesse tão mal quanto eu estava quando ele disse isso (por outras razões, obviamente).

"Claro, depende do paciente. Alguns respondem paradoxalmente a esse medicamento, ficando mais agitados, etc. Em outros, a depressão piora. Mas isso nao quer dizer q nao estivesse indicado no teu caso! A resposta do teu organismo nao foi a esperada e isso não é culpa do médico..."

No último mês tomando Venlafaxina eu deixei bem claro que eu não estava reagindo bem ao medicamento e ele me assegurou que não era o medicamento. Quando eu parei o medicamento, a melhora foi palpável.

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 22:36:53 #

Ota

Essas histórias de suicídio mexem com a cabeça de qualquer um, realmente como já foi dito nuns posts acima é o último tabu da humanidade. Uma coisa que reparei de ontem pra hoje é que a simples menção à palavra suicídio acarreta imediatamente um monte de unfollows no Twitter.
Mas como o pessoal daqui está disposto a comentar, lá vai...
Tomei conhecimento dessa história ontem na Twitosfera, depois que o pessoal caiu de paul em cima da Twittess por ela ter usado a palavra mimimi. Bom, caem de pau na Twittess por qualquer coisa mesmo, tanto faz, mas isso seviu para tornar o caso Ematoma conhecido mais rápido.
A gente fica chocado, porque acredito que essa idéia de acabar com tudo já tenha passado pela cabeça de todo mundo alguma vez, ainda que de relance. Em sã consciência acho que ninguém pensa em se matar, mas o perigo está nos momentos em que a imunidade está baixa por causa da depressão.
Bom, voltando ao caso em si, essa forma adotada por ela é comum entre os orientais, então não penso na hipótese de assassinato.
O lance é que realmente é tabu. A imprensa não dá casos de suicídio, a não ser de pessoas famosas. Existe uma regra tácita do jornalismo de abafar esses casos para não dar idéias a outras pessoas. Num caso assim onde a causa da morte é ambígua (inicialmente parece um assassinato) ainda saem as notícias nos onlines, mas podem ver que no jornal impresso não saiu nada.
De qualquer forma como no Twiter não se fala em outra coisa acho que isso ainda vai continuar rendendo um pouco.
Bah já vi algumas pessoas meio próximas fazerem isso e sempre fico grilado. No ano passado o filho de uma amiga minha se matou porque levou um pé na bunda da namorada e isso mexeu muto comigo, principalmente por ver como a mãe dele sofreu. Mas o caso mais sinistro foi uns 20 anos atrás. eu estava no Baixo Gávea e um cara me deu uma foto da namorada dele dizendo "tome, não vou mais precisar disso". Não entendi nada por que ele me deu a foto, achei que ele tava bêbado e guardei... no dia seguinte ele se matou... foi muito sinistro. Sempre fica uma espécie de sentimento de culpa ("de repente se eu tivesse chamado ele e perguntado o que estava acontecendo talvez a morte dele tivesse sido evitada").

Bom, por essas e por outras é que sempre que eu vejo que alguém está de alguma forma pedindo socorro procuro dar atenção.

Ota Brasil | Reply

22/8/2009 22:46:24 #

Ota

ah sim esqueci de dizer. Ano passado minha depressão estava tomando proporções muito grandes e eu resolvi me tratar. Acho que o primeiro passo foi eu tomar consciência de que estava com essa doença, antes eu tentava me enganar dizendo pra mim mesmo que não tinha nada.... Mas fugi da alopatia, fui pra homeopatia.
Deu certo, depois que o vidro com as pastilhas homeopáticas acabou não comprei outro, mas eu fiquei bem mais legal e não voltei mais àquele estágio.

Vi o que os remédios alopáticos fizeram com algumas pessoas próximas e não queria cair na mesma. Tenho uma prima que toma não sei quantos mil remédios há mais de 30 anos e não tem mais jeito. Tive uma namorada que tomava um monte, alguns desses que vocês falaram, sendo que uns era pra combater os efietos colaterais dos outros. Quando ela tentou fazer uma redução progressiva com assistência médica (ir diminuindo as dosagens, que eram cavalares) foi difícil segurar a onda. Hoje ela tá um pouco melhor mas ainda toma alguma coisa.

enfim, acho muita irresponsabilidade dos médicos, vão entupindo as pessoas de remédios e estragam a vida delas, que ficam dependentes e precisam aumentar as doses pra que essas coisas façam efeitos.

Por isso escolhi o caminho da medicina natural.

Ota Brasil | Reply

22/8/2009 22:47:55 #

André Navarro

Bom, pessoal, é aqui que preciso abandonar esta discussão, porque pensar muito no passado não me faz bem e preciso me concentrar nos meus projetos. Mas foi uma ótima discussão. Obrigado por terem compartilhado tanto, e espero que todos vocês fiquem bem, seja lá qual for o método que escolherem para isso.

Abraços a todos!

André Navarro Brasil | Reply

22/8/2009 23:12:28 #

Guilherme Inojosa

Eu sou moralmente contra o suicídio também, considero que é o tipo de coisa que não leva a nada e é apenas uma tentativa de fuga da realidade. A vida, de fato, é dura, e nós como seres-humanos somos falíveis, entretanto não podemos ver nossos erros como problemas, por mais que seja difícil, e sim como capacidade para aprendermos com eles e amadurecermos para saber como lidar com situações futuras. Alguém aqui por um acaso trocaria a vida da forma como ela é, com possibilidade de falhar devido ao livre-arbítrio nosso e dos que estão ao nosso redor, para se tornar uma criatura sem nenhum problema  só que funcione na base do automatismo? Os problemas pessoais realmente são desagradáveis, mas esse desagrado deve sempre ser visto como uma forma de amadurecer para o futuro.

Eu respeito todos aqueles que por opção resolveram se suicidar, já que esse é um problema unicamente dele e eu como observador externo não posso dizer o que realmente era melhor para ele, mas é algo que eu jamais faria por acreditar que ao cometer suicídio- por considerar a paz da morte melhor do que o sofrimento da vida- estaria esquecendo de minha própria humanidade e, por conseguinte, da razão de minha existência. O único caso que eu poderia me suicidar é caso eu esteja vivendo em estado vegetativo ou próximo dele, pois assim eu não poderia mais exercer minhas características de ser-humano e, dessa forma, a própria vida não faria mais sentido se eu não poderia desfrutar dela em seu sentido real, e sim apenas sobrevivendo com alguns aparelhos em uma semi-vida em cima de uma maca.

Eu acho que me alonguei demais, só que essa é minha opinião sobre o assunto.

Abraços.



Guilherme Inojosa | Reply

22/8/2009 23:16:00 #

ze da silva

tl:dr

Mas quanto ao metodo de suicidio enfiar uma faca no peito não exige muita coisa, tem um metodo muito simples que é simplesmente segurar a faca no chao com a ponta pra cima e ai vc simplesmente "deita" em cima da faca e a gravidade faz o resto.

Quanto as supostas ultimas palavras no twitter... quem disse que foram suas ultimas palavras?

ze da silva Brasil | Reply

22/8/2009 23:32:08 #

Ota

Bom os ultimos 2 posts dela no twitter foram meio se despedindo. isso se nao me engano na noite de quinta. o corpo dela foi encontrado pela empregada na sexta de manha. algumas pessoas estranharam o sumico dela e nao associaram de imeditato à noticia da morte de uma publicitaria que estava saindo nos jornais online, depois sacaram que era ela mesma e estavam comentando em tudo que era lugar. o velorio foi na noite passada e o enterro foi hoje de tarde.

Ota Brasil | Reply

23/8/2009 0:08:39 #

Samantha

As poucas vezes que pensei sobre suicídio serviram para eu constatar que JAMAIS faria isso aos meus familiares e amigos. Tenho absoluta certeza de que meus pais ficariam transtornados o suficiente para cometer o mesmo ato, e tudo se transformaria em uma bola de neve desastrosa para dezenas de pessoas (sim, minha família é enorme e muito unida). Também nunca tive motivos para levar esses pensamentos a sério, até porque todos os aspectos da minha vida sempre foram muito estáveis.

Hoje, depois da doença que quase me matou (período durante o qual eu precisei ter um controle emocional enorme), acho que amadureci o bastante pra saber que nenhum problema é maior que o valor da minha existência. Digo "acho" porque ainda não fui testada, mas, diante do que passei, tenho razões muito fortes para acreditar nisso.

Samantha Brasil | Reply

23/8/2009 0:21:12 #

The Crow

Acredito que o argumento de que o suicídio não é "moralmente aceitável" não procede.
Nós somos os donos de nossas próprias vidas. Aliás, não é somente com suicídio que magoamos as pessoas que amamos: podemos fazer isso numa escolha profissional, amorosa, numa briga, num distanciamento afetivo, ou em qualquer outra cinscunstância natural da vida. O suicídio é apenas uma das maneiras que pode gerar mágoas ou tristezas permanentes em outras pessoas.

E, não considero os suicidas covardes. É preciso ter muita coragem para pôr fim à própria vida.
Da mesma forma, não acho que o ato de se matar constitua um simples processo de fuga da realidade: não fugimos da realidade quando dormimos, procrastinamos, assistimos um filme, viajamos, ou apenas ficamos batendo papo com amigos? Todos temos o direito - aliás, o dever também - de fugir da realidade. Aliás, que seria a "realidade"?

Mas, somente o fato de estarmos aqui, discutindo abertamente um assunto tão polêmico, já vale o bonde.

E que o tema prossiga...

The Crow Brasil | Reply

23/8/2009 1:09:26 #

Marcos

Nossa, post virou sessão de quase-suicidas...hehe...

Também tive depressão, como outros aqui, e cogitei seriamente o suicídio. Certa vez fiquei na janela do meu apartamento - eu morava sozinho, no sétimo andar - olhando para a rua, de madrugada, decidindo se ia pular ou não.

Acabei fazendo terapia, antidepressivos, essa coisa toda e melhorei. Hoje, quando lembro dessa parte da minha vida, questiono-me como deixei as coisas chegaram àquele ponto.

Difícil dizer que estou "curado" da depressão. Senão me engano, é a doença com o mais alto índice de reincidência. Mas considero-me muito bem.

Marcos Brasil | Reply

23/8/2009 2:12:27 #

Felipe

Será que eu sou o único não-depressivo que entra no blog do Pablo?
Aliás, tem uma banda (acho que é Xiu Xiu), e um dos integrantes disse um dia que eles vinham perdendo fãs, porque todos eles tinham tendências suicidas. O Pablo é tipo o Xiu Xiu.
De qualquer modo, a impressão que eu tenho (pra entrar nessa discussão ética do suicídio) é que a depressão é mais uma questão hormonal do que "factual". Deixando claro aqui que eu não tenho qualquer formação (ou informação) pra soltar esse tipo de tese (que pode muito bem ser uma atrocidade científica), eu convivo com um depressivo, e me parece que não são particularmente as dificuldades sofridas que levam alguém à depressão e ao suicídio, mas principalmente a combinação dessas dificuldades com alterações hormonais.
Tomando como base que a "culpa" é dos hormônios e que a depressão é uma doença, não vejo qualquer razão para considerar o suicídio estúpido e grosseiro. Acho até que não envolve tanto uma questão ética, já que você não pode realmente analisar moralmente algo que alguém fez desprovido de controle sobre esse ato. Talvez o suicídio assistido seja uma questão ética, e nesse ponto eu concordo com o Pablo (doença incurável e uma vida profundamente dolorosa). Mas o suicídio, como no caso dessa moça, não me parece muito passível de julgamento.

(Aliás, esquecendo um pouco a pseudociência dos hormônios: só o fato de a depressão ser doença e ter como consequência o suicídio, já tiraria o caráter estúpido e grosseiro do fato em si, não?)

Felipe Brasil | Reply

23/8/2009 3:23:00 #

Michael

Eu sou mais um dos leitores do Pablo com depressão clínica diagnosticada. Tive uma forte crise no ano passado/começo deste ano, pensei seriamente em suicídio, cheguei a buscar e avaliar os métodos mais eficientes e indolores. Felizmente, a própria apatia gerada pela doença impediu que eu fizesse essa besteira.

Depois de muitos meses minha família resolveu me confrontar e me levou a um psiquiatra. Após 2 meses de terapia e anti-depressivos estou bem, beeem melhor. Não vou dizer que estou 100% curado pq não é assim que funciona, essa doença é crônica e pode voltar a se manifestar. Mas recomendo a todos que sofrem com esse mal que PROCUREM UM MÉDICO.

Não tentem se "curar sozinhos", muito menos achem que não há mais esperança. Vc tentaria curar uma pneumonia sozinho? Não, vc procuraria um hospital. Com a depressão é a mesma coisa, é uma doença como qualquer outra. Vc não é louco, não tem nenhum motivo pra sentir vergonha. Como pode perceber pelos comentários nesse post, essa é uma doença bem mais comum do que se pensa.

Michael Brasil | Reply

23/8/2009 10:09:13 #

Guilherme Inojosa

Felipe, eu também não sou depressivo.

Então, suicídio causado por depressão pode até ser uma consequência de uma doença e, dessa forma, eu não culparia o suicídio, mas nem todos os suicidas são pessoas depressivas e é geralmente a esses que eu me refiro quando falo sobre não ser a favor de quem pratica o suicídio. Digamos que eu reconheço o direito deles de usarem seu corpo da maneira que quiserem, e isso inclui usá-lo para tirar a própria vida, só não é algo que eu concorde e caso pudesse tentaria ao máximo impedir pessoas próximas a mim de fazerem.

Guilherme Inojosa | Reply

23/8/2009 10:23:11 #

Fabiana

Depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, todas essas doenças psiquiátricas são causadas por problemas nos neurotransmissores. É de uma ignorância absurda continuar a atribuir isso à fraqueza de caráter ou a problemas morais. QUALQUER um é suscetível de ser acometido por uma dessas doenças e o componente genético é significativo em várias, o que significa que eventualmente o cara tá lá, vivendo a vida mais tranquila do mundo, quando alguma coisa desencadeia a predisposição que ele sempre teve e, tcharã, bem-vindo ao inferno.

É por isso que me enche de preguiça esse moralismo irritante que considera covardia "apelar" pro suicídio. Quando o doente perde o controle e é efetivamente tomado pela loucura, é absolutamente ridículo exigir que ele seja forte e pense no que irá causar aos outros. Inclusive porque não há amor no mundo que substitua os medicamentos.

Fabiana Brasil | Reply

23/8/2009 12:57:59 #

Pedro S. E.

Sua visão sobre as pessoas que cometem suicídio, prós e contras, é muito parecida com a minha. Sinto que só estarei repetindo tudo se começar a dar o meu ponto.
Ah, mas eu sou a favor da eutanásia, sim.

Pedro S. E. Brasil | Reply

23/8/2009 13:57:59 #

Fábio Henrique Carmo

Concordo com você, Pablo.

Muitas vezes imaginamos como seria o mundo sem nós, mas eu jamais cometeria suicídio. Realmente, é uma atitude de um tremendo egoísmo. Já tive vários momentos ruins, tenho inclusive passado por momentos bastante difíceis ultimamente. Mas acredito que minha família não suportaria minha perda. É por isso que sempre desejo morrer depois de meus pais e minha irmã: eu sei que sou forte para aguentar o tranco da perda deles. E eu prefiro sofrer a aceitar a ideia de que eles sofram. Assim é melhor ir sempre aguentando os trancos.

Não sei qual é a sua crença (sei apenas que não vc não tem muita simpatia por religiões), mas acredito que uma pessoa que chega a cometer suicídio, como no caso dessa moça, está precisando de uma maior presença de Deus em sua vida. E não estou falando isso por pieguice religiosa. Sou cristão, mas não me considero católico ou evangélico. Tenho um pensamento livre dentro das várias correntes do Cristianismo. Mas confesso que, nestes últimos tempos, é a fé que vem me mantendo de cabeça levantada, por mais difíceis que esses momentos se mostrem. Como diz uma certa canção de um padre que anda fazendo muito sucesso: "Deus é capaz de transformar sua vida...", ou ainda:"Posso, tudo posso, Naquele que me fortalece(...)".

Fazia tempo que eu não aparecia aqui, prometo voltar com mais frequencia. Um abraço!

Fábio Henrique Carmo Brasil | Reply

23/8/2009 15:48:49 #

Fábio Henrique Carmo

Ah, uma coisa. Durante o tempo da faculdade, o professor de Medicina Legal falou que é comum mulheres se suicidarem de formas extremamente sofridas. O mais comum, inclusive, é atearem fogo ao próprio corpo...

No fim das contas, todo esse debate que aqui está sendo realizado termina na velha frase Hamlet: "Ser ou não ser, eis a questão!". O velho Shakespeare é e sempre será eternamente atual.

Fábio Henrique Carmo Brasil | Reply

23/8/2009 17:25:50 #

Vinicius Colares

e o oscar de post mais deprê vai para...

Vinicius Colares Brasil | Reply

23/8/2009 20:24:38 #

Carolina Gigliotti

Penso sempre no sofrimento imensurável dos suicidas. É uma dor tão grande, imagino eu, tão insuportável, que só no suicídio encontra a forma de livrar-se dela.

Carolina Gigliotti Brasil | Reply

23/8/2009 22:39:15 #

Maíra

Pablo, embora concorde que o suicídio seja uma fuga e um ato (possivelmente) egoísta, não acho que seja covardia. O suicida está desfiando um dos instintos mais básicos do ser humano, isso para mim não é covardia. É um ato de desespero, não se pode ficar apontando dedos e chamando as pessoas disso ou daquilo. Não se sabe a vida delas, o que elas passaram o que a levaram a tomar tal atitude. Acho que o familiar de um suicida não vai gostar de ler que o seu ente querido é um covarde e egoísta.

Maíra Brasil | Reply

23/8/2009 22:48:40 #

Priscila

Bom, darei voz à experiência:

Giletes machucam
Rios são úmidos
Ácidos mancham
E drogas dão cãimbras.
Armas são ilegais
Nós escorregam
Gás tem mau cheiro
É melhor viver.


(Dorothy Parker)

Priscila Brasil | Reply

24/8/2009 0:09:00 #

Felipe

Gostei bastante do comentário da Fabiana.
Guilherme, eu acho que aí você reduz bastante o argumento moral pra um número pequeno de indivíduos. Tirando os depressivos e aqueles dispostos a morrer por uma causa (homens-bomba, heróis de guerra etc), existem poucos exemplos de suicidas.
Para colorir a ligação entre depressão e suicídio, fui buscar na wikipedia algum dado relevante: "Studies show a high incidence of mental disorders in suicide victims at the time of their death with the total figure ranging from 98%[22] to 87.3%". Então eu acho que, de certo modo, uma crítica moral ao suicídio é uma crítica moral a essas pessoas doentes que terminam por dar cabo da própria vida.

Felipe Brasil | Reply

24/8/2009 6:54:28 #

pingback

Pingback from topsy.com

Twitter Trackbacks for
        
        Diário de Bordo - Suicídio
        [cinemaemcena.com.br]
        on Topsy.com

topsy.com | Reply

24/8/2009 8:41:04 #

Vinícius

Tá aí um assunto que deve ser discutido sempre, e não apenas omitido...
As palavras do Pablo encantam pela obviedade do egoísmo por parte do suicida, enquanto a do André assusta pela clara percepção do indivíduo.

Ninguém vai nunca saber o que passou pela cabeça do suicida, mas uma coisa é certa: ele achou que era o melhor pra ele! - às vezes isso é o suficiente.

Obs.: Meu pai cometeu suicídio. Nunca vou julgá-lo!

Vinícius Brasil | Reply

24/8/2009 9:05:32 #

Ramsés

Sobre suicídio recomendo a leitura do livro MEMÓRIAS DE UM SUICÍDA, pscicografia de Yvone P. Amaral, pelo espírito Camilo Castelo Branco, Editora FEB.

Ramsés Brasil | Reply

24/8/2009 11:06:09 #

Felipe.b

(sou o mesmo "Felipe". Vou começar a usar o "b", pra me diferenciar de outros Felipes)

Sobre suicídio recomendo a leitura de "Uma longa queda", do Nick Hornby. Provavelmente não vai iluminar questões mais profundas (e eu tenho quase certeza que Hornby não possui tendências suicidas), mas o livro em si é divertidíssimo.

Vinícius, acho que a questão colocada aqui é exatamente essa. Parece que a maioria concordaria com você: não se deve julgar as razões de um suicida, mas encará-lo como vítima de uma doença.

Felipe.b Brasil | Reply

24/8/2009 17:48:40 #

Yves

Tenho curiosidade de saber exatamente qual o efeito de um remédio antidepressivo. Toma-se o comprimido e suas angústias sobre a vida desaparecem?

Yves | Reply

24/8/2009 18:02:25 #

Michael

Não, nem de longe. Varia de pessoa pra pessoa e a maioria dos medicamentos demora semanas pra dar resultado (enquanto os efeitos colaterais começam imediatamente). Não é heroína.

Michael Brasil | Reply

24/8/2009 18:15:02 #

Beatriz Cristina

Acho um tanto indevido falar de coragem ou covardia quando se relaciona com o suicídio. É geralmente interligada a depressão, que é uma patologia variável, e que no seu auge de crise, faz com que o ser humano perca o instinto de sobrevivência, ou seja, não dão mais importancia pra dor e para o seu bem-estar. No entanto, esse estado só passará a se concretizar dependendo do grau de racionalidade que a pessoa ainda possui no momento. É um ato não-natural, que para acontecer, deve ser guiado por uma forte emoção, seja de dor, de tristeza ou/e de desespero.

Todo mundo na vida já passou por uma vontade louca de morrer, de deixar de existir, para nao passar por situações desagradáveis. Fiz tratamento psicológico, e melhorei. Eu deveria ter uns 11 anos de idade.

Desde os 8 anos, quando meus pais se separaram, e minha irmã veio a falecer, e eu fui morar com minha tia e minha vó, minha vida foi e tem sido um inferno. Eu sofri muito terror psicológico, que nem entrarei em delalhes senão vira um livro. Enfim, nao morri por causa disso, mas to com labirintite, gastrite nervosa, anemia crônica...acabou com minha saúde.

MAS! Eu sou uma pessoa extroverdita por natureza, que vê graça e otimismo em tudo, e minha esperança de uma vida melhor só cresce a cada dia. Sou católica e muito fervorosa ao meu Deus, sabendo que ele nao gostaria disso, eu continuo firme e forte!

Outra coisa, uma dica muito importante: quando se tem chance (as vezes nao dá), EVITEM ao máximo pessoas, situações ou atos que possam te deixar triste, vcs que tem uma tendencia suicida. Mas EXCLUAM mesmo! É virar as costas pra nunca mais. Isso me ajudou muito, eu me adaptei. Sou boa em recomeçar e adoro desafios! Encare assim, sua própria vida: UM GRANDE DESAFIO!


Beijos a todos...! ^^'

Beatriz Cristina Brasil | Reply

24/8/2009 18:44:54 #

raphael.braga

@Fabiana
Harry Potter's fan detected :o)
Taí uma coisa bacana para fazer enquanto passa um pedaço dessa nossa vida.. Atualmente estou lendo Simallirion do Tolkien (Senhor dos Anéis). Se não leste, deveria.

raphael.braga Brasil | Reply

24/8/2009 18:53:48 #

Fabiana

Yves, é exatamente isso que o Michael falou: o efeito desejado leva bastante tempo pra aparecer -- semanas durante as quais é preciso conviver com os efeitos colaterais, que começam imediatamente.

O propósito do antidepressivo não é dopar o doente. Não se começa a ver a vida como se não houvesse neonazismo ou bolsões de fome no mundo. O que o medicamento faz é permitir ao deprimido, que frequentemente avacalhou vários setores da sua vida por causa da doença, levantar da cama e levar uma vida minimamente funcional. Por certo que o ideal é não apenas tomar a medicação, mas também fazer terapia. Mas muitas vezes a pessoa tá tããão mal, que sem o remédio ela não consegue nem mesmo dar a respirada necessária pra iniciar o processo. Os pensamentos dela ficam tão desordenados, que sem o antidepressivo ela nem poderia começar a colocar a vida dela no lugar.

Fabiana Brasil | Reply

24/8/2009 18:58:04 #

Fabiana

hahahahaha Raphael, quando eu li a descrição do beijo do dementador no livro, nem fiz a associação. Mas na última crise de depressão, sim.

Minha concentração tá ruiiim que só ela, então tenho lido apenas coisas levinhas. Ainda preciso melhorar muito pra ler Tolkien. : )

Fabiana Brasil | Reply

25/8/2009 19:50:24 #

Chemis


Não acho que o Pablo devia abandonar a medicação. Às vezes, a medicação justamente por fazer o efeito desejado (nos deixar bem) é abandonada e os efeitos disso podem vir em seguida.
Realmente esse método não é muito comum, mas nem por isso quer dizer que não foi suicídio. Um amigo do meu noivo cometeu suicídio dessa forma. Imagino que até seja de propósito a escolha de uma forma tão dolorosa de se matar. Afinal, outras formas mais rápidas são muito mais conhecidas.
Acho que é positivo debater esse tema, falar sobre depressão, compartilhar experiências, e ajudar as pessoas que têm pensamentos suicidas. Suicídio é algo muito sério e muitas vezes a simples disponibilidade de alguém para ouvir um desabafo pode ajudar. Por isso acho que sempre que percebermos que alguém próximo está deprimido, se isolando ou com atitudes preocupantes não nos custa oferecer um ombro.
Não é a garantia de que nada irá acontecer, mas é uma forma de mostrar que nos importamos e isso às vezes é tudo. Nesse mundo de correria podemos nós ser a mudança que queremos ver no mundo.

Chemis Brasil | Reply

5/9/2009 9:57:22 #

pris

The crow adorei seu depoimento fala mais

pris Brasil | Reply

28/10/2009 10:30:49 #

jessica da silva rodrigues

CONHECI ALGUEM QUE TENTOU SUICIDIO,ESSA PESSOA ME FALOU ALGO SOBRE NAUM SENTIR DOR
NA HORA DO ATO,EM MOMENTOS DE DESESPERO TAMBEM TENTEI E ADOR ERA ATE PRASEROSA.
SERA QUE SOU UMA MANICA QUE GOSTA DE SENTIR DOR?  

jessica da silva rodrigues Brasil | Reply

28/10/2009 21:06:49 #

anonimus

nossa, todo dia eu penso em me mata, mas eu sempre sou covarde e n consigo
minha vida eh um lixo, eu sou feio, timido. posso ate ser rico, mas todo mundo sabe q isso n serve de nada qdu se esta so.
n me julguem, so tinha q falar algo nen q fosse pra desconhecidos.
tchau

anonimus Brasil | Reply

14/11/2009 23:56:45 #

K*

É estranho mesmo, mas é exatamente como a Jéssica descreveu a dor chega a ser prazerosa. Não que eu tenha tentado o suicidio em si, mas eu gostava/gosto de me cortar as vezes pra sentir dor... de uma maneira ou de outra me deixa melhor.
Acho que preciso de um tratamento, e rápido.  rs
É muito difícil encarar isso como doença, e ainda mais difícil fazer algo a respeito. =/
Uma série de fatores me deixaram assim. E pensar que antes eu levava uma vida "normal"... hoje mal consigo sair na rua direito.
Estrutura familiar é tudo, talvez se eu tivesse tido um pouco disso não estaria assim hoje. Me sinto um lixo, totalmente incapaz. E ninguém ao meu redor consegue perceber isso.
Tá difícil continuar assim...

K* Brasil | Reply

8/12/2009 14:15:32 #

Leandro Moraes

Lembro de quando eu, com uns 13 anos, fiquei apaixonado pela Leila Lopes e naquela época escrevia historias tendo ela como protagonista. Hoje desenvolvi meu lado "roteirista" e escrevi três roteiros, comecei a procurar pessoas e as coisas caminham. Pra encurtar: Eu queria ter Leila Lopes em um personagem, escrevi pensando nela e agora minha personagem está morta. Escapou da minha mão. A princípio fique com raiva por ninguém ter feito algo, já que alguém só faz (grandes escritores só correm atrás das estrelas do momento, e lavam as mãos dizendo que nada podiam fazer, ora, isso é um pensamento tão passivo que dá pena) algo por alguém conhecido. Que pena é ouvir hoje as pessoas dizendo que confiar, só em alguém da família, depois vai ser: confiar, só em mim mesmo. Que mundo individualista. Uma pena que não cresci a tal ponto de mudar um dia, que antes era futuro e agora é passado. Tem tanta gente que podia mudar esse dia 3 de dezembro e  não fez nada.

Ao menos, após ouvir a carta de suicídio da Leila Lopes lida pelo Eli Côrrea eu já fiquei mais calmo. E é uma carta tão boa e sincera que me fez pensar se um suicida NÃO deve "se foder" como disse o cara do CQC. Até porque após ouvir esta carta, esta conversa de suicida ser ruim ou não é totalmente colocada de lado, pois você percebe a vida que a pessoa teve (não de coisas ruins e se isso merece um suicídio ou não), mas que a pessoa não é apenas O suicídio, não merece ser lembrada somente por este ato. É como uma viagem, não é normal, (se é certo, ninguém aqui pode julgar) mas é uma viagem.

Leandro Moraes | Reply

21/8/2010 22:58:34 #

Danny

È muito difícil julgar a atitude das pessoas,mas complicado ainda é lidar com a perda de alguém que amamos através do suicídio.
Faz um mês que luto com essa dor,alguém que amei muito, ou amo sei lá  é tão complicado para mim conjugar o verbo no passado,sei que ele se enforcou pondo fim na própria vida.talvez ele quis fugir dos problemas pensou ser solução para ele,mas é com lagrimas que eu digo a maior dor é a de quem fica,vocês não podem imaginar a dor que eu sinto e a cada dia vai aumentando o sentimento de culpa a sensação de impotência.
A maior parte do meu tempo é buscando respostas procurando motivos que o levaram a agir assim, me culpo por não ter notado talvez por ter desconsiderado os fatos não ter dado importância.
Toda a família esta em profunda tristeza,eu me sinto um nada e sinto que estou perdendo também a vontade de continuar e o que me dá forças é pensar que desistir de viver vai trazer a mesma angustia e dor a todos que me ama e que eu amo em especial minha mãe que já esta bem abalada com tudo.
Não desejo a ninguém,de coração não desejo que ninguém sinta a dor que estou sentindo.  

Danny Brasil | Reply

Comentar


(Vai mostrar seu Gravatar)

  Country flag

biuquote
  • Comentário
  • Pré-visualização
Loading



Posts recentes

Comentários recentes

Comment RSS

Calendar

<<  setembro 2010  >>
seteququsedo
303112345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930123
45678910

View posts in large calendar