A depressão como mecanismo evolutivo?

by Pablo 28. agosto 2009 02:36

Eu ia jogar esse link no Twitter, mas considerando a longa e interessante (e franca) discussão relativa à depressão que tomou conta desse blog há alguns dias, achei que valeria a pena postá-lo aqui para que possam debatê-lo.

Em resumo: dois cientistas estão defendendo, através de argumentos lógicos (com ou sem aspas, como preferirem) e de avaliações relativas a neurotransmissores e funções neurológicas, que a depressão é um mecanismo evolutivo moderno ao permitir que as pessoas se concentrem na resolução de problemas em vez de se distraírem com o convívio social, com o sexo e até mesmo com a alimentação.

É claro que, no processo, os dois estão desconsiderando um obstáculo óbvio ao seu raciocínio: a idéia de evolução gira em torno da capacidade que os indivíduos mais "adaptados" teriam de sobreviver e reproduzir - dois verbos que normalmente não relacionamos às vítimas da depressão crônica.

Ainda assim, vale a leitura deste artigo.

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mundo

Comentários

28/8/2009 9:56:08

Guilherme Inojosa

Eu discordo do ponto de vista do artigo. Os depressivos de fato pensam bastante nos seus problemas, só que muitos deles, especialmente os que não tomam a medicação adequada, passam mais tempo pensando nos problemas do que efetivamente tentando resolvê-los. Os com uma depressão mais leve e que consigam contorná-la com medicações podem ate se focar nisso, mas alguém com depressão crônica, e que não se cuide, dificilmente o faria.

Somando isso com o comentário que você já teceu sobre evolução estar correlacionada com capacidade de se reproduzir ou sobreviver, creio que já seja o suficiente para invalidar o argumento.

Apesar de tudo, o artigo é realmente interessante e vale a pena sim dar uma lida.

Guilherme Inojosa

28/8/2009 10:24:45

Francisco

nada a ver guilherme

Francisco br

28/8/2009 10:33:27

Felipe Dias

Bem, infelizmente não participei da discussão sobre depressão que ocorreu aqui. Confesso que pouco sei sobre o assunto e que tenho extrema dificuldade de lidar com amigos que tenham problemas depressivos (não é o meu caso, não sou depressivo), porque fico o tempo todo com vontade de colocá-los "para cima", só para ver depois que meus esforços foram frustrados pela doença.

Minha dificuldade com a depressão está ligada à minha própria ideologia liberal. É fácil reconhecer um caso de doença no coração, ou pulmão ou qualquer outra parte do corpo e aceitar que ela precisa de tratamento. É fácil enxergar o corpo apenas como uma "ferramenta" para o ser intelectual de cada um se manifestar no mundo físico e, assim, quando a ferramenta está com alguma avaria, é necessário um concerto. Bem simples.

Felipe Dias br

28/8/2009 10:33:28

Francisco

A depressão e nada mais que um desarranjo quimico do cerebro. Todo cerebro funciona com um único proposito, que é o de sobreviver. Mesmo com o cerebro alterado ele vai sempre funcionar com o mesmo proposito de sobrevivencia. O que provoca a alteração quimica leva o individuo a achar que a melhor solução para sua sobrevivencia é o suicidio.

Francisco br

28/8/2009 10:33:39

Felipe Dias

Agora a coisa toda se complica terrivelmente quando o caso passa a ser doenças neurológicas. Quando o próprio cérebro passa a ter essas "avarias", a doença passa a influenciar diretamente no comportamento do tal ser intelectual. Assim se torna impossível separar o "corpo" do "ser". Como defender a liberdade individual de um doente psiquiátrico? Como saber se as atitudes de um indivíduo assim se dão devido à sua livre escolha ou à doença? Como é possível distinguir, saber a hora em que se deve respeitar a "vontade" do doente ou a hora onde deve-se desconsiderar suas atitudes por conta da doença? Confesso sinceramente que não sei, e quanto mais eu reflito sobre o assunto, mais nebuloso ele fica pra mim.

Quanto à essa idéia de que a depressão seria um mecanismo de evolução, eu também discordo. Como o Pablo mesmo apontou, a evolução diz respeito à capacidade do ser de se adaptar ao ambiente e reproduzir, duas coisas que o depressivo não tem, já que ele tende à autodestruição.

Felipe Dias br

28/8/2009 11:28:42

Thiago Barrionuevo

Interessante, porém sem sentido. Concordo com o Guilherme... e com você Pablo. Depressão nunca vai ser uma forma de evoluir...

Thiago Barrionuevo br

28/8/2009 13:25:19

Glaucio Z.

Eu apenas li o post sobre depressão ontem, então, não deu para participar da discussão. Eu ia fazer uma distinção entre tristeza e depressão (ossos do ofício), mas não sei se cabe aqui.

Quanto ao estudo, eu achei interessante, mas é bom ter cautela porque a tendência (e tentação) é reduzir todas as manifestações a uma ordem evolutiva. Acredito, e a experiência pode confirmar isso, que a depressão seja mais fruto do meio em que a pessoa viveu (e vive) do que fruto apenas da evolução. A explicação estritamente evolutiva parece-me que tira do meio em que o sujeito viveu, e retira também a história do sujeito de cena, e passa apenas a levar em consideração os aspectos cerebrais desse indivíduo, como se ele tivesse um mecanismo adaptativo que o levasse a desencadear a depressão. Esse aspecto gera aquilo que conhecemos hoje como a excessiva onda de medicalização que existe.

Sobre outro ponto que o estudo trata, como os ganhos que a depressão acarreta, é bastante evidente no exercício clínico e também nos estudos sobre doenças psíquicas que toda afecção tem - além de seu grande malefício, também traz ganhos. Parece estranho aos olhos de quem não está acostumado, mas toda essa manifestação traz um ganho àquele que sofre da doença, não um ganho no sentido de que o depressivo ganha mais atenção das pessoas em volta (o que pode muitas vezes acontecer), mas ganho no sentido de que o aparecimento da doença e dos seus sintomas foram as melhores maneiras que o indivíduo encontrou para lidar com determina situação ou com outras questões referentes. Por mais que ela seja horrível, seria muito pior se ela não tivesse aparecido. Seria pior ao indivíduo lidar com o mundo sem o aparecimento daquilo. Isso Freud já evidenciou quando, ao tratar dos pacientes, parecia que a doença e seus sintomas se sobressaiam ao indivíduo e havia uma resistência por parte dele em sair daquela condição. Por mais que se tentasse fazer algo, parecia que quem ganhava a disputa era a doença e não o indivíduo. E isso pode ser vivenciado na clínica. E vocês podem se perguntar: e o sujeito quer que a doença ganhe? Claro que não. Mas essa é a única defesa que o organismo encontrou contra aquilo que lhe é mais doloroso ainda.

Não sei se me fiz claro, porque o assunto é muito mais complexo que um comentário pode trazer.

Glaucio Z. br

28/8/2009 15:36:41

Magna

Olá Pessoal,

Li o post e tive um entendimento sobre o que os pesquisadores dizem. Evolução no sentido de quadro clínico, nem sempre significa transformação positiva, quer dizer de forma direta como o quadro se desenvolveu e em que pé está. Me lembro de que quando comecei a trabalhar em hospital, estranhava quando ouvia que o quadro do paciente X tinha "evoluído para óbito".

Entendi que talvez a idéia de evolução, no artigo citado, tenha mais relação com o conceito de desenvolvimento (que não é sinônimo de bem estar) coletivo, de status atual da comunidade global, uma exacerbação do consumo (superficialismo), um auto-centramento como resposta a crises mundiais em sequencia (fatos históricos mesmo), uma sensação de urgência que promove uma relação comprometida com o mundo externo. Da mesma forma que hoje conhecemos pessoas mais ansiosas (urgentes em tudo) onde a ação é voltada pra fora (me faz lembrar o coelho de Alice), conhecemos também mais deprimidos (uma certa implosão de forças, sob a pele).

Mesmo correndo o risco de ser simplista, quis registrar o que entedi sobre a discussão que está rolando por aqui. É Isso então.

Abraço a tod@s!

Magna br

28/8/2009 20:05:45

Daniel Grandinetti

Eu sou psicólogo, e tenho uma opinião não-convencional sobre 'depressão'. Para mim, depressão não é doença. Patologizar a depressão é uma forma, às vezes sutil, às vezes descarada, de torná-la impessoal, ou de retirar do sujeito a responsabilidade pelo seu sofrimento.

Além disso, apesar de, em alguns casos, o tratamento medicamentoso ser indicado, ele deveria ser apenas um coadjuvante transitório. Não concordo com pessoas que, muitas vezes, transformam a medicação em tratamento único, e que passam, às vezes, décadas se medicando.

A razão é muito simples: Não existe medicação para a depressão. A depressão consiste numa dificuldade extenuante em encontrar, no presente, perspectivas positivas para o futuro, ou na dificuldade de encontrar esperança. Sim, pois nós vivemos de esperança. A noiva que está se casando, com brilho nos olhos, não retira seu êxtase da situação presente; se ela acreditasse que morreria logo após a cerimônia, sua felicidade seria provavelmente bem menor, ou poderia mesmo se converter em desespero. O brilho de seus olhos decorre de toda a expectativa futura que ela crê está implícita naquele momento presente: Ela crê que naquele momento está plantada a semente de muitos outros momentos futuros felizes e maravilhosos, sendo esta esperança que faz com que seu casamento seja um SONHO.

Mesmo que estejamos passando por maus bocados, se temos esperança de que as coisas vão melhorar num futuro próximo, não ficamos deprimidos. O depressivo é justamente aquele que não consegue extrair do presente esta esperança. Ele não vê possibilidade de melhora, e crê que seu sofrimento se perpetuará indefinidamente.

E qual a causa desta des-esperança, ou deste desespero? Se não conseguimos nem ver no mundo possibilidades positivas, e nem em nós mesmos a capacidade de tornar as coisas melhores, a causa é o conceito que fazemos tanto de nós quanto do mundo. Na verdade, se temos um conceito do mundo positivo o bastante para ver nele boas possibilidades, temos um conceito positivo de nós mesmos suficiente para acreditar na nossa capacidade de fazer as coisas boas acontecerem, e vice-versa. A "cura" da depressão, então, depende de uma reformulação destes conceitos, ou, sinteticamente, de uma reformulação da auto-imagem do paciente, o que parece simples posto desta forma, mas que, muitas vezes, é um processo complexo.

Em suma, a "cura" da depressão ocorre através de um processo de APRENDIZAGEM. Por essa razão, não existem remédios para a depressão. Não existem pílulas que promovam qualquer tipo de aprendizagem. No dia em que inventarem algo do tipo, teremos que fazer exames antidoping antes do vestibular, pois todo mundo vai ser capaz de se tornar um gênio da Física, por exemplo, só tomando umas pilulazinhas. Anti-depressivos são ENTORPECENTES. Eles não promovem o processo de autoconhecimento necessário para a cura da depressão; apenas induzem no paciente uma sensação exagerada e artificial de bem estar que ENTORPEÇE os afetos e pensamentos depressivos dos quais ele não consegue se livrar através do APRENDIZADO de uma auto-imagem mais consistente e realista.

Ninguém precisa se submeter a qualquer espécie de tratamento para passar por processo de aprendizagem semelhante. Entretanto, se houver a necessidade de se escolher algum, este deve ser a psicoterapia; único tratamento que pode levar o paciente ao aprendizado necessário. A medicação deve ser um coadjuvante em certos casos mais graves, nada mais que isso.

Daniel Grandinetti br

28/8/2009 21:38:11

Glaucio Z.

Concordo com a sua posição, Daniel Grandinetti. Também sou psicólogo, e acho que a medicação deva ser apenas um coadjuvante dentro de um tratamento que envolva psicoterapia. Para mim, o remédio, faz muito as vezes de um anestésico, em que você consegue inibir que impulso causador da dor de um ferimento aberto, por exemplo, não chegue ao cérebro, dando a sensação de que não existe esse estado de dor. Mas na verdade, por estar aberto o peito, por exemplo, é óbvio que o estado de dor existe, mas foi inibido. Acredito que o remédio apenas diminui o aparecimento dos sintomas, mas não faz nada mais que isso. O trabalho melhor, e acho que ainda não encontraram outro mais indicado, é resignificar as experiências que causaram a depressão no sujeito, e até mesmo, aquelas que mantém o sujeito nesse estado. O remédio dopa, entorpece, elimina sintomas e traz um lampejo de felicidade por um determinado momento, e isso também pode ser experienciado com outros tipos de drogas. São entorpecentes, como você mesmo disse. Traz um furor momentaneo, e depois quando passa o efeito (e é hora de uma nova dose), está novamente o sujeito no mesmo estado.

O problema maior é quando esses sujeitos não conseguem levar adiante uma terapia e ficam apenas na medicalização, o que é uma pena.

E essa reformulação do conceito que a terapia pode trazer entra em desacordo com uma nova pesquisa neurológica. Alguns cientistas estavam entusiasmados por terem descoberto, em ratos, como localizar a memória e como eliminar essas memórias. Imagine o que isso pode acarretar. Caso exista uma memória indesejada, que tal eliminá-la logo? Pode-se dizer que muitas pessoas ficaram entusiasmadas com a questão, e até acredito que a indústria farmacêutica esteja injetando bastantes subsídios para que a pesquisa avance e ela possa criar alguma pilúla do esquecimento.

Algumas psicoterapias fazem totalmente o caminho oposto a esse. Não é necessário eliminar memória alguma, apenas resignificar essas memórias dentro do trabalho terapêutico. Como o Daniel mesmo disse, 'depende de uma reformulação destes conceitos'. E essa reformulação dependerá, é claro, daquilo que o sujeito experienciou e experiencia na atualidade. Não é simplesmente eliminando que se conseguirá abrandar o seu sofrimento. É trabalhando para que aquilo que era demasiado penoso ganhe novos significados.

E Daniel, não sei se você viu, mas a versão atual do DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais) trará aquilo que conhecemos como sintomas de algo maior como doença psíquica. É uma pena que tenha virado briga política.

Glaucio Z. br

29/8/2009 9:05:42

Caíssa

Interessante notar que o post anterior sobre o suicídio, foi comentado especialmente por pacientes, e esse pelos psicólogos. Pra mim, que não sou uma nem outra coisa, acho muito interessante a discussão. Como o Guilherme disse acima, é difícil para alguém que não passa pelo problema da depressão saber como lidar com ela em parentes e amigos. Por isso eu nem me surpreendo ao ver notícias de suicídio entre pessoas socialmente "alegres", já que é uma questão de esperteza ter esse comportamento que todos esperam de você e não ser importunado.

Do meu ponto de vista leigo, também olho com muita desconfiança para os remédios. Válido em casos extremos, creio que pode tornar dependente alguém que poderia ter muito mais melhora, a longo prazo, com a psicoterapia.

Caíssa br

29/8/2009 12:32:30

Jéssica Santos de Souza

Convivo com depressivos, já me tratei com remédios e hoje faço análise. Sabe qual o principal problema da teoria? O depressivo muitas vezes não pensa em problemas reais, ou pega coisas comuns da vida e tranforma em problemas enormes. Realmente só pensamos em problemas poruq tudo na vida vira um problema, pelo menos comigo eu via o mundo cinza, tudo daria errado. Olha concordo que tratamento somente com remédios não resolvem, mas na maioria das vezes eles precisam ser usados. O meio prejudica muito o depressivo principalmente se conviver no meio de outros igualmente doentes. O mais errado é tentar rotular as doenças e os tratamentos, cada um é cada um ...

Jéssica Santos de Souza br

29/8/2009 17:23:13

pietro

eu acho que a depressão pode sim ser considerada um mecanismo de evolução, não os depressivos ...ja que ela é uma barreira biológica (se vc considera-la como uma doença) para a seleção dos individuos mais aptos que seriam aqueles que "sobrevivem". Essas pessoas de certa forma aprendem a lidar com suas proprias dificuldades enquanto os depressivos e os que voltam a desenvolver os sintomas de depressão podem podem ser considerados aqueles que não estão aptos a perpetuar sua existencia e consequentemente passar os genes para a frente ... é claro q é uma analise simplista pois hoje em dia existem os remédios e outras variaveis que podem dificultar essa barreira seletiva que é a doença em si.

pietro br

29/8/2009 18:16:15

Fabiana

Não saberia me pronunciar sobre a possibilidade de a depressão ser um mecanismo evolutivo, mas mantenho minha preguiça diante da demonização dos medicamentos. Aparentemente esses servem para escravizar o doente, e não para regular neurotransmissores que não funcionam razoavelmente sozinhos.

Sendo assim, cito Kay Redfield Jamison, psiquiatra norte-americana e portadora de transtorno bipolar, que escreveu em seu livro, "Uma mente inquieta":

"[...] eu não tinha, e continuo não tendo, nenhuma tolerância para com aqueles indivíduos -- especialmente psiquiatras e psicólogos -- que se opõem ao uso de medicamentos para doenças psiquiátricas; aqueles médicos que de algum modo fazem uma distinção entre o sofrimento e a possibilidade de tratamento de "doenças médicas", como a doença de Hodgkin ou o câncer de mama, e "doenças psiquiátricas", como a depressão, a depressão maníaca ou a esquizofrenia. Acredito, sem a menor dúvida, que a doença maníaco-depressiva é uma doença médica. Também acredito que, com raras exceções, é negligência tratar essa enfermidade sem uso de medicação."

Fabiana br

29/8/2009 23:39:07

Daniel Grandinetti

Alguns comentários adicionais:

a) Eu sou psicólogo, mas não conheço a depressão apenas em teoria. Fui um adolescente deprimido, e minha depressão se estendeu por mais de 10 anos, indo até os 26 anos de idade, mais ou menos. Nunca tomei remédio, comecei a fazer terapia com 16 anos, e acabei me tornando psicólogo por causa disso. Sem entrar em muitos detalhes, consegui me “curar” da depressão através de um longo e esforçado trabalho de aprendizado, no qual modifiquei minha postura em relação a mim e ao mundo, por mais que isso pareça um clichê. Hoje, as MESMAS razões que antes me faziam ficar deprimido ainda fazem parte da minha vida, e são maiores ainda, visto o tempo as ter potencializado, mas sou uma pessoa feliz, que tem leves momentos de tristeza, e nada mais.

b) Gláucio, a maior dificuldade em se fazer ciência, é conseguir levantar as questões certas antes de se iniciar a pesquisa. Neurocientistas ainda não sabem o que é a mente, e essa é a razão de terem fracassado tanto as tentativas de sua manipulação biológica quanto as tentativas de se criar uma inteligência artificial. Como eles podem procurar algo que ainda não conhecem? Eu CREIO que toda abordagem que conceba a mente dividida em partes, tipo, em memória, percepção, inteligência, etc., está fadada ao fracasso. Não é possível intervir no “lócus” da memória no cérebro sem intervir simultaneamente na cognição, na afetividade, na inteligência, na sociabilidade... (“Brilho eterno de uma mente sem lembranças” é apenas ficção mesmo) O homem é uma unidade, e se você elimina uma parte dele, o TODO se torna mutilado. A parte já contém o todo. Por isso, não acredito nessas pesquisas que prometem, por exemplo, “eliminar o gene da agressividade” e noutras balelas do tipo.

c) TUDO possui um significado evolutivo, isso é ÓBVIO! Explicar a depressão apelando para um significado evolutivo é o mesmo que explicá-la “geneticamente”. Se tudo é determinado geneticamente, dizer que as bases da depressão são genéticas é chover no molhado. E se estamos hoje aqui, no século XXI, isso significa que fomos selecionados, e que se houvesse algum caractere físico ou personalístico que nos tivesse tornado inadaptados, já teríamos sido extintos. Ou seja, se estamos aqui, a depressão possui um significado evolutivo. Isso é ÒBVIO. O que não quer dizer que ela seja nem boa, nem necessária, e o que não quer dizer também que não seja possível explicá-la por outros pontos de vista.

O problema destas “explicações” é que elas tendem a desviar o foco da questão principal. Elas tendem a gerar a impressão de que a depressão é algo que simplesmente “herdamos”, algo que não nos pertence, algo pelo qual não devemos nos responsabilizar. “É uma herança genética selecionada pela evolução... LOGO, estamos fadados a ser deprimidos, a não ser que uma MEDICAÇÃO nos ajude...” É assim que a maioria entende este tipo de coisa. O problema é que, a mesma herança genética que nos “fez” deprimidos, também nos fez capazes de superar a depressão no CASO de escolhermos este caminho. E mais do isso: Ela nos fez RESPONSÁVEIS pela escolha de tentarmos superá-la ou não. Sartre afirmou que o homem está condenado a ser livre. Eu iria mais longe. Eu diria que o homem está GENETICAMENTE determinado a ser livre e responsável por aquilo que ele é. E essa herança genética, a da LIBERDADE, possui, mais do que qualquer outra, um imenso significado evolutivo. Só nos tornamos os senhores do planeta por sermos completamente LIVRES.


Daniel Grandinetti br

31/8/2009 11:10:29

Júlio

Vejam o video abaixo.Cura qualquer depressão.A muito não ria tanto....
Vanusa erra feio ao cantar o hino Nacional:

http://www.youtube.com/watch?v=KvyB1hmAS2o

Júlio br

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