by Pablo Villaça
7. novembro 2009 21:58
O caso da estudante que, por ir para a aula com uma minissaia, foi moralmente linchada por seus colegas universitários ganhou um final perfeito: a UNIBAN, instituição que serviu de palco para o absurdo, decidiu punir
com a expulsão a pessoa responsável pelo embaraçoso incidente: a aluna.
Sim, a aluna. A mesma que teve que ser escoltada pela polícia para fora do prédio da universidade para não ser agredida pelos colegas.
Já escrevi sobre o caso
aqui, mas vale investir mais um post no assunto em função da justificativa fornecida pelos diretores da UNIBAN para a expulsão (
grifo meu):
"(...) a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar". Eles foram além e expandiram o argumento, ponderando que a moça, que usava "trajes inadequados", "provocou os colegas ao fazer um percurso maior que o
habitual, desrespeitando princípios éticos, a dignidade acadêmica e a
moralidade".
Sensacional. Em outras palavras, a justificativa oficial da UNIBAN para expulsar uma aluna é a seguinte: "a garota passeou com as coxas à mostra pelo prédio".
Que sirva de precedente para todos aqueles que virem uma mulher usando roupas mínimas rebolando por aí: agredi-la verbalmente e ameaçá-la de estupro é uma "defesa da ética, da dignidade e da moralidade".
Ah, sim: e apedrejá-la provavelmente lhe renderá créditos adicionais na UNIBAN.
(Update: Parabéns aos estrategistas da instituição pela inteligente decisão de anunciarem a expulsão no sábado à noite. Este é notoriamente o melhor dia - assim como a sexta à noite - para divulgar informações que não queremos ver repercutindo. Claro que o que chamo de "inteligente" outros poderão classificar como "canalhice" ou "má-fé". Bobinhos.)