Crepusculetes: Um Ponto de Vista Interessante e Ponderado

by Pablo 22. novembro 2009 12:32

A leitora Elizabete Band publicou o texto abaixo no fórum do Cinema em Cena e achei que valeria a pena reproduzi-lo aqui por julgá-lo um bom ponto de partida para certas discussões. Na realidade, devo dizer que concordo com boa parte do que Elizabete escreveu; a exceção maior fica por conta de sua categorização das crepusculetes como "vítimas de uma conjuntura ampla". Mesmo compreendendo a força da tal conjuntura descrita pela leitora, devo dizer que não creio que esta seja desculpa para a falta de pensamento crítico. E a juventude tampouco o é. Luca, por exemplo, tem seis anos de idade. É um fã ardoroso do Homem-Aranha e possui bonecos, roupas de cama, um cofrinho e até mesmo um lustre do personagem. No entanto, ao assistir a O Homem-Aranha 2, por exemplo, comentou que a seqüência do metrô, por sua natureza e duração, deveria vir ao final do filme, não no meio - uma observação de cunho claramente crítico feita por uma criança que, na época, tinha apenas 5 anos. Seria demais, portanto, esperar que adolescentes de 12 a 17 anos tivessem um pouco mais de sobriedade ao discursar sobre a "saga" Crepúsculo?

Dito isso, deixo vocês com o ótimo post de Elizabete:

"Primeiro gostaria de parabenizar o Pablo pela excelente crítica, eu gosto muito do estilo de escrita dele, a ironia fina é admirável, e os pontos que ele escolhe para trabalhar nos textos são ótimos. Sem falar nas metáforas :)

Mas na verdade eu queria era deixar algumas reflexões sobre os desdobramentos da crítica Lua Nova.

O filme é ruim? É. Eu não vi, mas imagino que seja, por tudo que li até agora, por nota no IMDB, e por sexto sentido, hehe. Os livros da Meyer também são, mas claro que isso não impede de vender muito. Muitas coisas ruins vendem muito, até porque somos vítima da mídia de massa, e nossa sociedade está cheia de gente sem senso crítico; o produto ruim vende porque quem compra o quer assim, e por isso ele existe.

O que me espantou na verdade foi a histeria coletiva das meninas e o tom colérico e as mensagens de ódio com relação à crítica. Só que depois de um tempo eu parei pra pensar. Acho que ninguém está parando para entender o porque do fenômeno, e lendo algumas das mensagens das meninas nos fóruns, eu acabei fazendo a seguinte análise.

Crepúsculo é um romance, e realmente um tipo de Romeu e Julieta. É um romance emo (e emo remete literalmente à emoção), e emoção, nós sabemos, não é um sentimento bem trabalhado por ninguém hoje em dia. Essas meninas cresceram vendo bunda na TV, vendo uma hiperexploração do sexo até mesmo em idades inadequadas, e estiveram expostas precocemente ao cinismo de uma sociedade cada vez mais permissiva nos costumes ao mesmo tempo em que valoriza cada vez menos os sentimentos e sua expressão. O "movimento" emo não surgiu à toa. É preciso refletir sobre os porquês disso tudo.

Tenho 31 anos, sou médica, e adoro ler. Lembro que na minha época de adolescente esse tipo de histeria coletiva só acontecia em shows de mega ídolos, Madonna, Michael Jackson, gente desmaiando. O fato da série crepúsculo conseguir gerar esse tipo de reação por si só já chama a atenção para o porque disso ocorrer. Como disse uma das fãs no fórum já citado aqui, os livros fizeram com que ela acreditasse novamente no amor. Será que isso basta para justificar todo esse movimento? Fico pensando, talvez. Porque ao mesmo tempo em que nossas adolescentes são bombardeadas precocemente com repressão emocional, cinismo e bundas, é cobrado socialmente que elas acreditem no amor, na pureza, que só façam sexo com alguém que elas gostem. É cobrado que se casem e tenham uma relação até que a morte os separe. São chamadas de vagabundas se não seguem determinados padrões hipócritas. Deve ser um mundo difícil de viver. Ainda mais quando se tem 12, 15 anos, e não se entende nada da vida.

Além disso, o que as meninas têm feito é um típico movimento de rebanho. É irracional, coisa de matilha, e vemos esse mesmo movimento nos estádios de futebol, só que os gritos dos homens não são tão agudos. Tem gente que literalmente mata e morre por um time, e não existe argumento que mude isso. É irracional, é catarse, e eu enxergo como o mesmo movimento que está acontecendo ao redor da série Crepúsculo.

Não adianta argumentar; as fãs não têm a maturidade exigida para entender a crítica do Pablo, como ainda não têm a educação necessária nem para escrever corretamente, nem raciocinar logicamente ou argumentar corretamente. Lembrem que estamos num momento em que não se valoriza livros nem leitura, as pessoas escrevem cada vez menos, de forma cada vez mais abreviada, e há correntes que pensam que o próprio raciocínio humano ficará assim, cada vez mais telegráfico, consequência dos novos meios de comunicação.

A histeria de crepúsculo me lembra muito a histeria dos alunos da Uniban, guardadas as devidas proporções, e penso que deve ser visto como um fenômeno digno de análise e não apenas de revolta crua e sem repercussão. Não consigo ver as meninas como vilãs ou criminosas. Apenas como vítimas de um conjuntura ampla."

4.8 ponto(s). Avaliado por 16 pessoas

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Comentários

22/11/2009 12:54:50

Fabiana

Não consigo ser tão condescendente. Por certo que "não é um mundo de pensadores", mas elas são burras e têm culpa disso.

Fabiana br

22/11/2009 13:04:46

RaUL

AI, PABLO, EU LOLCO DE CONCORDO TAMBÉM COM O AR (NÃO CONDISSIONADO, GUMENTO) DA LEITORA MAIS TAMBÉM COM DO SENHOR.

HOGE EM DIA A JENTE VIVE EM UMA SOSSEEDADE BAITA DE HEPÓCRETA QUE QUANDO TEM FRANGO NA CASA DA PESSOA PARA COMER NO, A O MOÇO, A PESSOA, PEGA O GARFO, COLOCA O PINTO NA BOCA E NINGUEM FALA NADA, MAIS SE O PAI PEGAR ELA DEPOIS NO QUARTO COM O PINTO DO AMIGO NA BOCA, AI AI AI MEUS DEUS DO CÉL, O COLRO VAI COMER!!!!!!!1

MAIS TAMBÉM ISTO NÃO É MOTIVO PARA A PESSOA EX-QUECER QUE TUDO NÓS É VÍTEMA MAIS TAMBÉM AGENTE FORMADOR DA COMONIDADE (POR HEIN, SÓ ALGUNS SÃO SECRETO) E NÃO PODE-MOS CRUSAR OS BRASSO (A NÃO SER QUANDO TÁ FRIO E A PESSOA TÁ SÓ COM CAMISETA POR QUE ESQUECEL O HÁ GASALHO EM CASA) E NÃO FASER NADA.

É IGUAL DIS NA MUSICA, A, SOSSEEADADE NÃO PODE VIVER SEM AS PESSOA. O SENHOR JÁ FES A SUA PARTE HOGE?

RaUL br

22/11/2009 13:11:58

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22/11/2009 13:19:07

Robson Saldanha

Texto belamente escrito. Reflete bem sobre o que se passa, mas de uma maneira ou de outra não justifica os histerismos. Qualquer tipo de fanatismo excessivo é ridículo. Deve-se saber receber críticas... E elas não aceitam, assim como os homens não aceitam a cerca do seu time!

Robson Saldanha br

22/11/2009 13:21:42

Elizabete Band

Pablo, claro que há exceções. Mas o nosso sistema educacional é desenhado hoje em dia pra emburrecer todo mundo, ou pelo menos acredito nisso. Se tiver interesse, achei legal esse video de uma palestra do Alvin e Heidi Toffler discursando sobre educação industrial. E no documentário Zeitgeist, no terceiro momento, também há uma reflexão sobre como estamos sendo emburrecidos pelos sistemas educacionais e de mídia. Não acho que as pessoas escolhem ser burras Smile

www.youtube.com/watch

Abraços

Bete

Elizabete Band

22/11/2009 13:33:31

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22/11/2009 13:43:17

Flavio

Bastante pontual!!!

Flavio br

22/11/2009 13:50:31

André21

Concordo exatamente com tudo que a Elizabeth escreveu; eu pensava bem dessa forma mesmo e ela conseguiu transcrever tudo pra mim. Obrigado Elizabeth!

O que não concordo (ou não consigo entender) é com o fato dos nossos adolescentes não conseguirem formar esse senso crítico e escolherem ser burros dessa forma. Assim como você disse "o que as meninas têm feito é um típico movimento de rebanho.". É isso mesmo. O que eu quero dizer é que, tenho 25 anos, e aos 15 eu tinha opiniões formadas sem precisar agir dessa forma, como um rebanho, um "maria-vai-com-as-outras". E não precisa ser nenhum gênio pra isso...

André21 br

22/11/2009 13:50:59

Felipe Dias

Foi um post muito bem colocado. Também concordei com muita coisa, mas, como você, também acho que a força dessa conjuntura não é desculpa para a falta de senso crítico. Infelizmente, o desenvolvimento de senso crítico desde cedo é uma coisa muito rara de acontecer.

Felipe Dias br

22/11/2009 13:54:59

Wanderley Caloni

Pontual, sim. Completo, não.

Pode ser um início de análise da situação atual do comportamento das massas nos eventos de... massas. Cinema, antes de arte, é arte em massa, e possui uma audiência do mesmo calibre. O trabalho crítico de Villaça é isolado e profissional, e por isso mesmo deve ser levado a sério. A reação das massas é um fenômeno adverso, que deve ser analisado para se chegar a alguma solução (?), ou estaremos filosofando em vão (alguns dizem que filosofar é isso).

[]s

Wanderley Caloni br

22/11/2009 14:02:36

André21

Concordo exatamente com tudo que a Elizabeth escreveu; eu pensava bem dessa forma mesmo e ela conseguiu transcrever tudo pra mim. Obrigado Elizabeth!

O que não concordo (ou não consigo entender) é com o fato dos nossos adolescentes não conseguirem formar esse senso crítico e escolherem ser burros dessa forma. Assim como você disse "o que as meninas têm feito é um típico movimento de rebanho.". É isso mesmo. O que eu quero dizer é que, tenho 25 anos, e aos 15 eu tinha opiniões formadas sem precisar agir dessa forma, como um rebanho, um "maria-vai-com-as-outras". E não precisa ser nenhum gênio pra isso...

André21 br

22/11/2009 14:04:08

pietro

eu ainda acho que a falta de desenvolvimento do senso critico esta relacionado com o sistema de educação brasileiro. Digo isso pq eu despertei o meu senso critico la pelos meus 16 anos devido dois professores que tive de filosofia e história. Se não fossem os dois, teria concluído meu ensino médio numa escola de alto nível em BH com conhecimento técnicos mas sem uma visão critica de mundo.

pietro br

22/11/2009 14:18:46

Guilherme Inojosa

Apesar de estar muito bem escrito, eu discordo um pouco do ponto de vista da autora. Crepusculo na realidade remete ao falso moralismo da sociedade, que prega o amor e a moral e, ao mesmo tempo, está cada vez degradada moralmente. Eu falo isso pelos padrões que observo das fãs mais maduras de Crepúsculo, que enquanto pregam por você só ter relações sexuais com quem realmente gosta parecem não expor isso na prática

Na minha universidade, as meninas fãs de Crepúsculo e que pregam pelo romantismo são as mesmas que ficaram falando de mim porque eu fiz oposição à idéia de uma festa com baile funk. Não quero falar aqui dos meritos ou não da música, que não me agrada, mas é bastante contraditório as meninas que lêem histórias de amor verdadeiro sairem por aí rebolando no ritmo de "Só as poposudas".

Guilherme Inojosa

22/11/2009 14:53:42

Paulinha Tavares

Pablo, quando vc diz não concordar qnd Elizabete descreve as - como vc diz - "crespuletes" - como "vítimas de uma conjuntura ampla" e justifica isso comparando as adolescentes enlouquecidas com a capacidade crítica do seu filho, isso demonstra bem que não se pode confundir MEIO e CONTEÚDO, e mesmo que Elizabete discorra bem do seu ponto de vista, ela está equivocada ao chamarmos a todos de "vítimas da mídia de massa." Ora, a comunicação de massa é um meio poderoso, por isso encontramos nele conteúdos bons e ruins e assim sempre será. A grande questão, para mim, não está na influência dada às crianças que viam Xuxa e suas paquitas com shortes minusculos, a sexualidade despertada leva algo além disso. Somos vítimas sim de um sistema educacional degradado a tempos (não sei se um dia não esteve), somos necessitados de uma reforma educacional que nos transforme desde crianças, em pessoas CRÍTICAS e que possam distinguir CONTEÚDOS, estejam estes por traz de qualquer que seja o meio comunicativo utilizado

Paulinha Tavares br

22/11/2009 15:10:58

Felipe Dias

Estamos discorrendo no debate analisando unicamente nossa realidade social brasileira. O fenômeno "crepusculetes" é mundial...

Felipe Dias br

22/11/2009 16:21:02

Elizabete Band

O fenômeno crepusculetes é mundial, e a crise educacional também. É possível que uma coisa justifique a outra...

Elizabete Band br

22/11/2009 16:54:23

Caíssa

Não consigo me espantar com o fato de elas gostarem de algo tão ruim (quem não leu o livro,saiba que os achei até piores que os filmes), já que não dá para imaginar que em uma sociedade todos devem ter gostos refinados e se não tem é por burrice, ou pouca educação. Tenho certeza que aos olhos de alguém mais "refinado" do que eu, posso ter alguns gostos que julgue "medíocre". Isso me faz uma pessoa medíocre? Não! Apenas diferente.Ou com outros interesses.

No dia em que uma história romântica e óbvia como as da saga Crepúsculo não fizer sucesso entre as adolescentes, o mundo realmente terá mudado.

O que mais me choca é a agressividade das garotas com aqueles que discordam de seus pontos de vista. Mas isso acontece muito na internet, e já vi pessoas adultas se comportarem como adolescentes em discussões virtuais.

Resumindo: Não consigo ver como o sucesso de Crepúsculo demonstre a decadência da nossa sociedade, como alguns parecem concluir. A série é feita na medida para agradar meninas pelo mundo afora. Meninas que um dia crescerão e trocarão de gostos.Por exemplo, hoje em dia eu vejo que a Xuxa e seus filmes, músicas e programas são um lixo. Eu acharia muito ofensivo se alguém do alto de sua sabedoria me falasse que eu era uma adolescente/criança burra porque gostava dela aos 10 anos de idade.

Mas, essa é só a minha opinião...

Caíssa br

22/11/2009 17:02:55

Felipe Dias

E aqui, no auge da polêmica, nasce a pergunta que não quer calar:

Por onde anda Camilinha Cullen???

Felipe Dias br

22/11/2009 17:12:34

Ðiogo

Números de bilheteria estão mais relacionados à expectativa do que à qualidade, visto que só depois de ter pago pra ver um filme é que se pode julgá-lo.
Muita gente que eu conheço, inclusive eu, teve grande ansiedade pelo lançamento de Batman Dark Knight, mas depois de assistir se decepcionou e bem preferiu o Begins.

Sinceramente acho essa discussão com as crepusculetes um pouco estéril, quase sádica (lembrando que todo sádico é masoquista).
Lembro bem da minha quinta série onde as meninas eram enlouquecidas pelo Tom Cruise e lembro da geração da minha irmã, fanática por Backstreet Boys e Spice girls... tudo isso passa!
Essas modinhas servem pra vender Capricho e Querida, logo são substituídas por outras, vocês querem mesmo perder tempo discutindo isso?

Concordo totalmente com Elizabeth, lembro da época do Titanic, as amigas da minha irmã foram ao cinema mais de 10 vezes!
Claro muita gente vai dizer que Titanic é superior a Crepúsculo, de fato eu acho que é, mas o ponto em comum, e que realmente interessa, é que elas só estão atrás de romance!!

Os vampiros que brilham e os lobisomens bombados são ridículos, mas são só pano de fundo.
O romance, a busca pelo príncipe encantado que não está interessado só em sexo, o amor que completa (como se fosse certo procurar alguém que te complete antes de ser você mesmo uma pessoa plena) é isso que vende, e é só.

Ðiogo br

22/11/2009 17:18:45

Glaucio Z.

Gostei bastante do texto da Elizabete. Muitas das coisas expostas por ela eu coloquei no meu outro post, aquele um pouco polêmico, pois falei dos viçalletes. Retorno a isso no final do texto.

Já li análises a respeito da histeria coletiva ocorrida na época dos Beatles, no auge da beatlemania. A análise foi posterior à beatlemania. Existe um filme muito bom a respeito dessa época, e acho que é do Robert Zemeckis: "I Wanna Hold Your Hands".

Quando saiu o filme "Batman: O cavaleiro das trevas", um crítico escreveu coisas negativas sobre o filme. Diferente das crepusculetes, que em sua maioria são meninas, vários marmanjos foram até a comunidade do sujeito destilar ódio contra ele, e as críticas feitas por eles são bastante parecidas; ataque pessoal ao crítico, ataque ao gosto cinematográfico dele, ataque à sexualidade do sujeito, e, claro, para ele morrer. O crítico em questão era João Pereira Coutinho. Eu acho que essa discussão ainda está na comunidade dele no Orkut.

Com os dois comentários acima, acho que o problema em questão não é tanto a saga Crepúsculo e seus fãs, mas o fanatismo em geral, afinal, isso está presente na humanidade desde antes a série ser lançada. O que fica evidente é que Crepúsculo está na mídia agora por conta do lançamento do filme, e é o mais novo fenômeno teen existente. Só por curiosidade, descobri que existem adolescentes que não tomam Sol para parecerem os vampiros da série.

Poderia discorrer bastante aqui sobre o fenômeno de grupo, sobre as críticas rasas feitas aos que criticaram negativamente o filme, e sobre a adolescência. Também poderia falar sobre outras sagas que têm seus fãs xiitas, ou melhor dizendo, fundamentalistas. Mas, prefiro indicar um livro bastante interessante sobre o assunto, escrito para leigos - nesse caso, não precisa ser formado em psicologia para compreênde-lo. O livro é do Contardo Calligaris e se chama "A Adolescência". A leitura dele é prazerosa e bastante rápida. Não vai analisar o fenômeno Crepúsculo, mas ele faz análise de outros fenômenos "teen".

Um comentário do psicanalista Contardo Calligaris (autor do livro acima) a respeito do primeiro filme dá uma idéia desse fenômeno Crepúsculo: contardocalligaris.blogspot.com/.../...mpiros.html

Quanto ao meu comentário anterior existente no outro post do Pablo, peço desculpas a ele e aos leitores que se sentiram ofendidos com o meu termo "viçalletes" cunhado em relação às "crepusculetes", pois enxerguei uma onda de pessoas xingando os fãs no portal Crepúsculo justo no post dedicado à crítica do Pablo. Por conta disso, generalizei o fato de que os leitores daqui tomaram a iniciativa de irem até lá criticarem as fãs. Acredito que a generalização foi o erro, como apontou Pablo ao dizer que isso foi obtuso, afinal, não tenho como provar objetivamente que os ataques em massa partiram todos de leitores daqui.
Mas ainda sustento a idéia de que alguns (eu disse alguns, e não todos) ataques foram feitos por leitores daqui, e por isso cunhei o termo viçalletes, pois essa atitude me pareceu a mesma da condenada aqui (contra as crepusculetes). Sustento essa idéia por conta do post ter sido o do Pablo, o protegerem (assim como os fãs protegem a série) e por conta de alguns comentários pedirem para que os fãs de Crepúsculo venham até o blog protestarem contra o Pablo, incitando o mesmo que aconteceu o ano passado (diversos fãs vieram aqui para esculacharem o Pablo). Essa atitude eu achei ridícula e cômica, para não dizer trágica.

O link do site deles: http://portaltwilight.com/?p=41893 Os comentários contra os fãs começam com Daniel Faria. Se alguém quiser ver.

Glaucio Z. br

22/11/2009 17:20:35

Vinícius Colares

Pablo, eu concordo com ela, citar o Luca não vale, pq ele é exceção a regra, eu sou professor, e me dói ver a criticidade nula com a qual eu pego meus alunos na 5ª série, poucos "evoluem" a maioria continua sem desenvolver um pingo da capacidade humana, e a cada ano, as turmas chegam piores, o que eu vejo é "tabula rasa".

Vinícius Colares br

22/11/2009 17:37:34

Leandro Moraes

O Luca tem um tutor, eu por exemplo tive que buscar informação para saber de cinema. No entanto sei desde os 5 como manipular uma locomotiva (só que isso não se usa todo dia). Eu não sei, por exemplo, como se estrutura um livro e não sei se o Luca saberia disso, embora você também é escritor, o lado cinematográfico creio que seja o que você mais demonstra ao redor.

Não vejo que as meninas de hoje são cobradas para terem uma família, ficarem só ao lado dos maridos e tal. Isso eu via há umas décadas atrás. Hoje os pais que querem que eles sigam uma vida mais ou menos assim, geralmente escondem isso e fica só no pensamento. Deixam na mão dos filhos a própria vida. É bom e ruim, por que se por um lado dá liberdade, pelo outro ficam sem tutor.

Essas meninas estão é sem heroína. Madonna? Além de estar "passada", não é lá graaande coisa. Na literatura quase não há heróis, quanto mais heroínas.

E o fato da tal Bella só "passar de ão em mão" não significa que as mulheres "gostam de ser usadas em romances por estarem ao lado de homens fortes", se fosse um homem disputado por duas heroínas/mulheres sobrehumanas, os homens estariam todos com o peito estufado.

Leandro Moraes

22/11/2009 17:38:25

Thiago Silva

primeiramente eu não acho muito legal chamar os/as fãs da saga de "crepusculetes". por mais que a saga seja ruim (sim, também não li, de qualquer forma não preciso fazê-lo pra chegar a essa conclusão) é no minimo uma falta de respeito para com eles, por mais que a história não seja lá essas coisas.

há muitas outras sagas/séries por aí (Artemis Fowl, Harry Potter, Fronteiras do Universo, O Senhor dos Anéis), algumas delas não muito conhecidas pelo grande público, "destinadas" a uma faixa etária semelhante a de Crepúsculo que contam com um conteúdo muito melhor, de tal forma que valeriam uma atenção mais especial. mas eu vejo que os adolescentes sentem a necessidade de entrar de cabeça na "onda do momento" senão correm o risco de ficar de fora das conversas que giram em torno do tema e, consequentemente, de fora da "turma". se elas já são maduras o suficientes pra reconhecer que a saga é ruim ou não é um problema mais complexo pra analisar levando-se em consideração apenas a sua faixa etária.

Thiago Silva br

22/11/2009 17:45:12

Leandro Moraes

Aliás, o fenômeno crepúsculo/harry potter (este não teve filmes ruins, então não comparo filmes, mas personagens), não poderia ser comparado ao Batman? (e isto para marmanjos de 30 anos).

Espanta como a maioria não gosta do Super-Homem por ele ser "bobão" e o Batman por ser "anti-social" é amado. Às vezes me dá impressão que Batman é o símbolo do nerd (cara quieto; anti-social) e os desejos do nerd (o salvador; quieto, mas inteligente; que se alguém conhecer, pagar pra ver, vai conhecer sendo o melhor). E o Super-Homem (o cara legal, quase o popular, o jogador de futebol, mas que ao contrário do Batman, vira o nerd).

Sempre me pareceu que o Batman era um cara que salvava as pessoas e depois ia pra casa reclamar que a vida daquela velhinha custou uma dor nas costas, que faltava o reconhecimento, que nem o nerd que sente-se afastado de todos.

Leandro Moraes

22/11/2009 17:46:35

Leandro Moraes

Só um exemplo Batman-Crepúsculo-Harry Potter. Tem o blog do merten, do zanin ou era do inácio araújo? Não lembro, acho que era o Inácio. Onde os fãs do Batman descerem a lenha nele tal qual as crepusculetes.

Leandro Moraes

22/11/2009 18:16:53

Felipe Dias

Acho que o Superman peca por ser o esteriótipo do mocinho. Ele é perfeito e, portanto, sem graça. Já Batman carrega em si todo um pano de fundo dramático pesado além de ter a limitação de não ter poderes, o que o obriga a ser inteligente. Por isso o super tem o ódio de um monte de gente e o Batman é adorado. Fora que Batman tem uma série de vilões carismáticos e interessantes enquanto Super praticamente só tem Lex Luthor (que é um vilão fenomenal).

é... esse fenomeno "ete" não é de hoje.

Felipe Dias br

22/11/2009 19:05:56

Galdir

Pelo visto estamos tentando analisar a culpa da crepuscupiriguetes nesse movimento de rebanho. Criança tem culpa? É dificil determinar se tem e quando tem, pois sem duvida ela não tem consciência o tempo todo. Adolescentes não tem culpa? Acho que concordamos que se são adolescentes são meio crianças, e portanto deve ser difícil determinar culpa também. Os pais sim, estes, estão em "pé de igualdade" com o raciocínio que buscamos, e foram estes que permitiram a falta senso crítico e de auto crítica se instalar... Culpemos os pais delas entre outras causas. Mas, não podemos esquecer, são adolescentes e é da natureza deles se revoltar contra a autoridade inclusive sem argumentos, a autoridade no caso é o nosso prestigiado crítico, e se a criação dessas criaturas tivesse sido melhor possivelmente teriamos revoltas diferentes acontecendo, mas ainda teriamos.

Galdir br

22/11/2009 19:20:47

Glaucio Z.

Leandro, gostei da sua análise em relação ao Super-Homem e o Batman. Nunca tinha parado para pensar no Batman como um símbolo do nerd, e essa visão ficou interessante. E não só o Batman, mas todos os superheróis que se sustentam nessa dualidade entre o herói e o cara comum mostram que dentro de cada um deles tem um lado bom que ninguém conhece, apenas ele, afinal, o lado bom é evidenciado quando ele veste a fantasia.

Em relação às mulheres. Infelizmente, apesar de ter havido todo um movimento feminista para a quebra de parâmetros, eles ainda existem. A sociedade, ao mesmo tempo que prega o casamento, prega que elas trabalhem, que se tornem independentes, e que não sejam mais aquele padrão de mulher privada, que vivia para cuidar do marido e dos filhos desse marido (se fosse de outro, e provado o adultério, como eram propriedade do marido, esse poderia até matar a adúltera). As mulheres atuais sofrem do seguinte dilema: serei uma boa esposa e mãe ou uma excelente profissional? Se eu me dedicar a ser esposa e mãe, e ao mesmo tempo uma profissional, com qual dessas duas funções estarei em falta? Fiz um trabalho com puérperas (mulheres que tiveram bebês recentemente) e essa dicotomia estava bastante presente nas diversas que entrevistei. A culpa em abandonar o filho, e ao mesmo tempo, culpa em abandonar a profissão para ficar com o filho recém-nascido, afinal, licença maternidade no Brasil ainda é pequena. Ainda é cobrado da mulher que ela tenha aquele padrão antigo, recatado, como se elas não desejassem, porque o desejo era estritamente dado pelo homem. Se manter casta e a procura de um pretendente que seja digno de tirar essa castidade está bastante em voga ainda, ao mesmo tempo em que, essa mulher tem que manter os ideais conquistados pelas feministas. Aquelas que preferem a castidade são chamadas de antiquadas e contrárias ao feminismo, e as que mantém os ideais, são chamadas de putas. São chamadas, não apenas pelo oposto, mas por elas mesmas, como se esse conflito fosse interno. Será que poderei me manter casta, apesar de o feminismo ter me libertado, ou, será que eu devo adotar os ideais feministas, se eu acho a castidade o certo?

Tudo isso são construções sociais, porque, biologicamente, não está estabelecido que mulheres devam ser castas ou não, e nem que os homens tem superioridade em relação a elas. Foi isso, em certa medida, que o movimento feminista trouxe em discussão.

E dentro dessa discussão fica aquele comentário. Fulana de tal é uma puta porque saiu com sicrano, fulano, etc. Fulana de tal é besta porque quer se manter virgem até o casamento, e ela não aproveita a vida. Fulana de tal é besta porque quer ser mãe integral e esposa. Fulana de tal é puta porque usa roupas indevidas. Filha minha não estuda em outra cidade. O que choca nesses comentários é que eles não são feitos apenas por homens, mas por mulheres também. O movimento feminista é recente, e a repressão que as mulheres sofreram é milenar. Infelizmente, ainda vai haver muito tempo para que as coisas se estabilizem. Até lá, muitas não poderão desejar, não poderão usar minissaias em faculdades, não poderão flertar com meninos, etc. E, hoje em dia, não são apenas as mulheres que sofrem, mas os homens não sabem o que fazer com o avanço do feminino.

Maria Rita Kehl trata muito bem dessa questão da feminilidade. Acho que ela tem site na internet.

Uma obra literária, musical, cinematográfica, de pintura, só é idolatrada porque ela se comunica de alguma forma com aquele que mantém uma relação com ela - leitor, ouvinte e espectador. Acho que muitos não são masoquistas (apesar de existirem) ao ponto de manter uma relação desprazerosa com algo que admira. Os fãs de Crepúsculo, Batman, Harry Potter, Super-Homem, etc, gostam daquilo que veem, porque de alguma forma, existe uma relação profunda entre eles (sujeito-objeto). Os livros da série Crepúsculo podem ter seu conteúdo duvidoso (seu estilo literário ser ruim, a história ser recontada), mas de certa forma, eles conseguem encantar os leitores. Esses leitores não enxergam esse conteúdo duvidoso porque a relação que ele estabelece com aquilo é tão profunda (alguns diriam, cega), que, na visão deles, não se xinga a série, mas a eles mesmos - como se a ofensa à série fosse pessoal. Falas como: "você não entendeu a série, por isso a critica" são tão comuns por conta dessa intimidade que se estabelece entre a série e o leitor. Ele realmente não compreende como alguém pode não gostar disso (e não é fingimento). Todos nós fazemos isso, em maior ou menor grau. "Como alguém pode não gostar daquilo que é considerado excelente por mim ou por críticos?". Por exemplo: "como alguém pode não gostar de "Grande Sertão: Veredas" se esse livro é ovacionado por milhares de críticos, e ele me tocou profundamente". Foi proposital a discrepância entre o que dizem ser a qualidade de Crepúsculo como livro e a qualidade de "Grande Sertão: Veredas" para ver o quanto esse debate está presente em nós. Muitos com maturidade (se isso é sinônimo de maturidade) poderiam não concordar com a crítica e deixar que critiquem, mas isso muitas vezes não vemos, como no caso do Crepúsculo.
E, Pablo, você realmente corria perigo em estar diante de uma turba enfurecida que conhece as suas críticas negativas ao filme. Você não criticou negativamente o filme, mas a eles. A ofensa é pessoal.

Como não temos mais um padrão que oriente os nossos rumos, nos orientamos a partir de algo; Queria ser casta, mas a sociedade está, ao meu ver, depravada, então encontro esse modelo de castidade dentro de um livro e vou segui-lo. A indústria de entretenimento se utiliza bastante dessa falta (existe o Jonas Brothers dentro dessa perspectiva de castidade). Por isso, meninas em depressão foram "salvas" pelo livro - faltava-lhes algo em que se espelhar (se encontrar).

(Mais uma vez escrevi uma bíblia).

Glaucio Z. br

22/11/2009 19:24:38

Maíra

Outra vez esse assunto? Deixei de levar esse texto a sério no momento em que ela escreveu que não leu os livros. Como ela pode achar que algo é ruim sem nem ter lido. Ela poderia até gostar. Quem sabe?

Deixem elas gostarem de Crepúsculo e parem de fezer tratados sociológicos sobre o tema. Livros românticos sempre existiram e sempre tiveram leitores (e leitores). Crepúsculo não é muito diferente de "Sabrinas" da vida. É uma fase. E mesmo que eu não goste, elas encontraram algo que gostaram nesse livro. Para elas têm qualidade. E quem somos nós para ditar o gosto de alguém? O que deveria ser "bom" para elas? Quando era mais jovem eu gostava de New Kids on The Block. Hoje não, mas já gostei. Gosto filmes e livros que muita gente acha ruim. Vi um video do Kevin Smith que refletia a natureza ridícula dessa "guerra" contra Crepúsculo. Adultos que desfilavam vestido de Chewie ridicularizando meninas de 12 anos fãs de Crepúsculo.


Isso nunca aconteceu com você Pablo. Gostar de algo que a crítica acha uma merda. Um filme, disco ou livro? E simplesmente não entender algo que você acha bom ser considerado ruim por muita gente? Nunca aconteceu com nenhum de vocês? No fim, é questão de gosto. Uma filme que a gente acha uma merda, alguém deve gostar.

Maíra br

22/11/2009 20:01:03

Elizabete Band

Maíra, você não leu direito meu texto. Eu não vi ESSE filme, ainda. Mas li os quatro livros, entre centenas de outros, então posso comentar embasadamente. Mas não estou aqui querendo julgar mérito de livro, o que eu fiz (tentei fazer, ai de mim) foi exatamente uma análise sociológica. É esse meu interesse, não dizer a x ou y o que é bom ou ruim de ver ou ler.

E existe sim diferença entre coisas boas e ruins, e isso não se julga só por gosto. Eu gosto de coisas que sei que são ruins, como não gostei de coisas que sabiam que eram boas. Eu não gostei de Kill Bill I, mas sabendo que era um puta filme, e digno de reconhecimento da minha parte. Por motivos pessoais, não gostei. Mas dá pra separar as coisas. Em tudo na vida hoje em dia existem parametros de julgamento bom/ruim, e isso é baseado inclusive em pesquisas.

E isso pra mim é ainda mais verdadeiro na arte cinematográfica.

Elizabete Band

22/11/2009 20:06:13

Camilla Pattinson

OLHA PABLO POIS FIQUE SABENDO QUE VOCE E QUE E O IGNORANTE, VAI LER O LIVRO ANTES DE FALAR QUE A GENTE E "MUITO NOVA PRA ENTENDER". AFF, COMO VOCE E RIDICULO, JUGA UMA COISA SEM NEM AO MENOS ENTENDER SOBRE ELA!

Camilla Pattinson br

22/11/2009 20:17:32

Maíra

Desculpe o erro, Elizabeth. O seu texto é bom e você sabe mais do tema que eu. É que o assunto me cansou. Estou vendo muito machismo (sim, machismo) nas críticas em relação a esse filme (não de você). Vejo muitos indo para o lado pessoal (meninas de 12 anos histéricas) do que pelo artístico. E issso está me irritando. Deixa elas gritarem. É uma fase.

Maíra br

22/11/2009 20:37:17

Yves Brandão

Ah gente... eu acho que vocês são é muito chatos, isso sim.

Quem tem qualquer relação de intimidade com o cinema (eu incluso) certamente vai descartar filmes como esse.

Mas muita gente simplesmente não tem essa relação de intimidade, oras. E vive muito bem assim. Mas acaba sendo vítima de ataques por parte de pessoas que julgam que seus gostos "apurados" são, de algum modo, melhores. Porque? Isso não é de maneira nenhuma determinante para a felicidade de alguém.

EU , e tenho certeza de que a maioria aqui, se sentiria muito infeliz em assistir a este tipo de filme. Mas é só olhar ao redor e perceber que muita gente, realmente, não "gosta" de se aprofundar nas obras de cinema/livros ou o quer que seja. E repito: isso não é nada determinante em relação à felicidade ou não felicidade de alguém. Que mal as crepusculestes fazem a quem quer que seja?

Se eu vivenciei uma espécie de estupor ao terminar de ler, por exemplo, Grande Sertão Veredas , um marco pessoal para mim, eu tenho certeza de que boa parte destas crepusculetes experimentaram sensação parecida ao ler o livro crepúsculo. Vem daí o culto exacerbado, e não de "imposição da mídia" (a mídia o alastra, mas, neste caso, não o cria).

Porém, de novo chegamos à questão da intimidade com a linguagem, ou vontade de tê-la: eu tenho uma relação com a literatura que me faria classificar um livro como crepúsculo como subliteratura. Mas isto depende da bagagem de cada um. E mais importante que isso: eu vivo muito bem cultivando esta intimidade e este senso de crítica, enquanto elas vivem muito bem não a cultivando.

Essa relação de pouca profundidade com obras não é exclusividade de crepúsculo, nem das crepusculetes. É só olhar ao redor e ver que isso acontece com tudo, o tempo inteiro.

Deixem elas ser felizes, minha gente.

(Só pra constar: claro que o que eu disse não se confronta em nada com a questão da crítica. Óbvio que o Pablo está certíssimo ao classificar negativamente as obras. O que eu não concordo é com este ataque às pessoas que a cultuam, como se, de algum modo, fôssemos melhor ou vivêssemos melhor que elas por ter este senso crítico mais apurado).

Yves Brandão

22/11/2009 20:46:50

Guilherme Huyer

Gostei do texto, concordo com a maior parte, mas...
"Não adianta argumentar; as fãs não têm a maturidade exigida para entender a crítica do Pablo, como ainda não têm a educação necessária nem para escrever corretamente, nem raciocinar logicamente ou argumentar corretamente."
Francamente, isso é mentira. Só completei 18 anos mês passado, e não quero parecer arrogante, mas sempre entendi as críticas do Pablo, escrevo corretamente, raciocínio logicamente, e sei argumentar direito. Meus amigos também, e todos só fizeram 18 anos em 2009. Ser adolescente não é desculpa para agir como as crepusculetes agem.
Entendo que alguns dos critérios morais da sociedade sejam falhos, velhos, ultrapassados, e quase todos eles acabam colidindo em termos de conceito (isso mesmo que a Elizabete falou: super-exposição ao sexo, e 'obrigação' de não experimentá-lo antes do 'casamento' - é um tanto ilógico). A nossa sociedade, mesmo do lado ocidental do globo, continua imersa em machismo. Uma prova disso realmente é o comportamento irracional dos homens em cima do futebol, e comedimento de todo mundo quanto a isso. Ao passo que a histeria feminina em cima de um livrinho sobre o 'Amor' é considerada exagerada, - as brigas por futebol são tão (até mais) absurdas do que os gritinhos das gurias quando o vampiro-purpurina aparece em cena.
Mas a desculpa do despreparo emocional, a desculpa de que com essa idade que varia dos 12 aos 17 não se pensa direito.. não, isso não serve de justificativa para o comportamento das crepusculetes.

Guilherme Huyer

22/11/2009 21:15:21

Yves Brandão

Caíssa, concordo plenamente com seu ponto de vista:

"No dia em que uma história romântica e óbvia como as da saga Crepúsculo não fizer sucesso entre as adolescentes, o mundo realmente terá mudado. (...) Resumindo: Não consigo ver como o sucesso de Crepúsculo demonstre a decadência da nossa sociedade, como alguns parecem concluir. "

Yves Brandão

22/11/2009 21:44:47

Glaucio Z.

Yves Brandão, gostei do seu apontamento: "Se eu vivenciei uma espécie de estupor ao terminar de ler, por exemplo, Grande Sertão Veredas, um marco pessoal para mim, eu tenho certeza de que boa parte destas crepusculetes experimentaram sensação parecida ao ler o livro crepúsculo.". Tentei passar isso no que eu escrevi. Também acredito que os fãs de Crepúsculo devem ter tido experiência parecida. O que pesa é ser aceito ter um estupor ao ler "Grande Sertão: Veredas" porque é algo cultuado, uma das obras-primas da literatura, e não ser aceito ter um estupor ao ler "Crepúsculo", por ter qualidade duvidosa. Mas ambas as qualificações de obra-prima e duvidosa são subjetivas, depende de cada um, daquele que lê. Como conseguir, objetivamente, qualificar uma obra? É tão subjetivo qualificar algo de ruim ou bom, que Van Gogh foi execrado na época em que pintava, e hoje em dia, considerado um gênio.

Eu, depois que terminei de ler "Grande Sertão: Veredas", tive vontade de recomeçar a história (ou, estória). Tenho certeza de que os muitos fãs de Crepúsculo tiveram sensação parecida.

Glaucio Z. br

22/11/2009 22:02:08

edu mazucato

a parte que ela compara com torcedores de futebol foi boa... eu nao gsoto de futebol e nunca entendi um bando de marmanjo se abracando, gritando, matando e chorando por seu time que eh movido a dinheiro cujos atletas estao apenas trabalahndo e nao lutando de coracao pelo time...

edu mazucato

22/11/2009 22:53:50

Priscila

Eu gostei dos apontamentos da Elizabete. À parte as qualidades da saga Crepúsculo, essas meninas estão extasiadas com cinema e literatura. Melhor: com cinema e literatura que falam de amor. Isso não pode ser ruim.

Quanto à histeria, isso passa. E logo estarão deslumbradas, algumas, com Kubrick e Saramago, ou com Truffaut e Lispector... Porque o êxtase, graças a Deus, esse nunca passa.

Priscila br

22/11/2009 23:18:20

Mariana

Como muitos já apontaram, as adolescentes podem amadurecer e mudar de gosto. Mas isso não me deixa menos preocupada com o que tenho visto por aí. Nessa discussão, principalmente as "crepusculetes", mas também os que tem visão contrária, muitas vezes atacaram gratuitamente as pessoas. Isso só mostra a realidade triste e frustrante de se tentar debater (principalmente em meios virtuais) qualquer assunto. A falta de educação e de respeito e o despreparo das pessoas é gritante, levando à desqualificação do autor e a xingamentos em vez de argumentos coerentes e lógicos sobre o assunto em questão. E isso não é privilégio das fãs de Crepúsculo, nem de mulheres. Na verdade, parece que sempre que gostos e opiniões pessoais são questões centrais (como no caso do Cinema), esse fenômeno aflora com toda força e até a parte mais objetiva da discussão se perde no meio dos ataques.

O mais triste, na minha opinião, é ver o tipo de mensagem que é passado por Crepúsculo e que atinge com toda força as fãs. Só que essa mensagem não é novidade e está presente desde sempre nos contos de fadas, novelas e filmes "água com açúcar". Essa visão de romance passada para as mulheres só as faz acreditar num tipo de amor e de relacionamento completamente idealizado, que fatalmente causará frustração e sofrimento se projetado na vida real. Os homens de verdade não são vampiros ou super-heróis, não vão arrebatar a mocinha de sua rotina sem graça e levá-la para o final feliz (o famoso viver feliz para sempre). Criar esse mito e nutrir essas fantasias em exagero só leva a relacionamentos fadados ao erro.

Mariana

22/11/2009 23:37:08

Lucas

Até ler "Sabrina" e "Julia" é melhor do que assistir novelas na TV. Se esta histeria toda cria uma distração marginalmente melhor que a Rede Bobo, more power to them.

Lucas us

22/11/2009 23:37:24

Fabiana

Não mesmo. Elas estão extasiadas com literatura e cinema da pior qualidade. E isso não pode ser bom.

E a chance de elas passarem perto de atingir a capacidade de abstração necessária para a compreensão de um livro da Clarice é mínima, se não aprenderem a pensar agora.

Fabiana br

22/11/2009 23:39:21

Priscila

Bom, minha vida amorosa tem sobrevivido a todos os filmes da Julia Roberts. Wink

Priscila br

22/11/2009 23:46:33

Priscila

E, Fabiana, eu lia Sidney Sheldon aos 14 anos. Hoje, sou formada em Letras apesar da minha pouca capacidade de abstração. Um beijo.

Priscila br

23/11/2009 2:44:47

Eric

Quanto ao discutido, existem 02 filmes que sintetizam não somente esse bom post, mas também a grande maioria dos comentários. Falam de manipulação, sociedade, grupo, indivíduo, catarse. São ótimos no sentido de abrir um pouco prá lateral nossas tão valorizadas viseiras:

- "Rollerball, OS Gladiadores do Futuro" (a primeira versão, do Norman Jewinson);
www.youtube.com/watch

- "Rede de Intrigas", do Sidney Lumet;
www.youtube.com/watch

Já dizia o Aristóteles, que num processo psicológico, a arte proporciona a oportunidade de libertação dos maus sentimentos e da purificação dos bons, contribuindo assim para nos tornar melhores. Será? Sei lá!

Abrimos mão com uma facilidade tão rasteira de nossa degrauzinho de evolução, em prol de conquistarmos nossa participação numa tribo, que tenho expressivas dúvidas se estamos efetivamente evoluindo como... indivíduos!!

Legal terem feito alusão aos torcedores de futebol, pois com isso ficou evidente que ter características de massa de manobra, não é privilégio de crepusculetes, mas da raça humana.

Há muito, os marqueteiros aprenderam sobre as nuances biológicas e comportamentais de suas (nossas?) potencias vítimas, e o fato de não nos darmos conta de tal controle, permite que eles façam a festa em nossas vontades e a coisa fica ainda mais interessante, quando insistimos em não acreditar nisso.

Pelo menos aqui, o "coisa ruim" é um filme, um livro. Problemático torna-se quando é um político, afinal, exemplos é que não faltam pela história afora, de gente sã "adorando" gente insana, tornando-se assim tão insana quanto...

Alguma personagem bíblica teria dito: "Bem aventurados aqueles que não 'desaparecem' em meio a grupos, pois ao exercerem suas tão caras individualidades, a esses pertencerão a... razão!"

Sou da opinião que sempre devemos "combater" esse comportamento de massa de manobra, afinal todo participante de uma, tem seu dia de "boi de piranha". Um dia... babau... e ninguém, ninguém irá se importar, já que não se faz a "diferença".

Passados milhões de anos, no nosso DNA continuamos linkados à tribos, a comportamentos de grupos, sendo que a inteligência, o que nos tornou "indivíduos", por assim dizer, é uma coisa bem recente.

Obs: Interessante a permitida interação do filho do PV com o Homem-Aranha, afinal é uma personagem que prima pelo individualismo na resolução de problemas. Ajuda a comunidade, é verdade, mas jamais abre mão de sua individualidade... já que em "grandes poderes exigem grandes responsabilidades" está inserida a sua vontade como indivíduo e não como... massa de manobra!

Eric br

23/11/2009 3:20:26

RW Fassbender


Vivemos numa época extremamente melindrosa... é preciso sempre deixar BEM CLARO que tudo que se diz é a "sua opinião", para não correr o risco do seu interlocutor assumir que você pensa estar cuspindo em sua cara a verdade absoluta filtrada diretamente de DEUS e, portanto, chamando-o de BURRO ao dizer que "Crepúsculo é uma M*rda".

Não! Espere, não é bem assim. É preciso escrever sem dar opinião NENHUMA, efetivamente escrevendo uma "crítica" que funciona com a "imparcialidade" de um informercial genérico, ou, melhor ainda, um texto que promete "emoções", "confusão" e "ação" como fazem as sinopses atrás de qualquer embalagem.

"Quem você pensa que é?? Essa é sua opinião, tá, Crepúsculo é o melhoooooor filme de toooooooodos os tempos!!"

Ai daquele que ousa sugerir que o leitor possa estar errado, ou que sua leitura de uma obra foi menos que perfeita... fale bem do que o leitor gosta, e não sabendo de antemão quem é seu leitor, fale bem de TUDO. E se for falar mal de algo, trate de pedir desculpas, ser humilde e manter o nariz rente ao chão, pedindo mil desculpas antes de dar a sua OPINIÃO. Porque só existem os dois extremos: A VERDADE (Crepúsculo é tuuuuuuudo, amigaaaaaa!) e A SUA OPINIÃO (o oposto da verdade: Crepúsculo fede).

Isso tudo é tão contraditório que, se bobear, até o que eu escrevi acima tem buracos. XD

RW Fassbender br

23/11/2009 4:33:06

Axlbr

Senti a "saga" Creepusculo comparada com Michael Jackson...

...o mundo esta acabando... (oh, oh... ooohhh)

Axlbr us

23/11/2009 9:21:26

Dantas

A minha relação com Crepúsculo é um pouco oscilante. Por um lado, eu realmente não gosto os livros, considero-os embaraçosamente mal escritos, com personagens principais ridículos e/ou irritantes e moral duvidosa (o feminismo vai ter muito trabalho para reparar o estrago...). Mas por outro lado, acho legal que uma série tão obviamente voltada para garotas seja um grande sucesso para variar - ainda que não seja a história ideal. Especialmente ao ver os nerds arrogantes pela internet destruindo a série apenas por ser voltada para garotas - ao mesmo tempo em que defendem lixos como os filmes Transformers e a série de TV Heroes, dentre outros. Não acho justo que os filmes pipocas sejam voltados apenas para nós, caras, enquanto as garotas são relegadas a comédias românticas repetitivas.

Sobre o comentário de Elizabete Band, concordo plenamente com a sua conclusão: a análise é preferível à revolta. E uma das melhores análises que eu li sobre o porquê do sucesso de Crepúsculo está neste blog (http://cleolinda.livejournal.com/602881.html). A dona do espaço, assim como eu, tem uma relação de amor e ódio com os livros, mas reconhece o apelo que eles exercem. Seu ponto de vista não é apenas inteligente, mas muito humano e eu, mesmo sendo do sexo masculino, consegui me colocar no lugar das fãs de Crepúsculo e isso me ajudou a apreciar um pouco mais seu sucesso - me fez desejar que a série fosse melhor escrita... :/

Se você sabe inglês, sugiro que clique no link e leia por si mesmo (o senso de humor de Cleolinda é bem afiado), mas para a maioria, aqui vai uma tradução das teorias que ela levanta:

***

1)"Vampiro" como metáfora para "rapaz adolescente": Eu sei que as mulheres que supostamente são o sexo misterioso - "O que as mulheres querem?" e tudo isso - mas eu, pessoalmente, considero os meninos igualmente enigmáticos quando eu era adolescente. Quero dizer, sim, garotos querem sexo. Mas não é tão fácil assim - Ok, você é uma garota, você dá, agora você é a puta da escola, ou a emoção se foi e ele parte pra outra porque vocês são, é claro, adolescentes, e provavelmente não estão prontos ainda. A verdadeira pergunta na mente de uma menina é, "em que, além de sexo, ele está pensando? O que, além do sexo, eu tenho para oferecer àlguém por quem sou apaixonada?" E se você é um adolescente com baixa auto-estima, sua resposta para a segunda pergunta será, "eu não tenho nada a oferecer, porque eu não sou bonita ou especial ou digna, portanto, se eu não quiser transar imediatamente, eu não tenho nada, e eu não tenho chance. "A resposta óbvia ser "sexo" na verdade torna tudo mais difícil, porque você tem essa expectativa pairando sobre você e, talvez, uma espécie de desespero - você vai ter que ceder para um garoto gostar de você? E se você não está pronta? E se você está com medo?

É aí entra Edward Cullen com suas mudanças bizarras de humor. Edward é tudo o que há de confuso sobre o sexo oposto; Acho particularmente revelador que seu primeiro encontro com Bella faz ela pensar que ele a odeia. O acúmulo de tensão até o primeiro beijo é esse amor/ódio empurra-puxa de tentar descobrir o que ele está pensando, e no fim das contas ele estava o tempo todo tentando descobrir o que ela estava pensando. Assim, tendo constatado que ambos eram loucos um pelo outro o tempo todo (e não seria legal se essa fosse realmente a chave para o mistério dos sexos?), Edward e Bella, em seguida, começam a lutar com os seus vários "anseios". Mas Edward luta corajosamente com os anseios dele e dela - ele é sempre o único a se afastar quando ele ou Bella vai longe demais. Considere, também, que as meninas mais jovens tendem a gravitar em torno de semi-celebridades andróginas e "seguras" nessa idade (tosse * Hanson * tosse), porque eles são menos ameaçadores para o desenvolvimento da sexualidade de uma menina. O sexo é possível, e uma emoção proibida a contemplar, mas não é um perigo: você está segura com Edward, porque ele ama você tanto assim, E ele nunca vai pressioná-la porque ele quer protegê-la de si mesmo.

2) As meninas gostam de bad boys: Acredite ou não, este é realmente ligado ao ponto # 1. Eu tenho guardado isso como uma teoria geral por um tempo, Mas talvez não pelo motivo que você está pensando. Eu realmente não acho que garotas gostam de um cara que as trata mal. Mas eu acho que elas - nós - entusiasmam-se pela idéia de mudar alguém para melhor, ou a idéia de ter o poder de alguém nos amar tanto que ele vai mudar ou sacrificar algo por nós. Um cara legal não precisa de mudança e, o mais importante, ele já é legal com todo mundo. Como você sabe que você é especial, se ele trata todo mundo com o mesmo amor e respeito que ele te trata? Contudo, o tipo "bad boy"? Ele pode variar de simples imbecil (Olá, Sawyer!) a terrível psicopata (Olá, Dr. Lecter!), mas você sabe que ele te ama porque ele é completamente diferente ao seu redor. Você é uma exceção à sua própria natureza. Isto é como "vilão" acaba derivando para o "anti-herói" - Drácula, O Fantasma da Ópera, Spike da série Buffy, Draco Malfoy nas fanfics -, mas você até mesmo vê-lo com heróis simples: o Sr. Darcy e Mr. Rochester são os dois frios, espinhosos, tipos introvertidos até que Lizzie Bennet e Jane Eyre chegam, respectivamente, para confundir e derreter-los. Essa é a fantasia. (Nota: esta não é uma comparação de qualidade.)

Agora, o problema é que, na vida real, os tigres raramente mudam suas listras. Claro, seu idiota de escolha pode começar a dar-lhe tratamento especial, mas como a novidade do relacionamento desaparece, ele vai fazer exatamente o que o cara legal faz: ele vai tratá-la como ele trata todos os outros. Só que com o idiota, isso é exatamente o que você não quer. Mas você vai lembrar os bons tempos muito depois de você continuar recebendo o tratamento jackass completo - você só tem que tentar mudá-lo mais, Certo? (Ugh.)

Assim, a teoria em relação à Crepúsculo: Edward passa pelo menos metade do livro esforçando bem violentamente com ele mesmo a não assolar Bella, "sua marca de heroína". E quanto mais ele tem que lutar, mais atraente ele é para o leitor, porque isso é o quanto ele ama a Bella. E Bella é essencialmente o "avatar" do leitor. Então você tem esse cara que - somos lembrados eternamente - é um Adonis na Terra, e se você fosse qualquer outra pessoa, que não seja adoravelmente desajeitada e, secretamente, quente e cheirando naturalmente a freesia, você estaria frita. Mas você é especial.

3) Realização de um desejo: Eu não posso enfatizar com mais vigor o quanto este elemento é importante, porque eu acho que é também a razão por que Harry Potter pegou o imaginário cultural. Você não é apenas um órfão em um armário! Você é um mago! Você é o melhor mago de todos e você também é o máximo em esportes e você tinha pais ricos e magos, que te amaram tanto que morreram por você (mas você ainda tem o seu dinheiro) e, também, lhe trouxemos um bolo de aniversário! E então você, através de Harry, está mergulhado neste mundo bruxo fantasticamente detalhado. Caramba, eu tô dentro! E eu acho que a maioria das coisas que realmente fisgam as pessoas estão no grupo "eu quero ser essa pessoa e viver nesse mundo". Eu quero ser Elizabeth Swann, eu quero ser Lyra Belacqua, eu quero ser as crianças Pevensie.

Assim, com Crepúsculo, Bella deixa sua mãe para se deslocar a uma cidade nova e uma nova escola com seu pai silencioso e chefe de polícia de uma cidade pequena. Ela imediatamente ocupa várias páginas dizendo como ela não se encaixa em lugar algum e ela não é como as outras pessoas e ninguém entende ela (que na verdade é bastante normal para uma adolescente. Eu comecei a ter fortes flashbacks para os meus quatorze anos). Além disso, ela é tão desajeitada que ela literalmente não pode andar por uma porta sem cair. Então, ela se muda para Forks, onde os meninos imediatamente caem sobre si para caminhar com ela para a aula, e acabam se alinhando para lhe convidar para o baile da primavera. Mas ela não quer eles - não, ela quer que o mal-humorado, angelicamente lindo Edward, apesar do fato de que ele é uma espécie de rabugento por um quarto do livro. (Mas veja, a parte rabugenta acaba por acrescentar ao fascínio, porque então Bella é tão especial que ela muda ele - ver ponto 2 acima.) E assim, não só Edward acaba se apaixonando por ela à primeira vista, mas em seguida demonstra a escandalosa profundeza do seu amor e paixão na luta contra sua própria natureza por causa dela (mais uma vez, o ponto # 2), e então ele a leva para casa e apresenta a sua família de vampiros, com seus lindos e amorosos -e ricos- "pais" que imediatamente aceitam Bella e agradecem-na por "mudar" Edward. Não, é sério, eles realmente agradecem a mudança que operou nele. Porque em quase cem anos, entende, ele nunca amou ninguém. Mas -você- Bella, ela do perfume delicioso freesia e perigosamente destrambelhada, curou sua solidão. E também, -você- ela agora tem uma família de vampiros amorosos - Sugiro que a cena onde ela vai ao encontro dos Cullen é a realização de um desejo por si mesma para qualquer um que já tenha contemplado o terror de conhecer sogros em potencial.

***

Queria saber o que as leitoras deste blog - fãs de Crepúsculo ou não - acham dessas teorias. Eu acho que elas fazem total sentido, mas posso estar errado.

Dantas br

23/11/2009 11:12:02

Pedro S.E.

Bacana, gostei muito do que ela escreveu e escreve bem.
Contudo, não as vejo como vítimas (principalmente depois que leio os comentários de "O lobisomen merecia um Oscar" e por aí a fora...), pois os 'males da sociedade' são largados à todos que tenham olhos e ouvidos. Você escolhe se quer engolir o que Zorra Total tem para lhe mostrar, ou se desliga a TV.

Pedro S.E. br

23/11/2009 12:10:14

Robson Costa

Muito bons tanto o post da Elizabeth quanto o do Dantas com as teorias da Cleolinda. Na minha opinião, por mais que racionalmente uma obra de arte tenha suas qualidades ou seus defeitos, há um ponto emocional entre o espectador, leitor ou apreciador e a obra de arte. E isto conta muito para você dizer que acha um filme excelente, um livro um clássico ou uma pintura uma obra de arte. Tanto que muitos de nós devem gostar de um filme, um livro, uma banda, uma música, que muitos detestam, mas que você gosta. É aquele prazer proibido!
Não li os livros da série Crepúsculo, vi só o primeiro filme e para mim ficou claro: é uma obra direcionada para os fãs da série. A heroína é sem sal, o herói muda mais de humor do que camaleão muda de cor. Os personagens são rasos. Nada é explicado, tudo tem que ser aceito. Com um tema destes, deveria ter um mistério, um suspense no ar, mas não há. Não há nada que transmita interesse pelo filme, por isso tantas críticas negativas. Mas para as fãs aconteceu a ligação emocional: reconhecimento com a heroína, galãzinhos disputando a mocinha. Não é o sonho romântico de toda adolescente?
A adolescência é levada mais na emoção do que na razão. E isto a série fornece. É um ponto de fuga, onde ninguém me entende, mas a Stephenie Meyer, sim. E elas viajam aí. E não esqueçamos uma coisa sobre a escritora: ela é mórmon, e todo lance sobre sexo ser reprimido está lançado como algo do instinto (animal) e não do homem (que neste caso é o amor).
Não li a série, li um resumo da contracapa, e sinceridade, me lembrou as Sabrinas da vida. E você poderia pegar qualquer uma e ler o resumo: era sempre a mesma coisa. A heroína entrava em conflito com o herói, mas no fim descobria que era o amor da sua vida. Não é o resumo de Crepúsculo? Não é a teoria da Cleolinda?
Obs: lembrei de uma reportagem na TV que falava de um projeto que incentivava a leitura de pessoas sem condições econômicas. A reportagem elogiava o projeto, mas "os livros" eram Sabrinas e as clientes dos projetos eram todas senhoras que queriam livros de romance. Seriam pré-fãs de Crepúsculo?

Robson Costa br

23/11/2009 12:59:54

Glaucio Z.

Muito interessante esse post, Dantas. Achei interessante a análise ter vindo de uma fã de Crepúsculo, afinal, é muito bom ouvir os dois lados, e o que elas sentem ao ler o livro.
Eu nunca vi o filme, e tão pouco li os livros (nem sequer os folheei). O meu único contato com a obra foi o que falaram dela (inclusive as críticas do Pablo, que eu não deixo de ler, mesmo nunca tendo visto o filme).

Gostei também dos outros comentários do blog.

Glaucio Z. br

23/11/2009 13:37:54

Danilo Peres

Contrata ela !!!!!

Danilo Peres br

23/11/2009 14:03:23

Vinícius Colares

Maíra tbm não é assim, crianças de 12 anos tudo bem, num tem nada a ver sacanear, agora as crepusculetes amis raivosas, já são bem crescidinhas, de digamos de 17 anos até 25 anos em média!

Vinícius Colares br

23/11/2009 15:39:23

Eric

As veias de meu pescoço saltam, pobrezinhas, diante da sublime visão dessa vampira tão... err... especial:

www.esquire.com/.../sexy-kate-beckinsale-video

PV, um brinde a Selene, certamente na fila de espera da saudosa (espero que por ora) série "Musas"!

Eric br

23/11/2009 15:40:31

Fabiana

Mas você se considera a regra, Priscila? Acha que o mais provável é que essa quantidade absurda de meninas refinem seus gostos? Ou que acabem assistindo a filmes do Daniel Filho e lendo Paulo Coelho?

Fabiana br

23/11/2009 16:11:19

Pedro K.

"OLHA PABLO POIS FIQUE SABENDO QUE VOCE E QUE E O IGNORANTE, VAI LER O LIVRO ANTES DE FALAR QUE A GENTE E "MUITO NOVA PRA ENTENDER". AFF, COMO VOCE E RIDICULO, JUGA UMA COISA SEM NEM AO MENOS ENTENDER SOBRE ELA!"
















É Pablo, seu ignorante! JUGA as coisas sem nem ao menos entende-las!

Pedro K. br

23/11/2009 18:04:48

Pedro S.E.

Sidney Sheldon é minha melhor recomendação para quem procura heroínas.

Pedro S.E. br

23/11/2009 22:21:00

Priscila

Fabiana, eu não me considero regra nem exceção, por um motivo simples: para mim, não existe relação direta entre capacidade de abstração e gosto literário. Meninas gostarem de Crepúsculos e Harry Potters da vida é normal. Afinal, a literatura infanto-juvenil não é um delírio mercadológico; ela existe porque há público que se identifica com ela. Da mesma forma, é normal adultos gostarem de O código da Vinci. É entretenimento. Ponto.

Eu li A droga da obediência, do Pedro Bandeira, umas sete vezes quando adolescente. Adorava. Eu sabia que não era a obra-prima da literatura brasileira, mas sabia também, meio sem total consciência disso, que eu não estava preparada para o cânone (ou para a literatura de verdade, se preferir). E não estava mesmo.

Essas meninas estão se divertindo com literatura rasa, assim como nós (eu, pelo menos) nos divertimos com futilidades de vez em quando e, por isso mesmo, acho despropositado temer pela inteligência e pelo senso crítico daqueles que gostam da chamada sub-literatura.

Enfim, não critico quem lê Paulo Coelho, mas não deixo de sugerir Fernando Sabino. Porque a leitura deve ser estimulada sempre. E porque sabedoria sem tolerância não tem serventia. Pelo menos, não para mim.

Priscila br

23/11/2009 23:04:41

Camilinha Cullen

Pah, mim passa o livro do Lua Nova que vc pegou pq a Tatianinha está querendo emprestar para o Fael.
beijo na alma

Camilinha Cullen br

24/11/2009 1:01:13

Dantas

Obrigado, Robson e Gláucio! Estou muito feliz que alguém leu essa "Bíblia" (rsrs) que eu postei porque deu um trabalhão traduzir aquele blog! Tong
Mas pra mim valeu a pena. É algo que merece ser lido.

Priscila, seus comentários são sensacionais, concordo plenamente. Ninguém nasce
sabendo ler os clássicos. É preciso ter uma base, começar lendo livros mais fáceis e leves. Uma das coisas para se admirar sobre o sucesso de Crepúsculo (e Harry Potter) é o fato deles quebrarem o estígma dos livros como cansativos e chatos entre crianças e adolescentes. É quase como um marketing da literatura.

Dantas br

24/11/2009 10:37:08

Robson Costa

E, no caso do Harry Potter, os livros foram crescendo de tamanho de edição em edição. E eles eram lidos. E concordo com a Priscila; muitos começaram lendo a chamada literartura descartável ou de entretenimento. Quantos começaram a ler livros da série Vagalume da Editora Ática, como A Ilha Perdida ou O Escaravelho do Diabo? Quantos lerão O Gênio do Crime, da Ediouro? E mesmo autores internacionais como Agatha Christie e Sidney Sheldon. São portas de entrada para o mundo da literatura. O que deve ser desenvolvido é o gosto e outros autores devem ser apresentados, como Fernando Sabino, Érico Veríssimo, Machado de Assis, Jorge Amado, e assim por diante. O que não pode é a pessoa ficar presa para sempre a estes livros.

Robson Costa br

24/11/2009 10:38:04

Robson Costa

Corriginfo, Quantos leram o Gênio do Crime, da Ediouro?

Robson Costa br

24/11/2009 12:13:09

Priscila

Bem observado, Dantas! Numa época em que se discute o suposto empobrecimento da língua e a possível extinção do livro tal como o conhecemos, ver adolescentes lendo pelos cantos é de certa forma apaziguador.

E, Robson, O escaravelho do diabo deve ter sido o primeiro livro infanto-juvenil que eu li. Lembro as páginas amareladas, que herdei dos meus irmãos. E Agatha Christie? Nossa. Li uns vinte. Suaves introduções aos grandes romances policiais.

Priscila br

24/11/2009 14:21:38

Eric

Num certo dia, do alto de sua sapiência, um certo octogenário bem disse: "De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido".

O que cada um de nós estamos fazendo para impedir a realização dessa macabra 'profecia'?

Eric br

24/11/2009 14:27:38

Eric

Ou seria: O que cada um de nós está fazendo para impedir a realização dessa macabra 'profecia'?

Ou: O que cada um de nós estamos fazendo para impedirmos a realização dessa macabra 'profecia'?

ou ainda: O que cada um de nós está fazendo para impedirmos a realização dessa macabra 'profecia'?

Ou:...

Terrível constatar: "De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido"... Rss...

Eric br

24/11/2009 16:01:25

Rone

Será que há 20 anos atrás, se os romances Sabrina, Julia, Bianca (aqueles livros que toda mulher, hoje com 40 anos, lia) fosse filmado teria a mesma repercussão?

Eu não vejo a necessidade de discussões filosóficas para esse assunto, é apenas modismo. Sempre existiu e sempre existirá.

Rone br

25/11/2009 20:42:47

Marco Antonio

"Eu não vejo a necessidade de discussões filosóficas para esse assunto, é apenas modismo. Sempre existiu e sempre existirá."

Também acho.

Marco Antonio br

3/12/2009 17:11:40

Guilherme Huyer

Concordo com a Priscila.

Guilherme Huyer

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