Gerações em Conflito

by Pablo 24. novembro 2009 15:51
Comentei brevemente sobre isso no twitter, agora há pouco, mas achei que valia também um post aqui no blog, já que sempre tenho curiosidade de ler as posições de vocês a respeito de assuntos como este.
 
A questão teve início hoje à tarde, quando um ex-aluno me chamou no MSN para protestar contra o cinema brasileiro atual, que ele classifica como "cinenovela". Jovem diretor de arte, ele se mostrou revoltadíssimo com o cinema nacional contemporâneo, afirmando que nada produzido desde 2000 presta - nem mesmo os projetos nos quais ele trabalhou. Ele perguntou, então, se eu conseguia pensar num único filme bom produzido no Brasil esse ano e citei Hotel Atlântico, O Amor Segundo B. Schianberg e Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo.
 
Ele não vira nenhum deles, mas insistiu em seu ponto.
 
Perguntei, então, se não considerava nem mesmo Cidade de Deus como um bom filme.
 
Não. Era uma semente do "fascista" Tropa de Elite. Cansado desta visão limitada, superficial e incorreta sobre o filme de José Padilha, apontei que aquela era uma interpretação rasa que não considerava sequer as ligações do longa com Ônibus 174. Resposta: Ônibus 174 é uma visão imbecil burguesa sobre a vida na favela, que o diretor desconhece. 
 
Como se tratava de um ex-aluno (e tenho essa besteira de me considerar responsável pela educação de quem passa por meus cursos), insisti e perguntei se ele não valorizava nem mesmo os documentários brasileiros, que considero entre os melhores do mundo. Ele disse que sim, mas que nossa ficção era pedestre. E rapidamente emendou um discurso sobre "produtores ladrões", comparando Helvécio Ratton e Daniel Filho. Apontei que era uma comparação que simplesmente não procedia, já que eles diferiam em tudo, de trajetória pessoal a profissional, passando pelos temas que desenvolviam, linguagem, etc. 
 
Nesse instante, ele pareceu apelar, dizendo que Batismo de Sangue era um "lixo megalomaníaco" e que meu livro sobre Ratton "legitimava" esse "péssimo" cinema brasileiro atual. Foi aí que perdi a paciência, falei que não iria mais gastar meu tempo sendo ofendido gratuitamente e que desejava sorte a ele em seus projetos futuros. Falei ainda que, como jovem realizador, sua revolta era natural, mas que (rezemos) passaria com o tempo e que ele trabalharia em muitos bons projetos. 
 
E realmente acredito nisso. 
 
Aliás, vou além: compreendo perfeitamente a inquietação deste ex-aluno, que é um jovem inteligente e com um brilhante futuro pela frente. E também entendo esta postura de "nada que veio antes de mim presta; sou eu quem vai mudar o mundo e abrir os olhos dos meus contemporâneos cegos!".
 
Por que entendo? Porque já fui assim.
 
Quando comecei como crítico, insistia em repetir que a crítica brasileira não tinha "História e tradição". Que ninguém prestava. O que eu queria dizer com isso, claro, era que eu merecia a atenção e admiração irrestrita de todos. Era uma maneira imatura, tola, de tentar provar meu valor, já que eu me sentia inseguro quanto a mim mesmo. Hoje me lembro de certas coisas que falei neste sentido, desmerecendo uma galeria de profissionais magníficos apenas para me posicionar acima deles, e sinto imenso embaraço; uma vontade colossal de voltar no tempo e dizer: "Cala a boca, moleque!".
 
Mas isto fez parte de meu crescimento; era preciso passar por aquilo para chegar onde estou hoje. Portanto, não condeno a intensidade do radicalismo deste meu ex-aluno; sei que ele se suavizará com o tempo e encontrará seu próprio equilíbrio ao perceber que não é preciso atacar o passado (ou o presente) para encontrar seu próprio lugar. Aprender com os erros dos outros, sim, é sempre válido; generalizar que "ninguém presta" é manter-se propositalmente cego e, com isso, dificultar o próprio aprendizado.
 
Hoje vejo isso com maior clareza. E, como profissional seguro do meu valor, consigo finalmente aplaudir sem reservas ou receios o valor dos outros.
 
(Dito isso, eu sou foda. Bom pra caralho. E se os moleques das gerações futuras negarem isso, serão uns idiotas sem salvação.)

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24/11/2009 16:32:58

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24/11/2009 16:35:01

Chico

Final ÉPICO para um texto ótimo e verdadeiro. Hehehe

Chico br

24/11/2009 16:38:52

Garota no hall

Todos cometem erros, Pablo. Veja o exemplo do excelente crítico Paulo Emilio Salles Gomes, que inclusive foi tema do meu TCC em 2006: afirmar que até o pior filme brasileiro era melhor do que uma obra de Ingmar Bergman parece que foi puro desespero para salvar o cinema nacional, que atravessava o período das pornochanchadas.

Garota no hall

24/11/2009 16:39:45

Leandro

Um post interessante esse, pois demonstra como pensam a maioria das pessoas atualmente,ou seja, sempre acham que aquilo em que participam é que é bom.

Não reconhecem méritos,nem parecem querer aprender com quem pode ajudar.É de uma prepotência absurda pensar assim.

Obs:A ironia foi bacana. E Pablo,tu não vai mais escrever sobre Dexter ?

Leandro br

24/11/2009 16:50:31

Robson Saldanha

Nunca consegui ver com tanta revolta nosso cinema. Entendo que ainda há muito amadorismo e o cinema brasileiro sempre procura apertar a mesma tecla sobre temas, mas creio que isso também é um processo de amadurecimento, como você amadurecer quando jovem crítico. Dessa maneira, não creio que o cinema tupiniquim não tenha slavação, muito pelo contrário, entendo que, apesar de muitas baboseiras lançadas, ainda há muito o que se aplaudir e ainda vrião muitos longas de qualidade. O fato é que tal revolta deve, talvez, ser explicada por ele conviver diretamente com a produção nacional e acreditar que nada deve ser feito daquela maneira, que tudo tá errado e que deve ser mudado. Pena que nem sempre é assim que ocorre... como você falou, ele ainda vai aprender que tanta revolta não é tem efeito imediato e sim a longo prazo. Abraço!

Robson Saldanha br

24/11/2009 17:24:14

robfarah

Já que Dexter foi citado, passo aqui só pra dizer que acertei quem atirou na Deb e no Lundy na minha segunda teoria.

A primeira era o Anton, assim que houve o fato, mas mudei rapidamente quando começaram a falar do assunto na série.
Domingo ficou claro quem atirou - mas a surpresa seguinte eu não esperava.

robfarah br

24/11/2009 18:24:20

Mateus

Nunca entendi muito discursos radicais. O seu aluno certamente praticou uma bela sinédoque cinematográfica (li sua crítica sobre Sinédoque Nova Iorque, achei massa o filme e o texto, aprendi a palavra e vou usá-la! Tong) tomando alguns poucos filmes como o todo do cinema nacional. Não gosto nem de ouvir amigos meus falando que cinema brasileiro não presta, sempre pergunto: -Você acompanha pelo menos metade dos lançamentos anuais dos filmes brasileiros? Não? Então não vamos abrir a boca pra falar besteira. Só o fato dele não ter visto os filmes que você indicou demonstra isso.
Amo o cinema brasileiro, com exceções, assim como amo o cinema hollywoodiano com MUITAS exceções.
Agora quanto a se achar foda, a gente tem que se achar mesmo. Se a gente não se amar, quem vai? (Mas você é realmente muito bom, o que prova que eu posso até ser idiota, mas ao menos tenho salvação. \o/)

Mateus br

24/11/2009 18:51:59

Priscila

Hotel Atlântico vai ter crítica? Li o livro do Noll e gostei muito.

Priscila br

24/11/2009 18:53:06

Joaquim

Pablo mandando uma sére de postagens excelentes. Parabéns.

Apesar de eu achar o cinema nacional realmente complicado. Agora, não dá pra dizer que "Cidade de Deus", por exemplo, é um filme ruim, ou "mal feito", evidente que dá para você não gostar do filme, claro, gosto é gosto, não se determina o que os outros "gostam", mas é um filme, em termos de roteiro, narrativa, produção e execução, absolutamente de primeira linha. Diria que o mesmo se aplica a "Tropa de Elite", apesar desse não ser tão revolucionário quando CDD. É um filme muito bem escrito, bem montado, dirigido, tudo.

E existem diversos outros exemplos de filmes recentes que são muito bem feitos.

Um ponto que o aluno levantou com o qual eu concordo, entrentanto, é o vício de cineastas Brasileiros de abordarem "temas sociais", sem parar, em seu cinema, para agradar e chamar à atenção de festivais internacionais e se sentirem "artistas" lidando com temas sérios, pertinentes, etc, quando na verdade o que eles querem é ser reconhecidos, ganhar prêmios e dinheiro, ter carreiras.

Daí que temos o MAIOR BANQUEIRO DA AMÉRICA LATINA (Walter Salles, dono do Unibanco/Itaú) fazendo a biografia do Che Guevara (Diários da Motocicleta).

O que será que Che acharia disso? Deve se revirar na cova enquanto Salles sorri ganhando prêmios.

É enojante ver esses cineastas querendo explicar a quem tem fome o que é ter fome, quem sofre violência o que é sofrer violência, a quem é excluído o que é ser excluído, a quem não tem nada o que é não ter nada, e depois irem recolher prêmios em Cannes.

É literalmente a mesma coisa que um senhor feudal fazer uma peça sobre a vida dos camponeses em situação de penúria em seu reinado e ir ganhar prêmio por sua peça em outro reino. Infelizmente essa hipocrisia doentia é muito pouco explorada na imprensa Brasileira, não entendo exatamente por que.

E o pior é que o público da Europa e Eua realmente acha que, já que os filmes são Brasileiros, aqueles retratos são, de alguma forma, feitos pelos que estão sendo retratados.

Observando o Cinema Brasileiro históricamente podemos ver que o cinema "social" é todo um filão, um mercado explorado com muito sucesso pela "burguesia", pelos intelectuais Brasileiros, pelos "artistas", sempre bem posicionados e endinheirados (nada contra isso, à principio...) principalmente em termos de prestígio e reconhecimento, por muitos Cineastas desde os anos 50. O ápice disso seria o Glauber Rocha, que se entrincheirou nesse nicho e fez sua carreira inteira retratando o Nordeste, o Cangaço, os excluídos, etc, etc, fazendo um cinema confuso, de vanguarda, perdido e entediante, cuja finalidade máxima (e utilização prática) se deu em, no final das contas, discussões intelectuais de meia dúzia de acadêmicos e meia dúzia de críticos de cinema Franceses.

Só. Acabou a utilidade do cinema dele aí. Seu impacto não saí desses meios, já que "o público" não foi as salas.

Walter Salles aprendeu que não poderia ser tão hermético e resolveu fazer um cinema com uma narrativa mais tradicional, mas ainda abordando temas "sérios", por que afinal ele é um "artista", e não um bilionário brincando de cineasta. E tem que ser levado à sério, não é mesmo?

E não discordo de que ele seja um cineasta MUITO competente. Seus filmes são absolutamente excelentes em diversos aspectos. Só acho enojante e oportunista ele usar da miséria dos outros para ganhar prêmios e prestigio. Se sobra alguma coisa disso, é ver que mesmo tendo bilhões as pessoas ainda precisam buscar sentido na vida com alguma coisa. Algo a se pensar sobre.

Históricamente, entretanto, essa corja vai ser colocada em seu lugar, e gerações futuras irão ver claramente o que estou falando: a elite retratando a miséria para beneficio próprio. Paleativos como criar uma escola para atores na favela e promover a carreira de meia dúzia de miseráveis não são o suficiente para justificar essa hipocrisia horrenda e falta de criatividade e visão pessoal. Falta de O QUE dizer por si só.

Pixote, por exemplo, tem DUAS cinebiografias. E morreu miserável, escondido embaixo de uma cama, chacinado pela polícia. Me pergunto se Beethoven tem duas cinebiografias, se Shakespeare tem? Tiveram todo esse dinheiro para denunciar a situação dele, mas ninguém teve dinheiro ou paciência para alfabetiza-lo e tira-lo da vida do crime e da favela de Diadema.

Enquanto isso, o povo lá retratado nas telas escandalizadas com essa situação insustentável da sociedade Brasileira, continua sem conhecer Paris. E com certeza mais algum bem-colocado documentarista Brasileiro ganha um prêmio em Berlin com um filme sobre alguma favela, a na sequência vai comer canapés da festa de encerramento do festival onde está.

É lindo isso.

Joaquim gb

24/11/2009 20:16:59

Marco Antonio

As vezes eu já me senti assim.Mas,como você disse,é preciso aprender com os erros dos outros.

P.S.: Pretendo,futuramente,ser um Foda!hahahahahaha

Marco Antonio br

24/11/2009 20:32:37

Rone

Mas o cara estava muito nervoso! Manda ele tirar a calça e pular em cima !!!!

Rone br

24/11/2009 21:04:38

RW Fassbender

Você agiu muito bem, Pablo... tem coisas que podemos aprender com o mestre, mas algumas temos que aprender sozinhos!

Agora... essa visão de que Tropa de Elite é fascista é MUITO BURRA, PELO AMOR DE DEUS!! Não aguento mais ouvir isso, e já desisti há tempos de tentar argumentar contra, porque é uma dessas "opiniões da moda".

Hurm.

RW Fassbender br

24/11/2009 22:56:00

Ivan Guimarães Filho

Sim, vc é foda. Bom pra caralho. E se os moleques das gerações futuras negarem isso, serão uns idiotas sem salvação MESMO.

E tenho dito.

Ivan Guimarães Filho br

25/11/2009 1:02:23

Felipe Dias de Miranda

Ahh... o antigo combate entre o ímpeto insensato da juventude versus a sábia prudência dos experientes...

Felipe Dias de Miranda

25/11/2009 3:27:43

Axlbr

Meu, esse é somente mais um exemplo do maior problema das pessoas (na minha opiniao) hoje em dia, a FALTA DE RESPEITO.
Em qualquer area, por qualquer questao, nao importa. Basta olharmos em volta, esta por toda parte.

Voce trabalha em um movimentado e tradicional restaurante??! Ja viu aquele funcionario novo que chega falando que mudaria tudo, que tudo eh ultrapassado e RUIM.... pois eh, por ai vai...

Axlbr us

25/11/2009 9:05:21

Flavio

O cinema nacional tem seus filmes bons e ruins como todo cinema. A grande Hollywood que produz filmes muito bons, lança porcarias a cada segundo. O mesmo acontece no Brasil. O problema é que somos preconceituoso com nós mesmos. Ouvi uma pessoa dizendo que detestou o filme Saneamento Básico, quando o questionei o motivo, ele me disse simplesmente pq o filme é nacional. Mas foi assistir Se eu fosse vc e adorou. Ou seja, nós não queremos cinenovela, mas o patrocinamos, e quando alguem faz um filme que realmente vale a pena, o criticamos por ser brasileiro. Estranho não? Falando no assunto, o que vc achou de Mulher Invisivel Pablo? Eu achei interessante.

Flavio br

25/11/2009 9:23:17

Carolina Carvalho

Há duas perspectivas, sempre. Eu não sou legitimada pra falar de cinema, mas vale a analogia literária. Pra Harold Bloom, por exemplo, estamos submissos à angústia da influência, ou seja, os precursores sempre serão infinitamente superiores àquilo que será produzido pela frente. Já o caríssimo Borges diz que não, muito pelo contrário, o presente é que valoriza o passado ao colocá-lo em lugar de destaque, ou seja nós somos os responsáveis pela valoração dada a determinado autor, obra e criação.

Acho que não podemos ser radicais, e que ambas as perspectivas podem caminhar conjuntamente na construção de algo novo, bom e prolífico.

Carolina Carvalho br

25/11/2009 9:55:59

Guilherme Inojosa

Um cara desentendido de cinema dizer que filme brasileiro é ruim(o cliche do génnero é o "porque só tem sexo e favela") é uma coisa, mas ver isso de um cara entendido da arte realmente é triste. Realmente espero que isso passe, não posso dizer que essa revolta com a arte nacional é coisa de idade porque eu ainda sou novo e já passei por essa "fase", mas pode ser que isso se agrave pelas questões que você falou.

Guilherme Inojosa

25/11/2009 11:44:27

Juca

concordo com o Axlbr... fora q a juventude de hj é absolutamente burra(algumas exceções se salvam)
mas a falta de respeito por parte da historia, ou até mesmo do presente apenas diferente de você é algo que me enoja!

Juca br

25/11/2009 12:09:07

Roberto Santos

Mas, convenhamos, Batismo de Sangue é, de fato, um lixo megalomaníaco e pretensioso.

Roberto Santos br

25/11/2009 14:16:16

WALTHER JR.

Final Épico mesmo!!!! kkkk Pablo vc é do Caralho!!!!!!

WALTHER JR. br

25/11/2009 15:40:11

Leandro Moraes

Mazzaropi é que manjava de cinema, Glauber também, Aquele cara que fez vidas secas, tem o Anselmo Duarte.

Anna Muylaert é bão também. O Padilha. O cara de "castelo rá-tim-bum".

Mas tem muita coisa ruim: Saneamento Básico, Redentor, Salve Geral. Isso por que nós já esquecemos de garrincha, gatão de meia idade, mas é melhor não desenterrar.

Leandro Moraes

25/11/2009 20:39:01

laguna

@Robfarah
Realmente tem feito falta os posts de Pablo sobre o Dexter.
De qualquer forma, vou puxar aqui o debate que você começou:

Cara, que capítulo foi aquele?! Sensacional!(s04e09)
Confesso que comecei a quarta temporada com um pé atrás, pois eu fui um daqueles que achou a terceira fraquíssima e não estava apostando mais na adaptação livre dos roteiristas quanto aos livros. Sempre vi Dexter atingindo seu climax na 2ª temporada e entrando numa descendente para todo o sempre... mas esse 4ª ano está incrível!

Ontem eu discuti com uma amiga sobre a identidade do atirador antes mesmo do capítulo acabar. Procurávamos algum motivo pra ele ter feito aquilo, mas quando chegou o cliffhanger, a gente pensou: "Ah, tá lá!"

Desnecessário dizer a qualidade das cenas que se passam na casa do Trinity, então vou direto pra aquela que envolve a Rita e um sujeito: tudo caminhava pra aquilo mesmo, e eu gostei da reação dela quando Dexter voltou pra casa. Só espero que ela comece a deixe de ser uma mala-sem-alça daqui pra frente.

laguna us

25/11/2009 21:33:37

Fabrício

Sim, eu sou foda. Bom pra caralho. E se os moleques das gerações futuras negarem isso, serão uns idiotas sem salvação.

Enfim, toda brincadeira tem seu fundo de verdade, e por mais foda que o cara seja, se achar foda é sempre um caminho perigoso, eu acho... talvez Tarantino diga a mesma coisa de si mesmo, e não vê os problemas daquilo que ele mais sabe fazer: filmes. Dito isso, é uma pergunta sem ironia, de verdade: vc percebe "problemas" nisso que sabe fazer de melhor, e que sabe que sabe fazer de melhor?

Fabrício br

25/11/2009 22:28:55

Glaucio Z.

Bastante interessante esse post. Realmente a juventude tem essa necessidade de se afirmar negando o passado, como uma tentativa de negar aquela famosa frase que ronda a nossa sociedade: "o tempo é o senhor da razão". Se o tempo é o senhor da razão, logo, quem é mais velho é bem mais sábio que o mais moço. Nesse sentido, resta ao jovem algumas atitudes que rondam à negação do passado para se afirmar como um sujeito ativo, importante para os outros, como se, apesar de ter pouca experiência, ele tem algo a mostrar ao mundo.

Ou o jovem, se não tiver tendências egocêntricas, utiliza esse passado como ponto de referência para suas atitudes, sem querer mudá-las, mas acreditando que os mais velhos realmente são bons e com eles se tem muito o que aprender. Antigamente isso estava mais em voga, quando os mais novos procuravam os mais velhos em busca de conselho. Hoje dá para contar nos dedos quantos jovens procuram os seus avós para perguntarem alguma coisa, buscando experiência. Eles normalmente vão até o google e digitam a dúvida.

Mas existem aqueles jovens que pegam as coisas que os mais velhos fizeram, e tentam fazer algo novo, não negando o passado, admirando, e dando uma nova roupagem. Eu acho estranho aquelas pessoas que negam o passado, sendo que se elas aprenderam alguma coisa, foi por conta desse passado. Dizem os teóricos que educação nada mais é que a transmissão de conhecimento historicamente construído (visão marxista da educação). Para um jovem conseguir negar ou superar o passado, ele tem que conhecer muito bem esse passado.

E tem os mais velhos que seguem como filosofia de vida a frase "o tempo é o senhor da razão" que acham tudo produzido pelos mais jovens ruim. Eu acho que seria legal casar as duas coisas (os mais velhos aprenderem com os mais novos e vice-versa). Afinal, apesar de muitos se acharem completos, ninguém o é. Uma pessoa mais velha que tem a cabeça muito condicionada a fazer a mesma coisa, perdendo a sensibilidade de enxergar coisas novas, pode produzir melhores coisas com os mais jovens. Quantos professores não aprendem com a dúvida mais essencial do aluno?
A ousadia do mais novo é uma das coisas que algumas pessoas tanto valorizam. Não compreendo cinema ao ponto de poder afirmar isso, então só posso deixar como pergunta. Quem revolucionou mais o cinema, em termos de trazer novidades, de criar novidades: os cineastas que estavam há muito tempo no mercado e que conseguiram criar coisas novas por acúmulo de experiência, ou os mais jovens, dentro de uma ousadia sem tamanho, pegando o que fizeram antes deles, superando?

Orson Welles com o "Cidadão Kane" se enquadra dentro disso?

Glaucio Z. br

27/11/2009 10:55:11

George Pedrosa

Se não é fascista, Tropa de Elite peca pela omissão, pois é perfeitamente aberto a esse tipo de interpretação. Com todo aquele clima de militarismo cool e a completa refuta ao trabalho social como meio de mitigar a miséria, como ficar surpreso quando esse tipo de coisa acontece:

"O Coronel Mendes, que gosta de ser chamado de “Capitão Nascimento”, não esconde seu desprezo pelos movimentos sociais. Costuma se referir às manifestações como “baderna provocada por gente desocupada”. Segundo Frei Sérgio, o policial “não reconhece os Movimentos como agentes sociais nem sua causa como política. A questão social é tratada como criminosa e ponto”.
Os direitos humanos também não atraem a simpatia do ocupante do maior posto militar gaúcho.

O caso mais notório da truculência institucionalizada ocorreu no final do ano passado, quando quatro adolescentes foram torturados com sacos plásticos e empalados, reproduzindo o filme Tropa de Elite, tão admirado pelo Coronel. Ao menos 40 policiais militares teriam participado da ação, entre eles majores, sargentos e capitães. O ato permanece impune. Entre outros recordes, a polícia da governadora Yeda Crusius (PSDB) ostenta os mais altos índices de homicídios de “suspeitos” em seu primeiro ano, superando de longe seus antecessores. A explicação está na equação definida pelo sociólogo francês Loic Wacquant: menos Estado, mais polícia."

http://www.mst.org.br/revista/46/destaque

George Pedrosa br

27/11/2009 11:41:33

Alexander

O cinema brasileiro já está cheio de "gênios". Sempre me espanto um pouco com as entrevistas do Fernando Meirelles, do Helvécio, pois se comportam como caras comuns, sem a síndorme do gênio incompreendido, acho até estranho.
CENA PRA LÁ DE COMUM:
Você vai ao festival, tals, assiste a entrevista do diretor. Vê o filme. Alguém pergunta, "o que achou do filme?", ah, hun, ah hun, você pensa. E responde. O diretor, bem, o diretor é genial, o filme é que é uma bosta...

Eita, finalmente esse blog na ativa, intensamente, de novo. Massa!

Alexander br

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