Filmes vistos (ou revistos) durante o mês de janeiro:
Messages Deleted (Idem, Canadá, 2009. Dir: Rob Cowan. Com: Matthew Lillard, Deborah Kara Unger, Chiara Zanni, Gina Holden, Serge Houde, Michael Eklund.) - Encerrando a “trilogia do telefone” de Larry Cohen, esta produção é a que conta com o pior roteiro (o que é curioso, considerando seu protagonista), além de trazer péssimas atuações e uma direção capenga. Mas a premissa é curiosa, ainda que nada original. (2 estrelas em 5)
Fora de Controle (Changing Lanes, EUA, 2002. Dir: Roger Michell. Com: Ben Affleck, Samuel L. Jackson, Sydney Pollack, Amanda Peet, Toni Collette, Richard Jenkins, Dylan Baker, William Hurt.) - Evitando o maniqueísmo, o roteiro cria dois personagens complexos e ambíguos ao mesmo tempo que recheia a narrativa com diálogos bem construídos e instigantes. (4 estrelas em 5)
Segunda-feira ao Sol (Las lunes al sol, Espanha/França/Itália, 2002. Dir: Fernando León de Aranoa. Com: Javier Bardem, Luis Tosar, José Ángel Egido, Nieve de Medina, Enrique Villén, Celso Bugallo, Serge Riaboukine, Ainda Folch, Joaquín Climent.) - Delicado drama que, com seu elenco coeso encabeçado por um Bardem vigoroso e intenso, funciona como um testemunho do impacto psicológico e moral provocado pelo desemprego numa economia em recessão. (5 estrelas em 5)
Touro Indomável (Raging Bull, EUA, 1980. Dir: Martin Scorsese. Com: Robert De Niro, Joe Pesci, Cathy Moriarty, Frank Vincent, Nicholas Colasanto, Theresa Saldana, Mario Gallo, Johnny Barnes.) - Um estudo psicológico brutal sobre um homem dominado pelo ciúme, a insegurança e a paranóia e que traz, além da direção inspirada e expressiva de Scorsese, três atuações formidáveis por parte de De Niro, Pesci e Moriarty. (5 estrelas em 5)
Megafault (Idem, EUA, 2009. Dir: David Michael Latt. Com: Brittany Murphy, Eriq La Salle, Bruce Davison, Justin Hartley, Paul Logan.) - Que triste legado deixado por Murphy, que, em um de seus últimos trabalhos, surge patética e sem vida num filme que, para ser considerado trash, teria que melhorar muito. Espero sinceramente que a atriz não tenha visto este longa antes de morrer. (1 estrela em 5)
New York, New York (Idem, EUA, 1977. Dir: Martin Scorsese. Com: Liza Minnelli, Robert De Niro, Lionel Stander, Barry Primus, Mary Kay Place, Georgie Auld, Clarence Clemons.) - Embora interessante, a direção de arte acaba se tornando uma distração e os números musicais são, em sua maioria, entediantes (uma das exceções é o número-título). Por outro lado, De Niro e Minnelli criam personagens complexos que despertam a curiosidade do espectador. Um Scorsese menor. (3 estrelas em 5)
Querida, Encolhi as Crianças (Honey, I Shrunk the Kids, EUA, 1989. Dir: Joe Johnston. Com: Rick Moranis, Matt Frewer, Thomas Wilson Brown, Amy O’Neill, Jared Rushton, Robert Oliveri, Marcia Strassman, Kristine Sutherland, Mark L. Taylor.) - O visual oitentista e os efeitos visuais datados acabam contribuindo para o charme do filme, que ainda consegue divertir. (3 estrelas em 5)
Burden of Dreams (Idem, EUA, 1982. Dir: Les Blank. Com: Werner Herzog, Klaus Kinski, José Lewgoy, Claudia Cardinale.) - O retrato extraordinário de um cineasta que, como o protagonista de seu filme, se entrega à obsessão por amor à Arte. (5 estrelas em 5)
Fitzcarraldo (Idem, Alemanha Ocidental/Peru, 1982. Dir: Werner Herzog. Com: Klaus Kinski, José Lewgoy, Claudia Cardinale, Grande Othelo, Miguel Ángel Fuentes, Huerequeque Enrique Bohórquez, Paul Hittscher, Grande Otelo, Milton Nascimento, Ruy Polanah.) - A abordagem de imersão adotada por Herzog, somada à performance intensa de Kinski, resulta numa experiência única e inesquecível. (5 estrelas em 5)
Metrópolis (Metoroporisu, Japão, 2001. Dir: Rintaro. Com as vozes de Kei Kobayashi, Yuka Imoto, Kouki Okada, Tarô Ishida, Kousei Tomita, Norio Wakamoto, Junpei Takiguchi.) - Com uma fabulosa direção de arte, uma animação expressiva e temas complexos, o filme representa um estímulo visual, intelectual e emocional intenso, resultando numa experiência fascinante. (5 estrelas em 5)
S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço (Spaceballs, EUA, 1987. Dir: Mel Brooks. Com: Rick Moranis, Bill Pullman, Daphne Zuniga, John Candy, Mel Brooks, Dick Van Patten, Michael Winslow, Stephen Tobolowsky, George Wyner e as vozes de Joan Rivers e Dom DeLuise.) - Ainda que não consiga recapturar a acidez e a inteligência de seus esforços da primeira fase da carreira, Brooks consegue divertir graças a algumas belas sacadas e ao simples conceito de Moranis como Dark Helmet. (3 estrelas em 5)
Jogos Mortais 6 (Saw VI, EUA/Canadá, 2009. Dir: Kevin Greutert. Com: Tobin Bell, Costas Mandylor, Betsy Russell, Shawnee Smith, Mark Rolston, Peter Outerbridge, Athena Karkanis, Samantha Lemole.) - Embora ainda não tenha assumido o tom de auto-paródia que eventualmente envolve toda franquia do gênero, a série já começou há muito a provocar risos involuntários. (2 estrelas em 5)
Jogos Mortais 5 (Saw V, EUA/Canadá, 2008. Dir: David Hackl. Com: Tobin Bell, Costas Mandylor, Scott Patterson, Julie Benz, Betsy Russell, Meagan Good, Carlo Rota, Greg Bryk.) - Será que os fãs da série não percebem que o conceito dos flashbacks e de mexer com a cronologia dos capítulos anteriores é uma forma encontrada pelos produtores para que possam refazer o original de novo e de novo e de novo? (2 estrelas em 5)
Eddie Izzard: Live from Wembley (Idem, Inglaterra, 2009. Dir: Sarah Townsend. Com: Eddie Izzard.) - No mesmo ano em que protagonizou o ótimo Stripped, Izzard, apresentando-se para 40 mil pessoas, surge numa performance tristemente irregular e sem estrutura visível que soa mais como um (fraco) improviso do que como um texto estudado e ensaiado. (2 estrelas em 5)
Soldado Universal 3 - Regeneração (Universal Soldier: Regeneration, EUA, 2009. Dir: John Hyams. Com: Jean-Claude Van Damme, Andrei Arlovski, Emily Joyce, Zahary Baharov, Kerry Shale e Dolph Lundgren.) - Embora Van Damme ainda tenha boa presença e a coragem de encarnar seu herói como um quase zumbi, Lundgren mal dá as caras (frustrando até mesmo os filhotes da década de 80) neste filme estúpido em conceito e execução. (1 estrela em 5)
Pintando o Sete (Idem, Brasil, 1959. Dir: Carlos Manga. Com: Oscarito, Cyl Farney, Sonia Mamede, Ilka Soares, Maria Petar, Antônio Carlos, Ema D’avila.) - Embora comece de maneira promissora, logo se perde ao ignorar Oscarito e optar por concentrar-se no romance desinteressante protagonizado pelo (também produtor do filme) Farney. (1 estrela em 5)
Visões de Sherlock Holmes (The Seven-Per-Cent Solution, Inglaterra/EUA, 1976. Dir: Herbert Ross. Com: Alan Arkin, Robert Duvall, Nicol Williamson, Vanessa Redgrave, Samantha Eggar, Jeremy Kemp, Charles Gray, Laurence Olivier.) - Uma premissa interessante que, relativamente bem desenvolvida, se beneficia bastante das ótimas atuações do trio principal. (3 estrelas em 5)
O Cérebro de um Bilhão de Dólares (Billion Dollar Brain, Inglaterra, 1967. Dir: Ken Russell. Com: Michael Caine, Karl Malden, Ed Begley, Oskar Homolka, Françoise Dorléac, Guy Doleman, Vladek Sheybal.) - No mais fraco exemplar da série, Harry Palmer perde a personalidade irreverente, enfrenta uma ameaça absurda encabeçada por uma caricatura em um filme aborrecido e sem pé nem cabeça. (1 estrela em 5)
O Senhor das Armas (Lord of War, EUA/França, 2005. Dir: Andrew Niccol. Com: Nicolas Cage, Ethan Hawke, Bridget Moynahan, Jared Leto, Ian Holm, Eamonn Walker, Sammi Rotibi e a voz de Donald Sutherland.) - O anti-herói complexo oferece ao brilhante roteiro a oportunidade de analisar, de forma inventiva e fascinante, o mercado negro (abastecido por grandes governos) das armas de fogo. (4 estrelas em 5)
Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi (Star Wars: Episode VI – Return of the Jedi, EUA, 1983. Dir: Richard Marquand. Com: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kenny Baker, Sebastian Shaw, Ian McDiarmid, Warwick Davis, David Prowse, Billy Dee Williams, Alec Guinness e as vozes de James Earl Jones e Frank Oz.) - A fragilidade de Marquand como diretor e a crescente infantilização da narrativa são facilmente constatáveis, mas ainda assim o filme consegue fechar satisfatoriamente a trilogia original. (4 estrelas em 5)
O Detonador em Alta Voltagem (Live Wire, EUA, 1992. Dir: Christian Duguay. Com: Pierce Brosnan, Ron Silver, Lisa Eilbacher, Ben Cross, Tony Plana, Philip Baker Hall, Lauren Holly.) - Com sua cena de sexo cafona, seus diálogos patéticos, seus efeitos trash e seu roteiro absurdo, quase acaba servindo como diversão involuntária. Quase. (1 estrela em 5)
Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca (Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back, EUA, 1980. Dir: Irvin Kershner. Com: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kenny Baker, David Prowse, Billy Dee Williams, Alec Guinness e as vozes de James Earl Jones e Frank Oz.) - O melhor de toda a série, este episódio abraça o potencial sombrio do universo concebido por Lucas e consegue equilibrar com eficiência os aspectos infantis da narrativa com os momentos de maior densidade. (5 estrelas em 5)
Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (Star Wars: Episode IV – A New Hope, EUA, 1977. Dir: George Lucas. Com: Mark Hamill, Harrison Ford, Alec Guinness, Carrie Fisher, Peter Cushing, Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kenny Baker, David Prowse e a voz de James Earl Jones.) - Lucas consegue imprimir energia à direção e estabelece seus personagens como figuras imediatamente icônicas, mesmo que, aqui e ali, seus péssimos diálogos comprometam a experiência. (4 estrelas em 5)
Mary & Max (Idem, Austrália, 2009. Dir: Adam Elliott. Com as vozes de Bethany Whitmore, Philip Seymour Hoffman, Toni Collette, Eric Bana e Barry Humphries.) - A formidável direção de arte, as dublagens impecáveis, o roteiro sensível e a direção inteligente transformam esta animação em uma experiência tocante, madura e inesquecível. (5 estrelas em 5)
Peter Pan – De Volta à Terra do Nunca (Return to Neverland, EUA, 2002. Dir: Robin Budd, Donovan Cook. Com as vozes de Harriet Owen, Blayne Weaver, Corey Burton, Jeff Bennett, Kath Soucie, Spencer Breslin.) - Suficientemente divertido e com toques certos de drama para não manchar a memória do original. (3 estrelas em 5)