Pixar, Humanidade, Emoções - postado em 7/7/2008, às 02:22

Hoje foi um dia particularmente difícil do pós-operatório: estou com dores intensas desde o fim da tarde e, depois de ter ido dormir cedo para tentar livrar-me delas, acordei há cerca de uma hora novamente incomodado. Para tentar desviar minha atenção do incômodo, passei a fuçar a Internet e achei uma história envolvendo a Pixar e uma garota norte-americana chamada Courtney que... bom, que mexeu comigo.

Quando o primeiro teaser de "WALL.E" foi divulgado na Internet, Courtney descobriu-se imensamente tocada pela imagem tristonha e pela voz infatilizada do robozinho - e toda vez que assistia ao vídeo, começava inevitavelmente a chorar. Ela, então, gravou um vídeo de si mesma assistindo ao teaser e publicou em seu blog.

Pouco tempo depois, começou a receber emails de alguns funcionários da Pixar que se mostraram tocados com o vídeo da moça. E, há algumas semanas, ela foi convidada pelo estúdio a participar da festa promovida pelos produtores para comemorar o lançamento do filme - e eles se ofereceram para pagar o transporte e a hospedagem da moça.

A festa incluía uma exibição de "Wall.E" e, antes do filme começar, o diretor Andrew Stanton disse algumas palavras - e aqui passo a traduzir o relato escrito pelo namorado de Courtney, que também estava presente:

"Então [Stanton] disse: 'Há seis meses, quando o primeiro trailer de Wall.E foi lançado, estávamos apenas na metade do processo de realizar o filme e não sabíamos ao certo como iríamos concluir o projeto. Estávamos exaustos. E aí, um dia, um vídeo apareceu no YouTube mostrando uma garota assistindo ao trailer. E toda vez que o via, ela chorava. Quando vimos aquilo, soubemos que estávamos indo na direção correta'.

Todos no cinema riram deste caso, demonstrando que sabiam do que ele estava falando.

'Bem', Andrew Stanton disse. 'Nós convidamos Courtney para estar aqui esta noite.'

Um burburinho tomou conta do cinema. Quando virei e olhei para minha namorada, ela estava boquiaberta pela surpresa. Andrew Stanton pediu que ela se levantasse e mil pares de olhos se viraram para fitá-la e, então, um ensurdecedor aplauso começou. Courtney ficou parada e, sem saber o que fazer, soprou beijos para os artistas e técnicos que fizeram o filme.

Foi uma das coisas mais emocionantes e surpreendentes que ela já viveu e que já testemunhei. E a Pixar fez isso apenas porque o vídeo dela havia tocado seus artistas, deixando-os otimistas com relação ao filme que estavam fazendo. E eles quiseram retribuir o favor.

(...)

A Pixar nunca tentou usar essa história para promover o filme. Eles realmente fizeram isso exclusivamente porque ficaram tocados pela reação de Courtney ao trailer, porque acharam que isto seria algo bacana de se fazer e porque acreditaram que isto agradaria também aos seus funcionários - os quais, pelo que vi, eles tratam com enorme respeito".


O relato completo da visita da garota à Pixar pode ser lido aqui.

Agora, o que me motivou a escrever este post: embora tenha me emocionado com o filme, jamais me ocorreria ficar emocionado com seu trailer. Porém, ao assistir ao vídeo de Courtney assistindo ao trailer... acreditem ou não, mas chorei. Vejam só: vê-la emocionada me deixou emocionado; a genuidade, espontaneidade e abertura de sua reação me desarmaram completamente.

E isso tudo, de certa forma, remete a uma das mensagens do próprio filme, que celebra o espírito humano. Sim, somos capazes de iniciar guerras e de discriminar semelhantes por bobagens como credo, cor e orientação sexual, mas também somos capazes de nos comover com a voz metálica de um robozinho solitário de um filme supostamente infantil - e de chorarmos apenas porque testemunhamos, no outro, uma emoção genuína.

E isto me enche de esperança com relação à Humanidade.



Postado por Pablo
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