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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
10/02/2005 16/09/2005 4 / 5 5 / 5
Distribuidora
Duração do filme
129 minuto(s)

Orgulho e Preconceito
Pride and Prejudice

Dirigido por Joe Wright. Com: Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Donald Sutherland, Brenda Blethyn, Rosamund Pike, Jena Malone, Claudie Blakley, Simon Woods, Kelly Reilly, Tom Hollander, Judi Dench, Penelope Wilton, Peter Wight, Tamzin Merchant.

 

Adaptado várias vezes para o cinema e para a televisão, o clássico romance Orgulho & Preconceito, da britânica Jane Austen, ganhou uma de suas melhores versões no ano passado, sob a direção do estreante Joe Wright. Roteirizado por Deborah Moggach (com o auxílio não-creditado da atriz Emma Thompson), o filme acompanha os encontros e desencontros de um dos casais mais famosos da literatura, a vivaz Elizabeth Bennet e o taciturno Sr. Darcy. Uma de cinco filhas de um casal não muito abastado, Elizabeth é uma jovem inteligente e irreverente que toma uma antipatia quase imediata do rico, mas grosseiro, Fitzwilliam Darcy, que também não parece muito impressionado com a garota. No entanto, como são os protagonistas de um romance icônico, não demora muito até que o os dois comecem a mudar de opinião acerca um do outro.

 

Vulgarizado pelo uso exaustivo em comédias românticas, o recurso narrativo do “casal que parece se odiar, mas que realmente se ama” encontra, aqui, um de seus exemplos mais eficazes: ao contrário do que ocorre nas bobagens habitualmente produzidas por Hollywood, que incluem briguinhas nada convincentes entre seus futuros amantes, Darcy e Lizzie parecem realmente se detestar, e com motivos bastante específicos: ela o julga pedante e grosseiro; ele a considera pouco sofisticada e recrimina a falta de etiqueta da família da moça. Assim, como somos convencidos de que o casal não se tolera – mas, ao mesmo tempo, sabemos que deverão ficar juntos -, a história se torna mais interessante e divertida. Além disso, apesar da trama incluir sua parcela de mal-entendidos e desencontros, os personagens não ficam ocultando informações importantes uns dos outros, o que normalmente soa artificial, como uma manobra do roteiro para prolongar a história: quando a protagonista é informada de certas atitudes de Darcy, por exemplo, ela cobra explicações deste na primeira oportunidade que se apresenta.

 

Encarnando Lizzie como uma jovem alegre e com jeito moleque, Keira Knightley confere à personagem a dose ideal de vivacidade e imprevisibilidade: jamais sabemos ao certo como a moça reagirá às provocações da arrogante Lady Catherine (Judi Dench, numa pequena e ótima participação), à abordagem desastrada do patético sr. Collins (o divertido Tom Hollander) ou aos projetos casamenteiros da própria mãe (vivida de maneira hilária por Brenda Blethyn). Enquanto isso, Matthew Macfadyen enfrenta a dificuldade de assumir um papel anteriormente interpretado por Laurence Olivier e por Colin Firth, saindo-se relativamente bem: ainda que não compreendamos exatamente como Darcy se apaixonou por Lizzie, percebemos que a frieza do sujeito cedeu lugar a um encantamento inesperado. O elenco conta, ainda, com Donald Sutherland, um ator que se torna cada vez mais interessante à medida que envelhece.

 

Apesar de novato na função, o diretor Joe Wright demonstra um talento inegável ao conduzir a história de maneira delicada, mas segura – e, ao longo da projeção, brinda o espectador com longos e elaborados planos-seqüência nos quais sua câmera passeia pelos amplos salões de festa da alta sociedade britânica, encontrando “casualmente” vários personagens como se bisbilhotássemos as conversas mantidas por estes. Por outro lado, ao incluir um momento no qual o casal principal se enxerga dançando sozinho no salão, tamanho o interesse que têm um pelo outro, o recurso se revela óbvio e batido, já tendo sido utilizado à exaustão (e de forma muito mais convincente) por outras produções. Ainda assim, Wright volta a ganhar pontos pelos vários momentos de humor que atravessam a narrativa, como o desespero da Sra. Bennet e das filhas com a chegada inesperada de um possível pretendente, quando as mulheres disparam em uma corrida desenfreada para assumirem posições mais elegantes antes que os visitantes entrem no aposento. Para completar, a fotografia de Roman Osin explora ao máximo a beleza do Panavision, descortinando paisagens evocativas e mergulhadas em névoa e conferindo ao filme, com suas luzes elegantes, um tom adequadamente nostálgico, de época - e é lamentável que não tenha sido indicada ao Oscar (poderia perfeitamente ocupar o lugar de O Segredo de Brokeback Mountain, por exemplo).

 

Ainda mais enriquecido pelos diálogos bem construídos (é sempre prazeroso ouvir personagens conversando com tamanha graça), Orgulho & Preconceito peca apenas por se estender um pouco mais do que o ideal, já que, como o espectador sabe como a história terminará, a aura de inevitabilidade desta conclusão torna a experiência relativamente previsível. Mas a trajetória até o desfecho é, sem dúvida alguma, repleta de charme.
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09 de Fevereiro de 2006

 

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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