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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
26/08/2005 02/08/2005 3 / 5 4 / 5
Distribuidora
Duração do filme
104 minuto(s)

Direção

Iain Softley

Elenco

Kate Hudson , Gena Rowlands , John Hurt , Peter Sarsgaard , Joy Bryant , Ronald McCall , Jeryl Prescott

Roteiro

Ehren Kruger

Produção

Iain Softley

Fotografia

Daniel Mindel

Música

Ed Shearmur

Montagem

Joe Hutshing

Design de Produção

John Beard

Figurino

Louise Frogley

A Chave Mestra
The Skeleton Key

Dirigido por Iain Softley. Com: Kate Hudson, Gena Rowlands, John Hurt, Peter Sarsgaard, Joy Bryant, Ronald McCall, Jeryl Prescott.

A Chave Mestra narra uma história ambientada no mesmo universo bizarro e repleto de superstições visto no excepcional Coração Satânico, dirigido por Alan Parker em 1987 – e, embora não chegue aos pés daquele filme, consegue estabelecer um correto clima de estranheza ao confrontar a mentalidade racional de sua protagonista com a extravagância das crenças em magia negra dos demais personagens. E o mero fato de conseguir levar o espectador a se lembrar de Coração Satânico já confere pontos importantes ao longa.


Escrito por Ehren Kruger (cuja carreira é cheia de altos e baixos), A Chave Mestra traz Kate Hudson como Caroline Ellis, uma jovem enfermeira que aceita cuidar de um homem idoso paralisado e emudecido por um grave derrame. Porém, depois de se mudar para o velho casarão dos Devereaux, a moça passa a desconfiar que o velho Ben (John Hurt) está tentando pedir sua ajuda por recear a própria esposa, a enigmática Violet (Gena Rowlands). Enquanto investiga as verdadeiras causas da doença de seu paciente, Caroline descobre o passado trágico do casarão e resolve solicitar o auxílio do jovem advogado do casal, Luke (Peter Sarsgaard).

Apesar da campanha publicitária que tentava vendê-lo como um filme de terror, A Chave Mestra não é tenso ou amedrontador. Na realidade, seus ocasionais elementos sobrenaturais nem sequer assumem características particularmente sombrias, já que o roteiro encara o vodu (ou, no caso, `hoodoo`) como algo quase prosaico, utilizado – ou, no mínimo, conhecido – por praticamente todos os habitantes daquela estranha região. Assim, em vez de investir no medo, o longa opta por um clima de inquietação, empregando uma fotografia escura e planos inesperados, como plongées (câmera apontada verticalmente para baixo) sobre Caroline e travellings que acompanham apenas seus pés, como se a garota estivesse sendo constantemente observada e seguida.

Adotando uma postura firme, bastante diferente das mocinhas habituais do gênero, Kate Hudson encarna Caroline como uma jovem corajosa e inteligente que não costuma gritar sempre que é surpreendida por algo ou alguém – o que já representa um alívio para todos que estão cansados dos berros histéricos das discípulas de Jamie Lee Curtis (aliás, neste aspecto, a abordagem de Hudson aproxima-se daquela adotada por Jennifer Connelly no superior Água Negra). Profundamente cética, Caroline não aceita facilmente as explicações fantásticas que lhe são dadas – e, antes de qualquer coisa, A Chave Mestra preocupa-se principalmente em acompanhar a trajetória da protagonista rumo à aceitação do sobrenatural, o que não deixa de ser interessante. Enquanto isso, o elenco secundário cumpre seu papel: John Hurt transforma um papel sem falas em um bom retrato de um homem tomado pelo medo; Peter Sarsgaard faz o que pode com um personagem criado com fins específicos; e Gena Rowlands abandona a doçura de sua personagem anterior (do ótimo Diário de uma Paixão) e assume um tipo ambíguo que incomoda o espectador.

De modo geral, no entanto, A Chave Mestra é um filme que se desenrola de forma discreta, sem exibir defeitos graves, mas também sem contar com grandes momentos. Aliás, nem mesmo os tropeços ocasionais do cineasta britânico Iain Softley comprometem o longa - como ao subestimar a inteligência do espectador e insistir em estabelecer um paralelo entre a dor de Caroline por não ter tido a oportunidade de ajudar o pai doente e sua dedicação exagerada a Ben Devereaux – algo que já havia ficado claro bem antes de Softley forçar a mão e incluir um plano no qual a moça vê uma foto do pai e, em seguida, olha para o fragilizado Ben na varanda.

O que me leva a recomendar esta produção, no final das contas, é seu desfecho – uma conclusão que respeita a lógica interna da trama, surpreendendo não pela reviravolta em si (que é previsível), mas pela coragem de Ehren Kruger em manter-se fiel à sua idéia original (algo que também fez no interessante O Suspeito da Rua Arlington). E, muitas vezes, basta um bom final para engrandecer um projeto que, de modo geral, não tinha grandes méritos.

25 de Agosto de 2005

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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