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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
28/11/1997 03/10/1997 3 / 5 / 5
Distribuidora
Duração do filme
115 minuto(s)

Direção

Gary Fleder

Elenco

Morgan Freeman , Ashley Judd , Cary Elwes , Bill Nunn , Tony Goldwyn , Brian Cox

Roteiro

David Klass , David Brown

Fotografia

Aaron Schneider

Música

Mark Isham

Montagem

Harvey Rosenstock

Design de Produção

Nelson Coates

Figurino

Abigail Murray

Direção de Arte

Joseph A. Hodges

Beijos Que Matam
Kiss the Girls

Dirigido por Gary Fleder. Com: Morgan Freeman, Ashley Judd, Cary Elwes, Tony Goldwyn, Bill Nunn e Brian Cox.

Pegue O Silêncio dos Inocentes, misture com uma pitada de Seven e acrescente alguns clichês. Pronto: você tem Beijos Que Matam, o novo filme sobre serial killers lançado na grande onda pós-Seven (um outro exemplar foi CopyCat).

Vamos à história (não se preocupe: não vou revelar nada que estrague as `surpresas` que este filme traz). Morgan Freeman é o Dr. Alex Cross, um detetive-psicólogo cujo trabalho envolve conversar com pessoas instáveis, à beira de cometer suicídio, ou em situações afins. Até que, certo dia, sua sobrinha Naomi desaparece da universidade em que estudava, e o Dr. Cross resolve viajar até a cidade universitária em que sua sobrinha morava. Lá chegando, descobre que várias garotas já haviam desaparecido da mesma maneira, e que apenas três corpos haviam sido encontrados. Logo ele conclui que as demais garotas devem estar sendo mantidas presas pelo assassino (o componente O Silêncio dos Inocentes).

Com a ajuda dos detetives locais (Elwes e Nunn), o Dr. Cross começa a investigar o caso. É quando uma nova mulher é raptada: a médica Kate McTiernan. Mas, por uma sorte do destino, ela consegue escapar do cativeiro e se torna a única vítima capaz de identificar o assassino. É quando o observador detetive (em certa cena, logo no início, ele faz algumas deduções baseadas nas roupas de uma mulher que são dignas de Sherlock Holmes) passa a desconfiar de que, talvez, haja mais de um assassino envolvido.

Tudo isso acontece na primeira hora de filme, e não traz grandes surpresas: o roteiro não faz suspense quanto a estes pontos. A partir daí, começa um jogo de gato-e-rato para ver quem é mais esperto entre o(s) assassino(s) e o inteligente detetive. Neste jogo não faltam os clichês do gênero: em certa altura, por exemplo, o detetive recebe um bilhete `esclarecedor` do assassino (por que eles sempre fazem isso?). O mais curioso é que, ao invés de mandar pelo correio, o assassino se arrisca a ir até o hotel do detetive e empurrar o bilhete por baixo da porta. Bem estúpido, não?

O grande problema deste filme é o fato de ter sido feito agora, logo depois que bons filmes como Seven e Copycat deixaram impressões marcantes em nossas mentes. Em comparação a seus antecessores, esta história deixa muito a desejar. Em primeiro lugar, não há o fator `tensão`. Em nenhum momento o espectador fica grudado à cadeira, em pânico pelo que pode acontecer dali a alguns minutos. A sensação de urgência também não existe. O roteiro não consegue passar a noção de que o tempo é curto para as garotas sequestradas, como acontece em O Silêncio dos Inocentes. Parece que os detetives têm todo o tempo do mundo.

Morgan Freeman está correto, mas é só. O que é uma pena, dado o grande potencial que este ator - um dos melhores da atualidade - possui. Ashley Judd também cumpre bem seu papel, sendo a maior revelação do filme. Outro que se destaca é Cary Elwes, que chamou a atenção, pela primeira vez, em A Princesa Prometida. Depois de alguns papéis menores (como em Twister e O Mentiroso), ele parece estar voltando a se destacar, o que é muito bom.

A direção de Fleder (do bom Coisas para se Fazer em Denver...) não compromete o filme, mas também não acrescenta. Sua mania de cortar a mesma cena repetidas vezes para indicar passagem de tempo chega a ser irritante, em alguns momentos. Já a fotografia do filme é um pouco melhor, e a floresta (palco constante da história) é opressiva, assustadora.

Beijos Que Matam é um filme que deve ser assistido, pois vale o preço do ingresso. Se não impressiona, também não decepciona. É uma boa diversão, mas não passa disso.
``

29 de Novembro de 1997

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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