Poster: Esquadrão Suicida

 

 

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Banner: Esquadrão Suicida

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
04/08/2016 05/08/2016
Warner

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido e roteirizado por David Ayer. Com: Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Jared Leto, Common, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, David Harbour, Ike Barinholtz, Alain Chanoine, Adam Beach, Karen Fukuhara, Scott Eastwood, Ezra Miller e Ben Affleck.

(Não há spoilers importantes acerca da trama, mas se você é daqueles que consideram qualquer detalhe como uma grande revelação, sugiro que volte a este texto após assistir ao filme.)

Durante os primeiros segundos de Esquadrão Suicida, quando as vinhetas das empresas produtoras surgiram na tela redesenhadas para incluir um brilho verde-esmeralda vilanesco, senti que poderia estar prestes a assistir a um filme de “super-heróis” (ou de “anti-super-heróis”) interessante e disposto a abraçar o lado sombrio de seus personagens. Até, claro, o longa imediatamente se entregar a um medley desajeitado que parecia mais interessado em garantir boas vendas no iTunes do que em qualquer outra coisa – e o quão niilista pode ser um projeto disposto a subordinar a narrativa a interesses financeiros? Algo como Deadpool não acontece todos os dias.

Supostamente empregadas para introduzir cada um dos principais elementos do roteiro escrito pelo cineasta David Ayer, as canções saltam do óbvio (“Sympathy for the Devil”? Sério?) ao inexplicável (“The House of the Rising Sun”), colando artificialmente uma montagem que traz a implacável Amanda Waller (Davis) convencendo seus superiores a permitirem a criação de uma força-tarefa composta por alguns dos piores vilões depositados pelo Batman em suas celas: além do Pistoleiro (Smith), há também Arlequina (Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney fantasiado de Tom Hardy), Crocodilo (Akinnuoye-Agbaje), El Diablo (Hernandez) e Amarra (Beach). A mais poderosa de todos, porém, é Magia, uma entidade antiga que ocasionalmente controla o corpo de June Moone (Delevingne). Algo, porém, sai errado – pois é, quem poderia imaginar? – e o plano de Waller se torna uma destas profecias auto realizadas ao criar exatamente o tipo de problema que foi concebido para enfrentar. (Um detalhe que nenhum de seus superiores parece apontar.)

Transformando todo o primeiro ato em uma série de cenas carregadas da mais pura exposição, Esquadrão Suicida nem mesmo se preocupa com todos os integrantes da equipe-título, dedicando algum tempinho maior às origens de Pistoleiro e Arlequina e relegando os demais a explicações que soam acidentalmente hilárias de tão casuais (a existência de Magia é justificada com um “Moone abriu uma coisa que não deveria”, enquanto Amarra é apresentado simplesmente como um sujeito que “escala qualquer estrutura”). O mais espantoso é que, mesmo depois da longa e ineficaz introdução, o roteiro ainda vê a necessidade de incluir novos detalhes ou mesmo novas figuras já quase na metade do filme, parando a narrativa bruscamente para que vejamos um flashback (dispensável e nada esclarecedor) sobre Katana (Fukuhara) ou outro apenas para reforçar a atração de Arlequina pelo Coringa (Leto).

Estes problemas, porém, nem são tão graves quando comparados ao sentimentalismo barato recorrente do roteiro, que trai a natureza brutal dos personagens que supostamente deveria abraçar para investir em diálogos terríveis que procuram demonstrar como eles rapidamente se apegam uns aos outros, passando a se considerar até mesmo uma “família” – e quando em outro ponto a história parou para que Katana pudesse chorar diante da espada que carrega há anos, o pretexto utilizado é tão ridículo que só nos resta rir.

Infelizmente, Ayer (responsável pelo fraco Tempos de Violência, pelo bom Os Reis da Rua e pelo ótimo Marcados para Morrer) só consegue piorar seu péssimo roteiro ao dirigi-lo com uma incompetência inegável. Confundindo caos com energia, ele roda as sequências de ação como uma combinação deselegante de planos-detalhe rápidos e confusos de vidros partindo e armas sendo disparadas com closes de reações de seus atores que, de tão genéricas, poderiam ter saído de qualquer outra sequência. Além disso, o cineasta nem mesmo se preocupa em disfarçar como o pelotão comandado por Flag (Kinnaman) surge ou desaparece de acordo com as necessidades imediatas da trama e como o visual grotesco dos monstros criados pela vilã tem o propósito de permitir que estes sejam massacrados sem que isto comprometa a classificação indicativa do filme.

A mesma cara-de-pau do diretor ressurge na exploração dos corpos de suas atrizes, que, ao contrário dos homens (cobertos por várias camadas de roupas da cabeça aos pés), se metem em brigas e tiroteios (à noite e sob a chuva) usando shorts mínimos e blusas/vestidos justos e decotados, ressaltando suas formas – e a última vez em que vi a bunda de uma atriz receber mais destaque do que a de Margot Robbie em uma superprodução, o diretor se chamava Michael Bay. Arlequina, por sinal, é a típica personagem feminina que os homens que atacaram As Caça-Fantasmas certamente vão apontar como um exemplo de “mulher forte e independente”, ignorando convenientemente o fato de ela ser totalmente subordinada ao Coringa (chegando a usar uma coleira à la Luma de Oliveira com o nome de seu “dono”), levar um soco do Batman (Affleck) e – o mais ofensivo – ter seu maior sonho exposto como sendo o de levar uma vida de dona de casa suburbana normal ao lado de dois filhos e do marido psicopata. Uma mulher “independente” do jeitinho que machistas gostam, portanto.

Robbie, diga-se de passagem, compõe a vilã como uma criatura que sabe ser insana (isto não a tornaria sã por definição?), acha isto hilário e faz questão de lembrar o espectador acerca de sua insanidade praticamente em todas as suas falas (a loucura, aliás, é seu “superpoder”). Enquanto isso, o bom Adewale Akinnuoye-Agbaje surge irreconhecível sob camadas e camadas de (excelente) maquiagem, mal abrindo a boca ao longo da projeção, ao passo que Will Smith, como o Pistoleiro, ao menos parece levar o projeto a sério mesmo sabotado pelo roteiro. Já Viola Davis faz um quase milagre ao evitar que Waller se transforme na caricatura completa criada por Ayer, conferindo credibilidade a ações tremendamente implausíveis.

O que nos traz ao Coringa de Jared Leto.

Se ao discutir a versão vivida por Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas escrevi que esta exalava “instabilidade e perigo”, o máximo que posso dizer sobre a de Leto é que soa como uma daquelas imitações mal feitas por alguém que jura estar fazendo um trabalho perfeito. Claramente inspirando-se na composição vocal de Ledger (chegando ao ponto de repetir certas inflexões e a tendência de deixar que os finais das palavras se prolonguem um pouco mais do que o esperado), o ator transforma o Coringa em uma coleção de tiques e maneirismos artificiais cuja obviedade pode ser representada perfeitamente pelo “damaged” (danificado, estragado) que traz tatuado na testa, como se temesse não deixar suficientemente clara sua psicose. E pior: para Leto, a marcante risada do vilão não é uma ação, mas uma muleta, já que insiste em incluí-la em praticamente todas as suas cenas, sejam estas justificadas de alguma maneira ou não. Se o Coringa de Ledger ria quando achava algo divertido (mesmo que este algo fosse grotesco), o de Jared Leto ri apenas porque isto o deixa mais Coringa.

Para finalizar o desastre, a Magia de Cara Delevingne, embora inicialmente apresentada através de uma transformação interessante (sua mão parece surgir do verso da de sua “hospedeira”), logo se converte numa das figuras mais ridículas do filme – e seus movimentos a partir do instante em que assume a forma de Gozer o Gozeriano (digam se o terceiro ato de Esquadrão Suicida não saiu dOs Caça-Fantasmas original) parecem inspirados pela dança da Elaine de Seinfeld.

Ainda assim, para que não pareça que detestei tudo nesta produção, confesso que o plano que traz o Coringa e a Arlequina abraçados em um tanque repleto de ácido enquanto suas cores se misturam no líquido é esteticamente belíssimo.

Isto é, até o Coringa decidir gargalhar pela enésima vez.

Observação: há uma cena adicional durante os créditos finais.

04 de Agosto de 2016

A lista com mais de 80 críticas sobre adaptações de HQ pode ser lida aqui.

Assista também ao videocast (sem spoilers) sobre o filme:

 

Comente!

  • Rodolfo Alves de Oliveira Cruz em 31/08/2016 às 16:25

    Para mim faltou tempo de cena para o Pistoleiro. Ele aparece no comecinho e depois é só Will Smith sendo Will Smith.

  • Patrícia Paiva em 10/08/2016 às 09:44

    Dormindo durante o filme, isso é raro, mas não deu para manter o cérebro ligado em tanta superficialidade. Já a crítica de filmes sofríveis são ótimas; não teve como não me identificar logo de início quando falou sobre a obviedade das músicas, pois entrou com Sympathy For The Devil e eu disse, lá vem um filme qualquer coisa, menos surpreendente. Para meu desespero não ficou só em ser óbvio, é confuso, tedioso, de um roteiro fraco e de diálogos ruins. O Coringa do Jared ornou com a Arlequina, digo, canastrões. Só me consolava um pouco em Will Smith, nem a Viola ou a Delevingne estimularam. As cenas de ação são esquecíveis e o humor teve efeito inverso, sem graaaaça. E o pior, nenhum deles assustam em nada para serem considerados os malvadões recrutados. DC Comics, estamos esperando um filme que faça jus aos heróis e vilões emblemáticos dos quadrinhos, por favor! Chama o Nolan rs

  • FABIO LORUSSO em 10/08/2016 às 07:12

    Will Smith se livrou de uma bomba em Independence day 2 pra explodir nessa porcaria pior ainda. Um filme arrastado e sem ritmo, com momentos piegas fora de hora que sugerema demissao da galera da edição que colaram cenas aleatoriamente.
    E o que falar dessa ridícula da Magia destaque de escola de samba no Carnaval ?

    Nunca esperei tanto pra um filme acabar igual esse.

  • Mariana em 09/08/2016 às 21:38

    O soco foi falado em relação à harlequina não ser uma personagem feminina forte (não deveria ser visto dessa forma, pelo menos, mas alguns insistem que é).
    Já agora, porque raio é que dizem que ela sempre teve com pouca roupa? A original tava coberta.

  • lucas em 09/08/2016 às 01:18

    O filme é de fato Horrível, o número de estrelas é mais do que justo. Mas agora reclamar do fato do Batman ter dado um soco na Arlequina é bobagem. Concordo com o exagero de exploração sexual das personagens femininas, acho que nem a Megan Fox foi tão explorada sexualmente quanto a Margot Robbie interpretando a Arlequina, achei um filme muito machista.

  • Digo Freitas em 08/08/2016 às 14:02

    Não me conectei nem um pouco com o filme. Aliás, o filme até conseguiu me irritar um pouco com a apresentação forçando as músicas sem talento nenhum para deixar harmônico com o que aparecia na tela.
    Só não foi uma decepção porque já estava acompanhando as notas no Rotten Tomatoes.
    Sobre a crítica, assino embaixo em tudo.

  • Eduardo sugio em 07/08/2016 às 13:33

    Sou um grande fã do universo batman e o acompanho em diversas mídias, tanto nos hqs, filmes e inclusive nos jogos, e na minha opinião de fã o filme não é ruim, porém, me deixou com um gosto de superficialidade, como se tudo fosse um grande epílogo para a história de verdade. Tudo no filme poderia ser mais explorado tendo potencial nos atores como Leto que faz um coringa diferente, mais mafioso do que apenas psicopata, no entanto, foi minimamente explorado deixando de mostrar muita coisa do personagem.
    Sobre o cunho das personagens femininas estarem com pouca roupa, na minha singela opinião, fazia parte da personagem, harlequin em todas as mídias aparece com pouca roupa, e ela não seria uma personagem forte e sim alívio cômico, em nenhum comentário eu vi alguém citando a Amanda waller que sim seria um exemplo de mulher forte. Em conclusão, todos os personagens estavam fazendo seu papel. Digo com todo respeito que existe outros tópicos do filme para serem criticados do que o machismo e o feminismo encontrado nas cenas ou o tamanho das roupas.

  • Robson F Vilela em 07/08/2016 às 00:23

    Ótimo texto, Pablo. Assisti ao filme e não consegui me empolgar com as cenas, por mais que elas fossem repletas de ação. Também não consegui me conectar com a trilha, por mais que sejam todas músicas excelentes, que funcionaram nos trailers, mas não durante o filme.

    Algo que percebi ainda enquanto assistia, foi que levou uns 40 minutos ou mais até que os integrantes do grupo conversassem uns com os outros. Quando isso aconteceu, pensei que o filme fosse melhorar. Infelizmente, não foi o que aconteceu. Também me lembrei de Caça-Fantasmas quando vi aquele prédio com aquela magia e o final lembra muito mesmo.

    Os atores me pareceram bons, pelo muito pouco que pude ver de cada uma, mas muito mal aproveitados. Mas nem consigo analisar bem porque me foi apresentado muito pouco. No geral, a sensação que tive é a de que vi muita coisa, mas nada me marcou. Estava, inclusive, bastante perdido por não saber como explicar a falta de empatia com o filme. Seu texto conseguiu me explicar aquilo que eu apenas senti.

    Parabéns e abraços!

  • Mariam Ramirez em 06/08/2016 às 17:26

    Hahahahahahhaa Pablo vc tá tão certo.

  • Claudio Ramos em 05/08/2016 às 19:59

    Pablo, repudio crítica áudio visual por conta de diversas pessoas na internet que se consideram críticos de cinema e, convenhamos, são todos ruins, pois falta a eles conhecimento sobre a arte do cinema, coisa que você tem de sobra. Nelas, nota-se quase sempre criticas seguindo a mamada ou com base em gosto pessoal ao invés de abordar a linguagem cinematográfica.
    Como falei antes, acompanho-o há anos e lembro que fiquei surpreso quando você entrou nessa de videocast e, claro, receoso, mas como eu já conhecia seus textos isso me dava certo alívio. Guardo comigo um de seus maiores trabalhos em videocast (pelo pra mim) “Cenas em Detalhes #14: Frozen – Uma Aventura Congelante”, ele é esplêndido, didático, apaixonante, um excelente estudo sobre a utilização das cores em função da narrativa. É de arrepiar.
    Sobre Esquadrão Suicida, você disse que o videocast não tem críticas ao filme. Verdade, mas na ausência do texto assisto o videocast como prévia do que irá escrever.
    Não podia deixar de expressar o desprazer que senti ao assistir ao referido videocast. Fiquei incrédulo, por uma fração de segundo pensei que estivesse vendo um desses farsantes que se julgam críticos de cinema no youtube.
    Considero-o um dos maiores críticos de cinema do Brasil e o portal cinema em cena referência. Desculpa, lamentável seu último videocast.

  • Pablo Villaça em 05/08/2016 às 17:21

    Cláudio, o videocast não tem crítica ao filme. A crítica está aí em cima, no texto. É por isso que a seção se chama CRÍTICAS e o videocast tem o título COMENTÁRIOS.

  • Claudio Ramos em 05/08/2016 às 12:31

    Pablo Villaça, sou seu fã há anos. Gosto demais do seu trabalho de verdade, mas você tá se perdendo. Será estrelismo? Cadê aquele cara inteligente, que fazia críticas brilhantes das quais me fizeram gostar do portal cinema em cena? Seu videocast de Esquadrão Suicida está entre um dos piores. Entendi o sarcasmo, mas a sensação que passa que você aproveitou os problemas do filme para discutir com pessoas que não curte cinema. Fanboy não é crítico, portanto suplico, volta com a ética e seriedade de antigamente em suas próximas críticas. Tecnicamente falando, sabemos que o problema da DC, que vem se repetindo a cada película, está mais relacionado a equipe técnica do que com os atores, especialmente a parte que compete roteiro, direção e edição. O filme tem todos os problemas que você citou, mas está claro que os personagens foram subaproveitados e talentos desperdiçados. Lamentável seu comentário sobre Jared Leto. Esse videocast é uma afronta aos fanboys da DC e aos seus fãs. Mas serei generoso com você, porque ainda acredito no portal "cinemaemcena", portanto te dou meia estrela por esse videocast.

  • Ivan Filho em 05/08/2016 às 00:49

    A Arlequina sempre foi submissa ao Coringa. Pq no filme seria diferente?!

  • Ricardo Ferreira da Silva em 05/08/2016 às 00:02

    Podcast sensacional! Kkkkkkkkkk

  • Tarcilla Honorio em 04/08/2016 às 23:29

    Carlos Roberto, primeiro, você está me medindo por sua régua quando me chama de hipócrita, desculpe, não sou você. Segundo, o problema não é nudez, e sim nudez sem propósito. Terceiro, eu sequer vi Magic Mike e não piro com essas coisas não. Mais uma vez, desculpe, mas eu prefiro homens de verdade se exibindo pra mim mesmo. E pirar no corpo da Arlequina não tem nada a ver com liberdade sexual, talvez tenha a ver com ser o Coringa. Finalmente, você não entendeu a crítica ao estereótipo de Arlequina, isso está claro, até porque não entende nada de feminismo, o que está ainda mais claro ainda. Se quiser, te indico umas leituras.

  • Carlos Roberto em 04/08/2016 às 19:58

    Então o Coringa e a Arlequina são iguais ao desenho animado da década de 90 e os jogos da série Arkham? O filme parece ser fiel ao material no qual foi baseado, pelo menos.

    Mas já que estão falando de feminismo nos comentários, venho notado um certo padrão duplo do Pablo na hora de comentar sobre o gênero dos personagens. Elogiou Sucker Punch por este representar os personagens masculinos como sujos e feios, não viu problema quanto aos personagens masculinos em As Caça Fantasmas serem todos malignos ou idiotas, elogiou a cena em Mad Max onde uma personagem insinua que dar a luz a uma menina é melhor que a um menino por estes serem 'feios', porém reclama quando uma personagem feminina não se enquadra em padrões idealizados feministas.

    Batman mete soco em centenas de homens (a maioria criminosos sem nome ou background e que servem apenas para incrementar as cenas de ação), mas em personagem feminino não pode?

    Não me sinto envergonhado por ser homem então gostei das roupas curtinhas da Arlequina e os ângulos de câmera espertos nos trailer. O que não faltam são novelas, séries e comerciais de TV onde homens tiram a camisa só pra agradar o público feminino, mas você não vê mulher reclamando disso, então porque eu tiraria meu direto de me divertir sendo homem? Tarcilla Honorio, aposto que você faz o mesmo. Não venha bancar a hipócrita e agir como se mulheres pudessem ter completa liberdade sexual mas os homens não. Tenho certeza que a maioria das feministas gostaram de Magic Mike.

    Duvido que o filme tente passar a mensagem de quer ser uma dona de casa submissiva seria a única forma de uma mulher encontrar a felicidade. Arlequina submissa ao Coringa é algo típico da _personagem_ (ênfase na underline) desde sempre, mas como sempre feministas não aceitam nenhuma personagem feminina defeituosa, elas sempre devem ser perfeitas ou próximo disso (vide Rey em O Despertar da Força) como se filmes não tivessem direito de ser entretenimento e obrigatoriamente deveriam levantar alguma bandeira ideológica.

  • Tarcilla Honorio em 04/08/2016 às 16:59

    Richardson Fernandes, não se apela para feminismo para criticar o filme, se critica o filme por reproduzir, mais uma vez, essa imagem distorcida da mulher. Cinema é arte, mas qualquer abordagem que vise a reproduzir discursos machistas como a exploração vazia do corpo da mulher e a consolidação de um perfil de mulher do lar, sonhadora e obcecada por um homem, como se estas fossem as únicas coisas que pudessem fazer uma mulher pela e feliz, é completamente descartável. Desculpe, mas em nenhum momento se quis afirmar que ter uma família é coisa machista, talvez você precise rever sua interpretação de texto e consequentemente de filmes.

    A história de Arlequina renderia críticas sensacionais a essa objetificação da mulher, à violência, ao "gaslighting", ou seja, perderam a chance de enriquecer esse roteiro fraquinho que mostraram.

    Eu achei a trilha sonora óbvia, mas gostei de House of the rising sun no início.

  • Dione em 04/08/2016 às 13:29

    Richardson Fernandes, você parece não saber muito bem o que é feminismo. Sugiro que dê uma pesquisada, é um movimento com muitas correntes diferentes... e que inclusive defende que a mulher deve poder escolher a vida que vai levar. Se ela quiser trabalhar, estudar ou ser uma dona de casa, não importa, ela não deve ser julgada como melhor ou pior por conta disso. Não caia na estupidez de estereotipar toda feminista como uma mulher encolerizada, de esquerda e que não depila (mas entenda que não tem nada de errado com ela ser assim, também).
    Se você acha que a Arlequina não foi abordada de forma machista em Esquadrão Suicida, é por uma das três opções: 1 - você não foi a pré-estreia do mesmo filme que eu; 2 - você está acostumado ao machismo e simplesmente não percebeu (que é o que parece, pelo tom do seu comentário) ou 3 - você está sendo cínico. Realmente espero que não seja a última opção.
    Tirando isso, concordo que a DC realmente não entregou nada de excelente qualidade depois da trilogia do Nolan.
    Abraço

  • Richardson Fernandes em 04/08/2016 às 08:59

    Crítica interessante, não dava pra espera muita coisa de um filme que o coringa parece uma mistura de MC Guime com Macaulay Culkin, mas apelar ao feminismo pra criticar o filme soa um tanto sem sentido, quer dizer que toda personagem feminina tem que agradar a agenda feminazi? Ridículo, cinema é arte, e qq abordagem seja de homem ou mulher, deve ser levada em conta e não gira apenas de uma ideologia pra gradar este ou aquele grupo, e chega beirar ao ridículo afirmar que e ter uma família é coisa de machista, aff, menos menos...mas no geral a crítica é muito interessante e reflete mais um desastre da DC, mais uma vez o s fãs vão ter que esperar, parece que a DC perdeu o fio da meada depois de Nolan, infelizmente.

  • Ivan Filho em 04/08/2016 às 03:07

    As críticas dos trailers seriam melhores.

 

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