Poster: Passageiros

 

 

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Banner: Passageiros

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
05/01/2017 21/12/2016
Sony

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por Morten Tyldum. Roteiro de Jon Spaihts. Com: Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen, Laurence Fishburne, Julee Cerda e Andy Garcia.

(Este texto contém spoilers – que, a rigor, não deveriam sê-lo, já que ocorrem ainda no primeiro ato da trama. Porém, como a campanha publicitária por trás do projeto o apresentou de forma incrivelmente falsa, falar sobre qualquer elemento de sua pavorosa trama acaba sendo uma revelação.)

Quis o acaso que eu assistisse a Passageiros logo depois de ver a animação da Disney que estreou no mesmo dia nos cinemas brasileiros – e o contraste não poderia ter sido maior: se Moana traz uma protagonista forte, independente e que controla o próprio destino, Passageiros encara sua personagem feminina como uma mera fantasia masculina que existe basicamente como objeto de desejo, sendo constantemente retratada em vestidos com imensos decotes ou em um maiô semitransparente que usa com curiosa frequência para alguém que se encontra no espaço. Que seu nome seja Aurora, como o da passiva princesa da Disney, só não é uma coincidência ainda maior por ter sido empregado como uma referência óbvia pelo inacreditável roteiro de Jon Spaihts.

Concebido como um faz-de-conta sexista e perturbador em seus aspectos morais, o filme se passa a bordo de uma imensa espaçonave que conduz cerca de cinco mil pessoas em uma viagem de 120 anos até um planeta recém-colonizado pelos terráqueos. Porém, quando um campo de asteroides provoca uma pane no sistema da nave, um dos passageiros, Jim (Pratt), é despertado de sua hibernação e se descobre destinado a 90 anos de solidão. Depois de algum tempo, já desesperado com a situação, ele se vê atraído por Aurora (Lawrence), uma escritora ainda adormecida – e, agindo como quem escolhe uma roupa em um catálogo, o sujeito decide acordá-la. No entanto, se o príncipe de A Bela Adormecida salvava a amada ao trazê-la de volta à consciência, aqui Jim essencialmente condena a garota à morte ao prendê-la ao seu lado em uma viagem que só chegará ao fim muito depois que ambos já tiverem deixado de existir.

O problema de Passageiros, contudo, não reside em ter um protagonista tão egoísta e inconsequente – obras excepcionais podem ser construídas em torno de figuras desprezíveis (pensem em Amadeus, Cidadão Kane ou – imaginem! – A Queda, que tem Adolf “Pior Humano que Já Existiu” Hitler como seu centro dramático). Não; se há algo de errado com esta produção é que, ao contrário das demais que acabei de citar e que reconheciam a vilania de seus personagens (ou ao menos não a justificavam), este filme considera Jim um herói. Em resumo, portanto, este é um longa que parece ter sido escrito por um daqueles caras que vivem reclamando nas redes sociais que as mulheres “só gostam de homens babacas e não sabem valorizar aqueles que as tratariam como princesas”.

E o mais decepcionante é que havia potencial aqui. O primeiro ato, por exemplo, é hábil ao nos apresentar aos conceitos básicos da trama e ao estabelecer a solidão enlouquecedora experimentada por Jim, que se vê frustrado ao tentar conversar com máquinas que respondem sem realmente responder (o que resulta numa referência gratuita e inexplicável a O Iluminado) e ao esgotar todas as possibilidades de salvação, inicialmente resignando-se ao seu infortúnio até atingir o ponto no qual começa a contemplar o suicídio. Mas é aí, claro, que ele vê Aurora em sua cápsula de hibernação e, depois de stalkeá-la através de todos os registros deixados pela moça, decide despertá-la. Sim, ele reconhece que o que fará é errado, imoral, e se sente culpado por isso – o que não o impede de seguir com seu plano. E é aqui que o diretor Morten Tyldum, que já havia usado a tragédia pessoal de Alan Turing de forma cínica em O Jogo da Imitação, volta a exibir seu julgamento falho ao tentar transformar o debate e a culpa de Jim em justificativa para suas ações, como se devêssemos sentir pena do sujeito por ele se achar um canalha ao agir como um.

O mais chocante, no entanto, é constatar como o cineasta e o roteirista buscam retratar o gradual envolvimento entre Jim e Aurora como algo romântico apesar de tudo – afinal, ele dá “espaço” à moça, esperando que ela demonstre algum interesse antes de convidá-la inocentemente para jantar, levando-a, inclusive, a comentar como ele demorou a fazê-lo. Ora, “romântico”? Mesmo? Qual escolha ela tinha, afinal, já que sabia estar fadada a conviver com ele por décadas? Além disso, o envolvimento dos dois soa como algo apenas natural; afinal, do que ela poderia reclamar, já que o sujeito tem o rosto e o corpo de Chris Pratt? É claro que eles tinham que transar, certo?

Mas e se Jim fosse vivido por Steve Buscemi, Luis Guzmán, Danny Trejo ou Paul Giamatti? Será que ainda assim o filme consideraria charmoso ou digno de pena o torturado protagonista – especialmente depois que Aurora descobre o que ele fez e se mostra compreensivelmente enojada? (É evidente que ela descobriria; a ironia dramática exige o momento do reconhecimento por parte do personagem que se encontra no escuro.) Quando ela tenta se afastar e o ex-parceiro usa o sistema de som da nave para abordá-la, cometendo o que é fundamentalmente assédio ao forçá-la a ouvi-lo, o pesadelo no qual a mulher vive não ficaria mais patente caso fosse representado por Joe Pesci?

(Não estou dizendo, obviamente, que o assédio se torna menos repreensível quando cometido por pessoas atraentes; o ponto aqui é que Passageiros faz um imenso esforço para torná-lo aceitável – e escalar Pratt faz parte da estratégia.)

Aliás, até mesmo as sementes de boas discussões temáticas acabam por se revelar sórdidas em suas intenções: quando Jim nota que Aurora tem direito a refeições melhores por ser uma passageira de luxo, por exemplo, somos momentaneamente levados a acreditar que algum tipo de alegoria social será desenvolvido - até que percebemos que, na realidade, aquela é simplesmente mais uma forma de gerar simpatia pelo “herói” e diminuir Aurora diante do espectador. Afinal, ele é um “trabalhador”, um engenheiro humilde que decide viajar para tentar construir algo novo, ao passo que ela é uma riquinha que jamais fez nada de relevante -  além de ser mimada pelo pai famoso, embarcando na jornada apenas para viver uma aventura que talvez possa vir a utilizar em um livro. Da mesma forma, não é surpresa que nos momentos de emergência ela chore, sinta medo e se mostre perdida, ao passo que ele se mantém calmo e encontre soluções para tudo. Ora, não é mesmo uma tremenda sorte que ela tenha ao seu lado um Homem? (Eu não ficaria surpreso caso Jim, em suas redes sociais, se apresentasse como “cidadão de bem”.)

A desonestidade moral de Passageiros atinge seu ápice, porém, em seu terrível terceiro ato, que apela para o absurdo completo, sacrificando qualquer plausibilidade em prol de um esforço final para demonstrar como Jim merece ser recompensado. Mas pergunte-se quanto tempo Aurora levaria para (de novo: spoilers) puxá-lo de volta para a nave, removê-lo de seu traje espacial e carregá-lo para a cabine de tratamento médico (ele deve pesar, no mínimo, vinte quilos a mais que ela): caso ainda fosse possível revivê-lo, ele estaria condenado a passar o resto de sua existência como vegetal – e isto ainda seria mais verossímil do que vê-lo sobreviver à descarga do reator apenas por estar segurando uma porta como escudo térmico ao ser atingido pelo calor e pela radiação.

E tudo isso para que Aurora possa implorar que ele volte para ela, comprovando que, afinal de contas, a fantasia masculina de despertar a fidelidade e o amor de uma mulher que se encontrava fora de alcance é possível de ser realizada, bastando forçá-la a enxergar o valor daquele que ela inicialmente considerava erroneamente um stalker.

Quer mais? Ao julgar que está prestes a morrer, Jim se declara uma última vez a Aurora, dizendo que, se tivessem chegado ao planeta-colônia, ele “construiria uma casa” para ela.

Faltou apenas prometer comprar também um fogão, uma geladeira e uma tevê a cores. Afinal, ela precisa ver a novela das oito, não é mesmo?

6 de Janeiro de 2017

(Ei, dá um segundinho, pode ser? Se você gostou deste texto - e se curte as críticas que lê aqui no Cinema em Cena -, saiba que ficamos bastante felizes, pois o site precisa de seu apoio para continuar a existir e a produzir conteúdo de forma independente. Para saber como ajudar, basta clicar aqui - só precisamos de alguns minutinhos para explicar. E obrigado desde já pelo clique!)

 

Comente!

  • Lesly em 22/01/2017 às 02:41

    Poxa, Pablo.. Obrigada! Muito obrigada por demostrar empatia pelo tremendo mal-estar que eu como mulher senti vendo o filme. Muito obrigada por entender o quanto tudo isso é ofensivo para mim, mesmo você não estando na pela de uma moça. E muito obrigada por nem se dar ao trabalho de responder direito esses comentários de caras que procuram palavras difíceis no dicionário para tentar educadamente por em cheque o que você escreveu, se dizendo "incomodados" com alguns discursos. Bom, eu me sinto meio incomodada com os comentários deles... então.
    Obrigada por deixar explícito no texto suas opiniões pessoais e julgamentos morais. Essa coisa de "acho que suas percepções individuais estão alterando sua crítica" é tão século XIX.. Tão Positivista! hahahaha. Seu texto não é neutro porque, como indivíduo, você não é neutro. Que coisa, né?! Melhor deixar as coisas nítidas do que ficar pagando de crítico neutro, eu penso. Visto que isso sequer existe - obviamente.
    Valeu ;) Você é 10 s2

  • Gabriel Meireles em 15/01/2017 às 22:35

    O filme, então, é basicamente a ideia do "the implication" do Always Sunny in Philadelphia?

    https://www.youtube.com/watch?v=-yUafzOXHPE

  • ELTON ALTAIR COSTA em 15/01/2017 às 12:40

    Pablo! Meus cumprimentos por tuas criticas, em especial a respeito do filme Cidade dos Sonhos, que muito me impressionou, a revelar vossa perspicácia no teu metier. Considerando que assistir Os Passageiros com meus familiares que me fizeram alguns questionamentos interessantes que gostaria de saber tua opinião, se possível, a saber: (i) A vossa análise, segundo a qual é um erro o filme considerar Jim um herói, deve-se ao fato de que, por ele ser egoista e canalha, não poderia o diretor ter-lhe destinado a nobreza de consertar a espaçonave para salvar a vida de Autora e dos outros 4.998 passageiros e demais tripulantes ? (ii) Mas não é verdadeiro que qualquer um de nós teve ou terá seu instante de egoísta e canalha em algum momento da vida ? (iii) Não é com as atitudes erradas que aprendemos a crescer e agir corretamente depois ? (iv) A falha do filme foi a de apresentar Autora como uma loura desatinada, precipitada e injusta ao acusar Jim de assassinato e que depois teve que engolir o mesmo como herói ? Grande abraço, Élton.

  • Pablo Villaça em 13/01/2017 às 22:53

    Thiago, eu vi o filme ANTES de Moana. Se um influenciou minha percepção sobre o outro, foi o contrário: é mais provável que eu tenha apreciado MAIS a força de Moana por estar tão horrorizado com o que havia acabado de ver em Passageiros.

  • Mauricio Costa em 12/01/2017 às 17:09

    O Olivires disse tudo! hahahahahaha!

  • Marco Aurélio Cruz Novaes em 11/01/2017 às 15:18

    Filminho safado esse !

  • DHEBORA SALES em 10/01/2017 às 01:40

    Tirando toda essa parte da ficção científica... A Aurora encontrou seu propósito... A garota escolheu ficar e escrever algo surpreendente para o mundo... Uma aventura, experiência que nenhum passageiro terá... Todos os passageiros saberiam o que iriam encontrar no outro planeta que esqueci o nome, pois o marketing foi pesado, é claro quando ela o entrevista... Porém o percurso até lá a Aurora, mesmo contra vontade, teve a oportunidade de presenciar e enternizar tudo isso. Porque Pablo você achou que foi por causa dele que ela decidiu ficar? Ela foi ambiciosa e muito inteligente. Será que dentre os 5k de passageiros só existia ela de escritora no planeta com o mesmo objetivo que ela? Sei lá só percebi assim, ela viu uma oportunidade, já que o pai dela tinha um prêmio e ela nenhum... Só acho... Só ter um pouco de fé...

  • THIAGO LUCIO OLIVEIRA DA SILVA em 09/01/2017 às 12:58

    Pablo, me desculpe, mas me permita discordar. Acho que o fato de você ter visto esse filme após Moana pode ter atrapalhado o seu julgamento. A atitude de Jim é realmente egoísta e indefensável, mas é justamente isso que torna a experiência de acompanhar a relação entre ele e Aurora mais complexa do ponto de vista narrativo, afinal o que eles vivem juntos é autêntico e orgânico por piores que fossem suas intenções. Julgar o personagem por uma atitude egoísta como se nenhum de nós pudéssemos tomar atitudes egoístas ao longo da vida é um erro e o filme nos apresenta esse dilema sem a obrigação de nos convencer, mas confesso que considero uma atitude compreensível, embora indefensável. E precisamos tomar muito cuidado nos dias de hoje com a questão do empoderamento feminino e outras questões femininas, como se as mulheres não pudessem mais curtir um romance, chorar pelo homem que ama ou implorar para que ele volte se ela toma essas atitudes por se sentir dessa forma. A Aurora do filme era uma mulher independente que na situação mais improvável possível se apaixonou e se decepcionou, mas que no final das contas queria passar a vida ao lado do homem que ela aprendeu a amar. Sou um defensor da independência feminina, por direitos iguais e que a mulher se torne cada vez mais representativa em nossa sociedade, mas parece que não é mais permitido que as mulheres sejam frágeis, inseguras ou que demonstrem que sim, sentem falta de um homem quando estão sozinhas, ou que não, que estão muito bem sozinhas, obrigado! Parece que agora toda mulher tem que seguir uma cartilha de comportamento anti-machista para serem consideradas mulheres de verdade. De qualquer forma, o filme é irregular, limitado, pouco ambicioso no seu âmbito de ficção científica, mas consegue ser divertido quando não se leva a sério e levemente açucarado em sua história de amor, afinal homens e mulheres ainda podem se apaixonar, ainda não está proibido, segundo a cartilha do feminismo. Desculpe pelo suposto tom nervoso das palavras, mas essa postura de classificar o comportamento feminino ou de qualquer outra pessoa, tem me incomodado um pouco. Sugiro ouvir também a coluna de hoje da Inês de Castro da Band News FM sobre o perfil da princesa Moana... grande abraço, bons filmes e vida longa ao site!!!! Thiago.

  • Ana em 07/01/2017 às 22:54

    Finalmente uma crítica que entendeu filme. Me recuso dar nota pra um filme tão ruim e misógino. Fiquei muito triste, adoro o Chris desde Parks and Rec 😕 e a Jennifer em Jogos Vorazes.

    SPOILER
    Quando ela fala pro Lawrence Fishburnw sobre o personagem do Chris ter acordado ela, ela fala em assassinato e 80% da sala riu, como se ela estivesse sendo exagerada pra ser engraçada. Fiquei realmente triste que as pessoas não entenderam a situação em que foi colocada. 😔😔😔😔😔

  • olivires em 06/01/2017 às 19:26

    Filme muito ruim, o roteiro sem pé nem cabeça desperdiça Jennifer Lawrence e Lawrence Fishburne (figurante de luxo).

    Dez absurdos do roteiro:

    1. A empresa opera comercialmente uma nave gigantesca para passageiros que estão hibernando em casulos mínimos;
    2. Um enorme espaço ocioso para uso apenas nos últimos 4 meses;
    3. Energia e oxigênio disponíveis para NENHUMA pessoa acordada durante 120 anos, em vez de estar economizando recursos;
    4. Peças de reposição duplicadas para todos os itens, mas não existe NINGUÉM para fazer a manutenção, nem mesmo robôs;
    5. O único androide embarcado só sabe limpar copos;
    6. Uma árvore é plantada no assoalho de metal da nave;
    7. Surgem PASSARINHOS voando nas cenas finais do filmes;
    8. Lawrence Fishburne aparece só para abrir umas portas emperradas e fornecer um bracelete de tripulação, antes de morrer;
    9. A quantidade de comida e oxigênio usados por 2 pessoas por 90 anos é equivalente ao consumo de 540 pessoas em 4 meses, 10% dos passageiros não chegaram no final da viagem;
    10. Que ideia imbecil de acordar 4 meses antes da chegada só para fazer um "cruzeiro espacial" e comer comida de 120 anos atrás.

  • Roberto em 06/01/2017 às 12:10

    Sempre será legítimo que um crítico de arte insira aspectos morais na sua interpretação de uma obra . A polêmica alimenta , e até representa alicerce de crescimento . Então vamos lá . “Passageiros” é um “feel good movie” e se comporta como uma comédia romântica clássica modernizada , acrescento , deliciosa , o que não é necessariamente ruim. É um “blockbuster” , o que não diz das características intrínsecas da obra, seguindo suas próprias regras ( como lembra seu assíduo leitor !). E me permita Pablo; discordo de sua leitura majoritariamente depreciativa e infiro que as os valores e crenças pessoais filtraram algo da análise. Como escreveu Austin Wright no livro que inspirou o magnífico “Animais Noturnos”, o escritor sempre fala de si mesmo. Certamente “Passageiros“ não permanecerá em minha mente pelos próximos anos como “Animais Noturnos” ; mas isso só poderei te dizer quando chegarmos ao planeta, daqui a noventa anos. “Cantando na chuva” e “O pecado mora ao lado” permaneceram. Entretenimentos escapistas , beneficiados pelo distanciamento temporal. A citação tangente explícita , de “O Iluminado” me parece ter função dramática no processo de enlouquecimento solitário do protagonista , e a mudança de registro do bartender, sem que se altere sua inflexão é eloquente , ao apresentá-lo como reflexo do humor dos personagens humanos, numa subversão de Kubrick. Embora “Bela Adormecida“ , a personagem Aurora , não me pareceu tão frágil e dependente , ainda que com concessões a fantasia . A captura no espaço é bonita de se ver e parece uma resposta a “Gravidade” de Afonso Cuarón, com a astronauta que perde seu companheiro em condições similares. Talvez ainda impressionado pelo atmosfera trágica de “Animais Noturnos“,tenha gostado tanto da mudança de registro de “Passageiros”. Nem toda mocinha precisa ser Ofélia.

 

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