Poster: Assassin's Creed

 

 

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Banner: Assassin's Creed

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
11/01/2017 21/12/2016
Fox

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por Justin Kurzel. Roteiro de Michael Lesslie, Adam Cooper e Bill Collage. Com: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Charlotte Rampling, Brendan Gleeson, Michael Kenneth Williams, Denis Ménochet, Ariane Labed, Khalid Abdalla, Essie Davis, Callum Turner, Carlos Bardem, Javier Gutiérrez e Brian Gleeson.

O credo dos Assassinos, apresentado logo nos primeiros minutos de (claro) Assassin’s Creed, envolve promessas de devoção total à causa envolvendo a proteção da “Maçã do Éden”, que, segundo aqueles que a procuram (Templários) ou guardam (Assassinos), foi “deixada por Deus como um mapa para entender a violência” – e que, como outro personagem explica em certo momento, “contém o código genético do livre-arbítrio”.

Sim, “código genético do livre-arbítrio”. Algo que de alguma forma está condensado no objeto, uma esfera de metal cujo conceito, acredito, só pode ter nascido de um erro de comunicação entre os três indivíduos que assinam o roteiro: “Ela representa o Pecado Original, entende? A Maçã é uma metáfora!”, deve ter dito um deles em uma ligação com sinal ruim. “Um metal? Ok, anotado!”

É isso que acontece quando você coloca o roteirista de Macbeth num projeto com a dupla responsável por No Pique de Nova York.

Adaptação da série de games criada pela Ubisoft, Assassin’s Creed é um daqueles filmes que começam com vários letreiros explicando a mitologia básica do universo no qual a história se passará, voltando a anotar na tela para o espectador cada mudança de época e locação. Assim, depois de uma introdução ambientada na Espanha, em 1492, damos uma passadinha em 1986 antes de voltarmos a encontrar o protagonista, Cal Lynch (Fassbender), nos dias de hoje e prestes a ser executado. Porém, em vez de ser morto pela injeção aplicada pelo carrasco, ele acaba acordando em uma instalação misteriosa e descobrindo que agora está sob a guarda de uma organização que pretende utilizá-lo para encontrar a tal Maçã. Para isso – como explica a “cientista” vivida por Marion Cotillard (e que adora repetir sua ligação com a “Ciência”) -, Cal será ligado a uma máquina chamada Animus, que o mergulhará em sua “memória genética”, permitindo que refaça os passos de Aguilar, sua “encarnação” anterior (ou algo parecido).

Aliás, como o DNA humano é prático: ele não só guarda em sua composição tudo o que vivemos como ainda vem com uma linha do tempo que permite, com a tecnologia correta, que um técnico vasculhe passagens específicas de nossas existências passadas – incluindo todos os golpes desferidos em uma luta. Muitos acreditam que o DNA contém as informações genéticas responsáveis por cada detalhe de nossos organismos, mas o que Assassin’s Creed revela é que também funciona como um arquivo de imagens, como um YouTube pessoal capaz de exibir cada segundo de todas as nossas existências pregressas.

Não, como podem ver, o roteiro não é muito hábil em suspender a descrença do espectador. Uma coisa é introduzir conceitos fantásticos de um universo ficcional particular; outra, atirar uma série de absurdos no público e apenas esperar que este aceite tudo por ter comprado um ingresso. Como base de comparação, revejam A Origem e notem como Christopher Nolan investe um longo tempo não só para introduzir cada elemento e regra de sua história, mas também para ilustrá-los através de sequências que gradualmente se aprofundam em seus componentes ficcionais antes de finalmente começar a usá-los de fato na trama, ao passo que, em Assassin’s Creed, temos apenas Sofia (Cotillard) ligando Cal em uma máquina e perguntando a um assistente se a “sincronização genética” foi alcançada.

O curioso é que, no restante do tempo, o filme demonstra gostar bastante de diálogos excessivos e desnecessários que obrigam intérpretes do calibre de Fassbender, Cotillard, Jeremy Irons, Charlotte Rampling e Brendan Gleeson a dizer coisas como “Houve uma divisão neurológica, mas pegamos você” ou a simplesmente berrar frases como “Salto de fé!” – que, como alguém que nunca jogou os games, suponho ser algo importante naqueles, mas que aqui surge como algo gratuito, sem qualquer justificativa ou lógica. É como se uma adaptação de O Incrível Hulk de repente mostrasse Bruce Banner se transformando sem antes explicar que este foi atingido por raios gama e que a raiva dispara a mudança – e, para contornar o problema, apenas colocasse um outro personagem gritando “Lá vem o verdão!”.

O que os roteiristas não parecem perceber é que uma adaptação tem que funcionar de forma independente; sim, pode até conter detalhes que só serão percebidos e apreciados por quem conhecer o material original, mas jamais depender deste para preencher lacunas da narrativa. Infelizmente, Assassin’s Creed é uma obra tão preguiçosa que, quando Sofia acusa Cal de ter matado um homem e o sujeito justifica simplesmente respondendo “Um cafetão”, não é possível sequer acusá-la de trivializar a violência e o assassinato, já que o mais provável é que os roteiristas nem sequer tenham percebido as implicações da troca de diálogos.

Enquanto isso, o diretor Justin Kurzel, que havia se saído bem melhor em sua colaboração anterior com Fassbender (Macbeth: Ambição e Guerra), se perde completamente desta vez, demonstrando total incapacidade de construir sequências de ação minimamente inteligíveis ou interessantes: se os cortes excessivos combinados com o movimento constante de câmera já tornariam difícil acompanhar o que ocorre, na versão em 3D isto se torna impossível – e em certo momento, quando Kurzel enfoca o protagonista disparando uma flecha na direção de uma parede para que ricocheteie e atinja um alvo, a graça da estratégia é anulada pelos enquadramentos e pela montagem. Já em outras cenas, a questão deixa de ser incompetência e vira estupidez, como no instante em que Sofia vê o pai e o herói através de um monitor de segurança e percebemos que o vídeo exibe a dupla caminhando em direção à câmera, que se afasta destes em um travelling ilógico (a não ser, claro, que o prédio seja monitorado por operadores de câmera que seguem todos que passam).

Trazendo um ou outro plano aéreo eficaz, Assassin’s Creed serve ao menos para demonstrar que Mad Max: Estrada da Fúria está se tornando influente como deveria, já que aqui e ali o diretor usa a estratégia de George Miller ao empregar um frame rate baixo para acelerar a ação. Sim, é mal utilizado, mas a inspiração é boa. Por outro lado, nada justifica a pavorosa trilha sonora composta por Jed Kurzel (irmão do cineasta), que parece acreditar que a abordagem correta é incluir todos os instrumentos existentes no planeta em “temas” que vão aumentando em volume, frequência e ritmo até que o espectador se sinta torturado como os personagens.

Como se não bastasse, o filme ainda faz questão de deixar aberta a possibilidade de uma continuação para a história de seus Assassinos.

Credo.

11 de Janeiro de 2017

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Comente!

  • Claudio Ramos em 16/01/2017 às 20:35

    Joguei todos os games da série e torcia muito para que esse filme desse certo. Hoje assisti e confesso que ficou melhor do que eu imaginava, mas convenhamos o filme é estranho para quem não é fã da franquia. O roteiro é simples, cafona e também não curti a trilha sonora. Porém, fazia tempo que não me divertia tanto com um filme entretenimento. Acertaram de mãos cheias no animus, na Abstergo, nas lutas e nos planos aéreos. Por conta disso, veria Assassin´s Creed duas ou mais vezes sem problema. O que realmente não funciona e incomodou bastante foi o final (estou no aguardado da DLC complementar do filme - quem é gamer entenderá a piada).

  • Bruno em 14/01/2017 às 22:12

    Jaque, ele avalia o filme de forma imparcial. Você sendo fã do jogo, é óbvio que vai achar a crítica dele péssima. Outra coisa, seu texto é um abarrotado de palavras sem vírgula, onde não se entende metade do que você quer dizer; provavelmente você é uma criança querendo defender o indefensável: esse filme é ruim e pronto.

  • Jaque em 14/01/2017 às 19:55

    Eu acho que vc n entendeu nada do filme (haha) tu soh foi ver o filme pra se divertir ou tu penso um pouco enquanto olhava? A maçã não foram os roteiristas que inventaram. O jogo é TODO baseado nesse artefato. Ele contém o poder de controlar todos e por isso é tão perigoso na mão dos templários. Os atores eu achei que a moça soh serviu pra explicar mas no proximo filme (se tiver) será importantíssima. As referências do jogo obviamente iriam ter. Na perte que tu falo reencarnação ou algo do tipo eu percebi que tu n presto mta atenção. São memórias dos antepassados que ele revive e só pq tu n entendeu n quer dizer que o filme seja ruim tu pode ser soh burro mesmo. A parte do salto de fé é uma parte da sincronização mas isso o filme n explcou e foi um erro muito grande. Foi um grande fan service mesmo. Mas não da pra comparar isso ao hulk pq eu vi os filmes e os vingadores e não sabia que ele tinha sido atingido por raios gama e isso n me fez falta nenhuma. No começo achei um erro também que eles não explicaram pq eles cortaram o dedo anelar do Aguilar (era para a lamina ter liberdade para se expandir e não machucar o dedo do assassino). Outra coisa que pode ter contribuido para você não ter entendido a parte do antepassado eh pq o Aguilar e o Callum eram o mesmo ator. No jogo são pessoas diferentes, o que deixa miito mais facil de entebder todo o animus e tal. Mas acho que eles fizeram isso pra deixar mais facil de entender que era antepassado mas n funcionou. As cenas de ação são iguais as do jogo então nem reclama disso. Assim. Não foi o melhor filme do mundo mas tbm n foi o pior. Tu soh apontou os erros. Não foi tão ruim que n teve NADA de bom pelo amor de deus. E pra faze essa critica tu poderia pelo menos ter jogado alguma coisa. A maçã do eden nem eh do jogo então culpa a biblia por ter definido ela assim pq culpar os roteiristas por uma coisa q eles tinham q ter colocado no filme eh idiota.

  • Mayte Regina Vieira em 13/01/2017 às 08:20

    Pedro Henrique Fonseca da Silva, eu assisti ontem e foi exatamente o que fizeram, jogaram a narrativa de vários jogos, que foram se desenvolvendo aos poucos às pressas, de maneira sem sentido e com uns argumentos grotescos como este de que a maçã do Éden contém a "semente do livre-arbítrio", hã??? Mas as cenas de ações ficaram bem legais. Quem, como eu, joga e curte muito os jogos, não saiu do cinema com aquela sensação de horror como com as adaptações de Tomb Raider e de Príncipe da Pérsia (minha maior decepção), mas para quem não joga o filme é uma bagunça sem sentido, sem credibilidade e sem graça... Infelizmente erraram a mão nisto, quiseram condensar os 4 principais jogos em 1 filme sem pé. Ficou absurdo e com situações totalmente forçadas...

  • John Constantine em 12/01/2017 às 23:56

    Esse final... :-D

  • Jovem em 12/01/2017 às 17:25

    Segundo parágrafo: Sim, “código genético do livre-arbítrio”. Algo que de alguma forma está condensado no objeto, uma esfera de metal cujo conceito, acredito, só pode ter nascido de um erro de comunicação entre os três indivíduos que assinam o roteiro: “Ela representa o Pecado Original, entende? A Maçã é uma metáfora!”, deve ter dito um deles em uma ligação com sinal ruim. “Um metal? Ok, anotado!”

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • Digo Freitas em 12/01/2017 às 10:34

    Eu queria MUITO que esse filme fosse bom, mas a maldição dos filmes de jogos persiste: um ruim atrás do outro, nenhum ainda que acerte o tom. (ainda não entendi o Pablo ter curtido tanto o Warcraft que me deu enjôo só de ver o trailer...)
    E se preparem, amigo, que logo mais teremos um """filme""" do Sonic e é provável que enfiem humanos reais no meio daquele mundo colorido, ou o contrário.

  • Mayte Regina Vieira em 12/01/2017 às 08:20

    Oi Pablo, eu sou uma fã dos jogos, a série Assassin's Creed da Ubisoft é excelente e tem uma legião de fãs pelo mundo, meu maior é medo era que, de novo, o cinema fizesse uma adaptação que destruísse os games. Pela sua crítica, foi exatamente o que aconteceu. Estreou hoje em minha cidade, então irei assistir. Mas sim, tem coisas que somente quem joga entende, como a questão da maça do Éden e a sincronização de memórias pelo Animus. Se você não entendeu ou achou confuso e ilógico, significa que eles não conseguiram, repito de novo, fazer um bom roteiro para entreter o público que não joga e isto é um pecado mortal, pois deixa uma parcela excluída da narrativa. É uma pena, vamos ver como "gamer" qual será minha impressão e volto a comentar aqui.

  • Pedro Henrique Fonseca da Silva em 11/01/2017 às 23:55

    Não pensei que a coisa ia ficar tão bagunçada. No jogo não precisaram de muito pra explicar como funciona o animus e a memória genética e isso foi expandido a cada capítulo. Espero que não tenha sido porque resolveram jogar no filme de uma vez só o que levaram 6 jogos pra montar que aí não tem como dar certo mesmo

 

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