Colunas Episódio #16: A Mulher Faz o Homem (1939)

Frank Capra era um cineasta frequentemente dado a ufanismos e que não hesitava diante do água-com-açúcar. Era, também, um excelente diretor com um talento especial para a escalação de seus elencos e a condução de seus atores. Todas estas características podem ser observadas em Mr. Smith Goes to Washington, que no Brasil ganhou o curioso título de A Mulher Faz o Homem.

O "Homem" em questão é o Smith do título original e que, interpretado por James Stewart, conduziu o ator direto para a a lista de nomes mais célebres de Hollywood. Já a "Mulher" é sua secretária Saunders, vivida por uma das atrizes mais fascinantes que o Cinema já produziu: Jean Arthur.

Escrito por Sidney Buchman (embora uma disputa legal tenha sido iniciada posteriormente e que envolvia denúncias de plágio), o roteiro envolve um sujeito humilde e honesto que, da noite para o dia, se descobre Senador depois que o representante de seu estado morre subitamente, obrigando o governador a nomear outra pessoa para completar seu mandato (as regras lá são diferentes das nossas, obviamente). Dividido entre um nome indicado pelo poderoso magnata da mídia que o conduziu ao poder e outro exigido por sua base, o governador encontra uma saída no aparentemente inofensivo Jefferson Smith, que chega em Washington carregado de patriotismo e otimismo.

Claro que Capra, como já apontado, não consegue resistir a sequências que se concentram nos monumentos históricos da capital norte-americana e em seus símbolos patrióticos, mas, se ignorarmos estes elementos, A Mulher Faz o Homem permanece um trabalho relevante - e basta acompanharmos a sujeira que ocorre nos bastidores do congresso brasileiro para percebermos como esta obra de 39 se mostra atual. 

Sim, há diálogos envolvendo um machismo casual inevitável em produções da época, mas há também a força da performance de Arthur, que transforma Saunders na personagem com o arco dramático mais interessante e que se mostra uma intérprete bem mais interessante do que o próprio James Stewart, que aqui carregou a mão no bom-mocismo.

E mesmo que o desfecho seja conveniente demais, isto não elimina o fascínio despertado pela simples ideia de ver os corredores imundos do poder sendo percorridos por um homem que se nega a sujá-los ainda mais.

Clique na imagem abaixo para assistir.

Um grande abraço e bons filmes!

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Pablo Villaça Colunista

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.