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Eu gostei bem mais de ARQ quando se chamava No Limite do Amanhã. Dito isso, esta produção original da Netflix é suficientemente boa para ganhar uma recomendação, mostrando-se atenta para o fato de que seu fiapo de história, que basicamente depende da estrutura de repetição para funcionar, acabaria se esfarelando caso não fose apresentado de maneira objetiva e direta. Assim, com breves 88 minutos, o filme chega ao fim quando já estamos começando a cansar de suas brincadeiras temporais.

A trama, que remete não só a No Limite da Amanhã, mas a predecessores deste como Feitiço do Tempo e Meia-Noite e Um, tem início quando o engenheiro Renton (Robbie Amell, um Christian Bale menos intenso e talentoso) desperta em sua cama ao lado da ex-esposa Hannah (Rachael Taylor) às 6:16 da manhã (apenas 15 minutos mais tarde do que Bill Murray, portanto). Imediatamente atacado por três estranhos que invadem sua casa, ele acaba sendo morto apenas para acordar novamente às 6:16 e repetir todo o processo.

Mesmo pouco original, a premissa de ARQ é suficientemente interessante para contornar as referências óbvias, sendo interessante também como aos poucos o roteiro permite que outros personagens consigam se lembrar dos ciclos anteriores, tornando os confrontos mais complexos e perigosos. Além disso, o ritmo ágil da narrativa mantém o espectador interessado e disposto a ignorar como o universo no qual a história é inserida é desenvolvido de forma rasa, contando com nossa confusão diante dos acontecimentos para evitar questionamentos sobre as partes envolvidas na guerra, sobre o contexto do tom pós-apocalíptico da trama e assim por diante.

Basicamente funcionando como um filme de câmara, já que se passa praticamente todo dentro da casa do protagonista, ARQ é uma ficção científica que não precisa de um orçamento grande para entreter, mas que tampouco se permite explorar a fundo as implicações do que apresenta.

Gostei de tê-lo visto, mas duvido que - como faço frequentemente com Feitiço do Tempo - eu volte a visitá-lo no futuro. 

Clique na imagem abaixo para assistir.

Um grande abraço e bons filmes!

Outras edições da coluna:

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Episódio #20: Alan Partridge: Alpha Papa
Episódio #19: Stranger Things
Episódio #18: Em Nome de Deus
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Episódio #16: A Mulher Faz o Homem
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Episódio #14: O Rei da Comédia
Episódio #13: Jesus Camp
Episódio #12: O Barco: Inferno no Mar
Episódio #11: A Fortuna de Ned
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Episódio #07: À Procura de Elly
Episódio #06: O Guarda
Episódio #05: Triângulo do Medo
Episódio #04: Tempo de Despertar
Episódio #03: A Trapaça
Episódio #02: Tyke: Elephant Outlaw
Episódio Piloto: 21 longas para começar.

  • Lucas Fernandes de Albuquerque Lira em 19/09/2016 às 01:01

    Pablo, a familiaridade do roteiro com as obras citadas é clara. Mas tentando olhar como obra única, vejo um filme com uma premissa instigante, uma execução eficaz e um final condizente com a trama.
    Achei válida a não contextualização mais expositiva do universo, vamos pescando algumas coisas aos poucos.
    E, comentário meio aleatório: reparou quantos filmes este ano se passam predominantemente dentro de uma casa? Room, Hush, Cloverfield Lane, Homem nas Trevas, The Invitation...

 

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Colunista:

Pablo Villaça

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

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